Junior Bento tem 32 anos, canta pagode e mora em Adamantina. Toca por toda a Alta Paulista, numa região em que o sertanejo costuma mandar, e durante a semana trabalha numa confecção. No fim de semana, vira o JB do palco.
No episódio #495 do AdamiCast, gravado em Dracena, ele conta como saiu do balde de roupa da mãe para a carreira solo, gravou um audiovisual de chinelo e hoje co-organiza o próprio festival. Foi a primeira vez dele num podcast, e ele admite que ficou mais nervoso ali do que em qualquer palco.
O pagode no carro do pai e o balde da mãe
A música entrou na vida do Junior pelo pai. Na infância em Bauru, o pai levava os filhos para a escola ouvindo pagode, numa região dominada pelo sertanejo. Em casa, o menino batucava no balde de roupa da mãe.
O primeiro pagode ao vivo veio numa roda de samba. Alguém emprestou um surdo e deu o recado: na sexta-feira, quero você tocando. Na roda seguinte, ele já estava lá, e não largou mais. Hoje são cerca de 15 anos de música.
Montar palco foi a faculdade
Antes de cantar, Junior aprendeu o ofício pelos bastidores. A proposta veio de Thiago Marcelo, compositor de Adamantina, e ele passou cinco anos no Estilo Atrevido, começando por montar o palco. Chama essa fase de “faculdade”.
Lá dentro, guardou um sonho só para si: no dia em que cantasse sozinho, queria aqueles músicos na banda. Nunca contou a eles, e anos depois isso se realizou. Thiago virou conselheiro, um “paizão” na caminhada, e deu o conselho que mais pesou: gravar um audiovisual.
Um grupo ruim, uma pausa e o show de aniversário
O primeiro grupo que ele formou, em Mariápolis, no começo era bem ruim, e ele conta isso rindo. A lição ficou: é preciso ter um ponto de partida, mesmo que ele seja torto.
Depois, a mãe teve uma crise de depressão e ele parou três meses para cuidar dela. Foi ela quem o empurrou de volta: faz um negócio que seja seu. O teste foi um show de aniversário, que reuniu mais de 350 pessoas. Ele mesmo diz que ainda acha que não canta bem, mas que conquista o público no carisma, na alegria e na humildade. No dia 3 de agosto, a carreira solo completou um ano.
O audiovisual virou currículo, e o DVD saiu de chinelo
A primeira pergunta das casas de show, segundo ele, é sempre a mesma: “você tem um audiovisual?”. Quem não tem, nem recebe resposta. Por isso o Junior bancou a gravação mesmo sem sobra de recurso, buscando parceiros. A banda dele é espalhada: músicos de Dracena, Garça, Tupã, Oswaldo Cruz e Parapuã que pegam estrada para ensaiar às 7 da noite, depois do serviço.
A gravação foi num domingo, planejada com um mês e meio. A venda de ingresso andou devagar, a gravação prevista para as 17h começou às 19h e ele decidiu manter a data. Na última semana, o público apareceu. Para completar, perdeu a bolsa com a roupa do show e gravou de chinelo, terminando no meio da galera.
Ler a plateia e agradar quem não veio pelo pagode
Para o Junior, agradar quem já curte pagode é fácil. A função dele é agradar quem não está ali pelo pagode: se de 10 pessoas trouxer duas, já valeu. As cinco primeiras músicas servem para ler a plateia, e ele troca de estilo até acertar.
Também trata o show como trabalho. Chega na casa cumprimentando do segurança à moça da cozinha, e mesmo num dia ruim entrega o melhor show da vida, porque o contratante pagou e o público também pode estar mal. E guarda uma regra: se não tem mais frio na barriga antes de subir no palco, é hora de trocar de profissão. Em Tupã, viu a casa vazia, foi tomar banho no camarim e, quando voltou, a casa estava cheia.
PagoFest, o festival que “foi que nem um filho”
O Junior co-organiza o PagoFest com Henrique e Fernando, dos Gêmeos Pub. A ideia chegou a ser esquecida, voltou numa ligação e o local foi fechado no mesmo dia. A primeira edição, em março, em Adamantina, teve 8 horas de pagode e a casa lotada. Ele resume: o festival foi que nem um filho.
