Ele se formou em Lins em 1988, ela em Presidente Prudente em 1990, e só foram se conhecer de verdade depois que ela voltou pra Dracena, por causa de amigos em comum. Daí pra namorar foi um passo, e pra construir uma clínica juntos foram mais alguns anos de trabalho, em que ele começou como empregado num consultório alheio antes de abrir o próprio. Andreia Barbosa Bazzo Soares e Marco Antonio Felca Soares são o casal de dentistas que atende a região há décadas, ela como clínica geral e ele especializado em implantodontia, e que contaram no AdamiCast a história de como uma faculdade, um pensionato e uma pandemia moldaram o que é hoje a clínica que levam pra frente juntos.
Da faculdade ao consultório: como tudo começou
Andreia e Marco são de Dracena, mas não se conheciam antes da faculdade. Ele prestou odontologia em Lins, na faculdade Marechal Rondon, e se formou em 1988, dois anos antes dela, que se formou em Presidente Prudente. Os caminhos só se cruzaram quando ela voltou pra Dracena, em um encontro casual com um grupo de amigos em comum. “Ele perguntou o que eu tava fazendo, onde eu estava, e aí depois a gente começou a namorar”, lembra Andreia. Namoro firme, e a decisão profissional de ficar na cidade veio da própria origem: cidade pequena, família por perto, e a tranquilidade de quem sabe que precisa de raíz pra crescer.
A fase de estudante, no entanto, foi longe de tranquila. Marco morou seis meses num pensionato que separava homens em baixo e mulheres em cima, com três camas por quarto, e depois se mudou pra uma república com seis meninas e dois meninos, num regime que ele descreve com humor: “quem come, quem lava, quem faz o quê”. Andreia tinha a experiência paralela de dividir quarto, cozinhar, e fazer a conta fechar no fim do mês. A história da salsicha em promoção que ficou um mês no congelador virou anedota de casál, mas o que ficou de verdade foi a disciplina de se virar antes de começar a atender.
Do consultório alugado à clínica construída a quatro mãos
Quando voltou pra Dracena, Marco não abriu clínica direto. Ele foi trabalhar no consultório de uma colega dentista, usando os períodos vagos como se fosse um aluguel. Ali ele começou a montar a própria clientela, e algum tempo depois conseguiu montar o consultório dele, num prédio onde Andreia também atendia. Quando decidiram tocar o projeto juntos, a escolha foi construir num meio lote: um negócio “um pouco maior, mais bem estruturado”, com consultório pra dois, cada um com sua especialidade, e a possibilidade de crescer sem trocar de endereço.
O detalhe que resume a forma como o casal toca a clínica é a divisão de funções. Cada um ficou com a própria especialidade, cada um atende o paciente do início ao fim, e ninguém atravessa o trabalho do outro no meio do tratamento. “Vocês não conseguem sair com o tratamento que alguém começou, cada um toca o seu trabalho”, explica Marco. A lógica é simples, e tem tudo a ver com a durabilidade da profissão que escolheram: em trinta e dois anos de carreira, o que se constrói é o nome de cada um, não o nome da clínica.
Implantodontia e o custo real de abrir uma clínica
Marco se especializou em implantodontia, a área que coloca implantes e reabilita a função mastigatória. É uma das especialidades mais caras da odontologia, não só pelo valor de cada procedimento, mas pelo investimento que o profissional precisa fazer antes mesmo de começar a atender. Uma cadeira de implantodontia, com motor, kit cirúrgico e raio-x próprio, não sai por menos de trinta a quarenta mil reais. “O diferencial de você colocar uma clínica é você colocar cinquenta equipamentos, no mínimo trinta a quarenta mil”, explica. E o custo de manutenção do equipamento é tão alto quanto o de compra.
Esse peso do investimento explica, em parte, por que o casal é tão enfático quando fala de formação em saúde. A faculdade, segundo eles, ensina a parte técnica, mas não ensina a parte administrativa. “A gente se formou há trinta e dois anos e não teve uma disciplina voltada pra parte financeira, de noção de custo, de quanto vale a consulta”, lembra Andreia. Marco completa: “o cara sai da faculdade, monta o consultório ou vai trabalhar no de alguém, mas não sabe o valor do aluguel, da energia, do auxiliar. É uma bola de neve.” Por isso mesmo, defendem que a próxima geração de dentistas precisa de orientação profissional antes de colocar a placa na porta.
