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De atendente a dono da Vitor Gás e Água: 7 anos de uma revenda em Dracena | AdamiCast #120

26 de maio de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #120 do AdamiCast

A Vitor Gás e Água é uma revenda de gás de cozinha e água mineral em Dracena, SP, e o Vitor Reinalde toca ela há sete anos depois de oito anos trabalhando no escritório de outra revenda da cidade. A história dele tem Pampa lotada de fardo de água, primeira entrega pra mãe, alvará do bombeiro que demorou, atendimento das sete da manhã às dez da noite e dois anos que quase quebraram tudo: a perda da mãe por câncer, o pai com Parkinson, a síndrome do pânico que o derrubou no volante e a saída temporária da rua que custou clientes.

Oito anos no escritório, e a sacada que ninguém via

O Vitor trabalhou oito anos numa revenda de gás em Dracena, mas no escritório. Atendia telefone, anotava pedidos, era o ponto de contato dos clientes. Foi ali que ele percebeu o que as empresas grandes daquele mercado não conseguiam fazer. “Os cliente não conheciam os donos da empresa, conheciam os entregadores. Aquele contato direto com o dono ficava de fora”. A partir dessa observação nasceu a ideia de abrir negócio próprio. “Eu falei: vou fazer uma empresa que vai estar com o meu nome, adesivada na camionete. Pra pessoa saber quem tá entregando”.

A hora de tomar a decisão foi apertada: esposa grávida da segunda filha, financiamento da casa no bairro Palmeiras, prestação da Caixa pra pagar todo mês. Muita gente falou que ele ia passar fome. “Tinha gente que falou: você vai passar fome. E eu fiquei um ano lembrando dessa frase todo dia”. Mas ele e a esposa bancaram o risco e foram em frente.

A Pampa, a água na garagem da sogra e o alvará que demorou

A primeira aquisição da Vitor Gás e Água foi uma Pampa, comprada com ajuda da família. “Eu juntei na família um pouquinho de cada um, consegui comprar uma Pampa. Era o meu sonho de consumo”. Nos primeiros meses, ele ainda não podia vender gás: faltava o alvará do Corpo de Bombeiros, e a companhia só fornece pra revenda cadastrada. A saída foi vender água. Ele enchia a Pampa de fardos de galão, saía batendo de casa em casa, oferecendo. A água ficava na garagem da sogra, porque ainda não havia depósito próprio.

Quando saiu o alvará, veio a primeira carga de gás no fim da noite. “Chegou umas sete e meia, oito horas da noite. Eu fiquei a noite inteira fazendo a lista pra entregar no dia seguinte. A primeira entrega foi pra minha mãe, eu nem cobrei”. O que começou com água em fardo e uma Pampa virou aos poucos o estoque de botijões que sustenta a empresa hoje.

O horário que ninguém queria cobrir virou diferencial

O Vitor montou a rotina da empresa em cima do que os outros não faziam. Onde as revendas grandes fechavam às seis da tarde, ele atendia até as nove, nove e meia. “A única oportunidade que eu tinha era atender fora de horário. Eu saía avisando os postos de gasolina da cidade. Começou a girar”. O expediente virou das sete da manhã às dez da noite, todos os dias, ele próprio na rua, ligando cliente, indo atrás de cobrança.

A vantagem que ele construiu foi saber a vida de cada cliente: quem tinha urgência, quem estava devendo, quem precisava de flexibilidade no pagamento. “Eu sei quem tem urgência que não tem. Comecei a conhecer a rotina da galera. Hoje eu conheço bem os cliente desde a assinatura, até o horário que recebe”. Foi assim que ele entrou na intimidade da casa das pessoas, literalmente: “Tem cliente meu que deixa a chave pra fora, eu sei onde fica a chave da casa dele. Vou lá, determino o bujão, deixo, tranco. É confiança”.

Quando o pânico e a perda quase quebraram tudo

A história da Vitor Gás e Água também é a história de quem quase parou. No primeiro ano da empresa, em agosto, a mãe do Vitor foi diagnosticada com câncer em estágio avançado. “Ela faleceu dia 31 de dezembro. Nesse intervalo a empresa tava decolando”. Depois veio o diagnóstico de Parkinson do pai, que precisou de cuidado integral por cinco, seis anos, revezado entre o Vitor e o irmão Frederico, com cuidadores durante o dia e presença dos filhos todo fim de semana.

