Neste episodio do AdamiCast, Mariana e Pedro Adami receberam Milene Santos, conhecida na regiao pelo apelido de Flor de Jabuticaba, para contar uma trajetoria que passa por farmacia de manipulacao, usina, uma loja de roupas que virou fenomeno em Dracena e, hoje, uma carreira consolidada como influenciadora digital. Entre risadas, memorias de madrugadas no Braz e reflexoes sobre fe, Milene abriu o jogo sobre como reconstruiu a vida profissional depois de fechar o negocio que a tornou conhecida.
Dos remedios manipulados a primeira loja
Milene comecou trabalhando como empregada domestica ainda jovem, enquanto estudava para se tornar tecnica em quimica. Formada, conseguiu um estagio e depois um emprego numa usina da regiao, onde passou um ano na entressafra. Quando os contratos da usina terminaram, ela foi trabalhar na farmacia de manipulacao Cedrone, a famosa Boutique Cedrone, pesando formulas e produzindo protetor solar e encapsulados. “Você tem que prestar muita atencao, você nao pode errar um medicamento de ninguem”, contou, lembrando da rotina cercada de mascara, luva e muito cuidado.
Foi nesse periodo que nasceu a vontade de empreender. Sempre gostou de roupa, mesmo sem ter dinheiro para acompanhar o gosto, e decidiu abrir uma loja. A escolha do ponto foi estrategica: perto da praca, no fluxo do comercio de Dracena. “Voce nao precisa nem ter nome, mas voce precisa estar onde o comercio ta ali”, resumiu.
A rotina de viagens para São Paulo e Goiania
A loja, batizada de Flor de Jabuticaba a partir de um apelido que ganhou, decolou rapido. No primeiro ano, ainda a tempo de fila para provar roupa e gente entrando pela rua. Mas o sucesso vinha com um preco alto: viagens semanais de onibus para o Bras, em Sao Paulo, e tambem para Goiania, em busca de pecas de melhor caimento e exclusividade. Milene descreveu noites sem dormir, madrugadas de frio “menos tres graus”, comida reduzida a pao com ovo e até um assalto que sofreu numa dessas idas, quando uma mulher tentou levar sua carteira.
Ela contou que a rotina era tao puxada que praticamente nao sobrava tempo para descansar: viajava na segunda, voltava na quarta, e na sexta partia de novo, agora para Goiania, retornando no domingo para recomecar a semana. “Você não dormia direito. Ate no médico, quando eu ia, ele falava: ou você vai trabalhar ou vai engravidar, porque os dois não dá”, relembrou, rindo da propria historia.
O sucesso, a inveja e o fim da loja
Com o crescimento da Flor de Jabuticaba, vieram tambem as dificuldades tipicas de quem se destaca num comercio pequeno. Milene relatou ter sido perseguida por concorrentes, que chegavam a fotografar etiquetas de suas roupas para descobrir fornecedores, e teve imagens usadas sem autorizacao, inclusive com a cabeca cortada de uma foto para disfarcar a origem. A situacao se agravou quando comentarios e criticas nas redes, principalmente no Facebook da epoca, comecaram a pesar. “As pessoas acham que ali é lugar pra você lavar roupa suja”, desabafou sobre a experiencia com a plataforma.
Depois de cerca de quatro anos, a loja fechou. Milene tentou ainda uma loja masculina, que nao deu certo, e viveu um periodo de reconstrucao emocional, marcado por dores que ela relacionou a fofocas e julgamentos que sofreu na epoca. “Foi a maior dor que eu tive na minha vida”, disse, atribuindo à fe o processo de cura que veio depois.
A virada para influenciadora digital
A entrada no mundo da influencia digital comecou de forma quase acidental: Milene ja fazia ensaios de roupas para divulgar sua propria loja e comecou a oferecer o mesmo trabalho para lojistas do Bras, tirando fotos nas portas de casas para valorizar as pecas. Uma dessas fotos foi parar em um outdoor em Sao Paulo, descoberta por uma tia que mora na capital. Ainda assim, o caminho nao foi facil: por medo da concorrencia, muitos lojistas de Dracena relutaram em contrata-la logo de inicio, e ela precisou recomecar como modelo para lojas de roupa, aceitando trocas por bastante tempo antes de conseguir cobrar pelo trabalho.
