#338

THP Empreendimentos: a historia de Thiago e Bianca Pernas | #338

06 de setembro de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #338 do AdamiCast

O episódio 338 do AdamiCast recebeu Bianca e Thiago Pernas, casal à frente da THP Empreendimentos, construtora que já entregou mais de 180 casas em cidades como Tupi Paulista, Dracena, Presidente Prudente, Pauliceia e Junqueirópolis. A conversa passou pela origem de uma empresa que nasceu ainda na adolescência de Thiago, pela decisão de Bianca deixar dezoito anos de estabilidade no Banco do Brasil para se dedicar ao negócio da família, e pelos bastidores de um mercado que constrói, literalmente, o sonho da casa própria para famílias de baixa renda através do programa Minha Casa Minha Vida.

Uma empresa que nasceu antes do casal

A história da THP é mais antiga do que o próprio relacionamento entre Thiago e Bianca. Tudo começou em 2002, em Vinhedo, quando Thiago, ainda com 17 anos, abriu com os irmãos uma loja de informática chamada DTP, sigla de Diogo e Tiago Pernas. “Esse CNPJ existe há 22 anos”, contou Thiago, explicando que o mesmo registro, com pequenas alterações de razão social e atividade, carrega hoje toda a trajetória da empresa. Em 2004 a família se mudou para Tupi Paulista, quando o pai de Thiago decidiu investir em empreendimentos imobiliários na região, e foi justamente nesse ano que ele conheceu Bianca, moradora da cidade, através da internet, ainda na época do MSN.

O namoro avançou junto com os planos de vida. Bianca passou em concurso para o Banco do Brasil em 2005 e assumiu a agência de Tupi Paulista, o que selou a decisão do casal de ficar na cidade. Em 2007 a família viveu uma tragédia que reconfigurou tudo: Murilo, irmão mais novo de Thiago e sócio na loja de informática, morreu em um acidente. Foi nesse período, ainda de luto e a seis meses do próprio casamento, que Thiago se aproximou definitivamente do pai e passou a se dedicar aos empreendimentos imobiliários, área que já fazia parte de sua memória afetiva. “Eu sinto cheiro de cimento, de reboco, eu lembro do meu avô”, disse, relembrando o avô construtor que despertou nele o gosto pela construção.

Da aquisição de terrenos às centenas de casas entregues

O casal casou em 2008, ano em que Bianca entrou oficialmente como sócia da empresa, embora tenha continuado no banco. A partir de 2012 Thiago se desligou dos negócios do pai e passou a construir de forma independente, sempre com um modelo que combina aquisição de terreno e construção entregues na chave da mão. Fazendo as contas durante a entrevista, o casal chegou a um número que impressionou até eles mesmos: cerca de 184 casas entregues em pouco mais de uma década de atuação.

Thiago explicou o raciocínio que sustenta o negócio: “todo mundo que paga aluguel tem condição de ter casa própria”. Segundo ele, o maior obstáculo não é financeiro, mas organizacional, já que muitos clientes chegam com pendências no nome, às vezes sem saber, e precisam de um trabalho de educação financeira antes mesmo de sonhar com o financiamento. É nesse ponto que a THP se diferencia, acompanhando o cliente desde a organização da documentação até a entrega da casa.

Os desafios das obras em Dracena

A expansão para Dracena, iniciada em 2021 a partir de uma permuta que resultou em doze lotes no Rosseau 2, trouxe ao casal duas das lições mais duras da trajetória da empresa. Depois das primeiras entregas, a THP soltou 16 construções simultâneas no Jardim Aeroporto, além de mais unidades, e enfrentou atrasos significativos por falta de mão de obra qualificada na região. “Eu até então não tinha passado obra atrasada”, admitiu Thiago, reconhecendo que a experiência os fez repensar o ritmo de expansão. Apesar disso, destacou o apoio dos próprios clientes, que compreenderam a situação, e reconheceu que a responsabilidade pelos atrasos era da gestão, não de fatores externos. A decisão foi pausar novos lançamentos em Dracena, mesmo mantendo obras em andamento até o fim do ano, e deixar a atuação na cidade nas mãos de Jassá, ex-vendedor da THP que acompanhou todo o processo e agora monta o próprio negócio na cidade.

Bianca deixa o banco e assume a empresa

Depois de anos como sócia apenas no papel, Bianca se desligou do Banco do Brasil em outubro do ano anterior à entrevista para assumir de fato o dia a dia da THP. A decisão não foi simples: dezoito anos de estabilidade no funcionalismo público pesavam contra a mudança, especialmente pela segurança que o banco representava para a família, que tem três filhos. O casal contou ter buscado orientação de uma psicóloga especializada em constelação familiar antes da decisão, e recebeu um incentivo direto: “conhecendo um pouquinho só de vocês, manda a marcha”. Hoje a estrutura da empresa já conta com cinco pessoas fixas, incluindo uma engenheira responsável pela gestão de obras, além de equipes terceirizadas que somam cerca de 40 trabalhadores nos canteiros.

