Wesley Wess é professor e dançarino em Dracena, e foi convidado do episódio 89 do AdamiCast, em fevereiro de 2022. A história dele começa em segredo: aos 8 anos, escondido da mãe, dentro de casa de dança da cidade. Hoje, ele é dos únicos professores daqui que já trabalhou em praticamente todas as escolas de dança de Dracena, com turmas de alunas com idade que vão de 1 ano a 70 anos.
A conversa passou pela relação com a mãe (que queimou o figurino dele quando descobriu, chorou emocionada na primeira apresentação pública, e hoje costura roupa de palco na véspera de cada espetáculo), pelo preconceito de cidade pequena nos anos 2000, pela fase em que dividia a faculdade de Educação Física com o grupo de dança (que ele ensaiava com as alunas em 20 minutos de intervalo, na quadra), pela adaptação constante a tendências (Zumba, TikTok, dança de salão), e pela turma de senhoras que começa com uma mulher de 70 anos realizando o sonho de ser bailarina.
Aos 8 anos, escondido da mãe: o menino que dançava no ritmo do Tchân
A história começa pela memória da mãe. Wesley conta que ela sempre disse pra todo mundo que, com 18 meses, ele engatinhou até o sofá quando passava a abertura de Tieta na televisão — e ficou lá rebolando. A confirmação veio anos depois, quando ele tinha entre 8 e 10 anos, na fase época de É o Tchân. As meninas da escola dançavam a coreografia, ele quis aprender junto. “Na época todo mundo dançava. Só que minha mãe não podia saber. Comecei a dançar escondido.”
Ele fazia aulas escondidas, escondia o figurino dentro de uma caixa no guarda-roupa, e a mãe só descobriu quando faltou sapatilha e ele teve que usar o dinheiro do lanche pra comprar figurino. Ela abriu a caixa por acaso, e a reação foi instantânea: queimou figurino, queimou sapatilha, deu o que ele estava guardando. Wesley tinha entre 12 e 14 anos. “Eu tinha muita vergonha. Fiquei perdido. Parei de ir na escola de dança por uns meses. Mas voltei escondido, porque era o que eu amava fazer.”
A mãe queimou o figurino, a irmã convenceu, a mãe chorou
A virada veio pela irmã mais velha. “Ela chegou pra minha mãe e falou: não adianta segurar. Se ele quer dançar, deixa. Quando tiver 18 anos ele vai embora de casa pra dançar mesmo, e você ainda perde a chance de conviver com ele.” A irmã cresceu Wesley porque a mãe ia trabalhar de noite — ela virou quase uma segunda mãe, e o apego que construiu com ele a transformou na aliada da virada. A mãe não respondeu nem que sim nem que não.
O Dia das Mães, Wesley foi convidado pela escola a se apresentar num pão fora da cidade. A mãe trabalhava de noite, achou que não ia estar lá. Quando ele subiu ao palco, a primeira pessoa que ele viu foi ela, na primeira fileira. Chorando. “Foi uma das maiores emoções da minha vida. Eu continuei dançando. Terminei a coreografia com a mãe chorando. Achei que ela ia brigar comigo em casa. Quando cheguei, ela me abraçou e falou que era a coisa mais linda que ela tinha visto.” Daquele dia em diante, ela virou a maior apoiadora. Hoje, costura figurino dele na véspera de cada espetáculo.
Educação Física, o grupo da quadra e o ensaio de 20 minutos no intervalo
Wesley entrou na faculdade de Educação Física e, na época, parou de dançar de novo. A volta veio por acaso, quando ele montou um grupo de dança entre os colegas. O grupo viria a ser a semente do trabalho de coreografia dele na carreira docente. O detalhe engraçado: ele ensaiava com as meninas em 20 minutos de intervalo, correndo pra quadra, montando coreografia em cima da hora. “As meninas queriam descansar no intervalo. Eu não deixava. Buscava pelo cabelo no pátio, porque não podia perder o tempo.” Quando virou professor de faculdade, passou a montar espetáculos de fim de ano com alunos que nunca tinham dançado — e a nota final deles dependia de ir ao palco.
Wesley lembra que a convivência com o corpo em movimento exigiu um aprendizado paralelo que a faculdade não ensinava: a relação dele com o próprio corpo. Nos anos de Tiro de Guerra e de integração ele teve o convívio com a coreografia pública e acabou de moldar a formação de professor. “Depois da faculdade, saí, fui pra outra cidade, voltei, entrei na Van (a oficina da Vanessa, com a qual ele faz parceria até hoje). A gente já faz 6 anos de parceria. Ela sai, eu entro. O mesmo espaço, dia inteiro usado. Funça.”
Da Zumba à coreografia de valsa de 15 anos: como ele virou professor de todas as escolas de Dracena
Quando a Zumba virou onda no país, Wesley montou sala em cima da loja da Washington Luiz. Não cabia, era pra 20 e tinha 41 alunas por aula. Ele dava quatro aulas seguidas, das 17h às 21h, sem parar. Aprendeu a surfar a tendência sem abrir mão da criação própria: usava o nome comercial, pagava a mensalidade da franquia, mas montava coreografia dele. “Eu não gosto de coreografia engessada. Gosto de pegar uma música do TikTok, deixar o refrão, e montar o resto.”
