Deborah Duarte nasceu em Belo Horizonte, cresceu entre Brasília e Andradina, formou em Psicologia em 2011 e chegou na televisão sem nunca ter feito um treinamento formal para isso. Psicóloga, comunicadora, apresentadora de rádio e produtora de conteúdo, ela foi a convidada do episódio 6 do AdamiCast para contar como duas áreas aparentemente separadas acabaram virando uma coisa só na vida dela.
Você pode acompanhar a Deborah no Instagram em @deborahduarteluz. O programa de TV online é o @prog.luz, a psicologia online em @psideborahduarte e os artesanatos em @ideiasartisticas.
De BH para Andradina, passando por Brasília
A história de Deborah começou em Belo Horizonte, mas o pai trabalhava no banco e transferências faziam parte da vida. Depois de Brasília, a família foi parar em Andradina, interior de São Paulo. Cada mudança exigia recomeçar do zero: novas amizades, nova escola, nova cidade. Ela fala que esse processo de se adaptar e se enturmar foi moldando nela uma habilidade de observar as pessoas e entender o que estava acontecendo ao redor. Um pezinho na psicologia antes mesmo de saber que era isso que queria fazer.
A comunicação que veio primeiro, a psicologia que ficou
O plano original era fazer comunicação. Desde pequena ela gostava de falar, de argumentar, de se posicionar. Mas a vida mudou de rota quando ela teve o filho sem planejamento, e alguns planos precisaram esperar. Foi aí que a psicologia entrou. Ela se formou em 2011 e fez pós-graduação, mas nunca abandonou a comunicação. Para ela, as duas áreas se alimentam: na clínica, a comunicação ajuda a criar vínculo e a fazer a pessoa se abrir; no comunicador, o olhar psicológico ajuda a entender o que está por trás do que alguém está dizendo.
O professor que a expulsou e que ela agradece até hoje
No colegial em Andradina, ela cruzou com um professor de física que a expulsou da sala no primeiro dia de aula. Não foi uma vez, foram várias. Ela conta que a estratégia dele a forçou a estudar de fora: ficava na porta, acompanhando a aula pelo corredor, anotando tudo. Descobriu que não podia errar nenhuma questão nas provas dele, porque ele contava diferente quando era ela. E foi estudando para não dar mole que ela aprendeu. No fim do terceiro ano, ele disse a ela: “eu sabia que você precisava ser desafiada.” Ela não esqueceu.
A TV ao vivo e o dia que ela quase desmaiou
A entrada na televisão aconteceu quase por acidente. Ela foi convidada como psicóloga para falar sobre depressão num programa local. Deu bem. Na semana seguinte, foi de novo. Na semana seguinte, o apresentador perguntou se ela queria ajudar a produzir. Na semana depois, ela estava apresentando sozinha. Sem treinamento formal, sem ensaio. Só foi.
No primeiro dia ao vivo, ela tinha trabalhado o dia inteiro, correu para se arrumar, não comeu. No final do programa começou a passar mal. Saiu, foi de carro para outra cidade, chegou tremendo no hospital. Nunca mais saiu para apresentar sem ter comido. O erro virou regra.
A rádio, o silêncio e o modo que não pode parar
Antes da TV, teve a rádio. Metrópole FM, Andradina. Ela apresentava dois programas e aprendeu uma das leis fundamentais do rádio ao vivo: nunca fique em silêncio. Se algo der errado, fala do ar condicionado, fala do tempo, fala de qualquer coisa, mas não para. Ela internalizou isso a ponto de entrar em modo automático quando algo sai do roteiro. Essa capacidade de improvisar sem travar aparece tanto no microfone quanto no consultório.
Confiança que demora cinquenta anos para ser dita
Como psicóloga, Deborah atende adolescentes no ambulatório de saúde mental e em consultório. Ela fala que uma das coisas que mais valoriza na profissão é a confiança que as pessoas depositam nela ao se abrir. Certa vez, atendeu uma senhora de mais de sessenta anos que havia guardado algo desde os dez. Mais de cinquenta anos carregando aquilo em silêncio, e foi na consulta que saiu pela primeira vez. Para Deborah, esse momento de quando algo finalmente vem à tona é um dos maiores privilégios de trabalhar com psicologia.
A técnica que ela usa para provocar esse processo é contar histórias. Apresenta um caso parecido com o da pessoa, sem nomes, e deixa ela observar de fora. É mais fácil entender uma situação quando você não está dentro dela. O estalo vem depois, quando a pessoa percebe que estava se vendo sem saber.
Resumo do episódio
Deborah Duarte é psicóloga, apresentadora de TV e rádio que nunca fez treinamento formal em comunicação, mas desenvolveu a habilidade ao vivo enquanto atendia como psicóloga. Suas mudanças de cidade na infância a ensinaram a observar pessoas, a TV chegou quase por acaso após uma apresentação bem-sucedida sobre depressão, e ela aprendeu na rádio que parar de falar é proibido ao vivo. O artigo mostra como psicologia e comunicação se alimentam mutuamente em sua carreira e como situações de risco, como quase desmaiar no primeiro dia de TV, viraram regras que a guiam.
Principais aprendizados
- A mudança constante de cidades na infância desenvolveu a capacidade de observar pessoas e entender o que acontecia ao redor, criando um fundamento para a psicologia.
- Na comunicação ao vivo em rádio, nunca ficar em silêncio é uma lei fundamental: quando algo sai do roteiro, fala-se de qualquer coisa menos se fica mudo.
- Psicologia e comunicação se alimentam mutuamente: a comunicação cria vínculo na clínica enquanto o olhar psicológico ajuda o comunicador entender o que está por trás do que alguém diz.
- Contar histórias de casos parecidos sem nomes permite que as pessoas entendam situações alheias de fora, facilitando o estalo de compreensão sobre suas próprias vivências.
- Uma experiência negativa como quase desmaiar durante o primeiro programa ao vivo se transforma em regra preventiva que guia as decisões futuras.
Perguntas respondidas neste episódio
Como alguém sem treinamento formal em TV aprende a se comunicar ao vivo?
A entrada pode ser acidental: uma apresentação bem-sucedida leva a convites regulares, depois a produção, depois a apresentação. Sem ensaio formal, apenas fazendo. A prática contínua e a improvisação necessária no rádio ao vivo criam a habilidade pelo caminho.
Qual é a regra fundamental para não travar em um programa de rádio ao vivo?
Nunca ficar em silêncio. Se algo der errado, fala-se do ar condicionado, do tempo, de qualquer assunto, mas não se para. Essa internalizacao leva ao modo automático onde improviso acontece sem travar, tanto no microfone quanto em outras situações.
Como a psicologia e a comunicação trabalham juntas nessa carreira?
Na clínica, a comunicação ajuda a criar vínculo e faz a pessoa se abrir. No trabalho de comunicador, o olhar psicológico ajuda a entender o que está por trás do que alguém está dizendo. As duas áreas se alimentam mutuamente.
Como técnica psicológica ajuda as pessoas a se abrirem sobre assuntos guardados há anos?
Contam-se histórias de casos parecidos sem nomes, deixando a pessoa observar de fora. É mais fácil entender uma situação quando não se está dentro dela. O insight vem depois, quando a pessoa percebe que estava se vendo sem saber.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.