No episódio #222 do AdamiCast, em 1 de junho de 2023, o professor de História e comunicador Luiz Gabriel Jr. contou como saiu de Pacaembu, no interior de São Paulo, com 15 anos e um microfone de rádio comunitária, e virou, aos 23, dono de uma loja online de tereré, apresentador do podcast 018 Tereré, professor da rede pública, e cofundador do portal Fala Pacaembu. Foi uma conversa de mais de duas horas, passando pela primeira cobertura com câmera e microfone improvisado no Rodeio de Adamantina, pela derrota acirrada no grêmio estudantil em 2015, e pela virada que veio, segundo ele, 80% da mulher dele, a Graciane, e o que sobrou, da vontade de não ser mais o que era.
Luiz Gabriel é cria de Pacaembu, cidade pequena da região de Dracena, e cresceu numa casa simples, com pai que teve problema respiratório e mãe que segurou as pontas enquanto ele virava presidente do grêmio estudantil do 9 de Julho, perdia uma eleição por 38 votos em 2015, e voltava no ano seguinte com 80% dos votos. A virada dele, segundo ele, foi a internet democratizar a comunicação e abrir espaço pra quem não tinha voz bonita, e a fé, da esposa, que tirava os 40 centavos do dízimo do tereré dele e o ensinou a não terceirizar a vida pra cachaça. A história dele é também a história do tereré, que entrou na vida dele em 2015, virou página de Instagram em 2019, virou loja online em 2020, e virou podcast em 2023.
A infância em Pacaembu, o grêmio aos 14, e a derrota de 2015 que ensinou mais que a vitória
Luiz Gabriel cresceu em Pacaembu, cidade pequena do oeste paulista, numa casa simples onde o carro foi vendido antes dele nascer pra comprar os móveis, e onde a mãe foi a pessoa que segurou as pontas enquanto o pai, com problema respiratório, lutou durante anos por uma aposentadoria. Com 14 anos, ele entrou pro grêmio estudantil do 9 de Julho, e no dia 9 de setembro de 2014 apresentou um sarau na escola, mesmo com a professora achando que a boca dele era pesada demais pra isso. A virada veio com a Bet Gratão, hoje vice-prefeita de Pacaembu, que na época era coordenadora, e que deu o microfone na mão dele. Foi ali, segundo ele, que ele se encontrou, e faz 9 anos que ele está dentro da comunicação graças a uma pessoa que acreditou enquanto 50 não queriam.
Em 2015, ele perdeu a eleição do grêmio por 38 votos, porque um aluno de fora entrou na chapa rival com o pai forte, e teve compra de voto, segundo ele. A derrota, segundo ele, ensinou mais que a vitória de 2014, com 90% dos votos, porque mostrou que a corrupção não leva a lugar nenhum. Ele voltou em 2016 e ganhou com 80%, e em 2017, último ano dele na escola, ganhou de novo, e criou, com a galera, uma horta na escola que virou cesta básica anônima pra famílias da cidade, sem ninguém saber de onde vinha. Foi ali, segundo ele, que ele entendeu que o poder do grêmio não era só a política, era o gesto de levar alface pra quem precisava, sem aparecer.
Aos 15 anos na rádio, a faculdade EAD, e a primeira cobertura com microfone de canudo de diploma
Com 15 anos, em 2015, ele entrou na Rádio Pacaembu Comunitária, depois que a dona da pizzaria onde ele trabalhava como garçom engravidou e precisava de alguém pra cobrir o programa dela. Foi um mês, com a voz mudando e a mãe mandando ele falar mais devagar e anunciar as músicas em inglês que ele não sabia, e segundo ele, foi horrível. A faculdade de História começou em 2018, no EAD, com uma fase difícil, segundo ele, em que ele abandonou por causa da cachaça, e só voltou quando a esposa entrou na vida dele e mostrou que o esforço da mãe não podia ser desperdiçado.
A primeira cobertura grande foi em 2018, no Rodeio de Adamantina, com um voucher de imprensa conseguido pelo contato com o Acácio Rocha, dono do Siga Mais, e com uma câmera e um editor de 15 anos, o Mateus Redondar. O microfone, segundo ele, foi feito com canudo de diploma de formatura, fone de ouvido cortado, espuma comprada na internet, e grampeador. Foi ali, segundo ele, a virada pra ele entender que o Luiz Gabriel que tinha espaço no Fala Pacaembu não era o Luiz Gabriel sério, era o Luiz Gabriel doido, sem vergonha de subir em touro mecânico parado pra terminar a matéria, e de gritar com a câmera no meio do rodeio. O dia que terminou a cobertura de Henrique e Juliano, sozinho, com 25 mil visualizações, foi o que definiu o estilo dele, segundo ele.
A esposa Graciane, a pastora Fabiana, e os 80% da virada que veio de casa
Luiz Gabriel conheceu a esposa Graciane, a Gabi, em 1 de abril de 2019, depois de quatro meses de conversa por WhatsApp, sem se ver, e logo depois que ele começou a vender tereré. O primeiro encontro, segundo ele, foi no Bar Vitória, e ele ficou de costas pra ela, tremendo igual vara verde, segundo ele, e ela pediu o lanche mais caro do cardápio. Eles namoraram três anos, noivaram um, e casaram em 15 de julho, com a Gabi comprando a moto dele no nome dela, e colocando na meta, segundo ele, ter alguma coisa no nome porque o nome dele tava sujo. Foi ela, segundo ele, 80% da virada dele, porque tirava os 40 centavos de dízimo do tereré que ele vendia, e ensinou ele a olhar a Bíblia de verdade, e não terceirizar a vida pra cachaça.
