#314

Da tesoura de 1,99 à barbearia própria: a historia de Jorge Bizi | #314

04 de junho de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #314 do AdamiCast

O convidado do episodio 314 do AdamiCast e Jorge Bizi, barbeiro conhecido em Dracena e regiao, que veio contar como uma profissao aprendida ainda na infancia se transformou em uma trajetoria de quase trinta anos de trabalho, mudancas de ponto, reformas de sufoco e uma clientela que atravessa geracoes. A conversa passeou pelas lembrancas de bairro, pelas dificuldades financeiras do inicio e pelas licoes que a pandemia deixou no jeito de atender.

Os primeiros cortes por 1,99

Jorge contou que comecou no oficio em 1993, com apenas 11 ou 12 anos, depois de passar um tempo lavando peca na oficina do irmao. Foi a irma, Sonia, quem sugeriu que ele fosse para o curso de cabeleireiro. Formado, ficou na escolinha da propria irma e comecou a cortar cabelo cobrando 1,99. A procura era tanta que ele chegou a ter fila. Relembrou um dia em que “cortei 64 cabelos”, historia que hoje soa quase inacreditavel, mas que mostra o tamanho do movimento naquela epoca. Ele contou que estudou e trabalhou ao mesmo tempo, já que o pai não tinha condições financeiras de ajudar no que precisava, então precisava se virar.

A montagem da primeira barbearia e os sinais que foram aparecendo

Depois de perder o pai em 1999, Jorge decidiu montar seu proprio espaco. Foi recusado em uma tentativa de emprego em outro salao, ouvindo que era “muito novo”, mas encontrou, quase que por acaso, uma placa de aluga-se e um pintor que se ofereceu para pintar o local antes mesmo de o aluguel estar fechado. Ele interpretou aquilo como um sinal e foi para frente. O aluguel na epoca era de 90 reais, e ele passou a cobrar 3 reais pelo corte, ja considerado caro para os padroes locais. Um detalhe que ele guarda com carinho: o espelho da bancada foi comprado avulso, sem o jogo completo, numa negociacao insistente com um conhecido da loja de moveis. A base do salao era uma mesa de mecanica emprestada pelo irmao Anderson, virada e coberta com o tal espelho.

A construcao proxima a casa da mae e a parceria com a Nete

Anos depois, Jorge construiu um espaco ao lado da casa da mae, dividindo a estrutura com a irma Nete, hoje conhecida profissionalmente como Nete Bizi. O nome do salao virou motivo de risada durante o papo: por questao de custo com letreiro, escolheram um nome pequeno, “Inove Cabeleireiros”, com os nomes deles em letras menores embaixo. Segundo ele, “a mente era economizar”, porque não havia dinheiro para uma fachada maior. Nesse periodo, Jorge atendia publico masculino e feminino, enquanto a Nete cuidava de cabelo, pe, mao e tintura. Cinco anos apos a morte da mae, veio a venda do imovel, e ele precisou recomecar em outro ponto, retornando justamente ao bairro onde tudo havia comecado.

O boom da barba e a modernizacao das ferramentas

Um dos pontos mais marcantes da conversa foi a explosao da procura por cuidados com a barba, que Jorge viu de perto. Ele contou que antes fazia poucas barbas por mes, e depois de investir em vapor de ozonio o numero saltou para mais de cem atendimentos mensais. Segundo ele, o cuidado masculino mudou completamente: “hoje o homem se cuida, se duvidar se cuida mais do que as mulheres”. Ele tambem comentou a evolucao das maquinas, das tesouras e dos cortes, do tempo em que nao existia maquina zero ao atual degrade bem trabalhado. Jorge ainda revelou seu apego as ferramentas, guardando dezenas de tesouras acumuladas ao longo dos anos, e contou que aprendeu a amolar as proprias pecas, embora as primeiras tentativas nao tenham dado certo.

