No episódio 442 do AdamiCast, Pedro e Mariana Adame recebem dois empreendedores que, juntos, construíram uma das marcas mais reconhecidas do setor de assados em Dracena: Juliano Contiero Ramos e Denis Ramos, da Assados Vitória e Cia. Apesar de compartilharem o sobrenome, os dois não são parentes de sangue, mas se tratam como irmãos, fruto de uma amizade forjada em quase 15 anos de convivência, trabalho e perrengues superados lado a lado. O episódio mergulha na trajetória de Juliano, um rapaz que saiu de Getulina, no interior de São Paulo, sem nada no bolso, e que transformou sua paixão pelo churrasco aprendida com o pai no sítio em um negócio que acorda Dracena todos os sábados e domingos com o aroma inconfundível de frango assado, costela e cupim recheado.
A conversa é marcada por muitas risadas, histórias de bastidores e revelações sobre o que realmente significa trabalhar com alimentação no interior paulista. Da compra do primeiro ponto comercial, viabilizada pelo sogro que acreditou no genro antes de qualquer banco, até a conquista da esquina na avenida que se tornou ponto de referência em Dracena, Juliano e Denis compartilham com honestidade as alegrias e os perrengues de quem faz o final de semana inteiro para sustentar a semana. O episódio derruba o mito de que “vender frango dá dinheiro fácil” e revela uma rotina que começa na terça-feira e só termina no domingo à tarde, com direito a madrugadas, freezers quebrados e clientes ligando à meia-noite para garantir a encomenda.
De Getulina para Dracena: a origem de tudo
Juliano Contiero Ramos chegou à região em 2008, vindo de Getulina, a “Cidade Sorriso” do interior paulista, para ficar perto de uma tia que morava em Junqueirópolis. Sua irmã já havia se mudado para a região e constituído família por ali, e quando surgiu a oferta de um emprego em açougue, Juliano não pensou duas vezes. Com cerca de 20 anos de experiência mexendo com carne, sempre em açougues e mercados, ele se estabeleceu primeiro em Junqueirópolis, depois em Tupi Paulista, e finalmente em Dracena, onde casou em 2011. A vontade de montar o próprio negócio sempre existiu, mas a realidade financeira impunha limites. “Eu pensava bastante, mas não colocava em prática”, confessa Juliano no episódio, lembrando que a esposa Jaqueline sempre foi a voz da razão e da segurança no casal.
A virada aconteceu quando Juliano conversou com o sogro sobre a ideia de comprar o ponto de um senhor chamado Barreto, que vendia assados em uma casinha entre um bar e uma tapeçaria. O sogro não apenas apoiou a ideia, como se ofereceu para ajudar financeiramente, sem cobrar nada, dizendo para Juliano ir pagando mensalmente e guardar o dinheiro da rescisão para melhorias no ponto. “Meu sogro sempre me ajudou de coração, sem pedir nada em troca”, reconhece Juliano, emocionado. O negócio foi comprado “porteira fechada”, com todos os equipamentos, e Juliano começou a transformar o cardápio, os temperos e o padrão de limpeza que se tornariam a assinatura da Assados Vitória.
A parceria com Denis: quando a amizade vira família
A história de Juliano e Denis se cruzou por obra da esposa de Juliano, Jaqueline, que trabalhava na loja Brasil em Dracena e conheceu a filha do dono do mercado Milena. Foi assim que Juliano conseguiu uma vaga no açougue do Milena, e é ali que Denis entra na história. Denis conta que, no dia da entrevista, chegou cedo, de boné, e sentou no estacionamento. Juliano passou por ele e achou que era um entregador de carne. “Fiquei olhando e pensei: esse é entregador, largadão ali dormindo no estacionamento”, brinca Juliano. Mas quando Denis entrou no açougue como o novo funcionário, a surpresa se transformou rapidamente em amizade. “No segundo dia já estávamos marcando churrasco na minha casa”, lembra Juliano. De lá para cá, são quase 15 anos de uma parceria que já passou por dois empregos no Milena, outro período no mercado Iqueda e, finalmente, a Assados Vitória.
Denis não é apenas um sócio de trabalho. Ele foi quem ajudou Juliano a reformar, pintar e montar cada versão do ponto comercial, muitas vezes ficando até meia-noite trabalhando, embalado por cervejas e pela certeza de que a amizade valia mais do que qualquer contrato formal. Quando Juliano cortou o tendão da mão ao tentar cortar gelo com uma faca e fraturou a outra mão ao socar a parede de dor, foi Denis quem assumiu o assado no dia seguinte. Quando a esposa de Denis fraturou a perna, Juliano não hesitou: “Estamos no mesmo barco”. Essa irmandade se reflete na operação diária, onde cada um conhece seu papel e confia cegamente no outro. “Se eu crescer, você cresce junto”, foi a promessa que Juliano fez a Denis, e que segue sendo honrada a cada final de semana.
