Ele era diretor jurídico de multinacional em São Paulo, com 26 anos de carreira construídos no Tatuapé, na associação dos advogados e no tribunal conciliatório. Ela trabalhou a vida inteira com o pai na metalúrgica, e o casal tinha casa, lancha, sítio e carro na capital. Quando resolveram voltar pra Dracena, venderam tudo, recomeçaram do zero, e abriram uma pizzaria com um diferencial que rendeu marca registrada e propaganda no Instagram: pizza quadrada, massa sem lactose, ovo nem fermento. Danyel Gaspar e Adriana Gaspar são o casal à frente da Di Sampa Pizzaria e da Petcompras, e contaram no AdamiCast #150 a história de como uma vida que parecia resolvida virou projeto de cidade pequena, e por que a decisão de trocar advocacia por pizza foi menos sobre gastronomia e mais sobre o tipo de vida que o filho deles ia ter.
A vida em São Paulo que não cabia mais
Danyel nasceu no Jabaquara, cresceu na zona leste, se formou em Direito e construiu carreira em São Paulo: três anos na Associação dos Advogados, supervisão do boletim, presidência de tribunal conciliatório, e por fim a assessoria jurídica pra construtoras de grande porte. Adriana nasceu em Dracena, foi pra São Paulo aos 10 anos com a mãe, e trabalhou com o pai na metalúrgica da família desde 1999, até virar o braço direito e esquerdo dele. Casados há 17 anos, com um filho, a vida na capital parecia resolvida, até deixar de parecer.
A virada veio de duas constatações combinadas. A primeira foi profissional: Danyel passou a chamar o trabalho de “prostituição profissional”, porque a conta era trabalhar mais, dormir menos, e nunca ver o filho. A segunda foi geográfica: Dracena, pra Danyel, sempre foi a cidade do avô dele, do Chopão, e Adriana tinha família inteira lá. Quando o garoto, de cinco anos, subiu numa mangueira na frente da casa nova em Dracena e disse que não queria descer porque “tava batendo um vento bom”, a decisão tão discutida virou irreversível. “Ele só queria mais dez minutinhos do meu lado. Foi o que decidiu.”
Vender tudo, esperar dois anos, e começar do zero
Decidido voltar, veio a parte prática. A casa de São Paulo ficou dois anos à venda sem nenhuma oferta, e a empresa de Adriana também não vendia. Sítio, lancha, carro, tudo parado, e a vida num limbo que só destravou quando, numa ida à igreja, ouviram a frase “vocês vão sair daqui com mãos fortes”. Em um mês, a lancha, o carro, o sítio e a metalúrgica foram vendidos. “Coisa que não vendia em dois anos, vendeu em um mês. Aí você fala: é o tempo de Deus.”
A ideia da pizzaria veio da experiência. Em São Paulo, pizza era programa de fim de semana quase obrigatório, e toda vez que vinham pra Dracena estranhavam o estilo local, mais massa, mais recheio, sem a finura que tinham aprendido a gostar. O diagnóstico virou diferencial: pizza mais leve, massa mais fina, formato diferente. “A gente falou: esse negócio vai dar certo.” A combinação de saber o que o público queria e a disposição de recomeçar transformou o que parecia risco em projeto de cidade.
Pizza quadrada, massa sem fermento, e o nome que veio de madrugada
O formato quadrado da pizza não foi marketing, foi decisão. A massa da Di Sampa é zero lactose, sem ovo e sem fermento, o que significa que a equipe trabalha muito mais pra entregar uma massa boa sem os ingredientes que normalmente dão maciez. A combinação de massa diferente e formato diferente virou marca registrada, e o nome “Di Sampa” veio de madrugada, com Danyel deitado à uma e meia da manhã atirando ideia num caderno. “Eu sou um cara notívago, só funciono de madrugada. As melhores ideias da Di Sampa vieram de madrugada.” Na hora, foi só abrir o computador, registrar a marca no INPI e pór a máquina pra rodar.
O ambiente virou parte do produto. As asas com LED na parede, desenhadas por ele mesmo e iluminadas com garrafas, viraram o ponto instagramável da casa, e o nome na fachada só diz “Di Sampa”, sem a palavra pizzaria, porque a propaganda orgânica dos clientes faz o resto. A experiência do atendimento, segundo Danyel, foi inspirada num restaurante centenário do Itaim onde o dono ia de mesa em mesa perguntar se o cliente estava gostando. “Ele chamava o próprio restaurante de espelunca, e quebrava qualquer paradigma. Eu falei: o dia que eu tiver um negócio vai ser desse jeito.” A Di Sampa é esse jeito.
