Sônia Bizi é cabeleireira há 35 anos e consultora Mary Kay em Dracena, dona de um salão que carrega no nome a própria historia de vida: Sônia Bizi Hairstyle, o sonho da beleza. No AdamiCast ela contou como saiu de uma chácara no interior para se tornar uma referencia na profissão, formou dezenas de alunas pela regiao e, no meio do caminho, viveu uma experiencia com a Covid-19 que ela mesma descreve como uma virada de chave na vida.
Da espiga de milho ao salão
A historia de Sônia comeca na roca, entre Santo André e Sabino, onde a familia morava numa chácara e o pai plantava milho e café. Ainda crianca, ela já se encantava com cabelo, mas de um jeito bem diferente do que faria depois profissionalmente: “eu queria pentear as bonecas, as espigas de milho. Eu punha no meio das pernas e penteava e cortava os cabelos das espigas de milho.” O sonho declarado, na epoca, era outro: “o meu sonho em si era ser professora.” Ela chegou a fazer o magistério, mas o destino tomou outro rumo quando a familia se mudou para Dracena e ela foi trabalhar no salão do Laurindo, no lugar da irma, que preferiu ser domestica. Comecou lavando e varrendo cabelo, sem nenhuma experiencia, e foi se apaixonando pelo oficio aos poucos, aprendendo tambem unha, depilacao e sobrancelha.
O comeco nao foi facil, porque as clientes tinham receio de uma profissional sem bagagem. Sônia lembra do primeiro corte a navalha, que fez tremendo: “eu tremi na base. Eu falei, firme e forte ai, dona Sonia, que voce tem que conseguir fazer.” Hoje ela corta a navalha de olho fechado e resume a lição que tirou daquele momento: “a coragem e essa, e fazer com medo mesmo.”
Uma familia inteira na area da beleza
Sônia se tornou, sem planejar, a inspiracao de uma familia toda ligada a beleza. A irma Anete aprendeu o oficio a distancia, por carta, numa epoca em que ligacoes interurbanas eram caras demais para durar mais que alguns minutos. O irmao Jorge, citado varias vezes na conversa com carinho e brincadeiras, tambem passou pela escola de cabeleireiro que Sônia ajudou a formar dentro do salão do Laurindo, onde ela unia as duas paixoes antigas, cabelo e ensino, dando aulas para novas profissionais da regiao. “Foi muita gente que se formou la com a escola”, contou, lembrando que ainda hoje reconhece a voz de antigas alunas em eventos pela cidade.
Hoje quem a acompanha de perto é a sobrinha e afilhada Julia, que perdeu a mae e passou a viver com Sônia, hoje sua secretaria e uma espécie de empresaria do salão. “Hoje ela esta sendo a minha empresaria”, contou Sônia, emocionada ao lembrar que a menina sonhava em trabalhar com a tia desde pequena.
O nome do salão e o sentido do trabalho
Ao montar seu proprio espaco, depois de anos ao lado do Laurindo, Sônia teve que recomecar do zero e criar uma identidade só sua. Foi então que descobriu que seu proprio nome já continha o significado do que fazia: “eu descobri que Sônia vem de sonho, Bizi vem de beleza. Sonho da beleza.” Para ela, o trabalho de cabeleireira vai muito alem da tecnica. “A gente trabalha com o humano, né? Entao o humano esta na nossa mao”, resumiu, explicando que muitas clientes chegam ao salão cabisbaixas, em busca daquilo que ela chama de dignidade do cabelo, e saem transformadas, com o “brilho dos olhos” diferente. É esse retorno, segundo ela, que vale mais que o dinheiro: “eu ganho meu dinheiro, mas não tem dinheiro que paga voce ver essa felicidade.”
A internação por Covid e a virada de chave
O momento mais marcante do relato foi a passagem de Sônia pela Covid-19, no auge da pandemia. Ela e o marido, o Laurindo, contrairam o virus juntos, mas foi ela quem piorou de forma grave, chegando a quase precisar ser entubada. Levada as pressas para atendimento, ela descreve o instante em que percebeu a gravidade da situacao ao ver a propria saturacao de oxigenio. Internada na Santa Casa, viveu dias dificeis, isolada, sem poder ter contato com o celular, proibida de sentir qualquer emocao forte por risco de piorar o quadro.
Foi nesse periodo que ela relata uma experiencia espiritual profunda. Catolica devota, Sônia diz ter tido, em um domingo de tarde, uma espécie de visao ligada ao horario da missa que não podia acompanhar, e fez uma oracao mesmo sem perceber que estava fazendo. Dias depois, ao conversar com a irma Anete, descobriu que, no mesmo instante em que vivia aquela experiencia no hospital, uma pessoa na igreja teria recebido um recado de que ela ficaria boa e voltaria para casa. Mais tarde, já recuperada, uma amiga costureira contou a Sônia que, enquanto ela estava internada, teve a impressao de ver algo sagrado sobre ela. Para Sônia, a confirmacao veio de fontes diferentes e sem que ela tivesse contado nada antes, o que reforçou sua fé. “Eu senti realmente o que eu senti”, resumiu, emocionada ao recontar a historia no podcast.