Os bastidores: da terça-feira ao domingo na churrasqueira
Para quem vê a Assados Vitória funcionando apenas no sábado e domingo, pode parecer que o trabalho é leve. Juliano e Denis desfazem essa ilusão com detalhes. A preparação começa na terça-feira, com a organização e limpeza do espaço. Entre quarta e quinta, chegam as mercadorias: cerca de 100 frangos por semana, além de costelas, cupim, fraldinha, panceta, costelinha suína e joelho de porco. Na quinta-feira, cada frango é limpo individualmente, retirando excesso de pele, gordura e ajustando o pescoço. Depois, são temperados um por um e armazenados em baldes. A farofa é preparada na sexta, junto com o recheio das carnes e o corte padronizado das costelas. “Já escutei gente perguntando se o frango vem com pena”, conta Juliano rindo. “Imagina eu pegar 100 frangos vivos e limpar ali dentro.”
No sábado e no domingo, Juliano chega ao ponto por volta das 5h30 da manhã, às vezes até mais cedo. O cupim, que é um dos carros-chefes do domingo, entra na máquina logo cedo e leva horas para ficar no ponto. O cardápio do sábado é mais enxuto: frango, costelão e joelho, com as demais carnes disponíveis por encomenda feita na sexta-feira. Já no domingo, o cardápio completo entra em ação, com cupim recheado, costela, fraldinha, carne de porco, panceta, costelinha suína, frangos recheados e simples, e sobrecoxa. As encomendas começam a chegar na noite de sábado, com clientes ligando às 20h, 23h e até à meia-noite. “Se eu não responder às 5h30 da manhã, é a primeira coisa que faço ao acordar: pegar o celular e anotar”, explica Juliano.
A esquina dos sonhos e os planos para 2026
O ponto atual da Assados Vitória, na avenida em Dracena, é resultado de uma conquista paciente. Juliano ficou 3 anos no primeiro endereço, uma casinha que pertencia a um proprietário que queria aumentar o aluguel sem investir em melhorias. Quando Juliano propôs comprar os materiais para reformar em troca da mão de obra do dono, a resposta foi negativa. “A gota d’água foi quando ele perguntou o que aconteceria se ele quisesse alugar a casa para outra pessoa depois”, lembra Juliano. Já de olho na esquina de seu Wilson, famoso pelo bar tradicional onde muita gente de Dracena já tomou uma cervejinha, Juliano esperou o inquilino anterior sair e fechou negócio rapidamente. O espaço tem cerca de sete anos de operação e se consolidou como ponto de referência.
Para 2026, Juliano e Denis revelam grandes planos: “É o ano da mudança”, afirma Juliano. O sonho antigo de montar uma casa de carnes junto ao ponto de assados está mais perto de se concretizar. A ideia é criar uma operação integrada, onde o cliente possa comprar a carne in natura ou já assada, ampliando o faturamento e reduzindo a dependência exclusiva do final de semana. Denis, que também trabalha durante a semana em outro emprego e faz espetinhos no posto Brasil às quartas, quintas e sextas, está pronto para crescer junto. A Assados Vitória já faz eventos, churrascos para aniversários e casamentos, mostrando que o negócio tem potencial para ir além do ponto fixo.
O preço real do churrasco: lições de empreendedorismo
Juliano é direto ao falar sobre a realidade financeira do negócio. “Muita gente olha para mim e fala que vender frango dá dinheiro. Não dá. Antigamente dava, hoje não. Se você não ralar, não sobrevive”, desabafa. Ele conta que o lucro do final de semana precisa sustentar a família durante a semana inteira, e qualquer imprevisto pode ser catastrófico. Uma vez, perdeu 30 frangos porque o freezer antigo não suportou o calor. Em outra ocasião, as duas máquinas assadeiras pararam ao mesmo tempo por um problema na rede elétrica, com clientes esperando suas encomendas. “Eu saí da casinha. Você está com tudo legal e, de repente, o cliente está esperando a mercadoria para o almoço e você não consegue entregar”, relembra, ainda sentindo o peso daquele momento.
Quando sobram frangos, Juliano não faz promoção. Ele já tentou uma vez, mandando na lista de transmissão que havia mercadoria disponível com desconto, e o resultado foi que clientes fiéis que compraram de manhã ficaram chateados. “Prefiro fazer doação do que vender mais barato”, explica. Ele já doou frangos para famílias carentes e para uma casa de apoio próxima ao cartório eleitoral de Dracena, atendendo a um pedido do pastor Valmyr, amigo e cliente de longa data. Os frangos que não são doados são congelados e o peito é usado para fazer salgados, garantindo que nada seja desperdiçado. É essa combinação de caráter, resiliência e amor pelo ofício que faz a Assados Vitória ser mais do que um ponto de assados: é uma referência de comunidade.