Um tombo, muitas mudancas de endereco e a fidelidade dos clientes

A trajetoria de Jorge tambem passou por uma sequencia de coincidencias que ele descreve como sinais: ao decidir se mudar de ponto durante a pandemia, encontrou quase ao mesmo tempo um engenheiro e um pedreiro, e precisou vender a moto para custear a obra, que se resolveu rapidamente. Ele tambem contou, entre risadas, sobre a queda de uma escada ao tentar instalar pisca-pisca de Natal em seu salao, caindo de cerca de tres metros e ficando com os dois bracos roxos, mas sem deixar de trabalhar. Ao longo do papo, mensagens de clientes e familiares foram lidas ao vivo, revelando historias de decadas de atendimento, como o caso de um cliente que o acompanha ha 31 anos e outros que hoje levam os proprios filhos para cortar o cabelo com ele. Jorge tambem falou sobre a paixao por atender criancas, destacando que a paciencia e essencial para nao gerar trauma nos pequenos clientes.

Ao final, Jorge agradeceu a confianca de quem o acompanha desde os tempos do corte a 1,99 e reforcou que a profissao de barbeiro carrega uma liberdade que ele valoriza: um oficio que pode ser levado para qualquer lugar, bastando as ferramentas e a dedicacao para aperfeicoar a tecnica ao longo dos anos.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @i9salao.

Resumo do episódio

O episodio 314 do AdamiCast recebe o barbeiro Jorge Bizi, que conta sua trajetoria desde os 11 anos de idade lavando peca na oficina do irmao, passando pelo aprendizado do oficio na escolinha da irma, os anos cobrando 1,99 por corte, a montagem de barbearias proprias, superacoes de dificuldades financeiras e mudancas de ponto, ate a adaptacao as evolucoes do mercado como o boom da barba, uso de vapor de ozonio e ferramentas sem fio. A conversa mostra como um oficio aprendido na infancia se transformou em um negocio consolidado e fidelizado ao longo de mais de trinta anos.

Principais aprendizados

  • Um oficio aprendido na infancia pode ser exercido em qualquer lugar do mundo, bastando levar as ferramentas.
  • A fidelizacao de clientes se constroi com atencao, qualidade constante e paciencia, especialmente no atendimento a criancas.
  • O negocio de barbearia nao depende de ponto central com fluxo de pessoas, pois o cliente vai atras do profissional de confianca.
  • Investir em equipamentos e adaptar-se as mudancas do mercado, como o boom da barba e o uso de vapor de ozonio, ajuda a expandir a clientela.
  • Trabalhar com agendamento por aplicativo mudou a rotina da profissao, substituindo a antiga logica de fila e ordem de chegada.

Perguntas respondidas neste episódio

Como comecar na profissao de barbeiro sem experiencia?

E possivel iniciar ainda jovem, aprendendo o oficio na pratica em um curso ou escola de corte, mesmo antes da maioridade. Depois disso, o aprendizado continua no dia a dia, cortando cabelo repetidamente e ganhando habilidade com o tempo. Comecar cobrando valores baixos para atrair clientes e ir evoluindo gradualmente, investindo em ferramentas melhores conforme cresce a clientela, faz parte do processo de consolidacao na profissao.

E necessario ter um ponto comercial central para uma barbearia dar certo?

Nao e necessario estar em uma regiao central ou de grande fluxo de pessoas para o negocio funcionar. Quando o profissional ja tem uma clientela fiel e um bom nome no mercado, os clientes vao atras do servico independente da localizacao, bastando ter um sistema de agendamento organizado. Isso e diferente de outros tipos de comercio, como lojas, que dependem do movimento de pessoas passando na frente.

Como fidelizar clientes em uma barbearia?

A fidelizacao acontece por meio de um bom atendimento constante ao longo do tempo, tratando cada corte quase como um momento de cuidado e relaxamento para o cliente, e nao apenas um servico rapido. Oferecer pacotes de manutencao, como cortes periodicos combinados com barba, e cuidar de detalhes como pe de cabelo entre um corte e outro tambem ajuda a manter a frequencia. Quando o servico e bem feito, o cliente recomenda para outras pessoas.

Vale a pena cortar cabelo de criancas em uma barbearia?

Sim, mas exige habilidades diferentes das usadas com adultos, principalmente paciencia. Forcar uma crianca durante o corte pode gerar trauma e fazer com que ela nunca mais queira voltar a cortar o cabelo com aquele profissional ou em qualquer outro lugar. O ideal e conversar, brincar e ganhar a confianca da crianca antes de comecar o procedimento, permitindo que ela se acostume gradualmente ao ambiente e ao profissional.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.