Aos 30 anos, a advogada Bruna Barbosa colocou de volta a coroa que parecia ter ficado para trás na adolescência. Quando era mais nova, ela disputou o Miss Dracena e ficou em terceiro lugar duas vezes, antes de a própria regra do concurso a barrar: candidata não podia namorar, casar ou ter filho. Neste episódio do AdamiCast, ela conta como voltou a esse sonho quase uma década depois, quando a organização finalmente abriu espaço para mulheres com carreira, família e vida construída.
O resultado foi a coroa de Miss Universe Dracena 2026, a primeira vez que uma Miss da cidade ficou com o título, e um caminho de seis meses até o Miss São Paulo, com direito a vestido que chegou sem nunca ter sido provado, confinamento de seis dias e uma transformação capilar que ela carrega hoje como sua maior conquista pessoal.
O sonho que ficou pausado
Quando adolescente, Bruna disputou o Miss Dracena duas vezes e ficou em terceiro lugar nas duas. Na época, a mãe pediu que ela focasse na faculdade, e o concurso tinha uma regra que, sem dizer isso abertamente, exigia disponibilidade total das candidatas: não podia namorar, não podia casar, não podia ter filho. Bruna entendeu que aquele capítulo estava encerrado e seguiu a vida como advogada, hoje atuando em tribunal do júri em Dracena.
Anos depois, quando soube que a organização tinha mudado as regras e passado a aceitar mulheres com carreira e família, ela pensou em tentar de novo. Os pais reagiram com resistência: já era advogada, tinha uma vida definida, por que voltar para aquilo? Havia ali a ideia de que Miss é só beleza. Ela decidiu testar mesmo assim, para ver o que aconteceria.
A coroa que ficou em Dracena
A preparação para o Miss Dracena durou dois meses. Bruna voltou para aulas de inglês duas vezes por semana e fez aulas de passarela, porque o concurso hoje cobra currículo, não só aparência. Uma amiga com contato próximo de uma ex-Miss Brasil ligou para ela antes da disputa e tirou um peso importante: não era preciso chegar cem por cento pronta, bastava chegar disposta a aprender.
No dia do desfile, recém-recuperada de uma lesão no tornozelo, ela tropeçou num desnível da passarela na volta. Segurou o susto com um sorriso e seguiu como se nada tivesse acontecido. Poucos perceberam. Foi anunciada entre as três finalistas e, na sequência, recebeu a coroa, sendo a primeira Miss de Dracena a ficar definitivamente com o título na história do concurso local.
O cabelo que virou orgulho
Por treze anos, Bruna alisou o cabelo, mesmo sendo naturalmente cacheado. A transição capilar começou três anos antes deste episódio, mas o medo de que o cacheado não combinasse com a imagem esperada de uma Miss ainda pesava. Uma especialista em cachos em Presidente Prudente cuidou do corte e da cor antes da disputa estadual, e o resultado surpreendeu a própria Bruna: ela conta que teve vontade de chorar ao se ver no espelho, sem reconhecer aquele volume como seu.
O cabelo, que por tanto tempo ela tentou disfarçar, virou o diferencial dela no Miss São Paulo. Hoje ela descreve como o maior orgulho pessoal que carrega dessa trajetória, mais do que qualquer prêmio.
Os bastidores do dinheiro e da distância
Representar Dracena numa competição estadual tem um custo que não aparece na foto bonita. A cidade não tem aeroporto, então qualquer deslocamento passa antes por Presidente Prudente, o que encarece e alonga cada viagem. A prefeitura ajudou a viabilizar parte da inscrição por meio de verba de cultura, mas o resto, do vestido de sete quilos usado no Miss Dracena ao deslocamento e à produção, ficou por conta da própria Bruna e de quem topou apoiar.
Foi aí que entrou a parte mais dura: conseguir patrocínio na raça, mandando mensagem de madrugada para lojas de vestido pelo Instagram e pelo WhatsApp, sem dormir, sem resposta na maioria das vezes. O “não” mais comum nem era falta de interesse, era calendário: muitas marcas já tinham fechado patrocínio no começo do ano. O problema não era o discurso dela, era o timing.
O vestido que chegou sem nunca ter sido provado
O plano original para o vestido de gala do Miss São Paulo caiu ainda na reta final da preparação. Sem plano B, Bruna passou dias mandando mensagem para lojas e costureiras. Uma costureira do Paraná toparia fornecer cobrando só o tecido, uma loja de Dracena ajudou a resolver o problema da prova, e uma marca maior, conhecida por vestir ex-Misses Brasil, respondeu positivamente apenas dois dias antes da viagem.
O vestido chegou ao hotel em São Paulo durante o período de confinamento, quando ela não podia sair sozinha nem para buscar a própria encomenda. Um motoboy resolveu a entrega com os documentos dela em mãos. Ao abrir o pacote, Bruna encontrou dois vestidos, não um. Escolheu o preto sem nunca tê-lo provado antes. Foi, segundo ela, o melhor desfile que fez na competição inteira.