Tópicos do episódio
- A mudança de Getulina para Dracena e os 20 anos de experiência em açougues que moldaram Juliano.
- O papel decisivo do sogro que financiou a compra do primeiro ponto comercial sem cobrar nada.
- O encontro no açougue do Milena que deu início à parceria entre Juliano e Denis.
- Os bastidores da preparação: 100 frangos limpos e temperados um por um, da terça ao domingo.
- O drama dos freezers quebrados, máquinas paradas e os perrengues de depender do final de semana.
- A política de doação ao invés de desconto quando sobram mercadorias.
- O cardápio completo do domingo: cupim recheado, fraldinha, panceta, costelinha suína e muito mais.
- Os planos para 2026: abrir uma casa de carnes junto ao ponto de assados na avenida.
- A irmandade real entre Juliano e Denis, construída em quase 15 anos de amizade e trabalho.
Quer conhecer a história completa de Juliano Contiero Ramos e Denis Ramos, da Assados Vitória e Cia.? Assista ao episódio completo no YouTube ou ouça no Spotify. Siga o AdamiCast em todas as plataformas e descubra mais histórias de empreendedores que fazem de Dracena e região um lugar especial. E se bateu a fome, já sabe: ligue na sexta para garantir seu assado no sábado, ou acorde cedo no domingo antes que acabe!
Resumo do episódio
Juliano Contiero Ramos e Denis Ramos construíram a Assados Vitória, uma referência de assados em Dracena, a partir de uma amizade forjada em quase 15 anos de trabalho conjunto. O episódio desvenda a rotina que começa na terça-feira e vai até domingo à tarde, com 100 frangos preparados individualmente, madrugadas de encomendas e a realidade de que vender churrasco exige ralação constante. Da chegada de Juliano de Getulina em 2008 até a conquista da esquina na avenida, passando pelos perrengues de freezers quebrados e máquinas paradas, a história revela como caráter e resiliência transformam um sítio em negócio de comunidade.
Principais aprendizados
- A preparação semanal começa na terça-feira e envolve limpeza individual de 100 frangos, temperamento um por um e armazenamento em baldes para o fim de semana.
- O apoio financeiro do sogro, sem cobrança, foi decisivo para viabilizar a compra do primeiro ponto comercial quando bancos não acreditavam no empreendimento.
- O trabalho no final de semana precisa sustentar a família durante toda a semana, tornando qualquer imprevisto técnico uma ameaça à sobrevivência do negócio.
- A política de doação ao invés de desconto preserva a relação com clientes fiéis e evita desvalorização da marca quando há sobra de mercadoria.
- Os planos para 2026 incluem abrir uma casa de carnes integrada ao ponto de assados para reduzir a dependência exclusiva do sábado e domingo.
Perguntas respondidas neste episódio
Como é organizada a preparação semanal dos assados?
A limpeza do espaço começa na terça. Entre quarta e quinta chegam cerca de 100 frangos por semana além de costelas, cupim e outros cortes. Na quinta cada frango é limpo individualmente, retirando excesso de pele e gordura, depois temperado um por um e armazenado em baldes. A farofa e recheios são preparados na sexta junto com o corte padronizado das costelas.
Qual é o horário de funcionamento e quando chegam as encomendas?
No sábado e domingo Juliano chega ao ponto por volta das 5h30 da manhã, às vezes até mais cedo. As encomendas começam a chegar na noite de sábado, com clientes ligando às 20h, 23h e até à meia-noite. Ao acordar, a primeira ação é verificar o celular e anotar as encomendas recebidas durante a madrugada.
O que faz a Assados Vitória crescer além do ponto fixo de final de semana?
O negócio realiza eventos, churrascos para aniversários e casamentos. Para 2026, há planos de abrir uma casa de carnes integrada ao ponto de assados, permitindo que o cliente compre carne in natura ou já assada e ampliando o faturamento para reduzir a dependência exclusiva do sábado e domingo.
Como Juliano lida com mercadoria que sobra no final de semana?
Prefere fazer doação ao invés de vender mais barato. Clientes fiéis que compraram de manhã ficariam chateados com promoção. Doou frangos para famílias carentes e para uma casa de apoio próxima ao cartório eleitoral de Dracena. Os frangos não doados são congelados e o peito é usado para fazer salgados, garantindo que nada seja desperdiçado.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.