Bruna Bachega é jornalista e repórter da TV Fronteira — afiliada da Rede Globo em Presidente Prudente —, mas a história começa longe dos holofotes. Nasceu em Presidente Venceslau, no extremo oeste paulista, e cresceu numa casa onde a avó e a mãe assistiam ao Jornal Nacional todo dia. Quando ganhou da mãe um microfone vermelho da Gradiente ainda criança, fez o que qualquer pequeno futuro comunicador faria: passou a entrevistar a família, gravar no videocassete, rebobinar a fita com lápis e editar por cima. “Eu fazia perguntas pra ninguém, rebobinava com o dedo e por cima da resposta fazia outra pergunta pra ficar engraçado”, lembra, rindo.
Do Gradiente vermelho ao vestibular de Bauru
No segundo colegial, Bruna decidiu que comunicação era o caminho. Tentou Unesp Bauru por duas vezes, não passou na primeira, e em conversa com a família optou por ficar perto de casa. Acabou entrando em jornalismo numa faculdade de Presidente Prudente, conciliando estudo de manhã, estágio à tarde e trabalho à noite. “Eu trabalhava num ballet, fazia estágio não remunerado numa rádio e ainda tentava apresentar uns programas de auditório por aí. Era tudo ao mesmo tempo”.
Foi no terceiro ano que a virada aconteceu: estágio na TV Record de Prudente como produtora e, ao mesmo tempo, assessora de imprensa numa agência de publicidade. De noite na redação, de dia atendendo cliente. “Eu terminava às onze e meia da noite e ia direto pra redação. Não dormia”. Foi onde Bruna decidiu que queria presenting, não só producing.
Lucas do Rio Verde, MT: 2 mil km de coragem
Forma-se e, no mesmo ano, recebe um convite diferente. Um dono de TV de Lucas do Rio Verde, no interior do Mato Grosso, a 2 mil km de Venceslau, pediu currículos via faculdade: a emissora da região não tinha a cultura de contratar jornalistas formados. Bruna, recém-formada, foi a escolhida. O chefe da época, que era parceiro, armou o teste: “Tira suas férias, fica 15 dias lá, se gostar você pede as contas e eu te demito. Se não gostar, a gente finge que foi treinamento e você continua”.
Bruna arrumou uma mala, a mãe a levou até a rodoviária, e entrou no ônibus sem data certa pra voltar. Foram 29 horas de estrada, um derramamento de café na blusa branca e a primeira decepção na chegada: o hotel reservado não existia — a cidade estava em plena Exposição Agropecuária. Achou um hotel simples perto da rodoviária, com cama quebrada, torneira pingando e sem geladeira, e foi. “Era 4 da manhã, eu de roupa branca suja de café e uma mala. Foi o período mais difícil, sem referência”. Bruna ficou três anos na TV local de Lucas do Rio Verde — sozinha, fazendo de tudo, do ao vivo debaixo de sol escaldante à edição do noticiário. Saiu de lá como editora-chefe do jornal.
A volta por Prudente e a vaga conquistada na TV Fronteira
O retorno veio por uma perda: a avó que a criou junto com a mãe faleceu, e a ausência, a 2 mil km de distância, ficou insustentável. “Minha mãe falou: volta, a gente vê o que faz, vem. Foram sete dias sem se ver. No dia 11 de novembro, no dia 17 eu fui contratada como produtora na TV Fronteira”. Antes do sim, foram seis meses seguidos tentando a vaga, sempre batendo na mesma porta sem resposta.
Na TV Fronteira, a porta de entrada foi a produção, mas a reportagem veio logo em seguida — e Bruna percebeu que o tempo em Lucas do Rio Verde tinha ensinado o que nenhuma escola ensinaria. “Lá você faz de tudo, eu era a única com faculdade, os meninos me ensinavam a parte da rua e eu ensinava a parte técnica. Hoje eu não me vejo sem aquela base”. Foi do plantão ao inesperado da rua, virou repórter e passou a apresentar o jornal regional ao vivo todos os dias.