O futuro em condomínios e a valorização da mão de obra

A THP também expandiu para produtos de padrão mais alto, como o condomínio de oito casas em Junqueirópolis, lançado em julho e com metade das unidades já vendidas em poucas semanas, além de projetos em Presidente Prudente e Pauliceia. Para Thiago, o mercado da construção civil ainda carrega um estigma equivocado: “os profissionais, hoje em dia, tratam a construção como a última opção”, disse, defendendo que a função de servente ou pedreiro deveria ser vista como uma carreira real, com plano de crescimento, especialmente considerando que, segundo ele, profissionais especializados podem chegar a ganhar entre oito e dez mil reais por mês em algumas frentes de trabalho. O casal também comentou avanços tecnológicos que começam a chegar à região, como sistemas de parede de concreto e steel frame, embora reconheçam que a falta de mão de obra especializada e o custo ainda dificultam a adoção em maior escala fora dos grandes centros.

Ao longo da conversa, Thiago e Bianca reforçaram que tratam o Minha Casa Minha Vida como uma frente quase social da empresa, mesmo sendo o produto menos rentável da carteira, justamente pela dimensão humana envolvida. “A gente entrega um sonho”, resumiu Thiago, contando que recebe mensagens emocionadas de clientes que levaram décadas tentando conquistar a casa própria. Entre erros reconhecidos e parcerias que se mantêm ao longo dos anos, o casal projeta dobrar o tamanho da THP nos próximos dois anos, sem abrir mão do que consideram o maior aprendizado do caminho até aqui: assumir a responsabilidade por cada decisão tomada.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @thiagopernas, @biagenovez e @thpempreendimentos.

Resumo do episódio

O episódio recebe Bianca e Thiago Pernas, fundadores da THP Empreendimentos, que contam a trajetória da empresa desde uma loja de informática até se tornar uma construtora atuante em Tupi Paulista, Presidente Prudente, Dracena, Pauliceia e Junqueirópolis. A conversa explica como funciona o modelo de aquisição e construção usado no Minha Casa Minha Vida, os desafios de gestão de canteiros e mão de obra, a decisão de Bianca deixar o Banco do Brasil para atuar na empresa, e a diferença entre construir unidades populares e condomínios de médio e alto padrão. Também são discutidas tecnologias construtivas emergentes, como paredes de concreto e steel frame, e a dificuldade de adoção dessas técnicas na região.

Principais aprendizados

  • No modelo de aquisição e construção, o cliente entrega apenas uma parcela mensal ao banco, sem precisar arcar separadamente com terreno, aluguel e construção.
  • A burocracia documental de um projeto Minha Casa Minha Vida é praticamente a mesma de um empreendimento de alto padrão, o que torna o produto popular menos rentável em relação ao volume de trabalho exigido.
  • Concentrar muitas obras simultâneas em cidades distantes entre si dificulta a fiscalização e a gestão de canteiro, gerando atrasos.
  • Tecnologias como parede de concreto e steel frame aceleram a construção, mas ainda enfrentam barreiras culturais e de custo para se popularizar na região.
  • A retenção de bons parceiros e mão de obra comprometida se revela nos momentos de dificuldade da obra, não no início do serviço.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona a compra de uma casa pelo programa Minha Casa Minha Vida com uma construtora que faz aquisição e construção?

O cliente não precisa ter terreno, planta ou dinheiro guardado. A construtora cuida da aquisição do terreno e da execução da obra, entregando a casa com a chave na mão. O financiamento é feito de forma que o comprador pague apenas uma parcela mensal ao banco, equivalente ao que já gastaria com aluguel, eliminando a necessidade de juntar dinheiro separadamente para construir.

Por que muitas pessoas acham difícil conseguir financiamento para casa própria mesmo pagando aluguel?

O principal obstáculo não é a falta de condição financeira, mas a falta de organização das contas pessoais. Muitas pessoas ficam com o nome negativado por dívidas pequenas, como conta de energia ou cartão de crédito, sem nem saber disso, o que impede a aprovação do financiamento pelo banco, mesmo quando já pagam valores equivalentes de aluguel.

Por que algumas obras de construção civil atrasam tanto?

Atrasos costumam estar ligados à dificuldade de encontrar mão de obra qualificada e comprometida, especialmente quando várias obras estão espalhadas em cidades diferentes, dificultando o acompanhamento diário. A gestão de canteiros distantes fica mais complicada, e a dependência de profissionais que não aparecem no horário combinado compromete o cronograma.

Vale a pena trabalhar como servente ou mão de obra na construção civil hoje?

Sim, é considerado um mercado carente e bem remunerado, ainda que pouco valorizado culturalmente. Profissionais especializados, como fachadeiros, podem ganhar entre 8 e 10 mil reais por mês, valor superior ao de muitos empregos de comércio. O problema é que a construção costuma ser vista como última opção de emprego, e falta comprometimento e qualificação entre quem procura a área.

Por que tecnologias como parede de concreto ou steel frame ainda não são comuns em cidades pequenas do interior?

Essas tecnologias exigem grande volume de unidades entregues para compensar o alto investimento em formas e equipamentos, algo mais viável em capitais com milhares de casas padronizadas. Além disso, faltam mão de obra especializada na região e uma cultura que aceite esses materiais, o que torna o custo ainda pouco competitivo frente ao método tradicional de tijolo e reboco.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.