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3 anos, 8 meses e 18 dias de estudo pra virar juíza: a história da londrinense Aline Tabuchi, da UEL à 1ª Vara de Dracena | #083

20 de janeiro de 2022 • 10 min de leitura

Este texto vem do episódio #83 do AdamiCast

Aline Tabuchi é juíza da 1ª Vara de Dracena, responsável pelo Tribunal do Júri, execuções criminais e correições de delegacias, presídio e cadeia da comarca. Londrinense, formada pela UEL, ela guarda na memória cada etapa da preparação pra magistratura: 3 anos, 8 meses e 18 dias de estudo, com a contagem exata de cada dia. Chegou em Dracena em julho de 2016, abriu mão de uma vaga no Paraná, e em 6 anos ajudou a reduzir o acervo da vara em 50%.

A história dela começa em Londrina, passa pelo Tribunal de Justiça do Paraná em Curitiba, por Marília e por um circuito de cidades pequenas como juíza substituta, até aportar em Dracena. A conversa do AdamiCast mostrou os bastidores da carreira na magistratura, a preparação pro concurso, a rotina de audiências e a vida pessoal da juíza que considera Dracena a “Suíça brasileira”.

A formação em Londrina e o sonho de ser juíza

Aline cresceu em Londrina, no Paraná, em família de profissionais do Direito. Desde criança sabia o que queria. “Eu lembro que na época do colegial já era focada, já sabia que queria fazer direito. A galera que não sabia o que fazer da vida, e eu já tinha isso claro.” Fez faculdade na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e, aos 21, 22 anos, começou a advogar.

Aos 22, foi trabalhar como assessora no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, em Curitiba. Foi ali que a ficha caiu. “Eu falei: não é isso que eu quero, trabalhando lá fazendo as decisões. A primeira vez que eu quero pra minha vida.” Aos 25, exonerou do cargo, voltou pra casa dos pais em Londrina, e começou a se preparar pra magistratura. “A partir dali, foram três anos, oito meses e dezoito dias. Eu esperava contar todos os dias, as horas exatas. Foi um período riquíssimo, mas difícil. Todo mundo comprando apartamento, casando, viajando, e eu cara nos livros.”

3 anos, 8 meses e 18 dias de estudo

Para conciliar o estudo com a renda, Aline foi aprovada no concurso de juiz leigo em Santa Catarina e outros estados. Atuou por dois anos, fazendo audiências uma vez por semana (sempre às quartas à tarde) e estudando o resto do tempo. “Era puxado, mas dava pra conciliar. A doutrina de segurança de voo me treinou pra manter a calma mesmo sob pressão, e isso ajudou na hora do concurso.”

O concurso de juíza do Estado de São Paulo tem múltiplas etapas: prova objetiva (com mais de 20 mil candidatos, dos quais 300 passam), provas dissertativas e sentenças (onde nota mínima 6 em cada é eliminatória), e prova oral. Aline tomou um susto na fase prática: passou da objetiva em vários concursos (Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro), mas zerou a segunda fase. “Eu só tinha decoreba. Quando a prova pediu teoria mais aprofundada, eu não tinha base. Tive que voltar pra estaca zero.”

No terceiro ano de estudo, ajustou a estratégia. Em outubro de 2014, foi aprovada em São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, foi aprovada no Paraná. Logo depois, veio a escola da magistratura em São Paulo (3 meses), onde teve a prova oral, o momento mais tenso. “Eu fiquei a noite inteira sem comer, sem dormir. Comi maçã com sal pra não desmaiar. Na hora, saí no intervalo e quis ir embora, mas voltei. Fui aprovada no Paraná, mas acabei abrindo mão da vaga pra ficar em São Paulo.”

De Marília a Panorama, a virada pra Dracena

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A primeira sede escolhida foi Marília, pela proximidade com Londrina. Como juíza substituta, rodou por várias comarcas: Promissão, Rancharia, Paraguaçu Paulista, Garça. “Eu dirigia 2.500 km por semana, morava em Marília e ia pra todo canto. Carro era minha casa.” A vida nómade começou a pesar até que o Tribunal a convocou pra uma missão em Panorama: cobrir uma vaga por três meses. “Eu falei: não, tô de boa, nunca tinha vindo pra cá. Eles falaram que juíza substituta vai onde o Tribunal precisa. Acordei de madrugada, vim com sacolinhas térmicas achando que era o fim do mundo. Fiquei três meses em hotel, me apaixonei pela região.”

