Lidiane Silva De Paula chegou a Dracena quase por acaso, depois de uma vida que passou por Minas Gerais, pelo coração do Pantanal, pelo Xingu e pelo interior paulista. Mineira de Iturama, filha de uma família de produtores de leite, ela foi adotada aos 12 anos por um tio agrônomo que lhe ensinou, entre plantar e colher, a arte de comprar legume bom, escolher carne e cozinhar com amor. Ninguém sabia naquele tempo que tudo aquilo estava formando a base de um negócio.
Antes de virar Personal Cook, ela foi técnica em agropecuária, trabalhou como representante comercial no Xingu e abriu uma boutique de roupas em Dracena ao lado do ex-marido. A cozinha sempre foi um prazer paralelo, uma paixão que escapava pelas bordas da vida profissional. Até que um nhoque de batata-doce levado para a academia mudou o rumo de tudo.
Da roça mineira ao Xingu: uma formação fora do comum
Lidiane estudou na Fundação Bradesco, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, considerada uma das melhores escolas da América Latina. No internato com 1.200 alunos, ela trabalhava três períodos: abatia frango, tirava leite, fazia queijo e servia comida no refeitório. Da teoria à lida prática com a terra e o alimento, ela aprendeu tudo, inclusive a dividir a sala de aula com dois colegas indígenas da região. Foi uma imersão completa.
Formada técnica em agropecuária, foi trabalhar no Xingu, em Canarana, no Mato Grosso, onde ficou cinco anos como representante comercial de uma distribuidora de insumos agrícolas. A vida estava encaminhada, a carreira funcionava. Até que a tia que a criou adoeceu, e Lidiane largou tudo para cuidá-la.
O alimento como cuidado: quando a cozinha virou estudo
Durante o tratamento oncológico da tia, Lidiane mergulhou em pesquisas sobre alimentos que poderiam ajudar no processo. Estudou os efeitos do açúcar, do curry, das castanhas, dos pães com sementes. Cada refeição era pensada para reduzir inflamação, regular o intestino e minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia. A tia se curou. E Lidiane saiu desse período com um conhecimento que não tinha nome ainda, mas que viria a se tornar a base de tudo.
Ela passou por Ouro Verde, onde seu irmão mora e sua mãe tem sítio, e ficou. Em pouco tempo conseguiu um trabalho num laboratório de controle biológico e acabou se estabelecendo na região. Foi em Dracena que ela abriu a boutique, mas foi em Dracena também que o nhoque de batata-doce apareceu, a academia gostou, e alguém disse: por que você não vende isso?
Do nhoque à personal cook: o negócio que nasceu na academia
No começo eram dez porções por semana. Lidiane fazia o nhoque, levava para a academia e separava dez por cento da renda para doações a instituições de Dracena. Logo virou vinte por dia. A loja de roupas foi ficando para trás. Um bolo de banana com castanhas se somou ao cardápio, depois chegou a onda do low carb, as marmitas funcionais, e o negócio ganhou forma.
Foi nessa época também que ela precisou se formalizar: fez o curso de Técnica em Alimentos enquanto amamentava o filho Anthony, ainda recém-nascido. Um amigo a levava até a escola, a namorada dele ficava com o bebê. O curso durou um ano e meio cheio de dias de choro e determinação. “Não vou desistir”, ela repetia para si mesma. E não desistiu.
Alimentação funcional: o que está por trás das receitas
Lidiane faz questão de explicar: funcional não é fit. Funcional é tudo que potencializa o organismo. Fibras, temperos naturais como açafrão, canela, orégano e alho, carboidratos complexos de baixo índice glicêmico. O raciocínio é simples: o carboidrato simples vira açúcar em duas horas; o complexo e funcional sacia por muito mais tempo porque as fibras precisam de água para inchar, ativar o intestino e mandar o sinal de saciedade para o cérebro.
Todas as receitas foram desenvolvidas por ela. O pão funcional levou dois anos e meio para ficar do jeito certo, com três descansos e cinco horas de processo. A esfirra funcional é de massa integral com aveia. Os bolos têm mais de quinze ingredientes. Nada industrializado, nada com conservante. E ela não atende celíacos, porque a cozinha inteira precisaria ser dedicada só a isso.
