#429

Vinícius Bortoloni: 13 anos na Check Point, por que o usuário é o elo mais importante e o que fazer hoje para não cair em golpe | #429

06 de novembro de 2025 • 36 min de leitura

Este texto vem do episódio #429 do AdamiCast

Vinícius Bortoloni era o personagem mais citado do podcast sem nunca ter aparecido. O cara de bermuda que anda pela cidade e que todo mundo acha que não trabalha. Pedro e Mariana comentavam dele em vários episódios, a galera da quinta série C sabia exatamente quem era, e ninguém conseguia entender o que ele fazia. No episódio 429 do AdamiCast, o Vini finalmente sentou para explicar: 13 anos na Check Point, empresa israelense líder em cibersegurança, viagens pelo Brasil inteiro e por fora, um banco parado por três meses por conta de terça-feira e reunião de Teams, a morte na Alemanha causada indiretamente por ransomware, por que o usuário é o elo mais importante de toda a cadeia de segurança, e o que qualquer pessoa pode fazer hoje para diminuir o risco de cair em golpe.

TI é igual a medicina: tem especialização dentro da especialização

A primeira pergunta que qualquer pessoa faz para Vini é como ele explica para os pais, para a avó e para os tios o que ele faz. A resposta que ele encontrou é a analogia com a medicina. Quando alguém pergunta o que um médico faz, a resposta certa não é “trata doente”. É ortopedista, urologista, ginecologista, cardiologista. A TI funciona da mesma forma. Tem o cara de redes, o de desenvolvimento de software, o de infraestrutura, o de suporte. E dentro de cada uma dessas áreas tem as especializações. Cibersegurança é uma delas, com suas próprias subdivisões, certificações e sopa de letrinhas que o pessoal de TI ama usar.

A confusão mais comum é jogar informática, TI e computação tudo no mesmo bolo. Informática cobre o nível usuário, Word, Excel, impressora. TI é uma escala muito maior. Cibersegurança dentro da TI cuida de tudo aquilo que protege os sistemas quando as redes privadas das empresas precisaram se conectar à rede pública, a internet. A partir desse momento, a superfície de ataque aumentou absurdamente. Hoje o celular é uma superfície de ataque. A smart TV é uma superfície de ataque. A geladeira conectada é uma superfície de ataque. O trabalho da cibersegurança é diminuir essa exposição toda sem impedir que as pessoas usem o que precisam usar.

A casa com portão, alarme e tranca: segurança em camadas

A maneira mais fácil de entender como a cibersegurança funciona é comparar com uma casa. Você coloca portão, depois fechadura eletrônica, depois chave tetra em cima e embaixo para ninguém forçar, depois câmera, depois alarme. Vai adicionando camadas. A segurança da informação funciona exatamente assim: você vai adicionando camadas nos sistemas para proteger e minimizar um possível vazamento ou acesso não autorizado. A diferença é que 100% de segurança é muito difícil de atingir. Você pode colocar tudo isso e sair pela portinha lateral esquecendo de trancar. É sempre por onde alguém entra.

Na documentação de cibersegurança, o usuário é descrito como o elo mais fraco da corrente. Vini prefere chamar de elo mais importante. Porque de nada adianta você colocar todas as camadas de proteção no laptop corporativo se o funcionário vai para casa, abre uma conta num aplicativo de transporte qualquer usando o mesmo e-mail e a mesma senha que usa no trabalho, e esse aplicativo tem um vazamento de dados. O atacante pega aquele e-mail e aquela senha e tenta acessar o sistema da empresa. O acesso vai ser legítimo porque é um usuário e uma senha reais. Daí a necessidade do segundo fator de autenticação.

Segundo fator de autenticação: ative agora no Instagram e no WhatsApp

Se você não usa segundo fator de autenticação no Instagram, WhatsApp e e-mail, você deveria usar. Com apenas os seus dados básicos, que muitas vezes estão expostos nas redes sociais ou em processos públicos, qualquer pessoa consegue solicitar um reset de senha. O golpe clássico do Mercado Livre funciona assim: o atacante encontra um anúncio seu, entra em contato, e pede para você confirmar um código que chegou no seu celular. Esse código é exatamente o segundo fator de autenticação que o sistema enviou porque ele tentou fazer login na sua conta. Quando você passa o código, ele acessa tudo.