No meio dessa sequência, ele teve uma crise de ansiedade enquanto dirigia na Avenida Brasil. “Eu apaguei cara, eu tava dirigindo. Começou a apertar o peito, perdi as pernas, liguei pra minha esposa: liga pro resgate, tô morrendo, tô infartando. Era pânico”. O diagnóstico veio depois, com tratamento do Dr. Cid Soriano. “O problema do pânico é o medo de acontecer de novo. Tinha dia que eu não conseguia voltar a trabalhar. Aí eu comecei a perder cliente. O funcionário entregava errado, o galão chegava quebrado, e eu não tava ali pra ver”. Em março do ano anterior, perdeu o pai, a tia e a avó na mesma semana. “Foi um mês bem grosso. Mas passou. Hoje a empresa graças a Deus tá bem, eu quero voltar a postar, fazer barulho”.

“Você vende gás e água, você vende atenção”

No mercado de gás e água, o Vitor acredita que o diferencial dele nunca foi preço. Foi presença. “Você não vende só gás e água, você vende também atenção. Tem cliente que sabe até que eu passei mal, eles me ligam pra saber como eu tô”. Por isso ele mantém um olhar próximo de quem atende: o cliente que precisa de ajuda pra trocar o galão do bebedouro, a senhora que não tem troco e ele espera quarenta minutos o cartão cair, a família que tem cachorro bravo e ele avisa antes de entrar.

A outra metade da empresa é a água mineral, e ali ele tem uma regra: “A gente não cobra o galão do cliente. Somos a única revenda de Dracena que não cobra. Hoje o plástico tá caro, o casco tá caro, mas a gente absorve porque a relação vale mais”. Foi o que segurou a base de cliente nos meses em que ele teve que se afastar pra cuidar da família. Hoje, a Vitor Gás e Água atende de domingo a domingo, em toda Dracena, com logística separada por bairro: “O Palmeiras funciona à noite porque o pessoal trabalha fora. O Santa Clara funciona de dia porque o pessoal já mora lá há muito tempo. A gente adapta o horário à rotina do cliente”.

Onde encontrar

A Vitor Gás e Água atende em Dracena, SP, com revenda de gás de cozinha (P13, P45 e granel) e água mineral (galão de 10 e 20 litros), de domingo a domingo, com entrega fora do horário comercial. O Vitor Reinalde também atende particular no celular e responde por WhatsApp. Para pedir ou acompanhar, os Instagrams são: @vitorreinalde e @vitor_gasdracena.

Resumo do episódio

A Vitor Gás e Água é uma revenda de gás de cozinha e água mineral em Dracena que começou com uma Pampa lotada de garrafas de água e cresceu até se tornar referência no atendimento 24 horas. O Vitor Reinalde trabalhou oito anos no escritório de outra revenda antes de identificar a oportunidade de negócio: oferecer contato direto entre cliente e dono, diferencial que o manteve atuante mesmo durante crises pessoais graves como a morte da mãe, diagnóstico de Parkinson do pai e síndrome do pânico.

Principais aprendizados

  • O diferencial de mercado pode não estar no preço, mas na presença: conhecer a vida de cada cliente e oferecer flexibilidade onde os concorrentes não oferecem.
  • Horários que os concorrentes evitam podem se tornar um diferencial competitivo quando explorados com consistência.
  • A confiança gerada pelo atendimento personalizado mantém a base de clientes mesmo durante períodos de afastamento do dono.
  • O contato direto entre dono e cliente é um valor diferencial que grandes empresas do segmento não conseguem oferecer.
  • Absorver custos em benefícios como não cobrar o galão de água mineral fortalece o relacionamento e retém clientes nos períodos críticos.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar uma revenda de gás e água com pouco capital?

A primeira aquisição foi uma Pampa comprada com ajuda familiar. Nos primeiros meses, enquanto aguardava o alvará do Corpo de Bombeiros para vender gás, vendeu água em galões transportados na própria camionete, com estoque na garagem da sogra até conseguir depósito próprio.

Como se diferenciar de revendas maiores no mercado de gás e água?

Oferecendo atendimento fora do horário comercial que concorrentes grandes não cobrem, mantendo presença constante na rua, conhecendo a rotina de cada cliente e oferecendo flexibilidade no pagamento e serviços como ajudar a trocar galões.

Por que não cobrar o galão de água mineral é uma estratégia de negócio?

Apesar do custo alto do material, absorver essa despesa fortalece a relação com o cliente e mantém a base durante períodos em que o dono precisar se afastar por questões pessoais ou familiares.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.