Quando a vaga de Dracena abriu, Aline não pensou duas vezes. Abriu mão da vaga do Paraná, onde o marido tinha familiares, e chegou em Dracena em julho de 2016. “A Dra. Aline chegou junto comigo. Duas Alines, duas juízas, no mesmo dia. Até hoje há confusão. Já tive advogado meia hora conversando comigo achando que eu era a da 3ª Vara.” A confusão virou piada: a colega da 3ª Vara fez tanta propaganda do carro dela que Aline foi lá e comprou um igual. “Até a cor do carro era a mesma.”

A 1ª Vara: Tribunal do Júri e execução criminal

A 1ª Vara de Dracena tem competência em Tribunal do Júri (a juíza-presidenta), execuções criminais, e correições em delegacias, presídio e cadeia. É a vara mais pesada da comarca. Aline cuidou de reduzir o acervo pela metade: de 11 mil processos pra 5 mil em seis anos. “Eu recebia 180 processos por mês, chegava a 220, 250. Mesmo com volume aumentando, conseguimos diminuir o que estava parado.” O segredo foi a equipe: servidores, assessores, promotores e advogados comprometidos.

Os casos são os mais sensíveis da comarca. Aline contou um caso “cômico-trágico” que ilustrou bem a complexidade: mulher denunciou o marido por ter arremessado a TV nela, quebrando o pé. Na audiência, ela voltou atrás: “Na verdade, eu ia cair e coloquei o pé pra segurar a televisão.” Aline registrou: “Ninguém quer se machucar desse jeito. O pior é o psicológico: elas acham que se saírem do relacionamento não conseguem fazer mais nada, que ninguém vai gostar delas.” Hoje, ela e o jornalista Pedro Adami estão idealizando um projeto de combate à violência doméstica com autodefesa para mulheres na academia.

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A imparcialidade é a parte mais delicada do trabalho. “Já recebi mensagem de madrugada: doutora, tenho um processo contra o fulano, pode fazer alguma coisa? A resposta é não. Se acontecer, me declaro suspeita. Você não pode me mandar mensagem sobre processo.” Aline defende que metade da cidade gosta dela, a outra metade não, porque quando dá ganho a um, dá perda ao outro. “Mas eu julgo com a minha convicção do que é correto.”

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A vida em Dracena: a Suíça brasileira e a família

Aline se encantou com a qualidade de vida em Dracena. “Eu vou da minha casa ao fórum em 10 minutos. Em Londrina, não posso deixar nada dentro do carro na frente da casa da minha mãe. Aqui eu deixo. É a Suíça brasileira.” A paixão por viagens deu a história que ela conta com mais detalhes: a viagem de 5 mil km de carro que fez com o marido, saindo de Dracena, passando por Londrina, Gramado, Chí, Cabo Polônio (sem internet nem eletricidade, povo hippie), Punta del Este, Buenos Aires, e voltando. “O carro chegou a quebrar. Em Cabo Polônio a gente ficou sem celular e acabou sendo atacada por dois cachorros. Mas o rolê valeu.”

Casada há 16 anos com o publicitário João, ela tem uma história engraçada de como o pedido de casamento rolou. “O pai dele, com a tradição da família, perguntou pra minha mãe: tem certeza que quer casar? Aí ela respondeu: tem certeza que foi? Aí ele desistiu.” A sogra “tem medo de devolver” o filho. O marido tem um Chevette velho que está na família há anos. Hoje, Aline treina na AcquaFit, faz terapia, e operação de miopia no olho (fez a cirurgia há pouco e já está com 90% da visão). Faz 9 anos de casada em março.

