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Sonorização e trio elétrico: a história de Fabiano Pinoti | #487

08 de setembro de 2026 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #487 do AdamiCast

Fabiano Pinoti, o Pinotão, é dono da Laser Som, empresa de sonorização de eventos, som volante e trio elétrico que já passou por praticamente toda festa de Dracena e região nos últimos 30 anos. No episódio #487 do AdamiCast, ele senta com Pedro e Mariana para contar como um moleque que destruía alto-falantes em casa virou o responsável pelo som de carnavais, shows e comícios pela região.

A conversa passa por caixas amarradas em cima de uma Belina, gambiarras de luz feitas com toca-discos e arame, e um trio elétrico caseiro com gerador a botijão de gás que quase explodiu no meio de um evento. No fim, Fabiano chega ao presente: caixas de som baratas mudaram o mercado, e a inteligência artificial virou ferramenta de trabalho, mas ele garante que o resultado sempre depende de quem está operando.

Da fuceira em casa às fitas cassete gravadas em série

Antes de virar profissão, som era curiosidade de adolescente. Fabiano conta que desmontava alto-falantes de casa só para entender como funcionavam, até deixar a família sem aparelho de tanto mexer. Aos 15 anos, o interesse virou trabalho: ele passou três meses numa loja de Dracena gravando fitas cassete em série, usando 22 toca-fitas ao mesmo tempo, seguindo uma matriz escrita à mão em papel de seda.

Foi o primeiro contato com o lado técnico do som, muito antes de existir qualquer estrutura própria. Em casa, ele chegou a montar quatro alto-falantes de 15 polegadas no próprio quarto, o suficiente para deixar a mãe quase doida. O paradoxo, como ele mesmo resume, é que quem tem boa audição é justamente quem mais quer ouvir música alto.

A Belina com as caixas amarradas em cima

O primeiro equipamento próprio de Fabiano não veio com estrutura nenhuma. As caixas de som eram amarradas em cima de uma Belina, porque era o carro que ele tinha e era o que dava para fazer naquele momento. Dali para a frente, os primeiros bicos levaram o som da Laser Som para fora de Dracena, por cidades como Tupi Paulista, Junqueirópolis, Ouro Verde e Panorama.

A rotina era pesada: saía de madrugada, às vezes 4 da manhã, para eventos em cidades vizinhas e voltava no mesmo dia, sem estrutura para pagar hotel. Foi assim, na prática, que ele foi descobrindo o negócio, evento por evento, sem manual e sem capital de giro.

Bandas, festivais e a conta que não fecha no interior

Em 1993, aos 18 anos, Fabiano já promovia festival de rock com a própria banda, a Rebels Power, e conta que o moleque tinha coragem de fazer as coisas. A Noite do Tigrão, no extinto clube Xadrez, é lembrada como um dos eventos que mais lotou na época, um dos vários carnavais e bailes de clube que a Laser Som sonorizou ao longo dos anos.

Mas o crescimento sempre esbarrou numa conta que, segundo Fabiano, nunca fechou de verdade: o equipamento profissional custa o mesmo preço em qualquer lugar do Brasil, mas a região não paga o que ele vale. A gente aqui tira leite de pedra, resume. É o mesmo desafio de qualquer negócio de interior que compra insumo em preço nacional e vende num teto de faturamento muito menor que o da capital.

Gambiarras que viraram método

Antes de existir estrutura de eventos, quase tudo era resolvido na raça. Um dos exemplos contados no episódio é o sequencial de luz montado com toca-discos, arame e pregos, uma gambiarra que funcionava mesmo sem nenhum equipamento profissional por trás. Era o que tinha pra aquele momento, resume Fabiano, frase que resume boa parte da trajetória dele.

Outro episódio marcante da época pré-internet foi uma carta escrita à mão, enviada para a fábrica Selenium, pedindo informações técnicas sobre caixas de som. A resposta veio em um envelope com uma série de projetos de caixas acústicas, numa época em que não havia Google para resolver isso em segundos.

O trio elétrico caseiro e o gerador que quase explodiu

O trio elétrico da Laser Som nasceu de um caminhão baú cortado à mão, com policorte, para virar palco móvel. O maior desafio não era o corte da estrutura, mas a energia: sem acesso a rede elétrica em muitos eventos, a solução foi um gerador improvisado, movido a botijão de gás.

Fabiano conta que a chance de o gerador explodir durante o evento era real, mas que, mesmo com o motor disparando e quase queimando a mesa de som, os amplificadores aguentaram o show até o fim. É o tipo de risco que hoje, com estrutura profissional, não faria mais sentido correr.

Quando a caixinha ativa barata mudou o jogo

Por anos, contratar sonorização era a única forma de ter som de qualidade num evento pequeno. Isso mudou com a popularização das caixas de som ativas mais baratas: virou comum qualquer grupo de amigos ter uma caixa própria pra fazer um som pra alguma coisa, nas palavras de Fabiano, o que reduziu parte da demanda que antes ia para prestadores como a Laser Som.