A chegada da filha Helena, durante a pandemia, mudou o rumo do conteudo que produzia, humanizando sua imagem e aproximando o publico materno. Hoje ela atende contratos fixos, incluindo uma rede de supermercados da regiao, e defende o valor do trabalho de influenciador: “A gente não é vendedor. A gente tá ali pra dar visibilidade pra sua empresa. É uma vitrine.”
Fe como fio condutor da historia
Boa parte da conversa foi tomada por relatos de fe. Milene contou que passou a frequentar a igreja batista de Junqueiropolis e que a decisao de “entregar” sua agenda profissional a Deus marcou uma virada em sua trajetoria como influenciadora, momento em que os contratos comecaram a fluir com mais naturalidade. Ela tambem narrou um episodio em que, com apenas 115 reais na conta, precisava de roupas para um evento e recebeu de uma lojista duas pecas em troca apenas de uma mencao nas redes sociais, um gesto que ela interpretou como resposta a uma oracao.
Encerrando a entrevista, Milene reforcou a mensagem de perseveranca para quem esta comecando em qualquer area, do comercio a producao de conteudo: “Nao adianta so pedir, voce tem que se dedicar, voce tem que amar aquilo.” A trajetoria, que passou por lavar banheiros como empregada domestica até virar referencia como influenciadora em Dracena e regiao, foi resumida por ela mesma como prova de que tudo tem seu tempo certo para florescer.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @misantos_j.
Resumo do episódio
O episódio traz a trajetória de Milene Santos, que passou por trabalhos como empregada doméstica, técnica em química e dona de uma loja de roupas chamada Flor de Jabuticaba antes de se tornar influenciadora digital em Dracena e região. Ela relata as dificuldades de empreender com loja física, as viagens de compras para São Paulo e Goiânia, os desafios de ser copiada por concorrentes e como migrou para o trabalho de divulgação digital. O relato também aborda a rotina de trabalho como influenciadora, a forma como fecha parcerias com empresas, os períodos de troca de produtos por divulgação e a fé que, segundo ela, sustentou sua virada de vida.
Principais aprendizados
- Ter loja física exige rotina exaustiva de viagens para compra de mercadoria em cidades como São Paulo e Goiânia.
- Escolher um ponto comercial de bom fluxo de pessoas é apontado como fator decisivo para o crescimento de uma loja.
- O trabalho de divulgação para empresas envolve pesquisa, roteiro e edição, podendo levar horas para produzir um vídeo curto.
- No início da carreira de influenciadora é comum receber produtos em permuta em vez de pagamento em dinheiro.
- Manter um padrão de valores igual para todas as empresas contratantes é citado como forma de dar credibilidade ao trabalho de divulgação.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona o trabalho de um influenciador que divulga lojas e produtos?
O trabalho consiste em visitar o estabelecimento, entender o produto ou serviço oferecido, gravar imagens e depois editar tudo em um vídeo curto, que pode levar horas para ficar pronto. O influenciador atua como uma vitrine, mostrando a empresa para seus seguidores, mas não é responsável por fechar a venda, que cabe ao vendedor do local. É comum ter que criar pautas e sugestões de conteúdo, já que muitas empresas não sabem como querem ser apresentadas.
Como era comprar roupas para revender em São Paulo e Goiânia?
As viagens para comprar mercadoria eram feitas de ônibus, saindo à noite e chegando de madrugada, com pouco tempo para descanso e alimentação, muitas vezes reduzida a pão com ovo. Em São Paulo as peças eram mais baratas, mas em Goiânia a qualidade da costura era considerada melhor, especialmente em calças jeans. Também havia risco de assalto durante as compras nas ruas de comércio popular.
Vale a pena aceitar permuta de produtos no início da carreira de influenciador?
Aceitar permuta é apontado como parte normal do início dessa atividade, já que as empresas ainda não confiam totalmente no retorno que a divulgação pode gerar. Esse período de trocas pode durar bastante tempo, chegando a cerca de três anos até começar a conseguir contratos pagos com regularidade. Depois de ganhar reconhecimento, é possível cobrar pelo trabalho e escolher com mais critério quais parcerias aceitar.
Como lidar com críticas e comentários negativos nas redes sociais?
A forma relatada de lidar com comentários agressivos é apagar a mensagem e bloquear a pessoa, sem dar satisfação. Também é mencionado que passar por um período de julgamentos e comentários duros ajudou a identificar quem realmente apoiava de verdade, servindo como aprendizado para não se abalar mais com opiniões negativas.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.