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Cirurgia bariátrica em Dracena: Dr. José Roberto Teixeira Jr. e Dr. João Paulo Senerini explicam quando operar, como escolher o tipo de cirurgia e por que o pós-operatório começa muito antes da mesa | AdamiCast #131

30 de junho de 2022 • 9 min de leitura

Este texto vem do episódio #131 do AdamiCast

O AdamiCast #131 recebe dois cirurgiões bariátricos que há quase uma década dividem uma equipe em Dracena: o Dr. José Roberto Teixeira Jr. e o Dr. João Paulo Senerini. Em um bate-papo didático — longe do sensacionalismo que costuma cercar o tema — eles explicam quem é o paciente candidato, o que muda na vida de quem faz a cirurgia, quais são as técnicas mais usadas hoje, e por que o resultado depende muito mais de uma equipe multidisciplinar do que de uma única mão de cirurgião. E tiram uma dúvida útil: a cirurgia “entrega o doente pronto” ou exige que o paciente continue o trabalho depois da alta?

Os dois cirurgiões: residência em cirurgia geral, reciclagem em Rio Preto e foco em Dracena

O Dr. José Roberto já chegou em Dracena com o radar ligado pra bariátrica. Fez residência médica em cirurgia geral e, ao longo dos anos, foi se atualizando em cirurgia bariátrica, inicialmente em formato aberto (com corte). O Dr. João Paulo, por outro lado, veio de residência em cirurgia geral em Campo Grande e, no início, nem tinha a bariátrica como foco principal — a paixão veio depois. “Eu nem sempre tive o foco maior, era fazer frente. Mas quando comecei a operar, vi o resultado, vi a mudança na vida da pessoa — é gigantesca. Isso é o legal. Mudei muito a cabeça”.

O entrosamento profissional começou depois de vários anos de circulação. “Até então eu não tinha mão nenhuma em bariátrica. O Zé já tinha muita mão na época, mas era cirurgia aberta. Ele deixou muito a mão, parou de fazer quando saiu. E aí começamos a conversar”, lembra João Paulo. O movimento deles foi buscar uma reciclagem técnica em Rio Preto — vários meses de imersão em centro de referência, pegando atualizações de técnica e de tecnologia. “Tá fazendo uns 15 anos que a bariátrica começou, e mudou muita coisa. Se você não se atualiza, você fica pra trás”. A opção por ficarem em Dracena, longe dos grandes centros, foi consciente: pra oferecer o mesmo padrão técnico das capitais, com atendimento de perto, operando na Santa Casa de Dracena.

Por que a bariátrica tem essa fama — e como separar o joio do trigo

Toda cirurgia bariátrica carrega um estigma: o paciente fez, não deu certo. A explicação dos médicos é simples — os maus resultados chamam mais atenção que os bons. “Tem muita gente com medo, com receio, por causa de resultados ruins que viu por aí. Mas todo mundo conhece alguém que operou e não deu certo, só que ninguém comenta quem deu certo. Os maus resultados ficam mais marcados”. Eles reforçam: “A cirurgia é um instrumento, é uma arma que você tem na mão. Tem que saber usar e saber tocar esse instrumento. Não adianta você ter o melhor violão do mundo parado, você tem que saber tocar”. A conta é clara: bons resultados exigem equipe, experiência e paciente comprometido — não só o ato cirúrgico.

Outro mito a desfazer: o de que existe “cirurgia experimental” ou uma única técnica certa. Os dois reforçam que não — há várias técnicas, e a escolha depende do perfil do paciente. “A gente não tem uma única técnica. A escolha é individualizada, depende do peso, da comorbidade, do hábito, do histórico de cirurgia abdominal prévia. Por isso, conversar com um cirurgião e fazer uma avaliação detalhada é fundamental antes de qualquer decisão”. Hoje em dia, com a cirurgia minimamente invasiva (vídeolaparoscopia e robótica), a recuperação é bem mais rápida e a dor pós-operatória, significativamente menor. E o número de pessoas fazendo bariátrica só cresce: “ficou muito mais fácil, tá mais comum, descentralizou, tem bastante gente fazendo”.

Quem é o paciente candidato à cirurgia bariátrica

Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a indicação clássica segue o IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) e a presença ou não de comorbidades: IMC entre 35 e 40 com comorbidades (diabetes, hipertensão, apneia do sono, gordura no fígado, problemas articulares); ou IMC acima de 40 mesmo sem comorbidades. Mas o número não conta a história toda. “Tem gente com peso altíssimo e não tem nenhuma comorbidade. Tem gente com peso moderado e já tem várias. A classificação de obesidade não é só pelo peso, é pelo conjunto”, explica José Roberto. É por isso que a consulta inicial vai além da balança: inclui exames, histórico familiar, avaliação nutricional, cardiológica e, na maioria dos casos, acompanhamento psicológico e psiquiátrico prévios.

Por que a obesidade é tratada como doença e não só como questão estética? Porque ela é fator de risco pra uma série enorme de doenças: diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado), problemas articulares, alguns tipos de câncer, e até prejuízo na saúde mental. “A cirurgia é muito mais do que estética. Ela é um tratamento pra uma doença crônica que a pessoa tem. A gente está devolvendo saúde, não só mudando o corpo”. Por isso o critério clínico é to importante, e por isso o caminho até a mesa é longo: meses de preparação, não dias.

