O episódio 320 do AdamiCast recebeu um casal que decidiu, cada um a seu tempo, trocar de profissão para chegar até a medicina. O doutor Juliano, psiquiatra, e a doutora Larissa, nutróloga, contaram como se conheceram em Dracena, como construíram a vida a dois e como suas especialidades se conversam no dia a dia, ajudando pacientes que buscam equilíbrio entre corpo e mente.
De veterinária e do direito até a medicina
Antes de vestirem o jaleco de médicos, os dois trilharam caminhos bem diferentes. Larissa sempre sonhou em ser veterinária, motivada pelo amor a cavalos desde criança. Cursou veterinária, atuou cinco anos com cirurgia, inclusive em projetos de castração para ONGs, e só decidiu estudar medicina depois de casada, quando o filho Juan já tinha um ano e meio. “Foi o que me estimulou. Estar cursando medicina, né, que moveu o meu interesse”, contou, explicando que a proximidade da profissão do marido despertou esse novo interesse.
Juliano, por sua vez, chegou a cursar dois anos de direito, aprovado tanto na FADAP quanto na Toledo, antes de perceber que aquele não era o seu caminho. O responsável pela virada foi o irmão, que já estudava medicina em Presidente Prudente. “O culpado disso foi meu irmão”, brincou. Acompanhando as aulas de anatomia do irmão, decidiu migrar de curso. Depois, dentro da própria medicina, passou pela geriatria, pensou em pediatria e radiologia, até se firmar na psiquiatria.
A perda que definiu a nutrologia
A escolha de Larissa pela nutrologia tem uma história pessoal marcante. No último ano da faculdade de medicina, ela perdeu a avó, que não chegou a ver sua formação, em decorrência de uma diabetes descompensada. O episódio despertou nela o desejo de atuar na prevenção. “O meu desejo é trabalhar para que as pessoas não adoeçam”, afirmou, defendendo que a medicina deveria investir mais em orientação e estilo de vida do que apenas em tratar doenças já instaladas.
Ansiedade, pandemia e o estigma que caiu
Boa parte da conversa girou em torno da saúde mental e de como a pandemia mudou a forma como as pessoas encaram o assunto. Segundo o casal, antigamente havia um preconceito grande em admitir que se procurava um psiquiatra ou psicólogo, e a pandemia acabou funcionando como um divisor de águas. “Eu acho que quebraram o estigma, sim”, disse Larissa. Juliano reforçou que muitos casos que já existiam se agravaram no período, especialmente entre crianças, que sofreram com o isolamento, o ensino remoto e a ruptura brusca do convívio social.
Hoje, na avaliação dos dois, a ansiedade é a queixa número um nos consultórios, muitas vezes vindo travestida de crises físicas, como taquicardia e falta de ar, sem que a pessoa perceba de imediato que se trata de um quadro emocional. Juliano explicou que os sinais de um quadro depressivo costumam aparecer para quem está por perto antes mesmo da própria pessoa se dar conta, com perda de interesse pelas atividades e queda no autocuidado.
Emagrecimento, hormônios e o corpo que muda com a idade
Na parte da nutrologia, Larissa detalhou como trabalha valores de exames próximos ao ideal, não apenas dentro da faixa de referência, e como a composição corporal importa mais do que o número da balança. Ela reforçou que emagrecer de forma saudável é um processo lento, e que muitos pacientes chegam pedindo soluções imediatas, como medicações emagrecedoras famosas, sem querer aliarem dieta e atividade física ao tratamento. “A gente sofre um pouquinho com isso também, com esses imediatismos das pessoas”, admitiu.
O tema da menopausa e da andropausa também apareceu, com explicações sobre como a queda hormonal se relaciona à perda de massa óssea, ao ganho de peso e até ao aumento de risco de doenças cardiovasculares. Segundo Larissa, hábitos como atividade física regular, exposição adequada ao sol e alimentação equilibrada ajudam a atravessar esse período de forma mais tranquila, ainda que o declínio hormonal seja parte natural do envelhecimento.
O casal e as rotinas que ajudam a manter o equilíbrio
Fugindo um pouco da conversa técnica, os dois compartilharam como o esporte entrou na rotina da família. Juliano contou que pratica provas de tambor com os cavalos como hobby nos fins de semana, enquanto o casal joga beach tennis toda quinta-feira junto com o filho Juan. Larissa relatou o nervosismo que sentiu ao competir por beach tennis pela primeira vez, tremendo tanto que precisou parar para se recompor. “Nosso maior inimigo somos nós mesmos”, resumiu sobre a experiência.
