Alexsandro Takata, o BoyTeen, saiu de Dracena aos 17 anos com um plano simples: passar dois anos no Japão, juntar dinheiro para comprar um carro e voltar. Passaram-se 27 anos. Hoje ele mora no interior do Japão, no estado de Okayama, tem visto permanente, casa financiada, esposa filipina e um filho de 14 anos que cresceu falando três línguas dentro de casa.
No episódio 488 do AdamiCast, Alexsandro trouxe o filho Kaio ao Brasil pela primeira vez com idade suficiente para guardar lembrança do país dos pais. O papo virou um comparativo Brasil-Japão contado por quem vive dos dois lados: o que mudou na vida de quem trabalha fora, como criar um filho em três idiomas, e por que, depois de quase três décadas, ele já tem data para desacelerar.
Foi para ficar dois anos, ficou vinte e sete
Alexsandro nem chegou a tirar a carteira de motorista no Brasil. Ainda adolescente, entrou em conflito com os pais sobre o próprio futuro e conseguiu se emancipar para poder viajar sozinho. O pai sonhava vê-lo cursando ciências contábeis; ele já tinha a passagem comprada.
A ideia original era simples e comum entre quem foi trabalhar no Japão naquela época: ficar dois anos, economizar, comprar um carro zero e voltar para Dracena. A cultura, a segurança e a rotina do país acabaram segurando o que era para ser uma passagem curta, e os dois anos viraram vinte e sete.
O trabalho de quem decidiu ficar
Décadas depois, Alexsandro trabalha como operador industrial numa fábrica de autopeças. Ele descreve um mercado que ainda recompensa quem aceita fazer hora extra e mantém o ritmo de produção, mas também um país que passou a limitar legalmente quantas horas extras um trabalhador pode fazer por mês, depois de anos vendo o excesso de jornada cobrar um preço alto da saúde de quem trabalhava demais.
Ele também descreve um Japão que, ao mesmo tempo, endurece as regras para quem quer entrar e depende cada vez mais de mão de obra estrangeira para sustentar fábricas e comércio, num país que envelhece e tem cada vez menos jovens dispostos a assumir vagas de chão de fábrica.
Três idiomas debaixo do mesmo teto
Em casa, o método é dividido por pessoa: o pai fala só português com o Kaio, a mãe (filipina, professora de inglês) fala só inglês, e a escola japonesa cuida do japonês. Quando o Kaio ainda era pequeno, a creche chegou a pedir que a família escolhesse um único idioma para não confundir a criança. A família não escolheu, e hoje o menino de 14 anos transita entre as três línguas sem esforço aparente.
A rotina escolar japonesa também chamou atenção no papo: período integral, tarefa feita ainda no intervalo das aulas para sobrar mais tempo livre em casa, e até o tempo de videogame cronometrado pelos pais. Alexsandro ainda compara o professor de inglês do filho, que se recusa a falar qualquer outro idioma em sala, com o modelo brasileiro de ensino de idiomas, que costuma começar pela gramática antes da conversação.
Coisas que só quem já morou fora entende
Os primeiros meses no Japão renderam as histórias mais engraçadas do episódio. Sem conseguir ler os rótulos em kanji, Alexsandro confundiu vinagre com óleo na primeira compra do mercado. Pior: viveu uma semana inteira comendo ração de gato pensando que era atum enlatado, só percebendo o engano quando um amigo notou as latinhas empilhadas na pia.
Do lado da saudade, o que mais pesa depois de quase três décadas fora não são os grandes marcos, são as coisas mais simples: um queijo fresco, uma mortadela, uma picanha. E tem até um detalhe curioso do dia a dia japonês, no verão, as máquinas de café do Japão trocam automaticamente para bebida gelada, e boa parte do café consumido por lá é, segundo ele, produzido no Brasil.
O mergulho que quase deu errado
Uma das histórias mais tensas do episódio é sobre um mergulho autônomo que saiu do controle. Alexsandro entrou em narcose por profundidade ao seguir um peixe-palhaço além do combinado, passou dos 50 metros, perdeu o grupo de vista e ficou sem referência debaixo d’água.
Sem ar e sozinho, chegou a se entregar à própria sorte antes de bater a cabeça, por acaso, numa boia de sinalização que o trouxe de volta à superfície. A frase que o instrutor usou depois para explicar o que aconteceu virou uma das lições mais citadas do papo: é justamente no momento em que você ganha confiança que o acidente acontece.
