Alessandro Barbosa cresceu no sítio da Marrequinha, uma comunidade rural perto de Dracena, filho de uma família de quatro irmãos. A agricultura foi ficando difícil, e quando tinha cerca de 12 anos, nos anos 90, a família se mudou para Dracena em busca de recomeço. Seu primeiro emprego foi como pacoteiro no Supermercado Troiano, e em poucas semanas ele já conhecia a cidade inteira e as amizades que carregaria pela vida.
O que ele não sabia era que Dracena também seria o palco de uma crise profunda, e depois dela, de uma transformação que definiria tudo que viria a seguir. A conversa que tivemos com Alessandro no AdamiCast é daquelas que ficam: honesta, corajosa e cheia de humanidade.
Um jovem perdido em uma cidade nova
Ao chegar em Dracena, Alessandro foi se envolvendo com novas amizades e começou a trilhar um caminho para o qual não tinha recebido orientação: a homossexualidade. Havia uma guerra interna, um conflito entre o que sentia e os valores com os quais cresceu. Essa tensão foi aumentando até 1994, quando trabalhava no mercado Pague Pouco. Em um momento de desespero total, foi a uma farmácia com a intenção de tirar a própria vida.
Dentro do depósito do mercado, uma funcionária que frequentava a Igreja Evangélica o encontrou e começou a orar com ele. Ele pediu para ela ir embora. Ela ficou. E ali, naquele galpão, Alessandro mudou de ideia e aceitou o convite para conhecer a Igreja Evangélica de Dracena.
O encontro com uma comunidade que abraçou sem perguntar
Alessandro chegou à igreja machucado e desconfiado. Esperava chacotas, como havia recebido em outros ambientes. O que encontrou foi diferente: um povo que o abraçou sem cobranças, sem julgamentos sobre quem ele era ou o que fazia. Os pastores Ílon Ferreira e Rute nunca sentaram com ele para listar pecados ou comportamentos a mudar. Simplesmente o amaram.
Foi esse acolhimento que o conquistou. Ele conta que ficava olhando para trás durante os cultos, esperando que alguém fizesse uma piadinha sobre ele. Nunca aconteceu. Esse ambiente foi onde Alessandro encontrou o que buscava: um lugar onde cabia.
A construção de uma vida: trabalho, amor e ministério
Enquanto se envolvia cada vez mais com a igreja, Alessandro fez o curso de auxiliar de enfermagem e começou a trabalhar na área da saúde, passando pela Santa Casa, pelo pronto-socorro, por posto de saúde e por oito anos dentro de uma sala de curativo. Em 2003, conheceu Valéria, que participava do grupo de jovens que ele liderava. Namoraram a partir de 16 de outubro daquele ano e casaram em 9 de outubro de 2004, menos de um ano depois. Em 2007, nasceu a filha do casal.
O chamado ministerial foi crescendo de forma natural, à medida que Alessandro se envolvia com crianças, louvor e liderança de jovens. Em 2011, foi consagrado pastor. Em 2019, exonerou o cargo público para se dedicar integralmente à igreja.
A pandemia e a crise que o derrubou
Assumir a liderança da igreja e logo depois enfrentar a pandemia foi, nas palavras dele, um dos momentos ministerialmente mais difíceis da sua vida. Seu pai faleceu nesse período, assim como um amigo próximo da congregação. Alessandro levava pessoas com Covid ao hospital, acompanhava sepultamentos sem velório, via famílias em desespero com despedidas impossíveis.
Em dezembro de 2022, dirigindo sozinho pela Avenida Visconde do Rio Branco, sentiu o lado esquerdo do corpo anestesiar e paralisar. Chegou ao pronto-socorro com pressão 26×16. O diagnóstico: crise de pânico. Fez um ano inteiro de acompanhamento psiquiátrico e em dezembro de 2024 conseguiu encerrar o tratamento. Buscar ajuda foi difícil, mas foi a decisão certa. A experiência o tornou um conselheiro mais humano, capaz de dizer às pessoas que está aconselhando: “eu já estive onde você está”.