Os dois também falaram sobre o desafio de equilibrar o tempo de tela do filho, hoje com nove anos, que já demonstra interesse em produzir conteúdo para internet, e sobre como tentam reduzir vícios simples do dia a dia, como o consumo excessivo de café e refrigerante. Ao final, reforçaram que a saúde física e mental caminham juntas, e que o trabalho de ambos, mesmo em especialidades diferentes, se complementa na prática clínica do dia a dia em Dracena e região.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @dralarissamunis.
Resumo do episódio
O episodio traz a entrevista com o medico psiquiatra Juliano e a medica nutrologa Larissa, que contam como suas trajetorias profissionais se cruzaram apos ela sair da veterinaria para cursar medicina. Ao longo da conversa eles explicam diferencas entre ansiedade, depressao e burnout, comentam o impacto da pandemia na saude mental de adultos e criancas, e detalham como a nutrologia e a psiquiatria usam exames, atividade fisica e acompanhamento multiprofissional para tratar pacientes. Tambem discutem a banalizacao de autodiagnosticos feitos pela internet e a importancia da individualizacao no tratamento.
Principais aprendizados
- A atividade fisica pode funcionar como um antidepressivo natural e ajudar no processo de desmame de medicacoes psiquiatricas.
- O emagrecimento saudavel envolve perder gordura e nao apenas peso, sendo avaliado por exames como bioimpedancia em vez de apenas pelo IMC.
- A ansiedade e apontada como o transtorno mais comum atualmente, superando outras queixas de saude mental.
- Exames laboratoriais como vitamina D devem ser avaliados buscando valores proximos ao maximo de referencia, nao apenas dentro da faixa considerada normal.
- A pandemia intensificou quadros de ansiedade e teve impacto especialmente nas criancas, que tiveram prejuizo no convivio social e na rotina escolar.
Perguntas respondidas neste episódio
Qual a diferenca entre burnout e uma crise de ansiedade comum?
O burnout esta mais relacionado ao ambiente de trabalho e envolve uma dificuldade ou trava real para desempenhar as atividades laborais, podendo levar a pessoa a nao conseguir ir ou funcionar no emprego apos passar por varias experiencias assim. Ja uma crise de ansiedade pode ser passageira e ligada a um momento especifico. Diferenciar os dois exige avaliacao e acompanhamento multiprofissional, que pode levar meses para fechar o diagnostico.
Atividade fisica ajuda a reduzir o uso de medicamentos psiquiatricos?
Sim, a atividade fisica pode ajudar a evitar o aumento da dose de medicacao e favorecer um possivel desmame futuro, pois ela libera substancias no corpo que substituem parte do efeito que o remedio proporciona. Quando se planeja suspender uma medicacao, a pratica regular de exercicios e considerada um dos criterios importantes para preparar esse processo com mais seguranca.
Por que emagrecer rapido pode nao ser saudavel?
Perder peso muito rapido sem mudar os habitos que levaram ao ganho de peso faz a pessoa retornar aquele peso tambem rapidamente, porque a mudanca nao foi consolidada. O processo de emagrecimento saudavel e gradativo e lento, permitindo que o corpo se adapte e que os habitos se mantenham no longo prazo, evitando o efeito sanfona.
A obesidade tem relacao com o risco de outras doencas?
Sim, o excesso de peso e a gordura visceral aumentam o risco de hipertensao, apneia do sono, infarto e AVC, alem de interferirem na producao hormonal atraves de uma enzima chamada aromatase, que converte esteroides em estrona, um hormonio associado ao aumento de risco de cancer de mama nas mulheres e a problemas como ginecomastia e queda de libido nos homens.
E possivel se preparar para a menopausa e a andropausa?
A pessoa nao evita passar pela menopausa ou andropausa, mas pode reduzir os impactos negativos cuidando da alimentacao, praticando atividade fisica regular, mantendo a massa magra e a mineralizacao ossea, alem de repor vitamina D quando necessario. Esses cuidados ajudam a tornar essa fase de queda hormonal mais tranquila, especialmente em relacao a riscos como a osteoporose associada a queda do estrogenio.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.