#328

Colecionador e ator de teatro amador em Dracena: a historia de João Manzano | #328

02 de agosto de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #328 do AdamiCast

O episódio 328 do AdamiCast recebeu João Manzano, jovem de Dracena que transformou uma paixão de infância em algo muito maior do que um hobby: hoje ele é colecionador de itens do seriado Chaves e também ator, prestes a estrear uma peça de teatro inspirada no universo criado por Roberto Bolaños. Aos 16 anos, João surpreendeu os apresentadores contando como acumulou mais de mil itens relacionados ao seriado mexicano e como esse amor virou também uma carreira nos palcos.

Um amor que nasceu antes da memória

Quando perguntado sobre a origem da paixão por Chaves, João foi sincero: não sabe explicar exatamente como aconteceu. “Eu não tenho uma lembrança de, nossa, aconteceu isso. E eu comecei a gostar”, disse ele, contando que uma babá levava DVDs piratas para sua casa quando ele era pequeno, e que desde então ficava brincando de Chaves e Chapolin, imitando as cenas com parentes. Para ele, a identificação foi essencial: “Eu nunca fui uma pessoa de muitos amigos. Chaves sempre foi a minha companhia.” Ele descreveu a relação com os personagens quase como amizades reais, que se estenderam para o próprio Roberto Bolaños e o elenco.

João também refletiu sobre por que o seriado continua fazendo sucesso décadas depois de criado. “Eu acho que é pela identificação. Todo mundo já brigou com um amigo na infância. Todo mundo já invejou um brinquedinho do amigo.” Para ele, Chaves funciona como uma metáfora da vida, mostrando como é possível manter um sorriso mesmo em meio às dificuldades. Ele citou o episódio “Ladrão da Vila” como um dos mais marcantes, em que o personagem, acusado injustamente, deseja que o verdadeiro culpado se arrependa em vez de desejar sua desgraça.

A coleção que virou uma parede inteira

A coleção de João começou de forma simples, com bonecos comprados em feiras, mas ganhou outro fôlego durante a pandemia, quando ele decidiu se assumir como colecionador oficial em setembro de 2020. Uma oportunidade decisiva veio de uma amiga do Rio de Janeiro que precisou se desfazer rapidamente de uma das maiores coleções do Brasil, vendendo tudo para ele. “Chegou umas 10 caixas desse tamanho, lotadas, cheias de coisa. Teve que ir de caminhão”, contou, rindo da dimensão do que recebeu.

Hoje sua coleção ocupa uma parede inteira em um móvel especialmente projetado, com mais de mil e quinhentos itens entre bonecos, chaveiros, discos, álbuns e materiais raros, alguns datados de décadas passadas. João mantém uma página no Instagram dedicada à coleção e colabora com outras páginas maiores do universo Chaves, incluindo uma com quase 200 mil seguidores. “Quando você acha um nicho, você não precisa de números gigantescos. Comunicar com 3, 4 mil pessoas que gostam do mesmo assunto já é muita coisa”, avaliou.

O álbum de figurinhas e a memória do avô

Entre tantos itens, um álbum de figurinhas da Panini de 2020 carrega um valor sentimental que nenhum outro objeto da coleção supera. João contou, visivelmente emocionado, que foi o avô quem o ajudou a colar as figurinhas durante a pandemia, em um dos últimos momentos que passaram juntos antes de o avô falecer em decorrência de complicações da Covid. “Essa é a última memória que eu tenho com ele em vida, quando ele tava saudável ainda.” O álbum, para ele, tornou-se intocável: “Se você quiser, você pode roubar tudo que tem lá. Isso aqui, não.”

João lamentou que o avô nunca tenha chegado a ver a coleção organizada na estante que hoje ocupa a parede de sua casa. Mesmo assim, guarda a lembrança do momento em que colaram as figurinhas juntos como algo insubstituível, dizendo acreditar que o avô estivesse, de alguma forma, acompanhando aquele momento no próprio podcast.

Do fã ao ator: a peça inspirada em Chaves

Paralelamente ao colecionismo, João descobriu no teatro uma forma de expressar essa paixão. Ele contou que o interesse por atuar está diretamente ligado ao próprio Chaves: ao pesquisar sobre o seriado ainda criança, descobriu que Roberto Bolaños era ator, roteirista e produtor, e decidiu que também queria seguir esse caminho. Depois de assistir a um espetáculo em São Paulo chamado “Circo do Chaves”, João se inspirou a criar sua própria peça, em cartaz com estreia prevista para janeiro.

O processo de seleção de elenco revelou a ele talentos de Dracena que desconhecia. “Chegou uma galera que eu não sabia nem que existia, tanto talento assim em Dracena.” Segundo ele, a expectativa em torno da peça já cresceu além do esperado, com dubladores oficiais de Chaves demonstrando interesse e a possibilidade de apresentações em cidades vizinhas como Presidente Prudente e Marília. João já teve uma experiência prévia interpretando o protagonista em uma exposição no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, contracenando com atores reconhecidos do meio, o que descreveu como uma responsabilidade enorme e uma grande realização pessoal.

