Tem histórias que a gente ouve e precisa parar. O episódio 375 do AdamiCast trouxe para o estúdio duas mulheres de Junqueiroópolis, SP, com trajetórias diferentes, mas unidas pelo mesmo aprendizado: o câncer não é uma sentença de morte. Lucidalva Moura Neves Vieira e Vanessa Anjolette Freire vieram dividir seus depoimentos de superação, falar sobre tratamento, fé e o trabalho que desenvolvem hoje em prol de outras pessoas que enfrentam a mesma batalha.
A conversa surgiu de um convite da OAB de Junqueiroópolis, onde as duas participaram de uma palestra sobre o tema. Pedro e Mariana as trouxeram para o podcast porque, como disseram as próprias convidadas, basta ajudar uma única pessoa para que tudo valha a pena.
Uma dor que não passava
Em 2012, Lucidalva havia feito mamografia em março e os laudos vieram normais. Mas em julho daquele mesmo ano uma dor persistente na mama direita não cedia com remédio. Ela insistiu com o médico, conseguiu um ultrassom que apontou um pequeno nódulo, e não aceitou a recomendação de aguardar seis meses. Buscou uma mastologista em Presidente Prudente, fez biópsia e, alguns dias depois, recebeu a confirmação: o nódulo era maligno.
Um detalhe revelador: quando ela levou a imagem da mamografia de março para o médico de Jaú, onde faria o tratamento, o nódulo já estava visível naquele exame mais antigo, mas o laudo havia sido assinado sem conferência da imagem. “Tem que olhar a imagem”, ela frisou. A cirurgia retirou o quadrante afetado, sem linfonodos comprometidos, e o tratamento seguiu com oito sessões de quimioterapia e 35 de radioterapia.
O choque que ninguém esperava
Para Lucidalva, a notícia de que o cabelo cairia foi, de longe, o maior baque, maior até do que o diagnóstico ou a cirurgia. Ela contou que tinha o cabelo enrolado e toda a vida batalhou contra ele: horas no salão, alisamentos, relaxamentos. Quando o médico anunciou a quimioterapia, a primeira pergunta foi sobre o cabelo, não sobre o procedimento. O marido raspou a cabeça junto com ela em solidariedade. “Eu não casei com o seio, casei com você”, ele disse em outro momento da jornada, quando ela sentiu vergonha durante a recuperação. Essa rede de apoio, ela disse, faz toda a diferença.
Com o fim do tratamento, algo mudou profundamente. O cabelo nasceu mais liso, ela entrou na piscina de cabeça, e percebeu quanto tempo havia perdido preocupada com algo que, no fim, não tinha o menor peso diante da vida.
A descoberta de Vanessa
Vanessa descobriu o câncer de colo do útero em 2017, aos 41 anos, após pular um ciclo de exames preventivos. Ela é farmacêutica de formação e carregou por anos uma culpa por isso, sentindo que havia sido negligente consigo mesma. A ginecologista percebeu algo errado durante a coleta do preventivo, mandou para biópsia, e na sexta-feira da mesma semana já ligou pedindo que ela fosse ao consultório: o resultado havia voltado rápido demais para ser boa notícia.
O oncologista, Dr. Bugalho, em Presidente Prudente, foi quem primeiro transformou o peso daquele diagnóstico. Ela entrou no consultório dizendo “eu vou morrer, né?” e ele respondeu com calma: “filha, você vai morrer sim, mas não disso.” Aquela frase simples virou âncora para tudo o que viria depois.
Fé, família e 25 viagens a Prudente
Vanessa não precisou de quimioterapia, mas fez 25 sessões de radioterapia, todas em Presidente Prudente. Seu marido Marcelo a levou nas segundas, quartas e sextas. Seu pai, nas terças e quintas. A tia Inês a orientou logo após o diagnóstico: “você não está doente, você vai resolver. Coloque só coisas boas na cabeça.” Essa frase também virou guia.
Ao longo do caminho, ela se apegou a Nossa Senhora com uma devocão que, segundo ela, foi decisiva. Também citou o médico indiano Deepak Chopra, que descreve como as células humanas são influenciadas pelos pensamentos: otimismo ou pessimismo afetam biologicamente o organismo. A cabeça, disse ela, manda em tudo.
