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Viagem ao fim do mundo: a história de Isabela e Natália | #391

24 de abril de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #391 do AdamiCast

Isabela Leme e Natália Sousa são as Meninas da Toro, uma dupla de Dracena, SP, que há quatro anos transformou uma viagem de carro com barraca de teto em identidade e comunidade. O nome surgiu de um apelido carinhoso dado por uma família de viajantes que encontraram num acampamento, e ficou. Desde então, as duas constroem uma história de aventuras compartilhadas com seguidores que acompanham cada quilômetro, cada perrengue, cada amanhecer na estrada.

Em episódio anterior no AdamiCast, elas contaram que o sonho para 2025 era chegar a Ushuaia, na Argentina. Dois meses depois, esse sonho virou realidade, dentro de um Jeep Renegade transformado em mini motor home, com cama de madeira feita com restos da tapeçaria do pai, geladeira no lugar do step, fogão, mantimentos e o João Grilo, o cachorro da Isabela. Esta é a história de como elas foram ao fim do mundo e voltaram.

Do plano à estrada

A preparação foi tão minuciosa quanto improvisada. Natália foi quem idealizou a montagem do carro, planejando cada centímetro do espaço interno antes de contar à Isabela. A cama foi construída com sobras de madeira da tapeçaria do pai, o step foi removido para encaixar a geladeira, e tudo funcionava em sistema reversível. Criaram um roteiro detalhado com campings e paradas, que foi esquecido no computador em Dracena. Uma amiga foi acionada para abrir o notebook e mandar o arquivo por e-mail, mas ao final quase nenhum ponto do roteiro foi seguido.

Saíram de Dracena numa sexta-feira e chegaram a Ushuaia numa sexta-feira, depois de 26 dias na estrada. O percurso atravessou Foz do Iguaçu, o norte da Argentina, Bariloche, Esquel, Perito Moreno, Rio Gallegos, o Chile com Torres del Paine e Porto Natales, até o extremo sul do continente.

Perrengues que viraram história

A viagem foi marcada por momentos que testaram os limites das duas. A Ruta 73, batizada por elas de “73 Maldita”, foi uma estrada de terra coberta de argila onde o carro atolou. Um russo apareceu do nada, puxou o veículo com corrente e seguiu viagem sem pedir nada em troca. O dia terminou sem água para beber, porque toda a reserva foi usada para amolecer a argila em volta dos pneus.

A noite mais fria aconteceu próximo às Torres del Paine, no Chile, quando o termômetro marcou menos nove graus. O carro condensou por dentro, a Natália tremia tanto que começou a delirar, e só saíram do local quando amanheceu e um hotel vizinho abriu para vender os únicos quatro litros de combustível disponíveis na região. O carro também quebrou mais de uma vez: falhas na bomba de combustível que um mecânico em Esquel cobrou caro para consertar de forma incompleta, e uma pane total na Vila Epecuén, cidade fantasma soterrada por 27 metros de água em 1985.

O fim do mundo de perto

Ushuaia surpreendeu as duas. Esperavam uma cidadezinha isolada e cara; encontraram uma cidade grande, com hospedagem acessível e uma sensação única de estar na borda do mapa. Elas haviam combinado desde o início: economizar o máximo na ida, e aproveitar de verdade quando chegassem. Cumpriram o combinado. Ficaram de sexta a terça, hospedadas num apartamento confortável, com aquecimento, e pela primeira vez em dias sem preocupação com o próximo posto de gasolina.

O vento da Pagônia foi uma das grandes surpresas. Natália tentou imitar a pose clássica dos turistas segurando as placas de direção do vento para flutuar no ar, e quase voou de verdade. O João Grilo, que aguenta bem o frio, foi o único do grupo que dormiu quentinho em todas as noites difíceis.

Pessoas que a estrada mandou

Parte central da viagem foram as pessoas encontradas pelo caminho. O casal de Brasília, Bruno e Dani, virou amizade de verdade depois de dividirem campings, perrengues e trechos de estrada lado a lado. Uma caminhoneira do Rio Grande do Sul estacionou o caminhão refrigerado ao lado do Renegade sem saber que havia gente dormindo lá dentro, e de manhã serviu café com a dupla admirada. A dona de uma pensão na Argentina, que não aceitava cartão, foi ao mercado com a Isabela, usou o cartão dela na própria compra, e deixou as duas ficarem no quarto em troca.