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Conselho pra quem quer ser juíza

A mensagem final, pra quem sonha com a magistratura, foi direta: não desista. “Quem não sai da fila, a fila sempre anda. Se você sai, volta pro final. Toda vez que você começa a estudar e recomeça, você está perdendo tempo. Foco, organização, disciplina, estratégia de estudo. Decorar pra primeira fase, aprofundar pra segunda.” Aline lembra que o nervosismo da prova oral é maior do que o conteúdo. “O conhecimento você tem, mas se não controlar a mente, você não passa.”

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Hoje, com 8 anos de carreira, Aline afirma que a jornada vale a pena. “A vida é um sopro. O que se leva dessa vida é a vida que se leva. Não acerto sempre porque sou humana, mas julgo com a convicção do que é correto.” A frase final ficou: “A carreira de juíza não é pra qualquer um. Exige dedicação, abrir mão de muita coisa, e se jogar no abismo sem certeza. Mas quando você passa, você entende por que valeu.”

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Onde encontrar

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Aline Tabuchi está em Dracena, à frente da 1ª Vara da comarca, responsável pelo Tribunal do Júri, execuções criminais e correições. Pra acompanhar o trabalho, basta seguir o perfil no Instagram: @alinetabuchi. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.

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Resumo do episódio

Aline Tabuchi, juíza da 1ª Vara de Dracena, conta sua trajetória desde Londrina até a magistratura: 3 anos, 8 meses e 18 dias de estudos intensivos, aprovação em concursos de São Paulo e Paraná, passagem por comarcas pequenas como juíza substituta, e finalmente a chegada em Dracena em 2016, onde reduziu o acervo em 50% e hoje preside o Tribunal do Júri e cuida de execuções criminais. O episódio revela os bastidores da preparação para o concurso, a rotina pesada da vara mais pesada da comarca, e como a juíza equilibra a imparcialidade com a vida pessoal numa cidade que ela chama de Suíça brasileira.

Principais aprendizados

  • O concurso de juíza em São Paulo tem múltiplas etapas: prova objetiva com mais de 20 mil candidatos dos quais 300 passam, provas dissertativas com nota mínima 6 de eliminação, sentenças e prova oral.
  • Decoreba não funciona no concurso: Aline zerou a segunda fase em várias tentativas antes de perceber que precisava de base teórica aprofundada, não apenas memorização.
  • A 1ª Vara de Dracena é a mais pesada da comarca, com competência em Tribunal do Júri, execuções criminais e correições em delegacias, presídio e cadeia.
  • Em seis anos como juíza em Dracena, reduziu o acervo de 11 mil para 5 mil processos apesar de receber entre 180 e 250 processos por mês.
  • Imparcialidade exige recusar qualquer contato sobre processos: Aline não responde mensagens sobre casos e se declara suspeita se necessário, acreditando que metade da cidade a aprecia e metade não.

Perguntas respondidas neste episódio

Quanto tempo de estudo foi necessário para passar no concurso de juíza?

Foram 3 anos, 8 meses e 18 dias de estudo dedicado. Durante esse período, Aline trabalhou como juiz leigo fazendo audiências uma vez por semana para conciliar renda com preparação, mantendo-se focada mesmo enquanto colegas compravam imóveis e viajavam.

Como é a prova do concurso de juíza em São Paulo?

O concurso tem múltiplas etapas: prova objetiva com mais de 20 mil candidatos dos quais apenas 300 passam, provas dissertativas e de sentenças com nota mínima 6 de eliminação cada, seguidas de prova oral. A aprovação em todas essas fases é obrigatória para magistratura.

Qual é a competência da 1ª Vara de Dracena?

A 1ª Vara de Dracena é responsável pelo Tribunal do Júri, execuções criminais, e correições em delegacias, presídio e cadeia da comarca. É considerada a vara mais pesada da comarca em volume de processos e complexidade dos casos.

Como reduzir o acervo de processos em uma vara judicial?

Aline reduziu o acervo de 11 mil para 5 mil processos em seis anos mesmo recebendo entre 180 e 250 processos mensalmente. O segredo foi a equipe comprometida: servidores, assessores, promotores e advogados trabalhando juntos para processar o volume crescente.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.