Quando Maria Cardoso decidiu se pesar pela primeira vez, em Dracena, ela não foi à farmácia, e nem à clínica. Foi à casa da Lari, a frutaria da esquina, porque a única balança que aguentava 218 kg era a balança do verdurão. Hoje, com 118 kg, ela é merendeira concursada da prefeitura, e perdeu 100 kg sem cirurgia bariátrica, sem remédio, e, segundo ela conta, sem milagre. A história, contada no episódio #189 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de uma mulher que decidiu cuidar da cabeça antes de cuidar do corpo, e que, com a cabeça cuidada, foi do frutaria à prefeitura, em um ano e cinco meses, com a ajuda do personal trainer Alexandre Ramos, da academia Aquafit, e a regra que ele diz ter seguido desde o primeiro dia: “qualquer coisa é lucro.”
Ao longo do episódio, Maria e Alexandre mostraram que a diferença entre quem consegue emagrecer 100 kg e quem não consegue, não está no corpo, está na cabeça, e no que se faz antes de entrar na academia. Maria contou, sem esconder, o que era a vida de quem não conseguia sentar no chão, levantar do chão, amarrar o próprio tênis, brincar com a própria filha no chão, ou andar de bicicleta. Alexandre contou, com a franqueza de quem é personal, como é montar um plano para alguém com 218 kg sem prazo, sem pressão, e sem comparação, e como é se adaptar quando o paciente começa a trabalhar, muda a rotina, e o treino vira online. É a história de quem começou na cabeça, e que mostrou, com a própria perda, que o caminho é possível.
Quando a Maria chegou no Alexandre com 218 kg
Maria chegou ao Alexandre por indicação da Paula, amiga que a vinha motivando a emagrecer há tempos, e que, depois de vê-la postar uma caminhada de madrugada no Facebook, decidiu que a Maria precisava de um profissional. O contato veio na quinta, e o Alexandre, segundo ele conta, marcou com ela para a sexta, às 7 da manhã. Quando ela apareceu, ele diz que viu, na frente dele, uma mulher com 218 kg, com medo, com a Paula do lado, e com a pergunta que ela repetiu várias vezes durante o episódio: “você sabe das minhas limitações, né?” Era o medo, segundo ele conta, de alguém que sabia que não ia dar conta, mas que, mesmo assim, tinha ido. Foi o que motivou, segundo ele, a abordagem que ele adotou desde o primeiro dia: sem prazo, sem comparação, e com a regra que ele repete no episódio, “qualquer coisa é lucro”.
A primeira sessão, segundo Alexandre, foi com dois steps, lado a lado, para ela conseguir pisar e descer como se fosse uma escada, com a mão dele para apoio, e sem equilíbrio. O agachamento, que ele tentou na primeira sessão, ela disse que não ia conseguir, e ele, segundo conta, preferiu não dar dó, e sim testar o limite. Ela fez. Foi o que ele chama, no episódio, de vitória pequena, e é o tipo de vitória que ele repete, e que define a relação que eles construíram. É o mesmo princípio que Maria aplica, até hoje, quando vai treinar: “sentar no chão e levantar”, que há um ano ela não conseguia, e que é a primeira coisa que ela faz para mostrar que o corpo respondeu, e que a cabeça aguentou.
A cabeça primeiro: o psicólogo do SUS antes da academia
O ponto alto da conversa, e o que diferencia essa história de qualquer outra história de emagrecimento, é a ordem que Maria escolheu seguir. Antes da academia, antes do personal, antes da caminhada de madrugada, ela foi ao psiquiatra e à psicóloga do SUS. Foi, segundo ela conta, a partir de uma crise de ansiedade que estava virando depressão, e que ela estava automedicando para segurar. “O que me impulsionou dessa vez foi que eu tava chegando em depressão mesmo.” Foi o que ela disse, e é o que define a virada. Quando ela chegou na psicóloga, já com a consulta agendada pelo posto, a profissional marcou a sessão semanal, e, em três semanas, Maria conta, a cabeça começou a mudar, e a consulta com a nutricionista pôde começar.
Foi da cabeça cuidada que veio, segundo Maria, a coragem de postar, e foi da postagem que veio a cobrança pública que ela precisava. No episódio, ela cita, com a clareza de quem viveu, o que significa postar a caminhada das 5 da manhã, e o que significa receber o comentário, e a cobrança, e a expectativa dos outros. Foi assim que a Paula viu a postagem, e a partir daí foi buscar um personal para ela, e a levar Maria para a academia. É a regra que Maria resume, e que o episódio deixa como princípio: quando a cabeça não está pronta, o corpo até treina, mas regride, e quando a cabeça está pronta, o corpo segue, e segue, e segue, até virar prefeitura, concurso, e 100 kg a menos.
A merendeira que a perícia não deixou entrar: e os 34 kg em três meses
No meio do processo, Maria foi chamada para trabalhar como merendeira na prefeitura, na volta das aulas presenciais, em 2021. Foi a chance que ela esperava há anos, e a que ela conta, no episódio, com o detalhe que faz a diferença: na perícia, ela foi considerada inapta para a função, por conta do peso, e da agilidade que a função exigia. A perita pediu para que ela assinasse um papel em que constavam as limitações, e ela, segundo conta, não mentiu. Foi reprovada. Saiu do RH com o nome fora da lista, e a promessa, segundo ela conta, de que, se cuidasse, voltaria a ser chamada. Na mesma época, ela começou a treinar, e começou a perder peso. Em três meses, ela conta, com o auxílio do Alexandre, perdeu 34 kg, e recuperou a agilidade. Quando o edital saiu, ela foi chamada de novo.