Ao mesmo tempo, o episódio traz um contraponto direto: Fabiano lembra de uma cliente que preferiu mudar a data da própria festa de 15 anos a fazer a festa sem o som dele. É a distância entre o serviço que virou commodity, disputado por preço, e a estrutura que continua exigindo um fornecedor específico, como trio elétrico e som volante.

Da fita cassete à inteligência artificial

O nome Laser Som carrega uma origem pessoal: vem de um Discman comprado no Paraguai, numa época em que ouvir CD original era um evento em si. Dali em diante, a trajetória técnica de Fabiano acompanhou toda a evolução do áudio, da fita cassete ao MD, do CD ao pendrive, até chegar às mesas digitais atuais.

Hoje, o assunto é inteligência artificial aplicada ao próprio trabalho. Fabiano resume o momento com uma metáfora direta: a IA é uma chave de fenda, ferramenta que tanto aperta uma mesa quanto aperta um foguete, dependendo de quem está operando. O aviso, segundo ele, é que a ferramenta não substitui repertório, só amplia o que quem está por trás dela já sabe fazer.

Onde encontrar

O episódio #487 do AdamiCast foi gravado em Dracena, SP, base da Laser Som há mais de 30 anos. Para acompanhar o trabalho de Fabiano Pinoti, o Instagram é @som.laser.

Resumo do episódio

Fabiano Pinoti, o Pinotão, é dono da Laser Som e construiu em Dracena e região uma trajetória de mais de 30 anos em sonorização de eventos, começando ainda adolescente com fitas cassete gravadas em série e caixas amarradas em cima de uma Belina. Ao longo do episódio #487 do AdamiCast, ele detalha como formou o negócio na base do improviso, de festivais autoproduzidos e carnavais de clube até um trio elétrico caseiro feito com caminhão baú cortado à mão e gerador a botijão de gás. A conversa também expõe o desafio econômico de operar um negócio de equipamento caro numa região de teto de faturamento menor, e como a popularização de caixas de som baratas reduziu parte do mercado que ele atendia. O episódio termina no presente, com Fabiano comparando a inteligência artificial a uma chave de fenda: uma ferramenta cujo resultado depende inteiramente de quem sabe operar.

Principais aprendizados

  • Aos 15 anos, Fabiano passou três meses gravando fitas cassete em série numa loja de Dracena, usando 22 toca-fitas simultâneos a partir de uma matriz escrita à mão.
  • O nome Laser Som vem de um Discman comprado no Paraguai, numa referência ao CD a laser, época em que ouvir um disco original era acontecimento.
  • O trio elétrico da Laser Som nasceu de um caminhão baú cortado à mão com policorte, energizado por um gerador improvisado movido a botijão de gás.
  • Segundo Fabiano, o equipamento profissional de som custa o mesmo preço em qualquer lugar do Brasil, mas a região de Dracena não paga o que ele realmente vale.
  • A popularização das caixas de som ativas mais baratas reduziu a demanda por sonorização em eventos pequenos, mesmo com clientes ainda dependendo de um fornecedor específico para estruturas maiores, como trio elétrico.

Perguntas respondidas neste episódio

Como surgiu a Laser Som e de onde vem esse nome?

A Laser Som nasceu do interesse de Fabiano Pinoti por som ainda na adolescência, quando desmontava alto-falantes em casa e depois passou a trabalhar gravando fitas cassete em série numa loja de Dracena. O nome da empresa vem de um Discman comprado no Paraguai e da referência ao CD a laser, numa época em que ter um disco original era um acontecimento raro. O primeiro equipamento próprio do negócio era transportado amarrado em cima de uma Belina.

Qual é a maior dificuldade de manter um negócio de sonorização no interior de São Paulo?

Segundo Fabiano Pinoti, o equipamento profissional de som custa o mesmo preço em qualquer lugar do Brasil, mas uma região do tamanho de Dracena não paga o valor real desse investimento. Ele resume esse desafio como tirar leite de pedra: o negócio precisa se sustentar num teto de faturamento regional muito menor do que o de uma capital, mesmo comprando insumo em preço nacional.

Como foi montado o trio elétrico da Laser Som?

O trio elétrico foi construído a partir de um caminhão baú, cortado à mão com uma policorte para virar um palco móvel. Como muitos eventos não tinham acesso à rede elétrica, a energia veio de um gerador improvisado, movido a botijão de gás, que corria risco real de explodir durante o uso, mas segurou os amplificadores até o fim do show.

Por que o mercado de sonorização de eventos pequenos encolheu nos últimos anos?

Fabiano Pinoti explica que a popularização das caixas de som ativas mais baratas fez com que grupos de amigos passassem a resolver sozinhos a sonorização de eventos pequenos, sem precisar contratar um prestador. Ainda assim, ele lembra de casos como o de uma cliente que preferiu mudar a data da própria festa de 15 anos a realizá-la sem o som dele, mostrando que estruturas maiores, como trio elétrico e som volante, continuam exigindo um fornecedor específico.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.