A recuperacao foi lenta. Sônia perdeu peso rapidamente, ficou fraca, precisou de ajuda para tarefas simples e levou tempo para voltar a força total, inclusive com fadiga persistente por um bom periodo depois da alta. Ainda assim, ela trata o episodio como um divisor de aguas na propria vida, um momento que reforcou o valor de cada dia e de cada sorriso trocado com as clientes no salão.
Mary Kay, fé e o que vem depois de 35 anos
Ha dez anos Sônia também é consultora Mary Kay, atividade que comecou depois de testar os produtos por insistencia de uma amiga e se apaixonar pelo resultado na propria pele. Hoje ela pretende dividir melhor o tempo entre o salão e a Mary Kay, além de tentar reduzir a rotina de longas jornadas em pé, algo que ela reconhece como necessario para a propria saude depois de tantos anos de profissão. Voluntaria em atividades como a Vapac, entidade de apoio a pacientes com cancer, e catequista na paroquia, Sônia resume boa parte do que aprendeu em tres décadas e meia de oficio numa frase simples, sobre unir trabalho e fé no dia a dia: “quando a gente faz com amor as coisas, com dedicacao, o dinheiro vem.”
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @soniabizi.hairstyle.
Resumo do episódio
O episódio traz a cabeleireira e consultora Mary Kay Sônia Bizi, que conta sua trajetória desde a infância na roça até os 35 anos de profissão em Dracena. Ela relata como aprendeu o ofício ao lado do cabeleireiro Laurindo, formou uma escola que capacitou muitas alunas da região e hoje comanda seu próprio salão, o Sônia Bizi Hairstyle. O relato inclui também sua experiência grave com Covid-19, internação na Santa Casa e um episódio de fé que marcou sua recuperação, além de reflexões sobre lidar com clientes, persistência no início da carreira e a importância de equilibrar trabalho, família e espiritualidade.
Principais aprendizados
- O começo em qualquer profissão costuma ser marcado por desconfiança dos clientes, exigindo persistência até conseguir os primeiros sins.
- Cursos podem ser aprendidos mesmo à distância, como por meio de cartas, quando não há outros recursos disponíveis.
- Trabalhar com atendimento ao público envolve também cuidar do estado emocional das pessoas, funcionando como uma forma de terapia informal.
- Criar uma rotina de atividade física pode ser feito de forma gradual, aumentando a frequência semana a semana até se tornar hábito.
- Persistir e manter a fé durante momentos difíceis, como uma internação grave, pode ser um fator de fortalecimento pessoal e recuperação.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar na profissão de cabeleireiro sem experiência?
O início costuma ser marcado por dificuldade em conseguir clientes, já que muitas pessoas têm medo de arriscar com alguém sem prática. É preciso persistir, aceitar treinar em poucas pessoas dispostas a confiar, e continuar praticando até ganhar segurança e reputação. Com o tempo e a repetição, tarefas que antes davam medo, como um corte à navalha, passam a ser feitas com tranquilidade.
Vale a pena investir em uma escola de cabeleireiro para formar profissionais?
Sim, formar novos profissionais pode gerar um impacto duradouro, criando uma rede de pessoas capacitadas que seguem trabalhando na área ao longo dos anos. Quem ensina também se realiza no papel de professor, unindo a paixão pelo ensino com a profissão prática. Anos depois, é comum encontrar antigas alunas que se lembram do aprendizado e seguiram carreira na região.
Como foi a experiência de ter Covid-19 grave relatada no episódio?
A pessoa relatou piora progressiva dos sintomas até precisar de internação, com saturação de oxigênio muito baixa e risco de intubação. Durante a internação teve uma experiência de fé marcante, incluindo uma visão que interpretou como uma manifestação religiosa, e recebeu alta após cerca de dez dias, ainda fraca e precisando de recuperação gradual, com sequelas de fadiga que persistiram por um bom tempo depois.
Como equilibrar vida profissional e cuidado pessoal segundo o relato do episódio?
Foi mencionado que trabalhar muitas horas em pé, como sete da manhã até oito da noite, cobra um preço físico com o tempo, sendo necessário reduzir o ritmo e incluir atividade física na rotina. A sugestão prática apresentada é começar com metas pequenas, como caminhar duas vezes por semana, aumentando gradualmente a frequência até se tornar hábito diário, o que ajuda tanto no corpo quanto no estado emocional.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.