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Quatro gerações de relógios e joias: a história de Fábio Toniolo e Simone Beneti | #402

10 de junho de 2025 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #402 do AdamiCast

Tem empresa em Dracena que é mais velha que o asfalto da cidade. A Ótica e Relojoaria Toniolo é uma dessas: começou com o tio Orlando em 1948, quando a cidade tinha 18 carros, água salobra e a energia caa às 10 da noite. Hoje, Fábio Toniolo toca o negócio com a esposa, Simone Andrea de Assis Beneti, fotógrafa técnica pericial e veterinária por 25 anos, numa conversa que misturou ofício, memória afetiva e muito show de rock.

Na semana do Dia dos Namorados, o AdamiCast recebeu o casal para um bate-papo que passeou por tudo: relógios de torre, o avô relojoeiro vindo da Itália, a luta para salvar um patrimônio da cidade e a filosofia de quem entende que técnico bom não é, necessariamente, empresário bom.

Uma família que chegou antes do asfalto

O avô de Fábio chegou da Itália aos 8 anos, em 1888, já se declarando relojoeiro: desmontava relógios aos 5, montava aos 7. Os irmãos Toniolo espalharam lojas por Marília, Maringá e Pompéia, até que uma geada reorganizou os planos e o pai de Fábio veio parar em Dracena junto com os tios Orlando e Anésio. Três irmãos tocaram a ótica, relojoaria e joalheria por décadas, sempre no mesmo ramo.

A família chegou a construir relógios de torre. O relógio da praça central de Dracena, comprado pelo Rotary Club em 1967, saiu das mãos dos Toniolo em Pompéia. Hoje Fábio guarda o maquinário desse relógio há cerca de 15 anos, esperando a chance de fazê-lo funcionar de novo na praça, junto com o Rotary e apoios da cidade.

O técnico, o empresário e a lição do pai

Fábio aprendeu cedo, puxado pela mão do pai aos 5 anos. Mas o pai entendeu algo importante: o relojoeiro senta na banca e fica o dia inteiro focado numa peça. É um técnico apaixonado, não um homem de negócios. Por isso, treinou os filhos para empreender, para tomar conta da loja inteira e não se prender a uma única função.

Essa é a virada de chave do episódio: se você vira só técnico, não escala o negócio, você tem um trabalho, não uma empresa. Mas para cobrar bem por um serviço, você precisa saber minimamente como ele funciona. Simone viveu o mesmo na clínica veterinária: precisava entender de elétrica, encanamento e tudo mais para gerir o próprio negócio.

Histórias que valem mais que o dinheiro

O melhor do ofício, para o casal, é o olhar do cliente. Fábio contou da senhora de Panorama que trouxe um relógio de ouro suíço da avó, sabotado por um relojoeiro que arrancou a máquina original e colou uma de pilha. Depois de 90 dias, peças garimpadas em São Paulo e uma engrenagem refeita à mão sob microscópio, o relógio voltou a funcionar. Quando ela ouviu o tique-taque de novo, sentou e chorou.

Hoje o relógio virou mais joia do que marcador de horas, e o casal aposta na qualidade e no atendimento humanizado como diferencial contra a enxurrada de compras na internet, onde marca cara nem sempre é sinônimo de qualidade. Eles trabalham com peças de grife e pedras preciosas garimpadas em leilões pelo Brasil, com parceiros de confiança.

Música, motos e estrada: a vida fora da loja

Fora do balcão, Fábio e Simone são fãs de carteirinha de rock. Já viram The Cure em Florença numa noite de lua cheia, Rolling Stones debaixo de chuva congelante em São Paulo, Depeche Mode na Argentina e Pretenders pertinho do palco. Fábio assinava jornal inglês para descobrir bandas e importar CDs, numa época em que festa era o lugar de paquerar, bem diferente do Tinder de hoje.

Tem ainda as motos, as massas feitas em casa no fogão a lenha, as costelas no chão que quase deram divórcio e o Motofest de Dracena, que o casal faz questão de elogiar pela organização e pelo trabalho de caridade. No fundo, tudo gira em torno do mesmo: o evento, o ritual, as pessoas em volta.

A cidade, a memória e o que vale preservar

Naturais de Pompéia e São Vicente, Fábio e Simone fizeram de Dracena o lugar deles. Defendem que a cidade, mesmo nova, tem história que merece ser guardada, como o relógio da praça e as lojas mais antigas. Compararam com as cidades europeias, onde praças de pedra atravessam séculos, e lamentaram a cultura de quebrar e fazer novo. Para eles, manter o que começou a cidade é deixar memória afetiva para as próximas gerações.

Onde encontrar

A Ótica e Relojoaria Toniolo fica em Dracena, SP. Para acompanhar o trabalho de Fábio e de Simone, siga os perfis no Instagram: @fabiotoniolo2024 e @simoneandreabeneti.

Resumo do episódio

Fábio Toniolo e Simone Beneti contam a história de quatro gerações da Ótica e Relojoaria Toniolo, fundada em 1948, e explicam como um relojoeiro técnico apaixonado precisa também aprender a empreender para escalar o negócio. O casal compartilha histórias de restaurações memoráveis, a importância de manter o patrimônio histórico da cidade e sua vida fora da loja entre rock, motos e rituais em família.

Principais aprendizados

  • Um técnico excelente em seu ofício não é necessariamente um bom empresário, e é preciso aprender a gerir o negócio todo, não ficar preso a uma única função.
  • A qualidade do atendimento humanizado e o relacionamento genuíno com o cliente valem mais que concorrência com preços na internet.
  • Para gerir bem um negócio próprio, é necessário entender minimamente como funcionam várias áreas, como elétrica e encanamento, não apenas a especialidade técnica.
  • Relógios e joias ganham valor de memória afetiva quando têm história e restauração cuidadosa, transformando-se em heranças emocionais.
  • Cidades novas também têm história que merece ser preservada para deixar memória afetiva às próximas gerações.

Perguntas respondidas neste episódio

Como aprender relojoaria desde cedo?

O aprendizado começa na prática, com o pai ou mentor puxando pela mão. Fábio começou aos 5 anos acompanhando seu pai, que o treinou não apenas para ser um técnico focado na banca, mas também para empreender e gerir a loja como um todo.

Qual é a diferença entre ser um técnico e um empresário no ramo de relógios?

Um técnico apaixonado senta na banca e fica o dia inteiro focado numa peça, mas não consegue escalar o negócio. O empresário precisa saber como o serviço funciona minimamente, mas também tomar conta da loja inteira, gestão e clientes.

Como restaurar um relógio antigo danificado por outro relojoeiro?

Requer paciência, pesquisa de peças originais em leilões pelo Brasil, parceiros de confiança e trabalho detalhado. Um relógio de ouro suíço que teve a máquina original arrancada levou 90 dias para ser restaurado, com uma engrenagem refeita à mão sob microscópio.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.