Foi a Gabi também, segundo ele, que o levou pra igreja evangélica, e a pastora Fabiana, segundo ele, foi o instrumento de Deus pra mudar a história da família, com uma profecia sobre o fim do ovo frito na casa dele que se cumpriu 30 dias depois, com a carta da aposentadoria do pai chegando em casa, depois de anos de advogado em advogado. A virada dele, segundo ele, foi entender que Deus usa pessoas, e que o tereré que ele vendia na esquina podia ser instrumento de comunicação e de renda, e que a vida que ele tem hoje, com 23 anos, a casa que comprou, a esposa, o emprego, era tudo o que ele imaginou pra quando ele tivesse 30, e que ele viveu isso, segundo ele, pela fé e por 80% da mulher.
O tereré, a loja online, o podcast, e o Fala Pacaembu que virou portal
Em 2015, ele começou a tomar tereré com os amigos da pizzaria, depois que a mãe dizia que era coisa de doido, e nunca mais parou, segundo ele, com o médico já mandando maneirar. Em 2019, ele criou a página Tereré Clube no Instagram, e em 2020 abriu a loja online de tereré, divulgando por WhatsApp e Instagram, vendendo pelo Mato Grosso e fazendo entrega de pacotes de erva pro outro lado da cidade de noite. A ideia do podcast veio do Thiago Redondar, cofundador do Fala Pacaembu, que abriu o estúdio e ofereceu um programa pra ele, e que virou o 018 Tereré, o podcast dele.
O Fala Pacaembu, segundo ele, nasceu em 2017, com o Thiago, depois que eles perderam a eleição do Thiago pra vereador, e a ideia era mostrar pra cidade o que a imprensa tradicional não mostrava. Hoje, o portal tem a página principal, e ele toca o podcast 018 Tereré dentro da estrutura, ao lado do trabalho de professor de História, no sistema penitenciário e na rede pública, dando aula pra adolescente e falando da cultura do tereré dentro da sala. A combinação, segundo ele, é o que faz sentido pra ele, comunicar, ensinar, e ter o próprio negócio, sem ficar refém de uma cachaça, como foi por muito tempo, ou de um emprego que ele não se vê fazendo a vida inteira.
Onde encontrar
Luiz Gabriel Jr. é professor de História, comunicador, e criador da loja online de tereré 018 Tereré, baseado em Pacaembu, SP, com podcast homônimo, e cofundador do portal Fala Pacaembu. Acompanhe pelo Instagram pessoal @jrluizgabriel, pela loja e podcast no @018terere, pelo portal no @falapacaembu, e pelo programa do Fala Pacaembu no @noportalfala.
Resumo do episódio
Luiz Gabriel Jr. começou aos 15 anos como radialista comunitário em Pacaembu e transformou essa experiência inicial em uma carreira múltipla: professor de História, criador de podcast sobre tereré, dono de loja online e cofundador de portal de notícias. A conversa aborda como perdas eleitorais, o apoio da esposa e a fé o levaram a abandonar comportamentos destrutivos e construir um negócio próprio que une comunicação, educação e empreendedorismo.
Principais aprendizados
- O apoio de uma pessoa que acredita abre portas: Bet Gratão deu o microfone na mão dele quando a professora duvidava, definindo uma trajetória de 9 anos em comunicação.
- A derrota ensina mais que a vitória quando mostra a realidade: perder por 38 votos em 2015 mostrou a corrupção e preparou a volta em 2016 com 80%.
- O tereré saiu de hábito social para instrumento de comunicação e renda, gerando negócio online e plataforma de podcast.
- Terceirizar a vida para vícios custa caro: a esposa mostrou que o esforço da mãe não podia ser desperdiçado, tirando-o da cachaça.
- Combinar comunicação, educação e negócio próprio cria sustentabilidade: professor, podcaster e empreendedor simultâneos evitam dependência de um único emprego.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar uma carreira em comunicação sem experiência profissional?
Comece onde você está: aos 15 anos, um mês cobrindo programa de rádio enquanto garçom levou a primeiras coberturas jornalísticas e, depois, podcast e portal próprio. O improviso inicial, como microfone feito com canudo de diploma, não impediu que a cobertura chegasse a 25 mil visualizações.
Como transformar um hábito em negócio de forma gradual?
O tereré começou como hábito social com amigos em 2015, virou página no Instagram em 2019, depois loja online em 2020 vendendo por WhatsApp e Instagram, e finalmente podcast em 2023. Cada etapa usava a estrutura já existente para crescer.
Qual o papel do apoio pessoal na mudança de comportamento e carreira?
A esposa retirou a dependência de bebida ao mostrar que o esforço da mãe não podia ser desperdiçado, ensinou valores pela Bíblia e colocou estrutura financeira em nome dela. Essa base permitiu focar em educação, comunicação e negócio próprio simultâneos aos 23 anos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.