A segunda edição acontece em 7 de novembro, no Resort Água Viva, das 16h até por volta de 1h, porque o público não quer mais festa de madrugada, agora é tudo sunset. Por trás da festa, tem checklist de produtor: lugar, som, bebida, segurança, iluminação e conforto para não lotar demais.
Música, emprego e família
Tímido no dia a dia, Junior diz que no palco até ele se estranha. Reconhece que não é famoso e que precisa da outra fonte de renda para construir a família que quer. O maior sonho dele é ser músico, mas, se tiver de escolher, a escolha seria a família.
Perguntado sobre o que diria ao menino do balde, ele agradece aos pais pela educação: graças a eles, sempre escolheu andar no caminho certo. Ele também defende a paciência: o que se planta ao longo dos anos, quando feito certo, acaba voltando.
Onde encontrar
O episódio #495 do AdamiCast foi gravado em Dracena, SP. Para acompanhar os shows, o PagoFest e as novidades do Junior Bento, o Instagram dele é @juniorbento.
Resumo do episódio
Junior Bento, 32 anos, é cantor de pagode de Adamantina e conta no AdamiCast como saiu do batuque no balde de roupa da mãe para a carreira solo. Depois de cinco anos montando palco para o Estilo Atrevido, formar um grupo em Mariápolis e parar três meses para cuidar da mãe durante uma depressão, ele testou o nome num show de aniversário que reuniu mais de 350 pessoas. Um ano depois gravou seu audiovisual de chinelo, depois de perder a bolsa com a roupa, e hoje co-organiza o PagoFest, festival regional de pagode. Trabalhando numa confecção durante a semana, ele diz que o maior sonho é viver de música, mas que, se tiver de escolher, escolhe a família.
Principais aprendizados
- Sem audiovisual, casa de show nem responde: o vídeo virou o currículo do artista, e Junior gravou o dele mesmo sem sobra de recurso, buscando parceiros pelo caminho.
- As cinco primeiras músicas de um show servem para ler a plateia, e a missão dele é agradar quem não veio pelo pagode, porque se de cada 10 pessoas ele trouxer duas, já valeu.
- Frio na barriga antes de subir no palco é sinal de que ainda importa: segundo Junior, quem para de sentir deve trocar de profissão.
- Dia ruim não é desculpa para show ruim: o contratante pagou e o público também pode estar mal, então ele cumprimenta do segurança à moça da cozinha e entrega o melhor show da vida.
- Venda lenta de ingresso não decide o resultado: Junior manteve a data do audiovisual apesar da reclamação e a procura estourou na última semana.
Perguntas respondidas neste episódio
Quem é Junior Bento, o cantor de pagode de Adamantina?
Junior Bento tem 32 anos, mora em Adamantina, no interior de São Paulo, e canta pagode há cerca de 15 anos. Começou batucando num balde de roupa da mãe, aprendeu a tocar surdo numa roda de samba e passou cinco anos no Estilo Atrevido antes de seguir carreira solo. Durante a semana trabalha numa confecção e toca com uma banda formada por músicos de várias cidades da região.
Como Junior Bento começou a carreira solo?
Depois de passar cinco anos no Estilo Atrevido, formar um grupo em Mariápolis e parar por três meses para cuidar da mãe, que enfrentava uma depressão, Junior ouviu dela que deveria fazer algo que fosse dele. Ele montou um show de aniversário como teste e reuniu mais de 350 pessoas. A carreira solo completou um ano em 3 de agosto.
O que é o PagoFest e quando é a segunda edição?
O PagoFest é um festival regional de pagode organizado em Adamantina por Junior Bento junto com Henrique e Fernando, dos Gêmeos Pub. A primeira edição, em março, teve 8 horas de pagode e a casa cheia. A segunda acontece em 7 de novembro, no Resort Água Viva, das 16h até por volta de 1h, num formato de tarde para noite porque o público não quer mais festa de madrugada.
Por que um cantor precisa gravar um audiovisual para conseguir shows?
Segundo Junior Bento, a primeira pergunta que as casas de show fazem quando recebem uma mensagem é se o artista tem um audiovisual. Quem responde que não tem, muitas vezes nem recebe resposta. O vídeo funciona como um currículo que mostra o trabalho do artista antes de a casa decidir contratar.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.