A “receita do bolo” — e por que a cirurgia não entrega o paciente pronto

A metáfora da receita de bolo, repetida várias vezes no episódio, é útil. Você recebe o bolo pronto, leva pra casa, e aí? “A cirurgia é tipo: eu vou lá, faço a cirurgia, te entrego a receita do bolo. A partir do momento que você segue pra casa, a gente não tem mais contato. A gente acompanha, mas o que vai acontecer com você a partir daí depende só de você”. Tradução prática: a bariátrica muda a anatomia (o estômago fica menor, o intestino é desviado, o paciente come menos e absorve menos), mas a relação com a comida — o chamado “comer emocional”, a compulsão periódica, o comer de cabeça — não muda sozinha. “A cirurgia até emagrece, mas a cabeça do gordo obeso continua lá. Se você não tratar a cabeça, você não vai ser obeso a vida inteira? Não é nem mais”.

É por isso que a equipe multidisciplinar é tão importante quanto o cirurgião. Antes da cirurgia: psicólogo, psiquiatra, nutricionista, educador físico, cardiologista. Depois da alta: retorno periódico com a equipe toda, suporte pra lidar com a nova rotina, suplementação vitamínica (recomendada pra vida toda), e muita conversa sobre o que é “comer de cabeça”. “O paciente tem que confiar, não quer passar na geladeira — mas tem que entender que não é só fechar a geladeira. Tem que cuidar do corpo e da mente, não tem outra forma”. É uma jornada longa, e o paciente que chega melhor preparado, com a cabeça arrumada e a equipe engajada, é o que tem o melhor resultado a longo prazo.

Onde encontrar

Dr. José Roberto Teixeira Jr. e Dr. João Paulo Senerini são cirurgiões gerais e bariátricos, e atendem em Dracena, SP, com cirurgias realizadas na Santa Casa de Dracena. Para agendar consulta, tirar dúvidas ou acompanhar a rotina da equipe, os perfis no Instagram são: @dr_joserobertoteixeira (Dr. José Roberto Teixeira Jr.) e @jpsenerini (Dr. João Paulo Senerini). A consulta inicial é o ponto de partida pra entender o caso, sanar dúvidas e construir o plano de tratamento junto com a equipe.

Resumo do episódio

O episódio #131 do AdamiCast recebe dois cirurgiões bariátricos de Dracena que explicam o perfil do paciente candidato à cirurgia, as técnicas atuais minimamente invasivas, e por que o sucesso depende de uma equipe multidisciplinar muito mais do que do ato cirúrgico isolado. O destaque é a desmistificação de mitos sobre a bariátrica e a resposta clara: a cirurgia muda a anatomia, mas o trabalho com a mente e os hábitos continua após a alta, exigindo comprometimento do paciente a longo prazo.

Principais aprendizados

  • O resultado da cirurgia bariátrica depende de equipe multidisciplinar (psicólogo, psiquiatra, nutricionista, educador físico, cardiologista) tanto quanto da técnica cirúrgica.
  • A escolha da técnica é individualizada conforme peso, comorbidades, histórico de cirurgias abdominais prévias e hábitos do paciente, não existe uma única técnica certa.
  • Obesidade é fator de risco para diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática, problemas articulares, alguns cânceres e prejuízo à saúde mental.
  • A cirurgia altera a anatomia (reduz estômago e desvia intestino), mas não resolve sozinha a relação emocional com a comida e o comer compulsivo.
  • Maus resultados em bariátrica recebem mais atenção que bons resultados, criando estigma injustificado sobre a eficácia do procedimento quando bem conduzido.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é o critério para ser candidato à cirurgia bariátrica?

Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a indicação é IMC entre 35 e 40 com comorbidades (diabetes, hipertensão, apneia, gordura no fígado, problemas articulares), ou IMC acima de 40 sem comorbidades. Porém, a avaliação considera o conjunto de fatores de saúde, não apenas o peso.

O que a cirurgia bariátrica muda na vida do paciente após a alta?

A cirurgia reduz o tamanho do estômago e desvia o intestino, fazendo o paciente comer menos e absorver menos alimento. Porém, a relação emocional com a comida não muda automaticamente. O paciente precisa continuar com acompanhamento psicológico, nutricional e trabalho comportamental para lidar com compulsões e comer emocional.

Por que tantas pessoas têm medo da cirurgia bariátrica?

Porque maus resultados recebem mais atenção e ficam mais marcados na memória coletiva do que sucessos. Todos conhecem alguém cuja cirurgia não deu certo, mas ninguém comenta os casos bem-sucedidos. O sucesso depende muito de como o cirurgião usa a técnica e do comprometimento do paciente com a equipe.

Que equipe profissional acompanha o paciente de cirurgia bariátrica?

Antes da cirurgia: psicólogo, psiquiatra, nutricionista, educador físico e cardiologista. Após a alta: retorno periódico com a equipe toda, suplementação vitamínica recomendada para a vida toda, e suporte para lidar com a nova rotina alimentar e comportamental.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.