O cofre de senha é outro recurso que Vini recomenda. O problema de ter senhas diferentes para tudo é que ninguém consegue decorar. A solução é um gerenciador de senhas, que pode ser um aplicativo portátil no celular ou o próprio banco de senhas da Apple. Você cadastra todas as senhas lá e só precisa lembrar da senha do cofre. Prático e muito mais seguro do que usar a mesma senha em tudo.

Ransomware: o sequestro de dados que parou uma empresa por dois meses

Ransomware é o que Vini chama de “hanser”, o sequestro dos dados. O atacante entra no sistema, criptografa tudo e só fornece a chave para descriptografar mediante pagamento. A pergunta que todo mundo faz é: mas não basta ter backup? Sim, mas aqui está o problema que ninguém conta: quanto tempo leva para restabelecer todos os serviços de uma empresa com 30 anos de dados e dezenas de sistemas interdependentes? Dois meses com a empresa parada. Dependendo do tamanho do negócio, um dia parado já equivale ao valor que o atacante está pedindo. Os atacantes sabem disso e trabalham a urgência. É exatamente o que eles querem que você sinta.

O caso mais extremo que Vini conhece é na Alemanha, considerado o primeiro caso de morte causado indiretamente por um ataque cibernético. Um hospital teve seus servidores criptografados. Sem acesso ao prontuário do paciente, a equipe não conseguiu executar o atendimento necessário no tempo certo. O paciente precisou ser transferido para outra unidade, e no tempo dessa transferência, faleceu. Não foi o ataque que matou diretamente, mas o ataque foi a causa indireta. É o exemplo mais brutal de por que segurança hospitalar é levada tão a sério no mundo inteiro.

Phishing com vilões da Disney e engenharia social de sempre

Nas palestras para usuários leigos, Vini usa os vilões da Disney para explicar os tipos de ataque. Phishing é associado à maçã da Branca de Neve: algo irresistível que a bruxa oferece sabendo que a vítima vai querer morder. No mundo digital é aquela mensagem no WhatsApp, SMS ou e-mail com um iPhone 17 por R$ 600. A ideia é que na ânsia de clicar você abra um link malicioso e comprometa o seu dispositivo. Quem fica com o dedo nervoso em cima do botão é exatamente o perfil que o ataque precisa encontrar.

Para DDOS, ataque de negação de serviço onde o atacante direciona centenas de máquinas infectadas para derrubar um servidor, Vini usa o Rei Leão: a cena da debandada dos búfalos que atropelam o Simba. O sistema não consegue comportar tantas requisições simultâneas e vai ao chão. Para mineração ilegal de computadores, os sete anões na mina. A didática funciona porque o usuário não precisa entender como o ataque funciona tecnicamente. Ele precisa entender que existe um risco e reconhecer os sinais antes de clicar.

Engenharia social é mais velha que a internet. Nos primeiros livros sobre hackers que atacavam grandes corporações, 99% dos casos começavam com uma falha humana: alguém deu uma informação por telefone, alguém jogou fora uma correspondência sem destruir, alguém colou a senha num post-it no monitor. Kevin Mitnick, um dos maiores hackers da história, usava técnicas de vasculhar o lixo em busca de senhas que tinham sido impressas e descartadas. O cargo de segurança da informação pensa nisso o tempo todo.

O golpe de banco que quase pegou Pedro

Pedro contou ao vivo o caso mais assustador que viveu. Recebeu uma ligação do banco onde tinha conta. A atendente sabia o nome completo dele, o CPF, o número do cartão com os quatro primeiros e os quatro últimos dígitos, e o modelo do celular que estava usando na época, um Samsung S8. Tudo conferindo. A atendente disse que havia um acesso indevido na conta pelo S8 e por um iPhone 8, e precisava resetar o acesso. Pedro foi confirmando tudo, passou os números do cartão, e quando ela pediu o código de segurança, algo travou. Ele não usava aquele cartão de crédito. Perguntou por que precisava do código de segurança para cancelar o cartão. Ela desligou. Quando Pedro abriu o aplicativo do banco, estava deslogado. Tudo que ela pedia eram os dados para fazer login.