A segunda perícia, segundo Maria, foi com a mesma perita, e com o mesmo procedimento, mas com 34 kg a menos. Foi, segundo ela conta, aprovada com observação, e com a exigência de acompanhamento psicológico e nutricional permanente, que ela já fazia, e que, segundo ela, foi o que segurou a aprovação. É o que ela resume, no episódio, com a frase: “há três meses atrás eu não conseguiria entrar no meu próprio trabalho, e de repente eu sou aprovada de novo, e ainda com a obrigação de seguir me cuidando.” Foi o que mudou a rotina de Maria, e o que obrigou o Alexandre a adaptar o treino, que passou de 100% presencial para 2 dias de presencial e 4 dias de treino por conta, com programação online, e reunião no sábado para acertar o passo.
As pequenas vitórias: sentar no chão, amarrar tênis e andar de bicicleta
Uma das partes mais fortes do episódio é o que Maria conta sobre as pequenas coisas que ela não conseguia fazer, e que, depois, viraram vitória. Ela não sentava no chão, com medo de não conseguir levantar. Não amarrava tênis, e saía de casa com tênis já amarrado, ou parava na rua para pedir que alguém amarrasse para ela. Não brincava com a filha no chão, porque não conseguia descer e subir, e o tipo de limite que, segundo ela, ninguém que não viveu vai entender. Foi o que mudou, segundo ela, com o treino, e com o tempo: aos 150 kg, ela descobriu que já conseguia andar de moto, e pegou a moto do sobrinho. Aos 137 kg, ela descobriu que já conseguia andar de bicicleta, e comprou a dela. É o tipo de vitória, segundo ela, que não cabe em número de balança, e que é a prova de que o processo, lento, é o único que funciona.
O que Alexandre conta, sobre a Maria, é o que define o tom do trabalho dele como personal, e o que ele tenta passar, segundo ele, para outros alunos. “Quanto mais você treina, mais treinado você fica, e mais difícil é obter resultado rápido.” Foi o que ele disse, no episódio, sobre o ritmo de perda, e é o que justifica, segundo ele, o que ele chama de “processo lento”, e que não tem prazo. É a diferença entre a abordagem de quem tenta vender resultado rápido, e a abordagem de quem quer manter o resultado, e que, segundo ele, começa com a cabeça antes de começar com o corpo. É o que ele repete, e que a Maria confirma, e que é a razão pela qual, no episódio, o Pedro Adami diz que a Maria é o tipo de história que justifica a existência do programa de saúde do pódcast, e do espaço para contar.
Onde encontrar
Maria Cardoso mora em Dracena, trabalha como merendeira na prefeitura, e perdeu 100 kg ao longo de um ano e cinco meses de acompanhamento com o personal trainer Alexandre Ramos, da academia Aquafit. Para acompanhar a rotina, os treinos e o que vem pela frente, siga a Maria no @cardoso_maaria13 e o Alexandre no @ale.xandre_ramos.
Resumo do episódio
Maria Cardoso perdeu 100 kg em um ano e cinco meses sem cirurgia ou medicamentos, começando pelo acompanhamento psicológico antes de treinar. Sob orientação do personal trainer Alexandre Ramos, ela passou de 218 kg a 118 kg, conseguindo fazer atividades simples que antes não realizava, como sentar no chão e amarrar o próprio tênis, e foi aprovada em perícia médica para trabalhar como merendeira concursada na prefeitura.
Principais aprendizados
- Cuidar da saúde mental com psiquiatra e psicólogo antes de começar treinos é fundamental para o sucesso na perda de peso.
- Pequenas vitórias sucessivas, como conseguir sentar no chão ou amarrar o tênis, são indicadores mais importantes de progresso do que números na balança.
- Um plano de emagrecimento sem prazo, sem pressão e sem comparação com outras pessoas é mais efetivo para manter resultados a longo prazo.
- A postagem pública de conquistas gera cobrança externa que pode funcionar como motivação quando a cabeça está preparada.
- Um personal trainer eficaz se adapta à rotina do paciente, passando de treino presencial para online conforme necessário, sem abandonar o acompanhamento.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar um processo de emagrecimento quando se tem muito peso?
O primeiro passo é cuidar da saúde mental, procurando um psiquiatra e psicólogo, especialmente se há sinais de ansiedade ou depressão. Somente depois de a cabeça estar mais equilibrada é que o acompanhamento com nutricionista e treinos físicos conseguem efetivamente funcionar sem levar a regressões.
Qual é a abordagem correta de um personal trainer para alguém com peso muito elevado?
Um personal eficaz trabalha sem prazo, sem pressão e sem comparação. Começa testando os limites reais do cliente através de pequenas vitórias, adaptando o plano conforme a vida do paciente muda, como quando este começa a trabalhar e precisa de treinos online em vez de presenciais.
Como manter motivação quando a perda de peso fica mais lenta com o tempo?
As pequenas vitórias funcionais são o verdadeiro indicador de progresso. Conseguir sentar no chão, amarrar o próprio tênis, andar de bicicleta ou brincar com a filha são conquistas que mostram que o processo está funcionando, mesmo quando o número na balança estabiliza.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.