Alexandre, um morador de Dracena que estava na região de bicicleta, ajudou com sugestões de rota e aconselhou a visita às Torres del Paine, desvio que as duas não teriam feito sem ele, e que rendeu um dos momentos mais bonitos da viagem: um puma cruzando a estrada de noite, na volta do Parque Nacional.

A volta e o que ficou

Retornar foi um processo lento de readaptação. Passando por Santa Catarina, já próximas de casa, as duas começaram a sentir falta do silêncio da Pagônia, das estradas sem trânsito, da simplicidade de acordar sem saber bem onde se estaria ao anoitecer. Isabela voltou querendo reformar a casa. Natália voltou aparecendo mais nos stories.

A viagem durou 26 dias, percorreu Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, atravessou climas que iam de calor intenso em Foz a quase dez graus negativos no sul do Chile, e teve como personagem principal um Renegade 2019 que aguentou tudo isso e mais um pouco. A Toro, a picape que deu nome às duas no começo de tudo, já foi vendida. O Renegade também. A próxima aventura já está no planejamento.

Onde encontrar

Isabela e Natália gravam em Dracena, SP. Acompanhe as aventuras das Meninas da Toro pelo Instagram: @isa.leme, @nahsousas e @meninasdatoro.

Resumo do episódio

Isabela Leme e Natália Sousa, conhecidas como Meninas da Toro, realizaram em 2025 uma jornada de 26 dias de Dracena até Ushuaia na Argentina, transformando um Jeep Renegade em mini motor home. A viagem atravessou Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, enfrentando desafios como atolamentos, frio extremo, panes mecânicas e pessoas que ajudaram pelo caminho, consolidando uma história de aventura compartilhada com seguidores que acompanham cada detalhe de suas expedições.

Principais aprendizados

  • A preparação minuciosa pode ser descartada na prática: criaram um roteiro detalhado que foi esquecido no computador e quase nenhum ponto foi seguido.
  • Auxílio de estranhos foi essencial: um russo apareceu do nada e puxou o carro atolado com corrente sem pedir nada em troca.
  • O planejamento financeiro funcionou: economizaram na ida para aproveitar de verdade quando chegassem ao destino.
  • Improviso integrado ao veículo permitiu viabilidade: cama feita com madeira de tapeçaria, geladeira no lugar do step, tudo em sistema reversível.
  • Encontros no caminho criaram amizades duradouras: casal de Brasília, caminhoneira, dona de pensão e morador de Dracena marcaram a jornada com auxílio e solidariedade.

Perguntas respondidas neste episódio

Como foi preparado o carro para viajar até Ushuaia?

O Jeep Renegade 2019 foi transformado em mini motor home com cama de madeira feita com restos da tapeçaria do pai, geladeira instalada no lugar do step, fogão e espaço para mantimentos. Tudo funcionava em sistema reversível, permitindo adaptação conforme necessário durante a viagem.

Quanto tempo levou a viagem de Dracena até Ushuaia?

A viagem durou 26 dias, começando numa sexta-feira e chegando a Ushuaia numa sexta-feira. O percurso atravessou Foz do Iguaçu, norte da Argentina, Bariloche, Esquel, Perito Moreno, Rio Gallegos, Torres del Paine e Porto Natales.

Quais foram os maiores desafios enfrentados na viagem?

Atolamento na Ruta 73 coberta de argila, noite com temperatura de menos nove graus próximo às Torres del Paine onde a Natália tremia e delirava, falhas na bomba de combustível, e pane total em Vila Epecuén. Falta de água e combustível limitado também foram problemas críticos.

Como foi a experiência ao chegar em Ushuaia?

Ushuaia surpreendeu positivamente: era uma cidade grande com hospedagem acessível, não a cidadezinha isolada e cara que esperavam. Ficaram de sexta a terça em um apartamento confortável com aquecimento, onde puderam descansar sem preocupação com combustível.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.