A recomendação de Vini é simples: se alguém te ligar e a situação parecer fazer sentido, desliga e você liga para o banco. Vai no site oficial, pega o número, faz a ligação você mesmo. O mesmo vale para promoções: recebeu uma oferta incrível, vai diretamente ao site da empresa e verifica se a promoção existe. Nunca clique no link que chegou. Outra dica: não é porque a mensagem veio de um contato conhecido que ela é confiável. O atacante pode ter comprometido a conta da pessoa. Se chegou um pedido de pagamento urgente via WhatsApp de alguém que você conhece, liga para essa pessoa antes de fazer qualquer coisa.

IA ajuda a atacar e precisa ser protegida também

A inteligência artificial está nos dois lados da mesa de cibersegurança. Do lado da defesa, os motores de IA analisam artefatos maliciosos, comportamentos anômalos e logs em velocidade que nenhum humano consegue. Quando chega um documento Word suspeito, a ferramenta de segurança intercepta, abre numa máquina virtual, simula o comportamento do usuário abrindo o arquivo, e verifica se o documento vai criar chaves de registro, abrir novos processos ou fazer chamadas externas. Só libera para o usuário se passar nessa inspeção.

O problema é que os atacantes já aprenderam isso. Eles colocam no código malicioso uma verificação: se estiver rodando numa máquina virtual, não faz nada. Se a máquina tiver menos de dois núcleos de processamento, não faz nada. Parece legítimo na inspeção, passa, e executa a ação maliciosa no computador real do usuário. A IA de segurança e a IA de ataque estão em corrida permanente.

Do lado do ataque, a IA generativa está sendo usada para criar documentos falsos convincentes. Um caso recente aumentou em 60% a quantidade de fraudes de reembolso: funcionários usando IA para gerar comprovantes falsos de táxi, com data, trajeto e valores, para pedir reembolso de deslocamentos que nunca aconteceram. O que antes exigia Photoshop e um pouco de habilidade agora é questão de digitar um prompt e baixar o arquivo.

O caso mais assustador que Vini citou foi de uma empresa onde um funcionário do financeiro participou de uma reunião por vídeo com o CEO e mais quatro ou cinco pessoas da equipe. Todo mundo concordou com uma transferência de dezenas de milhões de dólares. Depois da reunião o funcionário efetuou o pagamento. Quando foi verificar, o CEO não tinha feito reunião nenhuma. Na sala de vídeo estava o funcionário real e ao lado dele, gerados por inteligência artificial em tempo real, os rostos e vozes das outras pessoas. Todas as imagens eram falsas. O ataque de deepfake já chegou nas reuniões corporativas.

Da Cyberlife de Dracena à Check Point de Tel Aviv

A trajetória do Vini começou antes de ele saber que era trajetória. O primeiro contato com computação foi pelo projeto Educomp, uma tartaruga numa tela que você movia digitando comandos. R90, ela virava 90 graus para a direita. L45, virava 45 para a esquerda. Lógica de programação no nível mais lúdico possível. Depois vieram as escolas de informática, CDI e similares, aprender a mexer no Word e no Excel. Nível usuário, como ele mesmo diz.

A decisão de fazer faculdade de computação em Adamantina veio do amigo Everton. Os dois foram juntos, Vini estava quase desistindo por questão financeira, o Everton apareceu no último dia de matrícula e cobrou. A mãe do Vini ouviu a conversa, perguntou se ele queria fazer, ele disse que queria mas não sabia como pagar, e ela disse “a gente dá um jeito”. Foram direto fazer a matrícula.

Enquanto fazia faculdade, foi trabalhar com o Ivair na Cyberlife, o primeiro provedor de internet de Dracena que Vini lembra, além da Fundec. A loja gravava CDs de software, tinha manutenção de computadores, e o provedor estava começando a crescer. Vini foi contratado porque sabia digitar, tinha feito datilografia. Começou lavando copo, foi aprendendo manutenção, e quando o provedor desencadeou foi para lá cuidar de tudo: criava e-mail de usuário, configurava servidores, fazia suporte.