Amizades, superação e planos para o futuro

Ao longo da conversa, João também falou sobre a importância das amizades que o acompanharam nos momentos mais difíceis, especialmente durante o período de luto pelo avô. Ele destacou uma rede pequena, mas leal, de amigos dispostos a estarem presentes tanto nos momentos bons quanto nos ruins. Sobre o próprio momento de dor, ele revelou que foi justamente assistindo a episódios de Chaves que encontrou conforto: “Era reconfortante, como se você tivesse um abraço com uma pessoa que você precisa dar.”

Encerrando a participação no AdamiCast, João reafirmou o desejo de não se limitar à imagem de colecionador, mas de se firmar como ator, com planos de expandir sua atuação além do universo Chaves após a estreia da peça. Ele agradeceu o convite para o podcast como a realização de um sonho antigo, reforçando que pretende continuar investindo na carreira artística que começou a partir de uma paixão de infância.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @joaomansanoo.

Resumo do episódio

O episódio recebe João Manzano, colecionador de itens do seriado Chaves e ator, que conta como desenvolveu paixão pela obra de Roberto Bolaños desde a infância, construiu uma coleção de mais de mil itens e hoje se dedica a uma peça de teatro inspirada no seriado. Ao longo da conversa ele explica a história dos episódios perdidos, a disputa jurídica que tirou Chaves do ar e de qualquer streaming, compartilha memórias afetivas ligadas à coleção, entre elas um álbum de figurinhas montado com o avô falecido, e detalha o processo de montagem da peça, incluindo audições, parcerias e uma apresentação feita no Museu da Imagem e Som de São Paulo.

Principais aprendizados

  • Chaves e Chapolin foram as únicas obras de Roberto Bolaños exibidas no Brasil, e o SBT alterou a ordem original dos episódios e descartou remakes, criando os chamados episódios perdidos.
  • Atualmente não existe nenhuma plataforma de streaming ou canal de TV que exiba Chaves, devido a uma disputa comercial entre a Televisa e o grupo Chespirito, detentor dos roteiros.
  • O último episódio de Chaves foi exibido no mundo em 31 de julho de 2020, marcando o fim de décadas de transmissão contínua.
  • Colecionar itens de Chaves pode envolver peças raras de décadas passadas, como bonecos de borracha dos anos 1970 e óculos réplica dos anos 1990, muitas vezes vendidos ou doados por outros colecionadores.
  • Montar uma peça de teatro amadora ou profissional exige estudo aprofundado dos personagens e roteiro, como pesquisa de referências e ensaio, além de organização de audições e seleção de elenco.

Perguntas respondidas neste episódio

Por que não é possível assistir Chaves em nenhum streaming atualmente?

Chaves saiu do ar porque existe uma disputa comercial entre a Televisa, empresa mexicana que gravou e produziu as imagens originais, e o grupo Chespirito, formado pelo filho de Roberto Bolaños, que detém os direitos dos roteiros escritos pelo criador. A Televisa não quis pagar o valor exigido pelo grupo Chespirito, e por isso o contrato foi encerrado, retirando a obra de qualquer emissora, canal fechado ou plataforma de streaming.

Por que os episódios de Chaves exibidos no Brasil eram considerados incompletos ou fora de ordem?

O SBT, emissora que exibiu Chaves originalmente no Brasil, alterou a ordem cronológica dos episódios e escolheu exibir apenas as versões com melhor qualidade de áudio e vídeo, já que Roberto Bolaños costumava refazer os mesmos episódios com elencos diferentes ao longo dos anos. Isso fez com que várias versões originais nunca fossem exibidas, ficando conhecidas entre os fãs como os episódios perdidos.

Por que o seriado Chaves continua popular mesmo décadas depois de terminar?

A popularidade duradoura vem da identificação do público com as situações vividas pelos personagens, como brigas de infância, inveja de brinquedos de amigos e conflitos familiares, que fazem parte da experiência de qualquer pessoa. Além disso, muitas famílias assistiam aos episódios juntas, geralmente no horário do almoço, o que cria também um forte sentimento de nostalgia associado a momentos vividos com pais, avós ou irmãos.

Como funciona o processo de colecionar itens de um seriado antigo como Chaves?

O processo envolve comprar itens em feiras, receber presentes de familiares e amigos, participar de grupos e páginas de colecionadores nas redes sociais, e às vezes comprar coleções inteiras de outros colecionadores que precisam se desfazer delas. Muitos itens não são licenciados oficialmente, sendo produzidos de forma artesanal, e peças mais antigas, de décadas passadas, costumam ser raras e difíceis de encontrar, exigindo pesquisa constante.

Vale a pena investir tempo em um hobby de nicho, como colecionar itens de um seriado específico?

Sim, porque mesmo com um público pequeno é possível criar conexões genuínas e engajamento real com pessoas que compartilham o mesmo interesse, sem depender de números gigantescos de seguidores. Encontrar um nicho permite comunicação direta com um grupo fiel, gerar parcerias com páginas maiores do mesmo tema e até ser reconhecido por especialistas ou profissionais ligados àquele universo.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.