#309

Da câmera analógica ao estúdio próprio: a história de Anny Vicentini | #309

15 de maio de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #309 do AdamiCast

O episódio 309 do AdamiCast recebeu a fotógrafa Anny Vicentini, profissional que registrou momentos marcantes da vida dos próprios apresentadores, incluindo o casamento do casal Mariana e Pedro Adami. Ao longo da conversa, Anny reconstruiu uma trajetória de dezesseis anos na fotografia, desde os primeiros contatos com câmeras analógicas até a consolidação de um estúdio especializado em fotografia de bebês e recém-nascidos em Dracena.

O começo na H3 e a transição do filme para o digital

Anny contou que sua história com a fotografia começou em 2008, quando entrou como balconista na H3, sem nunca ter pego uma câmera na mão antes. “Nunca tinha pego uma câmera na mão, mas eu sempre tive esse olhar pra fotografia”, relembrou, citando a lembrança de infância de observar as vitrines de fotos reveladas expostas nas lojas da cidade. Na empresa, ela viveu de perto a transição do filme para o digital, período em que ainda manuseava rolos de filme dentro de câmeras escuras e recebia clientes que levavam cartões de memória para revelar fotos em computadores, já que os visores das primeiras câmeras digitais eram minúsculos demais para conferir o resultado na hora.

Os requisitos para trabalhar na empresa incluíam saber dirigir e estar disponível para trabalhar aos finais de semana, já que os eventos aconteciam justamente nesses dias. Foi assim que Anny começou a acompanhar fotógrafos em aniversários e, depois, em casamentos, até ser posteriormente transferida para o departamento de eventos, onde passou a atender diretamente os clientes e organizar orçamentos.

A rotina de viajar todos os dias e a decisão de empreender

Casada em 2010, Anny foi morar em Irapuru, cidade natal de sua família, enquanto o marido trabalhava por lá. Ela, porém, seguiu viajando diariamente até Dracena para continuar na H3. “Eu vinha de segunda a sexta”, contou, descrevendo uma rotina desgastante em que os horários dela e do marido praticamente não coincidiam, já que ele trabalhava em escala de dois dias sim, dois dias não. “Tinha dias que quando ele estava em casa, eu chegava e eu já deitava no sofá e dormia porque eu estava muito cansada.”

Em 2013, decidida a mudar de vida, Anny propôs ao marido sair da empresa para comprar sua própria câmera e trabalhar por conta própria. Segundo ela, o financiamento do primeiro equipamento foi feito “na maior luta”, já que a fotografia nunca foi uma profissão barata. O pontapé inicial veio de um convite de um padre de Irapuru para fotografar um casamento comunitário com cerca de dez casais, oportunidade que ela aceitou de imediato. A partir daí, o próprio marido passou a ajudá-la como segundo fotógrafo nos eventos maiores, “morrendo de vergonha”, segundo ela descreveu com bom humor.

De bebê em bebê: a especialização em newborn

Sem estúdio próprio, Anny passou a atender pedidos de famílias que pediam sessões de fotos de recém-nascidos direto em casa. “Botava minha malinha dentro do carro e vinha”, relembrou, citando praças de Dracena que se tornaram cenário improvisado para ensaios, sempre no fim de tarde por causa da luz natural. Foi um período de muita pesquisa, já que a internet ainda não oferecia o volume de informação disponível hoje. “Não tinha, era livro que a gente estudava sobre aquele segmento”, disse, destacando que teve que aprender sozinha sobre comportamento de bebês, sem ainda ter filhos.

A chegada do próprio filho, Thales, hoje com oito anos, serviu como um verdadeiro laboratório para aprimorar a técnica de newborn. “Engravidei só pra pegar know-how”, brincou, contando que photografava o filho repetidamente para testar poses, adereços e composições, mesmo quando ele já não colaborava mais com as sessões por ser maior. A demanda crescente por fotos de bebês levou à necessidade de um espaço fixo, e o primeiro estúdio foi aberto em uma kitnet no centro da cidade, projeto interrompido por uma chuva de granizo em 2017 que destruiu o telhado do imóvel. Depois de period morando e trabalhando em uma casa alugada, Anny hoje atua em um espaço próprio, montado há dois anos, com sala reservada exclusivamente para atendimento.

Fotografia de parto: técnica, emoção e nenhuma segunda chance

Depois da pandemia, Anny passou a fotografar partos, um trabalho que ela descreveu como tecnicamente desafiador por não permitir ensaio nem repetição. “É questão de segundos, é muito rápido, não dá pra ensaiar”, explicou, detalhando a dificuldade de lidar com a luz intensa das salas de parto, que muitas vezes precisa ser deslocada rapidamente pela equipe médica sem aviso, obrigando o fotógrafo a reconfigurar a câmera na mesma hora. Apesar da tensão técnica, ela reconheceu o peso emocional do momento, relatando um parto em Tupi Paulista em que chorou junto com a família.