Uma teologia de portas abertas
Alessandro fala de púlpito sobre acolhimento. Sua visão da igreja é de um lugar onde cabe todo mundo: o andarilho, o dependente químico, o jovem que ainda luta com questões que não resolveu, a família com filho autista. A Igreja Evangélica Família e Vida de Dracena foi a primeira da região a criar uma sala especial para crianças autistas, um espaço pensado para receber com dignidade quem muitas vezes foi rejeitado em outros lugares.
Para ele, a transformação genuína vem de dentro para fora, pelo Espírito Santo, e não por regras impostas externamente. Cobrar mudança imediata de alguém que chega carregando anos de luta não faz sentido e vai contra o próprio evangelho. A luta pode durar a vida toda, e isso não significa que a pessoa não foi transformada.
O que o futuro reserva
Alessandro tem saudades da área da saúde. Trabalhou muitos anos lá e conta com entusiasmo os pacientes que se tornavam família durante os curativos. Seu plano, quando as condições permitirem, é dividir o tempo: meio período na saúde, meio período na igreja. A propensão de cuidar e de servir esteve presente em toda a trajetória e segue como o fio que conecta tudo.
Onde encontrar
Alessandro Barbosa é pastor da Igreja Evangélica Família e Vida, em Dracena, SP. Você encontra ele no Instagram: @alessandrobarbosale.
Resumo do episódio
Alessandro Barbosa cresceu em zona rural e enfrentou uma crise profunda ao chegar em Dracena, chegando ao ponto de tentar tirar sua própria vida. Um encontro com a Igreja Evangélica marcou sua transformação: foi acolhido sem julgamentos, construiu uma carreira na saúde, casou, tornou-se pastor e desenvolveu uma teologia centrada no acolhimento de pessoas marginalizadas, incluindo a criação de um espaço especial para crianças autistas.
Principais aprendizados
- Acolhimento sem cobranças é mais transformador que imposição de regras externas em comunidades de fé.
- A crise de pânico e o tratamento psiquiátrico de um líder religioso podem gerar empatia e humanidade no aconselhamento.
- Um espaço seguro onde a pessoa é aceita como é constitui a base para transformação pessoal duradoura.
- Igreja que abre portas para todos, inclusive dependentes químicos e crianças autistas, pratica inclusão estruturada e não apenas discursiva.
- Cuidado na área da saúde e ministério religioso podem caminhar juntos como expressão da mesma vocação.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Alessandro chegou à Igreja Evangélica?
Estava em um momento de desespero total em 1994, trabalhando no mercado Pague Pouco, e pensava em tirar sua própria vida. Uma funcionária que frequentava a Igreja Evangélica o encontrou no depósito, orou com ele apesar de seu pedido para ela sair, e convidou-o a conhecer a igreja, onde ele foi acolhido.
O que a Igreja Evangélica de Dracena ofereceu quando Alessandro chegou machucado?
O acolhimento sem julgamentos ou cobranças. Os pastores Ílon Ferreira e Rute nunca sentaram com ele para listar pecados ou comportamentos a mudar, apenas o amaram. Ele nunca sofreu chacotas durante os cultos e encontrou um lugar onde cabia.
Como a pandemia afetou Alessandro emocionalmente?
Foi um dos momentos ministerialmente mais difíceis de sua vida. Perdeu o pai, viu um amigo próximo da congregação morrer, acompanhava pessoas com Covid ao hospital e via famílias em desespero. Em dezembro de 2022, sofreu uma crise de pânico tão grave que chegou ao pronto-socorro com pressão 26x16.
Qual é a abordagem teológica de Alessandro sobre transformação pessoal?
Ele acredita que a transformação genuína vem de dentro para fora, pelo Espírito Santo, e não por regras impostas externamente. Cobrar mudança imediata de alguém que chega carregando anos de luta não faz sentido. A luta pode durar a vida toda sem significar que a pessoa não foi transformada.
A Igreja Evangélica Família e Vida tem alguma iniciativa para crianças autistas?
Sim, foi a primeira da região a criar uma sala especial para crianças autistas, um espaço pensado para receber com dignidade crianças que muitas vezes foram rejeitadas em outros lugares.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.