Foi nesse período que teve os primeiros contatos com segurança. Na época, a internet era cobrada por hora. Quem quisesse usar mais horas do que havia pago, roubava usuário e senha de outras pessoas para consumir o plano delas. A Cyberlife tinha Bina, o sistema que identificava o número de telefone de quem estava se conectando. Vini criou scripts que cruzavam o número de telefone com o usuário logado e identificavam quando um não correspondia ao outro. Mandavam relatório para o cliente. Pronto: primeiro trabalho de segurança, feito numa provedor de internet do interior de São Paulo.

Depois da Cyberlife veio uma passagem por Adamantina montando redes de internet via rádio, sociedade com o Mateus, atendendo provedores da região, instalando antenas em prédios, montando rede Wi-Fi de Dracena até Lucélia. E a decisão de ir para São Paulo, onde uma revenda indicada pelo pessoal de Pacaembu tinha uma vaga. Foi lá empregado.

Em São Paulo, uma das empresas em que prestava serviço pediu para ele ficar. Era o Guia Mais, a lista telefônica com sistema de rotas antes do Google Maps existir. Ficou lá até a empresa ser vendida para um grupo britânico. Antes de a situação ficar incerta, já tinha feito entrevista na TIM. Entrou no data center da TIM em Santo André. Cinco anos cuidando da infraestrutura, longe das lojas e dos celulares, dentro do ambiente onde os sistemas realmente rodam.

Na TIM, uma das ferramentas de segurança usadas era da Check Point. O pessoal de lá vinha periodicamente para trabalhar junto com a equipe. Quando surgiu uma vaga na Check Point, eles chamaram o Vini. Entrou em 2012. A função inicial era de engenheiro, cobrindo a região sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Depois de um ano, montou um time de engenharia com pessoas em Recife, Curitiba, Brasília e outras cidades. Ficou seis anos como responsável pela engenharia. Depois fez transição para o lado comercial com background técnico, o que dava vantagem enorme nas conversas com clientes. No total, 13 anos na Check Point.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Israel, Tel Aviv e os pais que ele levou para lá

A Check Point tem matriz em Tel Aviv. Vini foi algumas vezes para lá para treinamentos, discussões técnicas e trabalho com a equipe de engenharia global. Todo mundo estranha quando ele menciona Israel, mas ele nunca sentiu nenhuma ameaça. Levou os pais em uma das viagens. Tel Aviv lembra São Paulo por ser uma capital grande e agitada. Os israelenses têm uma relação forte com comida saudável, é raro ver alguém obeso, a dieta é baseada em homus, frango e saladas. E eles adoram o modelo de pratos para compartilhar na mesa, parecido com um happy hour brasileiro. A festa de aniversário e o churrasco têm estrutura diferente, mas o espírito de sentar junto é o mesmo.

Além de Israel, Vini palestrou em Bogotá, participou de feiras nos Estados Unidos representando a Check Point em lançamentos de produto, atendeu clientes em capitais de todos os tamanhos do Brasil. A divisão era de América Latina, então nas reuniões a língua alternava entre inglês, português e espanhol. Às vezes a confusão era tanta que ele não sabia mais em qual língua estava pedindo alguma coisa para o garçom. O trabalho acumulou milhas o suficiente para fazer as viagens de férias com a Kenia, a esposa, inteiramente com pontos.

O banco que parava toda terça-feira às 14h

Nos 13 anos de Check Point, Vini acumulou casos que não pode contar pelo nome do cliente mas que ilustram bem o trabalho. Um deles: uma empresa onde a internet parava todo dia às duas da tarde. Só às terças-feiras. Todas as análises apontavam para o equipamento de segurança da Check Point. O caso foi escalando, chegou ao ponto de o CEO da empresa ligar pessoalmente. Vini foi presencialmente, chegou segunda-feira para estar lá quando o problema acontecesse na terça.

Fez a captura de tráfego e identificou que o problema era depois do equipamento, na ponta da operadora. Mandou o relatório às duas da tarde. Em 30 minutos o cliente respondeu confirmando: havia um equipamento de segurança da operadora que estava bloqueando. O motivo? Toda terça-feira às duas da tarde, todo mundo entrava numa reunião pelo Teams ao mesmo tempo. O sistema de segurança da operadora detectou centenas de conexões simultâneas saindo para o mesmo destino e entendeu que era um ataque DDOS. Bloqueou tudo. Estava configurado para um número X de conexões, a empresa cresceu, ultrapassou esse número, e ninguém tinha ajustado o parâmetro. O problema durou três meses porque na pandemia as pessoas iam e vinham do escritório, e no home office o problema não aparecia.