O preconceito que machuca mais do que a doença
As duas foram unânimes: às vezes o que mais dói não é o tratamento em si, mas o olhar de piedade de quem está de fora. “Coitadinha” dito por conhecidos, uma senhora no banco que anunciou que a irmã havia morrido de câncer, uma amiga que foi visitar Lucidalva na quarta quimioterapia e disse que não acreditava que ela estava tão bem assim. Episódios que, segundo elas, exigem mais preparo emocional do que o próprio enfrentamento da doença.
Ambas também defenderam que guardar o diagnóstico é uma escolha válida. Vanessa contou que poucas pessoas souberam do seu câncer na época, incluindo a própria filha. “Eu não queria que ninguém sofresse por aquilo que eu ia passar”, ela explicou. Hoje, anos depois, ela consegue falar sobre o assunto com naturalidade, e sente que esse depoimento pode ajudar quem ainda está no começo da batalha.
A JAVE e o trabalho de apoio em Junqueiroópolis
Além dos depoimentos pessoais, Lucidalva e Vanessa apresentaram a JAVE, a Associação Junqueiropolense Amor e Vida, criada formalmente em 2018. A entidade funciona em uma sede cedida pela prefeitura de Junqueiroópolis, de segunda a sexta das 8h ao meio-dia, e oferece suporte a pacientes oncológicos, incluindo medicamentos, fraldas, kits de verduras e frutas para quem não consegue manter a alimentação adequada durante o tratamento.
A JAVE sobrevive de um chá beneficente anual e de doações do comércio local. Elas anunciaram que o chá de 2025 está previsto para abril ou maio, e que toda a renda é destinada integralmente ao trabalho com os pacientes. Quem quiser contribuir pode entrar em contato pelo Instagram das convidadas.
Onde encontrar
Lucidalva e Vanessa são de Junqueiroópolis, SP, e estiveram em Dracena, SP para esta conversa. Siga as convidadas no Instagram:
Lucidalva: @lucidalva.vieira.52
Vanessa: @vanessaanjolette
Resumo do episódio
Lucidalva e Vanessa, duas mulheres de Junqueiroópolis que superaram o câncer, compartilham suas trajetórias de diagnóstico, tratamento e recuperação. Elas falam sobre a importância da fé, do apoio familiar, dos desafios emocionais além do físico e do preconceito enfrentado. Ambas trabalham hoje pela JAVE, associação que oferece suporte a pacientes oncológicos na região.
Principais aprendizados
- A insistência em investigar sintomas persistentes e não aceitar conclusões apressadas pode fazer diferença no diagnóstico precoce do câncer.
- O impacto emocional do tratamento pode ser tão desafiador quanto o físico, especialmente questões como perda de cabelo e mudança de autoestima.
- O preconceito e piedade de pessoas próximas frequentemente causam mais sofrimento do que o próprio tratamento oncológico.
- A rede de apoio familiar, fé e pensamento positivo são ferramentas citadas como fundamentais durante o processo de recuperação.
- Guardar sigilo sobre o diagnóstico é uma escolha válida e pode ser protetor emocional para o paciente durante o tratamento.
Perguntas respondidas neste episódio
Como o câncer de mama de Lucidalva foi descoberto?
Após mamografia normal em março, Lucidalva sentiu dor persistente na mama direita em julho. Insistiu com o médico, fez ultrassom que apontou um pequeno nódulo e buscou mastologista em Presidente Prudente. A biópsia confirmou que o nódulo era maligno.
Qual foi o tratamento realizado por Lucidalva?
A cirurgia retirou o quadrante afetado sem linfonodos comprometidos, seguida por oito sessões de quimioterapia e 35 de radioterapia.
Como Vanessa descobriu o câncer de colo do útero?
Vanessa descobriu aos 41 anos em 2017 após pular um ciclo de exames preventivos. A ginecologista percebeu algo errado durante a coleta do preventivo, mandou para biópsia, e o resultado confirmou o câncer.
Qual foi o tratamento de Vanessa?
Vanessa não precisou de quimioterapia, mas realizou 25 sessões de radioterapia em Presidente Prudente, com suporte do marido e pai que a acompanharam nas sessões.
O que é a JAVE e como funciona?
A JAVE, Associação Junqueiropolense Amor e Vida, foi criada em 2018 e funciona de segunda a sexta das 8h ao meio-dia em sede cedida pela prefeitura. Oferece suporte a pacientes oncológicos, incluindo medicamentos, fraldas e kits de verduras e frutas.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.