Atendimento é 100%, e outras lições que ficaram
No bate-papo, Danyel foi enfático num ponto que rege a casa: atendimento é cem por cento do negócio, produto é secundário. Não porque o produto não importa, mas porque o atendimento decide se o cliente volta mesmo quando algo dá errado. “Se um garçom chega mal educado e o prato vier perfeito, você provavelmente não volta. Se o garçom chega bem e o prato vier com um ingrediente trocado, você deixa passar e pede uma cerveja.” Por isso a equipe do salão é tratada como parte central do negócio, e a formação do time é prioridade.
A história da pré-inauguração resume a visão. No dia anterior à abertura oficial, com a casa cheia de família testando o sistema, uma família de Dracena entrou achando que o estabelecimento já estava aberto. Em vez de barrar, Danyel foi até a mesa e disse: “Hoje só estão os meus convidados aqui, mas eu creio num Deus que, se fosse pra colocar alguém, tem que ser convidado. Vocês não são meus convidados, são convidados Dele.” Três dias depois, aquela mesma família voltou com 25 a 30 pessoas. E a velhinha que ganhou um coração de balaões no Dia dos Namorados, e que passou o ano inteiro dormindo com o coração na cabeceira, virou parte da história da casa. “É por isso que eu saio nas mesas.”
Onde encontrar Danyel e Adriana
A Di Sampa Pizzaria e a Petcompras ficam em Dracena, SP, com a pizza quadrada, a massa sem fermento e o atendimento que virou marca da casa. Para acompanhar a rotina, os bastidores e os próximos passos do casal, siga @disampadracena (pizzaria), @petcomprasbr (petshop), @danyelgaspar e @adriana.sacristan. A conversa com o AdamiCast é o tipo de história que mostra como uma vida resolvida em São Paulo pode virar projeto em cidade pequena quando a pergunta muda de “quanto eu ganho” pra “como eu quero viver”.
Resumo do episódio
Danyel e Adriana Gaspar deixaram carreiras consolidadas em São Paulo, diretor jurídico em multinacional e gestora de metalúrgica, para abrir a Di Sampa Pizzaria em Dracena com pizza quadrada, massa sem fermento, sem ovo e sem lactose. A decisão de recomeçar do zero veio da percepção de que a vida na capital não permitia tempo com o filho e da oportunidade de viver em cidade pequena, transformando experiência de consumidor em diferencial de mercado e marca registrada.
Principais aprendizados
- Atendimento é cem por cento do negócio, produto é secundário, porque o atendimento decide se o cliente volta mesmo quando algo dá errado.
- A mudança de carreira foi motivada pela qualidade de vida e tempo com a família, não apenas por oportunidade de negócio.
- O diferencial da pizzaria veio da experiência pessoal como consumidor, identificando o que faltava no mercado local.
- A massa sem fermento, sem ovo e sem lactose exigiu muito mais trabalho da equipe, mas virou marca registrada e atração do negócio.
- Investir na formação e tratamento do time de salão como parte central do negócio determina o sucesso da operação.
Perguntas respondidas neste episódio
Qual é o diferencial da pizza da Di Sampa?
A pizza tem formato quadrado, massa sem fermento, sem ovo e sem lactose. A massa mais fina e leve diferencia o produto da oferta local tradicional, que tinha mais massa e mais recheio.
Por que o casal deixou São Paulo para abrir negócio em Dracena?
A decisão veio de duas razões combinadas: a carreira de diretor jurídico em multinacional não permitia tempo com o filho de cinco anos, e ambos tinham raízes familiares em Dracena. O momento decisivo foi quando o filho disse que não queria descer de uma mangueira porque estava bom ali.
Como o casal conseguiu vender os bens para recomeçar em Dracena?
A casa e a metalúrgica ficaram dois anos sem nenhuma oferta até que, após uma ida à igreja onde ouviram a frase que marcou, em um mês conseguiram vender a lancha, carro, sítio e empresa de metalúrgica.
Qual é a filosofia de atendimento da Di Sampa?
O atendimento é considerado cem por cento do negócio. A equipe de salão é tratada como parte central, não periférica, porque mesmo um produto bom não retém cliente com atendimento ruim, enquanto um produto com pequenos erros é perdoado quando o atendimento é excelente.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.