#382

Confeitaria e coragem: a história de Fernanda Durante | #382

18 de março de 2025 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #382 do AdamiCast

Fernanda Durante cresceu em Panorama, cidade à beira do Rio Paraná, conhecida pelo pôr do sol e pelo turismo regional. Por anos, ela dividiu a vida entre dois mundos: quinze dias em São Paulo trabalhando como agente penitenciária, quinze dias de volta à sua cidade. A estabilidade do concurso público garantia salário e segurança, mas cobrava um preço alto: a distância da própria família.

Quando a gravidez chegou, a conta não fechou mais. Fernanda percebeu que não conseguiria deixar a filha para trás e retomar aquela rotina. Foi nesse momento que uma amiga de infância, a Joyce, lhe fez uma proposta simples e transformadora: assumir a clientela de doces que ela estava deixando para trás ao se mudar. Ali nasceu o Quero Doce Ateliê.

Da penitenciária à confeitaria: uma virada por amor

Ninguém esperava que Fernanda trocaria a estabilidade de um cargo público por uma panela de brigadeiro. Ela própria reconhece que ouviu muito “que loucura” nos primeiros tempos. Mas a lógica dela era outra: de que adianta um bom salário se você só vê a filha durante quinze dias por mês? Em 2020, pediu exoneração e mergulhou de vez na confeitaria.

Hoje, trabalhando em casa, ela consegue estar presente na rotina da filha de um jeito que o emprego anterior jamais permitiria. Prepara o almoço, acompanha a tarefa escolar, está lá quando a criança chega da escola. Para Fernanda, isso não tem preço, e foi exatamente esse valor que lhe deu coragem para enfrentar o risco.

O brigadeiro como especialidade e como negócio

O ponto de partida foi o brigadeiro, e ele continua sendo o carro-chefe do Quero Doce Ateliê. Não um brigadeiro qualquer: Fernanda pesa cada unidade, enrola no dia da entrega para garantir textura fresca e usa granulado de chocolate de verdade, não de açúcar. O cardápio atual tem 14 sabores, de creme brûlê a pistache, de floresta negra a brigadeiro de caramelo com sucrilhos caramelizados.

O grande sucesso veio aos poucos, testando, errando e ajustando. O brigadeiro de caramelo com sucrilhos passou por várias tentativas de cobertura antes de Fernanda encontrar a combinação certa. Hoje é um dos mais vendidos. Ela também aprendeu a hora de retirar um sabor do cardápio: se não gira, ocupa estoque e capital parado.

Páscoa, chocolate e os desafios do calor regional

Mexer com chocolate no interior paulista, onde o calor é constante, é um desafio que Fernanda conhece bem. Na primeira Páscoa, em 2020, ela fez brigadeiros de lembrancinha porque ainda não dominava a temperagem do chocolate. No ano seguinte, convenceu o marido a comprar um ar-condicionado, fez curso específico e aprendeu a trabalhar com chocolate nobre de qualidade.

A Páscoa é, para ela, o “Natal da confeiteira”: é a única data em que o presente principal é inevitavelmente doce. Mas a logística exige planejamento desde janeiro, quando as embalagens já começam a esgotar nos fornecedores do Sul. Em 2025, a realidade ficou mais dura: o granulado de chocolate que ela pagava R$ 49 o quilo chegou a R$ 109, reflexo da crise na safra de cacau que vem pressionando o mercado desde 2023.

Sazonalidade, criatividade e o calendário que nunca para

Quem olha de fora pode imaginar que confeitaria artesanal tem baixa demanda em meses sem data comemorativa. A realidade é outra: Fernanda trabalha com um calendário denso, que inclui Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa Junina, Dia das Crianças e Natal. Entre uma data e outra, ela cria produtos sazonais para manter o caixa girando.

A Festa Junina foi uma surpresa positiva: os brigadeiros com sabores como milho, pé de moça e amendoim fizeram tanto sucesso que clientes com aniversário em julho começaram a pedir o tema “julino”. O bolo gelado, desenvolvido em 2023 para preencher um setembro sem datas, também virou produto fixo do cardápio. Cada inovação passa pelo filtro da linha de produção: se demanda muitos processos para uma confeitaria solo, precisa compensar no volume.

Embalagem, fotografia e a experiência completa

Fernanda defende que o brigadeiro não termina no sabor. A embalagem faz parte da experiência, e ela pesquisa opções desde janeiro para a Páscoa. Clientes que pedem “sem caixa” para economizar ouvem dela uma explicação gentil: a apresentação é parte do que justifica o valor do trabalho. Seu público é quem enxerga isso.

A fotografia dos produtos também é feita por ela, com curso de fotografia de comida já concluído. Desde a escolha do fundo e da iluminação até o timing certo do dia, cada detalhe é pensado. O Instagram funciona como a principal vitrine, gerando vontade antes mesmo do primeiro contato da cliente.

Onde encontrar

Fernanda Durante e o Quero Doce Ateliê estão em Dracena, SP. Para encomendas e cardápio atualizado, siga no Instagram: @querodoce_atelie.

Resumo do episódio

Fernanda Durante deixou a carreira como agente penitenciária para abrir o Quero Doce Ateliê em Dracena, priorizando a presença na vida da filha. O episódio detalha como ela transformou uma clientela de doces herdada em um negócio de brigadeiros artesanais com 14 sabores, aprendendo na prática sobre temperagem de chocolate, sazonalidade, precificação e experiência do cliente em um mercado impactado pela crise do cacau.

Principais aprendizados

  • Deixar um emprego estável pode ser viável quando o custo emocional da ausência supera a segurança financeira do cargo público.
  • Brigadeiro artesanal exige controle rigoroso: pesar cada unidade, enrolar na entrega e usar matéria-prima nobre para diferenciar no mercado.
  • Confeitaria artesanal em região de calor exige investimento em infraestrutura como ar-condicionado e cursos específicos de temperagem de chocolate.
  • Trabalhar com sazonalidade requer planejamento antecipado: comprar embalagens em janeiro para Páscoa e criar produtos sazonais entre datas comemorativas.
  • A experiência do cliente inclui embalagem, fotografia e apresentação, não apenas o produto, e isso justifica parte do valor do serviço.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar em confeitaria artesanal sem experiência prévia?

Começar com um produto base, como brigadeiro, e aprender testando, errando e ajustando. Investir em cursos específicos conforme necessário: Fernanda fez curso de temperagem de chocolate e fotografia de comida para melhorar a qualidade e a apresentação dos produtos.

Como trabalhar com chocolate em região de clima quente?

Investir em ar-condicionado para o espaço de produção e fazer curso específico de temperagem de chocolate. Isso permite trabalhar com chocolate nobre de qualidade mesmo em regiões onde o calor é constante.

Como manter o caixa girando em confeitaria artesanal?

Trabalhar com um calendário denso de datas comemorativas: Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa Junina, Dia das Crianças e Natal. Entre uma data e outra, criar produtos sazonais que mantenham a demanda constante.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.