Valéria Bueno fez trabalho de feira de ciências sobre agência de viagens numa época em que nunca tinha ido à praia. Nao era ingenuidade: era clareza de proposito desde cedo. Hoje ela tem 11 anos de B2 Turismo em Dracena, ao lado do marido Bruno, e foi a convidada do episodio 4 do AdamiCast para contar como uma menina que sonhava em organizar viagens sem ter viajado se tornou referência no setor na regiao.
Você pode acompanhar a Valéria e a B2 Turismo no Instagram em @valeriab2 e @bdoisturismo.
A primeira praia veio de uma excursao de porta em porta
Valéria tinha 16 anos quando conheceu o mar. Um homem bateu na porta da casa da mae dela oferecendo uma excursao para Camboriu. A mae topou. Foram. O hotel era um albergue com 200 pessoas dividindo banheiro. Para ela, foi extraordinário. A vida inteira sonhando com aquelas imagens de revistas, e de repente estar de frente para o océano.
Esse era o perfil dela desde pequena: A Sonhadora. Enquanto os colegas faziam vulcoes e experiencias de quimica na feira de ciências, Valéria montava uma agência de viagens imaginária. Nunca tinha viajado de aviao, mas já sabia que era aquilo que queria fazer da vida.
A faculdade, Carmem Moraes e a agência escola
Quando a faculdade de Turismo abriu em Dracena, Valéria entrou. Trabalhava de dia para pagar os estudos e ia ao curso à noite. Num dia chegou atrasada para um evento que a turma inteira tinha organizado, uma cidade turística montada dentro da faculdade. A professora Carmem Moraes a chamou na sala. Nao foi bronca: foi convite. A professora tinha uma agência escola que organizava viagens para alunos e queria Valéria na equipe.
Foi ali que a paixao virou pratica. Ela aprendeu a organizar viagens de onibus, a cuidar de grupos, a lidar com os imprevistos de estrada. O curso de Turismo de Dracena acabou fechando por falta de novas turmas, a regiao nao conseguia preencher vagas. Mas Valéria já tinha o suficiente para seguir.
Tupã, a Secretaria de Turismo e o convite para a Italia
Uma professora que era Secretária de Turismo de Tupã a convidou para um estágio nao remunerado. Valéria foi assim mesmo. Deixou a casa dos pais em Dracena, mudou para Tupã sozinha e passou a trabalhar dentro de uma prefeitura com licitacoes, patrimônio histórico, eventos. Nao era o que ela sonhava, mas era turismo de verdade, com toda a burocracia que ele carrega.
Foi em Tupã que veio o convite mais improvável. A universidade local tinha um intercâmbio com uma universidade italiana. Num jantar de premiacao, Valéria sentou ao lado de um italiano que nao falava portugues. Ela arriscou o pouco de italiano que sabia, a coordenadora do evento traduziu o resto. Ela perguntou como se inscrevia para estudar lá. Ele disse para mandar um e-mail.
Mandou. Foram quase um ano de trocas. E chegou uma carta: ela tinha ganhado uma bolsa. Curso de italiano em Perugia mais 300 euros, o suficiente para se manter por um mês. So precisava comprar a passagem. Guardou a carta numa caixinha. Tinha acabado de entrar num trabalho em Tupã e nao quis pedir férias antecipadas. A Itália ficou esperando.
Bruno, o B2 e o nome que veio do sogro
Em Tupã ela conheceu Bruno, que virou marido e socio. Quando decidiram abrir a agência juntos, Valéria já tinha o nome escolhido há anos: Destino Viagens e Turismo. Mas foi o pai do Bruno que mudou o plano. “Por que nao B2?” Dois Bs: Bruno e Bueno. Fácil de falar, fácil de lembrar, fácil de ligar. Valéria ficou com aquilo na cabeca e nao saiu mais.
A B2 Turismo abriu e completava 11 anos de existência no momento da gravacao do episodio. A pandemia de 2020 foi o maior teste. O turismo parou. Mas a agência continuou, e Valéria usou o período para repensar o negocio e desenvolver novos servicos.
O roteiro personalizado e o que separa um agente de um site
No momento da gravacao a B2 estava em transicao: nova identidade visual, novo logo, e um servico novo ganhando corpo: o roteiro personalizado. A ideia é entregar ao cliente um guia digital completo com itinerário dia a dia, rotas de metrô, horários de funcionamento de atracoes, restaurantes com reserva antecipada necessária.
O exemplo que ela usou foi a Torre Eiffel: o cliente chega em Paris numa quinta-feira querendo visitar. Nao sabe que a torre fecha naquele dia. Nao sabe que o jantar no topo precisa ser agendado seis ou sete meses antes. Uma busca no Google nao conta isso. Um bom agente de viagens conta, porque já viveu ou já organizou aquilo antes. “A gente nao é so um emissor de passagem”, ela disse. “É uma experiência.”
Valéria Bueno comecou sonhando com viagens sem nunca ter viajado. Construiu uma agência com o proprio sobrenome no nome. E ainda guarda numa caixinha a carta da universidade italiana que um dia vai responder.
Resumo do episódio
Valéria Bueno fundou a B2 Turismo em Dracena há 11 anos ao lado do marido Bruno, partindo de um sonho de organizar viagens que começou antes mesmo de ela ter viajado. O episódio conta como uma menina que fez projeto de agência imaginária na feira de ciências se tornou referência no setor, passando por experiências formativas em uma agência escola, na Secretaria de Turismo de Tupã e consolidando um diferencial: roteiros personalizados que vão além da venda de passagens.
Principais aprendizados
- O propósito profissional pode ser claro desde a infância, mesmo antes de experiência prática no ramo.
- Aprender com agências escola oferece treinamento prático em organizar viagens, cuidar de grupos e lidar com imprevistos.
- Trabalhar em órgãos públicos como Secretaria de Turismo ensina burocracia e estrutura administrativa do setor.
- Um agente de viagens diferencia-se de buscadores online ao oferecer conhecimento acumulado sobre detalhes que sites não revelam, como horários de funcionamento de atrações e necessidade de reservas antecipadas.
- O nome de uma agência pode vir de pessoas próximas e refletir os valores do negócio de forma memorável e prática.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar em agências de viagem sem ter experiência?
Uma forma prática é trabalhar em agências escola que organizam viagens para alunos. Ali se aprende a organizar viagens de ônibus, cuidar de grupos e lidar com imprevistos de estrada. Essa base é suficiente para seguir na carreira.
Qual a diferença entre um agente de viagens e uma busca na internet?
Um agente de viagens oferece conhecimento vivido ou previamente organizado que sites não contêm. Por exemplo, saber que a Torre Eiffel fecha em determinado dia ou que jantar no topo requer agendamento seis ou sete meses antes. A experiência acumulada cria uma diferença de qualidade na orientação.
O que é um roteiro personalizado em agências de turismo?
É um guia digital completo entregue ao cliente com itinerário dia a dia, rotas de metrô, horários de funcionamento de atrações e restaurantes que requerem reserva antecipada. Transforma a agência em fornecedora de experiência, não apenas de passagens.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.