O segundo caso foi num banco, com o equipamento de segurança na frente do internet banking. Periodicamente o banco parava de transacionar: sem consulta de extrato, sem transferência. O banco tinha redundância e quando tiravam o tráfego do equipamento da Check Point e jogavam para um Cisco, funcionava. Levou tempo, um war room com muitas pessoas, até descobrirem que a aplicação do banco tinha mudado o comportamento de conexão mas ninguém havia comunicado a equipe de segurança para ajustar o parâmetro correspondente. Quando a causa foi encontrada e explicada, pareceu simples e óbvio. Mas encontrar tomou meses e muito estresse.

A pausa, a pressão alta e a volta para Dracena

No começo de 2024, depois de anos em ritmo intenso, Vini fez uma pausa. Problemas pessoais na família exigiram dedicação total. Quando a situação se estabilizou, ele olhou para si mesmo e viu o sinal: pressão alta, médico dizendo que os exames não mostravam nada de errado e que era estresse, melhora completa nas férias e retorno do problema na primeira semana de volta. O diagnóstico era o ritmo, não o corpo. Tomou a decisão de parar, cuidar da saúde e se reencontrar.

Os gêmeos Agnes e Vince nasceram em setembro de 2019 e foram a razão principal de voltar para Dracena cinco anos atrás. Vini chegava depois de uma viagem, dizia oi para a Kenia, catava a mala e já saía de novo. Quando estava fora por dois ou três dias e voltava, percebia que os filhos tinham mudado, estavam maiores, estavam fazendo algo novo. Sessenta por cento do tempo fora é o número que ele menciona. Não é fácil para ninguém da família. A Kenia segurou a barra durante anos, e isso Vini reconhece sem rodeio.

Depois da pausa, começou a conversar com revendas parceiras que havia conhecido ao longo dos 13 anos de Check Point. Um desses contatos era a Scansec, formada por quatro sócios que cruzaram o caminho dele em momentos diferentes. Um deles, Ricardo, trabalhou ao lado de Vini na TIM, sentado na mesa ao lado. Os outros ele conheceu quando era fabricante e eles eram revenda, ou o contrário. A Scansec o convidou para integrar a equipe e ele aceitou. Faz poucas semanas. O ciclo voltou a girar: foi cliente, foi parceiro, foi fabricante, agora revenda de novo, mas com 20 anos de experiência dentro.

A chave do carro e a escolha que não era a certa

Antes de tudo isso, aos 19 anos, Vini havia passado num concurso para a polícia. Foi nos três primeiros dias da escola em Junqueirópolis. O trote psicológico que os instrutores fazem para selecionar quem vai aguentar não o abalou nem um pouco, acabara de sair do tiro de guerra. Mas sentiu que não era o caminho. De manhã estava sentado no sofá em casa quando o pai passou e perguntou o que tinha acontecido. Vini disse que não tinha certeza se aquilo era o que queria. O pai foi no quarto, voltou, abriu a mão do filho, colocou a chave do carro, fechou e disse: “faz o que você quiser, eu vou te apoiar no que você escolher”. E foi dormir.

Vini pegou a chave, foi até Junqueirópolis e pediu dispensa. Os policiais tiraram sarro na saída. Ele montou no carro e voltou para casa com uma dúvida enorme, trocando o certo pelo duvidoso. Só que o certo não era certo, era só segurança disfarçada de certeza. A mãe era professora e funcionária pública, a estabilidade estava naquela direção. Mas a realização estava em outra. O pai entendeu isso antes de qualquer um. Sem aquela chave, Vini diz que provavelmente não teria chegado onde chegou.

O que fazer agora para se proteger melhor

Vini deixou algumas recomendações práticas que qualquer pessoa pode aplicar hoje. A primeira: golpe sempre vem com urgência ou com algo muito atrativo. Se chegou uma oferta irrecusável ou uma situação que exige ação imediata, para. Respira. Lê devagar o que está sendo pedido. Desconfia de qualquer coisa que venha com prazo apertado. A segunda: não é porque veio de um contato conhecido que é confiável. Se chegou pedido de pagamento, pedido de dado ou link para clicar de alguém da sua lista, liga antes de agir. A terceira: você não é invisível. “Não tenho nada importante no meu celular” é exatamente o pensamento que os atacantes contam que você tenha.