Ao vivo, cronômetro, mico e a cidade no retrovisor
Hoje, a rotina da Bruna na TV Fronteira é de entrar ao vivo no jornal das seis e sete da manhã, e de novo ao meio–dia, com mais entradas no almoço, na tarde e no fim da noite — tudo cronometrado pela coordenação. Cada entrada dura em média um minuto e meio, com regressiva de dez, cinco e zero segundos pelo ponto (fone) no ouvido. “Você não vê a cara do apresentador, não vê nada. É só o cronômetro e a cidade na frente”. Tem o convite na rua, o pedestre que aparece por trás do cinegrafista gritando 📲Oi, menina!📲, o ponto que cai no meio da apresentação, o fone que cai a ligação no momento em que você precisa fechar o bloco. Bruna enumera os micos com o riso aberto de quem já sobreviveu a todos.
Para Bruna, o ao vivo tem uma magia que o gravado não alcança. “No ao vivo você transmite o que tá sentindo. No gravado você consegue revisar, ver a imagem, montar texto por cima. Os dois têm o desafio, mas o vivo é onde o jornalista de verdade aparece”. E é no retorno da cidade, de pacientes como o caso dos entulhos que viraram lixão em Presidente Prudente — cobertos em três dias depois da matéria, com a prefeitura recolhendo, que a jornalista entende o tamanho do trabalho. “O pessoal reconhece na rua, no mercado, na farmácia. As pessoas param pra tirar foto. É muito carinho”. E é o que vale a pena no fim do dia.
Onde encontrar
A Bruna atua como repórter e apresentadora na TV Fronteira, afiliada Rede Globo em Presidente Prudente, SP, cobrindo as 56 cidades do extremo oeste paulista. O programa é veiculado diariamente com entradas ao vivo no jornalismo regional. Para acompanhar o trabalho, o melhor caminho é o Instagram pessoal: @bachegabruna, onde ela compartilha bastidores das reportagens, interage com a comunidade e mostra um pouco do dia a dia da rotina de um jornal regional.
Resumo do episódio
O artigo conta a trajetória de Bruna Bachega, jornalista da TV Fronteira, desde a infância com um microfone de brinquedo até a rotina atual de entradas ao vivo diárias. Mostra como ela driblou a falta de vaga em Bauru, conciliou estágios e trabalho noturno em Presidente Prudente, e topou uma mudança de 2 mil km até Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, onde aprendeu a fazer jornalismo na prática. Detalha ainda os bastidores técnicos do jornalismo ao vivo, com cronômetro, ponto no ouvido e imprevistos da rua, e como o retorno a Prudente e a insistência abriram a porta na TV Fronteira.
Principais aprendizados
- A experiência prática numa emissora pequena, fazendo de tudo sozinha, pode ensinar habilidades que a faculdade não ensina.
- Conciliar estágio não remunerado, trabalho noturno e estudo pela manhã foi o caminho encontrado para entrar no mercado antes da formatura.
- Insistir repetidamente numa vaga, mesmo sem resposta por meses, pode ser o que garante a contratação.
- No jornalismo ao vivo, o profissional trabalha sob cronômetro e comandos no fone de ouvido, sem ver o apresentador ou a produção.
- O retorno da audiência às reportagens, como a solução de um problema mostrado no ar, é apontado como a parte mais gratificante do trabalho.
Perguntas respondidas neste episódio
Como é a rotina de um repórter que faz entradas ao vivo no telejornal?
A rotina envolve entrar ao vivo várias vezes ao dia, geralmente pela manhã, ao meio-dia, na tarde e no fim da noite, com cada entrada durando em média um minuto e meio. O repórter segue uma contagem regressiva de dez, cinco e zero segundos recebida por um ponto no ouvido, sem ver o apresentador do estúdio nem a produção, apenas o cronômetro e a cidade à frente.
Como conseguir uma vaga de jornalista sem ter contatos ou experiência prévia numa cidade grande?
Um caminho possível foi aceitar uma oportunidade distante, numa cidade que não tinha costume de contratar jornalistas formados, topando um período de teste que poderia terminar em contratação ou em treinamento sem vínculo. Além disso, insistir repetidamente numa vaga desejada, mesmo sem retorno por meses, pode eventualmente resultar em contratação.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.