O plano para os próximos anos
Depois de quase três décadas fora, Alexsandro já fala com naturalidade sobre desacelerar. A casa em Okayama está sendo financiada para ficar quitada por volta da maioridade do Kaio, a aposentadoria japonesa está garantida pelo tempo de contribuição, e ele já pensa em reduzir o ritmo de trabalho na casa dos 50 anos.
Ele é direto sobre o motivo de continuar no Japão hoje: ainda consegue guardar dinheiro lá. Se a conta financeira não fechasse, diz que viveria no Brasil. O Kaio, perguntado se pretende voltar a morar no país dos pais no futuro, respondeu que está cinquenta por cento inclinado para cada lado.
Onde encontrar
O episódio 488 do AdamiCast foi gravado em Dracena, SP. Para acompanhar o dia a dia de Alexsandro Takata no Japão, siga o perfil dele no Instagram: @alexsandrotakata.
Resumo do episódio
Alexsandro Takata, o BoyTeen, saiu de Dracena aos 17 anos para passar dois anos no Japão e voltou só 27 anos depois, hoje casado com uma filipina, com visto permanente e um filho trilíngue de 14 anos, o Kaio. No episódio 488 do AdamiCast, pai e filho contam como é o dia a dia de quem trabalha e estuda no Japão hoje, da rotina escolar integral do Kaio ao método de três idiomas dentro de casa, passando pelas mudanças nas regras de trabalho e imigração japonesas. O papo também guarda os momentos mais leves do episódio, como a semana em que Alexsandro comeu ração de gato achando que era atum, e os mais tensos, como o mergulho a mais de 50 metros que quase deu errado. No fim, Alexsandro já fala abertamente sobre o plano de desacelerar por volta dos 50 anos, com casa financiada, aposentadoria japonesa garantida e a decisão de voltar ao Brasil ainda em aberto para o filho.
Principais aprendizados
- Alexsandro foi para o Japão aos 17 anos com o plano de ficar só dois anos e comprar um carro; a estadia virou 27 anos.
- Em casa, a família adota um idioma por pessoa: português com o pai, inglês com a mãe filipina e japonês na escola, método que segue mesmo depois de a creche pedir que escolhessem só uma língua.
- O Japão passou a limitar por lei quantas horas extras um trabalhador pode fazer por mês, depois de anos em que o excesso de jornada cobrava um preço alto da saúde de quem trabalhava demais.
- Um mergulho a mais de 50 metros seguindo um peixe-palhaço terminou em narcose e perda de referência debaixo d'água; Alexsandro só voltou à superfície depois de bater a cabeça, por acaso, numa boia de sinalização.
- Alexsandro já tem plano para desacelerar por volta dos 50 anos, com casa financiada em Okayama e aposentadoria japonesa garantida pelo tempo de contribuição.
Perguntas respondidas neste episódio
Como foi a saída de Alexsandro Takata do Brasil para o Japão?
Alexsandro saiu de Dracena aos 17 anos, chegando a se emancipar dos pais para poder viajar, com o plano de ficar apenas dois anos no Japão e juntar dinheiro para comprar um carro. A cultura e a segurança do país acabaram segurando o que era para ser uma passagem curta, e a estadia virou 27 anos.
Como funciona a educação trilíngue do filho de Alexsandro, o Kaio?
Em casa, cada pessoa fala um idioma com o Kaio: o pai fala só português, a mãe, que é filipina e professora de inglês, fala só inglês, e a escola japonesa cuida do japonês. A família manteve o método mesmo depois de a creche sugerir que escolhessem apenas uma língua, e hoje o Kaio, aos 14 anos, transita entre as três com naturalidade.
O que mudou no trabalho de quem mora e trabalha no Japão?
Segundo Alexsandro, o Japão passou a limitar por lei o número de horas extras que um trabalhador pode fazer por mês, depois de anos em que o excesso de jornada afetava a saúde de quem trabalhava demais. Ao mesmo tempo, o país endurece as regras de entrada para estrangeiros e depende cada vez mais de mão de obra de fora para sustentar fábricas e comércio, num contexto de envelhecimento da população japonesa.
Qual é o plano de Alexsandro Takata para os próximos anos?
Alexsandro planeja desacelerar o ritmo de trabalho por volta dos 50 anos, com a casa em Okayama financiada para ficar quitada até a maioridade do filho e a aposentadoria japonesa garantida pelo tempo de contribuição. Ele afirma que permanece no Japão hoje principalmente porque ainda consegue guardar dinheiro lá, e que, se essa conta não fechasse, voltaria a viver no Brasil.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.