Maturidade, disciplina e o momento que foi dela
Os seis dias de confinamento em São Paulo vieram com poucas horas de sono por noite e uma rotina rígida de horários, penteados e compromissos. Quem acompanhou Bruna de perto, incluindo a apresentadora Mariana, já tinha notado sua disciplina em outros contextos, anos antes desta disputa. Para Bruna, ter uma carreira já construída como advogada trouxe uma tranquilidade que apareceu na performance: ela não precisava daquele resultado para se definir, então viveu o momento sem a pressão de quem está começando do zero.
Esse estado apareceu com força na preliminar de gala, quando ela escondeu o vestido preto sob um roupão durante todo o trajeto até o local e revelou a peça apenas na hora de entrar na passarela. A reação em volta foi imediata, e ela descreve aquele instante como o momento em que sentiu ter se soltado de verdade. Aos 30 anos, advogada de tribunal do júri, primeira Miss de Dracena a ficar com a coroa, Bruna resume o episódio inteiro numa frase simples: a foto bonita é só o clique, o resto é trabalho que ninguém vê.
Onde encontrar
Bruna Barbosa mora e atua como advogada em Dracena, SP, onde também gravou este episódio do AdamiCast. Para acompanhar sua rotina, sua trajetória como Miss Universe Dracena 2026 e os próximos passos, siga @brunajbarbosa no Instagram.
Resumo do episódio
Bruna Barbosa disputou o Miss Dracena duas vezes na adolescencia e ficou em terceiro lugar antes de a regra do concurso, que proibia namorar, casar ou ter filho, encerrar o assunto. Quando a organizacao passou a aceitar mulheres com carreira e familia, ela voltou aos 30 anos, venceu o Miss Universe Dracena 2026 e chegou ao Miss Sao Paulo. O caminho expoe o custo real de representar uma cidade sem aeroporto numa competicao estadual: busca de patrocinio na madrugada, vestido que chegou dois dias antes da viagem e sem prova, seis dias de confinamento e uma transicao capilar depois de treze anos de cabelo alisado, que virou o diferencial dela na passarela.
Principais aprendizados
- Concursos de Miss hoje cobram curriculo, idiomas e preparacao de passarela, nao apenas aparencia.
- Mudanca de regra que passou a aceitar candidatas com carreira, casamento e filhos reabriu a disputa para mulheres fora da faixa adolescente.
- Representar uma cidade sem aeroporto encarece e alonga cada viagem, porque todo deslocamento passa antes por outra cidade.
- Verba publica de cultura costuma cobrir so parte da inscricao; vestido, deslocamento e producao ficam com a candidata e com quem topa apoiar.
- Boa parte das marcas fecha patrocinio no comeco do ano, entao o nao mais comum e de calendario, nao de falta de interesse.
Perguntas respondidas neste episódio
Mulher casada ou com filhos pode disputar concurso de Miss?
Depende do regulamento de cada concurso. Em Dracena, a regra antiga barrava candidata que namorasse, casasse ou tivesse filho, o que afastava quem ja tinha vida construida. A organizacao mudou isso e passou a aceitar mulheres com carreira e familia, o que permitiu a disputa e a vitoria de uma advogada de 30 anos que atua em tribunal do juri.
Como se preparar para um concurso de Miss estadual?
Alem do treino de passarela, a preparacao inclui aulas de idioma e construcao de curriculo, porque a avaliacao considera trajetoria e nao so aparencia. Para a etapa municipal foram cerca de dois meses de preparo, com aulas de ingles duas vezes por semana e treino de passarela feito logo apos a recuperacao de uma lesao no tornozelo.
Quanto custa representar uma cidade pequena num concurso de Miss?
O custo nao aparece na foto pronta. Verba publica de cultura cobriu parte da inscricao, mas o vestido de sete quilos da etapa municipal, o deslocamento e a producao ficaram com a propria candidata e com apoiadores. Cidade sem aeroporto encarece tudo, porque cada viagem passa antes por Presidente Prudente.
Como conseguir patrocinio para um concurso de beleza?
Com busca ativa e insistente. No caso de Bruna, foram mensagens de madrugada para lojas de vestido pelo Instagram e pelo WhatsApp, quase sempre sem resposta. O obstaculo maior foi o calendario, porque muitas marcas fecham patrocinio no comeco do ano. Uma costureira do Parana ofereceu cobrar so o tecido e uma marca que veste ex-Misses Brasil respondeu dois dias antes da viagem.
Cabelo cacheado combina com concurso de Miss?
Pode ser vantagem. Depois de treze anos alisando o cabelo naturalmente cacheado, Bruna fez a transicao com ajuda de uma especialista em cachos antes da etapa estadual. O volume assumido virou o diferencial dela na passarela do Miss Sao Paulo e o que ela aponta como maior orgulho pessoal da trajetoria.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.