Com a chegada do TikTok, a brincadeira de pegar o refrão viral e montar o resto virou vantagem competitiva. As alunas querem dançar o que tá tocando na internet, mas são aulas de uma hora, com 300 coreografias. A resposta do Wesley é exatamente essa: usar a música que tá viralizando, manter a aula dele. Hoje, além de ritmos, ele faz trabalho personalizado: aulas de dança de salão só com casais (não em turmas — ele diz que é necessário um trabalho de outro nível), valsa de 15 anos e coreografia de casamento. “Coreografia de valsa de 15 anos, as madrinhas me pedem no sábado à noite, eu tenho que encaixar no horário que dá. Vai.”
Turma de idosa, aluna de 1 ano e casais de dança de salão: as várias idades do Wesley professor
O mais marcante do Wesley é a amplitude de alunas que ele atende. Trabalha com criança de 1 ano na Beira Infância (onde está há 13 anos), com adolescentes no Colégio Anglo, com alunas na fase adulta em grupos de ritmo, e com senhoras na turma das mulheradas. A aluna mais velha da turma de senhoras tem 70 anos, e realiza o sonho da infância de ser bailarina. “Ela entrou com vergonha, eu falei: não se preocupa, faz do teu jeito. Hoje você olha ela dançando e pensa: poxa, eu mudei a vida de alguém.”
A trajetória tem um detalhe que Wesley destaca sobre a cidade pequena: ela também salva. Hoje ele é tão conhecido em Dracena que, depois da vinda dele ao AdamiCast, o Pedro comenta que a esposa perguntou “teu professor de dança ?” — e o Pedro falou que sim, era aluno dele na faculdade, o Rafael do Casal Divertido era de uma das turmas de Zumba. “Quando a cidade pequena te acolhe, vira tudo. A gente criou uma coisa junto.” A fala final dele pro público foi clara: dança não é coisa de menino, não é coisa de menina, não é coisa de velho nem de criança. “É coisa de quem quer dançar. Não importa o resto.”
Onde encontrar
Wesley Wess dá aulas em Dracena de ritmos, dança de salão (casal), valsa de 15 anos e coreografia de casamento, além de atender turmas de crianças, adultos e senhoras. Pra acompanhar o trabalho, basta seguir o perfil no Instagram: @wesley_wess. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.
Resumo do episódio
Wesley Wess é professor de dança em Dracena que começou aos 8 anos escondido da mãe e hoje trabalha em praticamente todas as escolas de dança da cidade, atendendo alunas de 1 ano a 70 anos. Ele conta sobre a reação inicial da mãe, que queimou seu figurino, até se tornar sua maior apoiadora, e sobre como adaptou sua carreira às tendências, da Zumba ao TikTok, mantendo criatividade própria. A conversa aborda também sua formação em Educação Física, o trabalho com diferentes faixas etárias e como a cidade pequena permitiu que ele construísse uma carreira sólida no segmento.
Principais aprendizados
- Wesley começou a dançar escondido da mãe aos 8 ou 10 anos, na época de É o Tchân, e escondia figurino e sapatilha no guarda-roupa.
- A reação inicial da mãe foi queimar o figurino e a sapatilha quando descobriu, mas após intervenção da irmã mais velha e uma apresentação emocionante no Dia das Mães, ela se tornou apoiadora e hoje costura roupa de palco.
- Wesley cursou Educação Física e ensaiava com um grupo de dança formado por colegas em apenas 20 minutos de intervalo na quadra da faculdade.
- Ele surfou a tendência da Zumba montando coreografias próprias em vez de usar apenas as engessadas da franquia, abrigando 41 alunas por aula.
- Wesley atende crianças a partir de 1 ano, adolescentes, adultos e senhoras com até 70 anos que realizam o sonho de ser bailarina.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começou a dança na vida de Wesley?
Começou aos 8 ou 10 anos, durante a fase de É o Tchân, quando viu as meninas da escola dançarem a coreografia e quis aprender junto. Fazia aulas escondidas da mãe porque ela não apoiava no início.
Qual foi a reação da mãe quando descobriu que Wesley dançava?
A mãe descobriu ao abrir uma caixa onde ele guardava figurino e sapatilha e queimou tudo. Wesley parou de ir à escola de dança por alguns meses, mas retornou escondido porque era o que amava fazer.
O que mudou a opinião da mãe sobre a dança?
A irmã mais velha interviu, argumentando que era melhor apoiar a paixão dele a arriscar que deixasse a casa aos 18 anos. A mudança consolidou quando a mãe assistiu a uma apresentação dele no Dia das Mães e chorou emocionada.
Como Wesley adapta suas aulas às tendências de dança?
Ele não usa coreografias engessadas. Com a Zumba, mantinha o nome da franquia mas criava coreografias próprias. Com o TikTok, pega o refrão viral e monta o resto da aula, permitindo que alunas dancem o que tá na internet dentro da dinâmica da aula.
Quais faixas etárias Wesley atende em suas aulas?
Wesley trabalha com crianças a partir de 1 ano, adolescentes, adultos e idosos. Tem uma turma de mulheres com a aluna mais velha tendo 70 anos, que realiza o sonho de infância de ser bailarina.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.