Personal cook de verdade: cozinhar como mãe cozinha para os filhos
O diferencial de Lidiane não é só a qualidade dos ingredientes. É a personalização. Ela conhece os gostos de cada cliente, sabe quem não come cebola, quem prefere carne desossada, quem quer o bolo de cenoura sem coco. Com o tempo, parou de montar o menu semanal e passou a fazer refeições individuais por encomenda, exatamente o que cada pessoa quer.
Ela atende clientes de Tupi Paulista que vêm buscar os pedidos toda semana. Já serviu 250 pessoas num leilão de cavalos no haras Yoshimura. Seus caldos chegam às mãos de quem sai da Santa Casa depois de um exame. Uma vez, uma mãe agradeceu dizendo que a filha, que estava três dias sem comer nada, esvaziou sozinha um pote inteiro de caldo. “Deus cuida da alma e eu vou cuidando do corpo”, ela diz.
Raízes em Dracena e orgulho de ser cozinheira
Com quase 42 anos, hipertensa, mãe de duas crianças e casada com Giovani, Lidiane parou de trabalhar nos fins de semana e aprendeu a dizer não. A filha Marie, de três anos, já explica que a cozinha de casa “é onde faz comida para os clientes”. Foi esse momento que mudou alguma coisa: a mãe precisava estar mais presente. Hoje ela trabalha de segunda a sexta e não abre mão do café da tarde sentada à mesa com a família.
Lidiane se orgulha sem hesitar. Ela diz ao filho Anthony que qualquer profissão tem valor, desde que feita com excelência. E diz que é cozinheira, assim, com todas as letras, num mundo que ainda carrega preconceito sobre isso. Mineira de origem, com passagem pelo Pantanal, pelo Xingu e por várias cidades paulistas, ela botou raízes em Dracena e não foi embora quando tudo desmoronou. “Dracena eu não passo fome”, ela resumiu, num dos momentos mais bonitos do episódio.
Onde encontrar
Lidiane Silva De Paula atende em Dracena, SP. Você pode acompanhar o trabalho dela e fazer seus pedidos pelo Instagram: @lidy_personal_cook
Resumo do episódio
Lidiane Silva De Paula deixou uma carreira em agropecuária e comércio para se tornar personal cook em Dracena, começando com um nhoque de batata-doce levado à academia. Sua trajetória inclui formação técnica na Fundação Bradesco, trabalho no Xingu e um período dedicado à pesquisa sobre alimentação durante o tratamento oncológico de sua tia, que a levou a desenvolver receitas funcionais personalizadas sem industrialização ou conservantes.
Principais aprendizados
- Alimentação funcional potencializa o organismo através de fibras, temperos naturais e carboidratos complexos de baixo índice glicêmico, diferente de comida simplesmente fit.
- O pão funcional de Lidiane levou dois anos e meio para ficar pronto, exigindo três descansos e cinco horas de processo.
- A personalização total é o diferencial: conhecer os gostos individuais de cada cliente, desde quem não come cebola até preferências de texturas e ingredientes.
- Estudar alimentos específicos como açúcar, curry e castanhas pode ajudar a reduzir inflamação e minimizar efeitos colaterais de quimioterapia.
- Qualquer profissão tem valor quando feita com excelência, inclusive a de cozinheira.
Perguntas respondidas neste episódio
O que é alimentação funcional?
Alimentação funcional é tudo que potencializa o organismo através de fibras, temperos naturais como açafrão, canela, orégano e alho, e carboidratos complexos de baixo índice glicêmico. Diferencia-se de comida fit porque o foco está em otimizar a função corporal, não apenas em reduzir calorias.
Como alimentos podem ajudar durante tratamento oncológico?
Durante quimioterapia, refeições podem ser pensadas para reduzir inflamação, regular o intestino e minimizar efeitos colaterais. A pesquisa sobre alimentos específicos como açúcar, curry e castanhas permite potencializar o processo de recuperação do paciente.
Qual é o diferencial de uma personal cook?
O diferencial está na personalização total: conhecer os gostos de cada cliente, saber quem não come cebola, quem prefere carne desossada, quem quer bolo sem coco, e fazer refeições individuais exatamente como cada pessoa deseja, sem padronização.
Como começar um negócio de comida caseira?
O negócio pode começar pequeno: Lidiane iniciou com dez porções de nhoque por semana na academia, onde separava dez por cento da renda para doações. O volume cresceu naturalmente conforme a procura aumentou, levando-a a formalizar-se através de um curso de técnica em alimentos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.