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Seishi Yoshimura, de Dracena à empresa da família: a trajetória que começou com uma caixinha de balas rifada | AdamiCast #095

08 de março de 2022 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #95 do AdamiCast

Seishi Yoshimura não lembra exatamente quantos anos tinha quando transformou uma caixinha de balas vazia no seu primeiro negócio. Era moleque, talvez uns dez anos, na Dracena onde cresceu, estudou em escola pública e onde até hoje toca os negócios da família, ao lado da sala de aula na faculdade.

Quase trinta anos depois, o empresário e professor universitário sentou na mesa do AdamiCast em 8 de março de 2022, Dia Internacional da Mulher, para contar a trajetória que começou naquela rifa de balas e passou por uma faculdade de engenharia que ele largou, uma filial paulista da empresa da família e uma série de escolhas em que a intuição pesou mais que o plano.

A caixinha de balas e o começo de tudo

A mãe trouxe de algum lugar uma caixinha pequena que originalmente vinha com bala. Seishi abriu, achou a caixa bonita demais para jogar fora, e então encheu de balas tiradas da gaveta da casa, fechou a caixa e rifou entre os amigos. Hoje, olhando para trás, ele reconhece naquela brincadeira o primeiro exercício de visão empreendedora da vida.

É uma das histórias que ele conta aos alunos na faculdade, não como exemplo de grande negócio, mas como lembrança de que toda pessoa já teve oportunidades assim, que passaram batidas. A diferença, diz, é estar atento para enxergar a sacada antes que ela passe.

Sucesso não é conta bancária, é propósito

Um dos primeiros pontos que Seishi gosta de deixar claro é o que ele chama de fórmula do sucesso. “Sucesso não é sinônimo de ter dinheiro”, costuma dizer em aula. Para ele, sucesso é um conjunto que envolve família, saúde, propósito e a sensação de que o que se faz está valendo a pena. Conquistar tudo isso é possível em qualquer classe social, segundo ele.

A frase voltou à mesa em vários momentos da conversa, sempre puxada por alguma história que contradiz o clichê do sucesso ostentado. Seishi sustenta que “o melhor aprendizado é a repetição” e que a maior parte do que ele chama de realização veio como conseqüência de cultivar consistência, não de mirar resultados.

De Dracena ao Mackenzie e o teste vocacional que mudou tudo

Saído do antigo colegial em escola pública de Dracena, Seishi rumou para São Paulo com os amigos mais próximos. Todo mundo foi fazer engenharia, ele foi também. Passou em segunda chamada na Mackenzie e começou a graduação achando que seria o caminho natural. Durou dois anos e meio.

O sinal de alerta veio num episódio curioso. Ele tirou 10 em cálculo 2 sem entender absolutamente nada da matéria e decidiu voltar para Dracena nas férias de julho conversar com os pais. A mensagem foi direta: se eu continuar na engenharia, vou ser um engenheiro meia-boca; melhor ser muito bom em outra coisa. Trancou a faculdade.

No ano seguinte, fez teste vocacional e descobriu o que já dava para perceber: a engenharia não combinava com ele. Foi para a Faculdade de Administração, do lado do Pacaembu, comédia no currículo, identificação imediata. O foco acabou sendo marketing, área que ele leciona até hoje.

O moleque que comprava café nos domingos

A Equipe Paulista existe desde 1955, fundada pelo avô e tocada pela família Yoshimura até hoje. A empresa compra grãos de produtores da região, principalmente café, milho e mamona, e os beneficia antes de mandar para o porto de Santos. Crescer, dizia a expectativa, era entrar nessa engrenagem.

Seishi voltou para Dracena e assumiu a filial paulista da empresa. O desafio não era pequeno: filial com resultado ruim, mercado de café dominado por concorrentes mais velhos, e um gerente que mal fazia a barba. “O moleque”, como ele mesmo se descreve, precisava passar credibilidade. A solução foi simples e contraintuitiva: visitas aos sítios nos domingos de manhã, na hora do almoço em família, quando todos os concorrentes estavam dormindo.

A primeira compra importante entrou um dia em que ele estava nervoso a ponto de engolir seco. Um produtor chegou com a carguinha e sentou na frente dele; Seishi respirou, ofereceu o preço, ouviu o sim e, quando o cliente foi embora, repetiu umas cinco vezes em voz alta, no escritório vazio, que agora estava pronto para comprar qualquer quantidade. Daquele dia em diante, o ritmo não parou. A filial virou referência em Adamantina, em Rio Preto, em outras cidades. É também a partir desse trabalho que ele passou a dar aulas, porque, como diz, “não existe nada emocional, tem que ser feito, e o melhor treinamento é fazer».

Onde encontrar

A conversa foi gravada em Dracena, SP, cidade onde Seishi cresceu, toca a empresa da família e leciona. Para acompanhar a trajetória e os negócios dele, siga o perfil no Instagram:

@seishiyoshimura

Resumo do episódio

Seishi Yoshimura conta como uma simples rifa de balas aos dez anos em Dracena se tornou seu primeiro exercício de visão empreendedora, e como essa intuição o guiou por decisões que moldaram sua carreira: largar engenharia no Mackenzie após perceber que não era seu caminho, descobrir administração com foco em marketing, e transformar a filial paulista da empresa da família em referência regional através de persistência e visitas estratégicas aos produtores.

Principais aprendizados

  • Estar atento para enxergar oportunidades antes que elas passem é mais importante que reconhecer grandes ideias depois que elas se foram.
  • Sucesso não é sinônimo de ter dinheiro, mas um conjunto que envolve família, saúde, propósito e a sensação de que o que se faz está valendo a pena.
  • O melhor aprendizado vem da repetição e da consistência cultivada ao longo do tempo, não de mirar resultados.
  • Reconhecer que não se encaixa em um caminho profissional e mudar de rumo é mais sábio que seguir uma trajetória apenas porque todos esperam isso de você.
  • Credibilidade é construída através de ações simples e contraintuitivas, como estar disponível nos horários em que a concorrência está descansando.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar um negócio sem capital inicial?

O primeiro exercício de visão empreendedora pode ser simples como identificar algo que já existe, perceber uma oportunidade de valor e oferecer de forma criativa, como fazer uma rifa com itens disponíveis em casa. O importante é estar atento para enxergar a sacada antes que ela passe.

Como ganhar credibilidade em um mercado dominado por concorrentes mais experientes?

Estar disponível nos horários em que a concorrência não está. Visitas estratégicas nos fins de semana, na hora do almoço em família quando todos os concorrentes estavam dormindo, permitiram construir relacionamento e confiança com os produtores.

Quando é o momento certo para abandonar um curso ou carreira que não combina?

Quando você percebe que continuando naquele caminho será meia-boca em vez de excelente em outra coisa. O sinal pode ser algo direto como tirar nota máxima sem entender absolutamente nada da matéria, indicando desconexão total com a área.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.