A pandemia, os quinze dias fechados, e a lição que ficou
Em março de 2020, a clínica fechou com o resto do país. Quinze dias parados, com a exceção de emergências. “Dor de dente não parou, nós dois não mexemos uma boca com máscara, não teve jeito”, lembra Andreia. Quando voltou, o movimento foi em ondas: liberava, voltava, fechava de novo, cada vez com o susto renovado. A maior provação de que a pandemia tinha chegado pra eles foi a notícia de que o pai de um amigo próximo havia falecido. Marco começou a sentir falta de ar no mesmo dia, psicossomático, e só relaxou quando os sintomas passaram.
Da pandemia, ficou uma rotina que não existia antes: limpar tudo entre um paciente e outro, evitar aglomeração na sala de espera, e tratar cada espirro como evento. “Hoje a gente limpa antes, vocês vão embora, eu limpo tudo de novo, não consigo mais não limpar”, conta Andreia. O custo extra de proteção ficou, mas a consciência de biossegurança que já era alta em clínica subiu de novo patamar. O lado bom, segundo ela, foi o período em que ninguém chegava com dor de garganta ou gripe, sinal de que a máscara funcionava.
Trinta e dois anos depois: terapia, pilates e o valor das coisas
Trinta e dois anos de consultório ensinam coisas que faculdade nenhuma ensina. Uma delas é que o trabalho do dentista cobra do corpo, e o casal faz pilates por causa da cervical, da postura, e das horas em posição estática. Outra é que a cabeça precisa de cuidado igual ao corpo, e a terapia entrou na rotina de Andreia. “Todo mundo devia fazer terapia uma vez na vida, porque você vai desabafar com a mãe e ela defende você, com o marido e ele manda você terminar”, resume. A fala é leve, mas a recomendação é séria.
A outra lição é sobre o que se transmite pros filhos. A facilidade de hoje, segundo o casal, tira da garotada a noção do valor das coisas. “A minha mãe falava que refrigerante era no Natal, a gente hoje tem refrigerante todo dia, não tem graça”, lembra Andreia. O antídoto que eles encontraram foi fazer os filhos passarem pelo que eles passaram, em versão atenuada, pra que aprendam a poupar sem que a facilidade da vida adulte venha tirar o sentido do esforço. É o tipo de lição que só trinta e dois anos de clínica, dois filhos, e uma pandemia juntos conseguem ensinar.
Onde encontrar Andreia e Marco
A clínica do casal atende em Dracena, SP, com foco em clínica geral e implantodontia, e recebe pacientes da região. Para acompanhar a rotina e os bastidores, siga @andreia_bazzo e @marco_felca. A conversa com o AdamiCast é o tipo de história que mostra como um negócio familiar de saúde se constrói com tempo, disciplina, e a escolha certa de fazer o outro crescer junto, em vez de crescer sozinho.
Resumo do episódio
Andreia e Marco são dentistas de Dracena que se conheceram após a faculdade e construíram uma clínica juntos ao longo de décadas. A conversa aborda como a formação, as experiências de vida durante a faculdade, o investimento necessário em implantodontia, os desafios da pandemia e as lições aprendidas após 32 anos de carreira moldam tanto a profissão quanto a vida pessoal do casal.
Principais aprendizados
- Faculdades de odontologia não ensinam administração financeira, deixando profissionais sem noção de custos operacionais e preços de procedimentos
- Uma cadeira de implantodontia equipada custa entre trinta e quarenta mil reais, além de custos altos de manutenção contínua
- A divisão de especialidades dentro de uma clínica familiar permite que cada dentista construa seu próprio nome profissional ao longo da carreira
- Profissionais de odontologia precisam cuidar da saúde física com pilates e da saúde mental com terapia devido à demanda postural e emocional da profissão
- A experiência de escassez durante a formação, como dividir moradia e contar cada centavo, cria disciplina que prepara para os desafios da vida profissional
Perguntas respondidas neste episódio
Quanto custa colocar uma clínica de implantodontia?
Uma cadeira de implantodontia com motor, kit cirúrgico e raio-x próprio custa no mínimo trinta a quarenta mil reais. O investimento total de uma clínica com múltiplos equipamentos pode ultrapassar esses valores significativamente, sem contar os custos contínuos de manutenção.
Como funcionou o atendimento odontológico durante a pandemia?
As clínicas fecharam por quinze dias inicialmente, com exceção de emergências. O retorno foi em ondas, com períodos de abertura e fechamento alternados. Quando retomaram, implementaram limpeza entre cada paciente, evitaram aglomeração na sala de espera e trataram cada espirro como evento de biossegurança.
Por que a formação universitária em odontologia precisa incluir educação financeira?
Profissionais saem da faculdade sem compreender o valor real dos custos operacionais, como aluguel, energia elétrica e salários de auxiliares. Essa falta de conhecimento cria dificuldades ao abrir consultório ou trabalhar em clínicas alheias, gerando o que é descrito como uma bola de neve de despesas.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.