Para quem quer se aprofundar ou entrar na área: certificações são o divisor de águas na carreira de TI. O RH de empresas grandes busca exatamente as palavras-chave que aparecem nas certificações de segurança. Inglês é o segundo divisor. Não para viajar, mas para participar de reunião de negócio, defender um ponto de vista, conduzir uma entrevista. Sem o idioma você não consegue passar o sentimento. E o conhecimento, ao contrário do carro novo, ninguém toma de você. A memória da viagem, o diploma da certificação, o que você aprendeu enfrentando um problema difícil: isso fica. O celular de última geração passa para o próximo modelo em seis meses.

A evolução tecnológica está em velocidade que assusta. O celular demorou 15 anos para atingir 100 milhões de usuários. O iPhone demorou 3. A IA generativa chegou aos 100 milhões em menos de dois meses. Quem não acompanha essa curva fica para trás não como curiosidade, mas como vulnerabilidade. A cibersegurança é o trabalho de correr atrás de quem corre mais rápido. Os atacantes têm tempo integral e motivação financeira. A defesa tem que ser constante, em camadas, e educada para reconhecer o que parece legítimo mas não é.

Resumo do episódio

Vinícius Bortoloni, especialista em cibersegurança com 13 anos na Check Point, explica como funcionam ataques digitais, ransomware e golpes, e apresenta métodos práticos de proteção: ativar segundo fator de autenticação, desconfiar de mensagens com urgência, usar gerenciador de senhas e nunca clicar em links suspeitos. O usuário é o elo mais importante da cadeia de segurança, e pequenas ações diárias reduzem drasticamente o risco de comprometimento.

Principais aprendizados

  • Cibersegurança funciona por camadas de proteção, similar a uma casa com portão, alarme e tranca, reduzindo a exposição sem atingir 100% de segurança.
  • Segundo fator de autenticação em Instagram, WhatsApp e e-mail impede que atacantes acessem suas contas mesmo possuindo a senha correta.
  • Ransomware paralisa empresas inteiras ao criptografar dados, causando prejuízos que podem superar o valor do resgate em horas.
  • Phishing explora o instinto de clicar em algo irresistível via WhatsApp, SMS ou e-mail com ofertas falsas ou urgentes.
  • Inteligência artificial generativa permite criar documentos falsos convincentes e deepfakes em tempo real, ampliando o arsenal dos atacantes.

Perguntas respondidas neste episódio

Como identificar se uma ligação bancária é um golpe?

Deslige e ligue você mesmo para o banco pelo número do site oficial. Se alguém ligar pedindo código de segurança ou dados do cartão com justificativa de acesso indevido, é suspeito. O banco nunca pede esses dados por telefone ou verifica se você tem acesso à conta daquele jeito.

Por que devo ativar segundo fator de autenticação?

Com apenas seu e-mail e senha, alguém consegue fazer reset de senha usando dados públicos. No Mercado Livre, o golpista pede um código que chegou no seu celular, dizendo que precisa confirmar a transação. Esse código é justamente o segundo fator que o sistema enviou porque o atacante tentou fazer login. Quando você passa, ele acessa tudo.

Qual é o maior risco de usar a mesma senha em várias contas?

Se uma conta é vazada, o atacante tenta usar aquela senha em outras plataformas. Um gerenciador de senhas resolve esse problema armazenando todas as senhas em um único local. Você memoriza apenas a senha do cofre e todas as outras ficam diferentes e seguras.

Como funciona um ataque de ransomware?

O atacante entra no sistema, criptografa todos os dados e só fornece a chave mediante pagamento. O backup não resolve porque a empresa leva semanas para restabelecer dezenas de sistemas interdependentes. Dependendo do negócio, um dia parado já equivale ao valor do resgate, por isso o atacante trabalha a urgência.

O que devo fazer se receber uma mensagem de pagamento de alguém conhecido pelo WhatsApp?

Liga para essa pessoa antes de fazer qualquer coisa. O atacante pode ter comprometido a conta dela. Confirmando por telefone você evita enviar dinheiro para golpistas que invadiram a conta de um amigo ou parente.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.