A especialização em newborn também trouxe consigo aprendizados sobre lidar com a ansiedade dos pais de primeira viagem. “Se chegar com pessimismo não dá certo mesmo, a criança sente a nossa ansiedade”, afirmou, explicando que cultivar um ambiente calmo é decisivo para o sucesso da sessão, mesmo quando ela própria se descreve como uma pessoa agitada fora do trabalho.

Parceria, fé e a valorização dos registros afetivos

Ao longo da conversa, Anny recebeu uma enxurrada de mensagens de clientes e amigos nas redes sociais, muitos deles clientes de longa data que acompanharam o crescimento dos próprios filhos através das lentes dela, incluindo famílias que ela fotografa desde a gestação até a adolescência. A fotógrafa aproveitou para refletir sobre a importância de registrar momentos em família, inclusive entre mães e filhos já adultos, citando a experiência de Mariana com um ensaio ao lado da própria mãe como exemplo de como esses registros carregam valor emocional que muitas vezes só é compreendido depois.

Anny também destacou o papel do marido como incentivador de sua trajetória empreendedora, reconhecendo que a decisão de sair de um emprego fixo para empreender exigiu apoio constante da família. A conversa se encerrou com reflexões sobre fé, motivadas por um episódio de internação do marido de Mariana durante a pandemia, que reforçou nos apresentadores e na convidada a importância de manter a presença espiritual não apenas nos momentos difíceis, mas no cotidiano.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @anivicentin_fotografia e @ani_graciele.

Resumo do episódio

O episodio recebe a fotografa Anny Vicentinha, que conta como entrou na area em 2008 ainda sem nunca ter pego uma camera, passou pela transicao do filme para o digital, trabalhou anos com eventos de final de semana e depois decidiu empreender sozinha em 2013. Ao longo da conversa ela explica como foi se especializando em fotografia de bebes e newborn, como monta estudio proprio, como lida com a ansiedade dos pais e com a logistica de fotografar partos, alem de comentar a importancia de registrar momentos em familia. O relato mostra a evolucao tecnica e pessoal da profissao ao longo de dezesseis anos de trabalho.

Principais aprendizados

  • A transicao do filme para o digital exigia escolher poucas poses reveladas porque cada filme tinha custo e quantidade limitada de exposicoes.
  • Fotografar recem-nascidos exige tecnica especifica de posicionamento e nao pode ser feito de qualquer forma, sendo um aprendizado construido com cursos e pratica ao longo do tempo.
  • Fotografar partos e um trabalho de segundos, sem possibilidade de ensaio, exigindo foco total no momento exato do nascimento.
  • Ter um estudio proprio trouxe mais conforto e controle de ambiente do que atender clientes em pracas publicas ou levar equipamentos para casas de clientes.
  • Registrar momentos em familia, mesmo com celular, e considerado um investimento em memoria e nao deve ser deixado de lado por falta de tempo.

Perguntas respondidas neste episódio

Como e o trabalho de fotografar um parto?

E um trabalho de poucos segundos, sem possibilidade de repetir a cena caso a foto nao saia bem. A profissional precisa estar com a camera configurada e atenta porque tudo acontece muito rapido, incluindo a movimentacao de luzes grandes usadas pela equipe medica, que dificultam o ajuste do foco no momento exato do nascimento.

Como conseguir que criancas fiquem calmas durante a sessao de fotos?

O ambiente precisa estar calmo e a propria fotografa precisa transmitir tranquilidade, mesmo quando os pais estao nervosos, pois a crianca sente a ansiedade dos adultos. Segundo o relato, quando a mae chega nervosa a sessao nao funciona bem, entao e preciso conduzir tudo com calma para que todos, inclusive o bebe, fiquem mais relaxados.

Por que ter um estudio proprio muda a rotina de um fotografo de bebes?

Antes de ter estudio, as sessoes eram feitas em pracas publicas ou nas casas dos clientes, com transporte de muitos objetos e exposicao a sol, insetos e falta de estrutura. Com o estudio, o ambiente fica controlado, com ar condicionado e higienizacao, o que traz mais conforto tanto para a fotografa quanto para o cliente e permite atender mais pessoas em menos tempo.

Vale a pena registrar momentos em familia mesmo sem ocasiao especial?

Sim, porque esses registros se tornam memorias permanentes e o processo costuma ser rapido, levando cerca de meia hora. Quem faz esse tipo de sessao normalmente nao se arrepende, enquanto quem deixa de fazer sente falta depois, pois as fotos ficam para sempre e podem ser revistas em qualquer momento da vida.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.