#448

29 e 30 anos de farda: Marcelo Cavalcante e Elizabete Gonçalves do 25° BPM/I | #448

24 de fevereiro de 2026 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #448 do AdamiCast

No episódio #448 do AdamiCast, Pedro e Mariana receberam o Tenente Coronel Marcelo Cavalcante, Comandante do 25° BPM/I, e a 1° Sargento Elizabete da Silva Gonçalves. Entre os dois, quase 60 anos de Polícia Militar. Uma conversa sobre carreira, sobre os momentos mais difíceis da profissão, sobre o que ninguém imagina que um policial carrega, e sobre uma aposentadoria que estava chegando nos últimos dias de serviço de Elizabete.

Marcelo: o pai policial e a Academia do Barro Branco

Marcelo tem 47 anos e cresceu em Adamantina, para onde se mudou com 8 anos de idade. O pai era policial militar, soldado e cabo, e foi a inspiração direta para a carreira. A família era simples. Com 13, 14 anos Marcelo já trabalhava e estudava à noite. Nos momentos livres revisava livros para o vestibular da Fuvest. Em 1996 passou para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, já com ingresso como oficial. Dos filhos, é o único que seguiu a carreira. Saiu formado em dezembro de 2000 com curso superior em Ciências Policiais de Segurança Pública.

Elizabete: o concurso por necessidade e o marido na mesma turma

Na família de Elizabete não havia policial. A referência estava na família do marido. Quando ela prestou o concurso em 1996, estava casada, tinha duas filhas, uma de 5 anos e outra de 1 ano e meio, e estava desempregada. O marido Jeferson prestou junto. Os dois passaram. A escola de soldados era em Presidente Prudente. Elizabete ficava a semana inteira lá e voltava nos fins de semana. As meninas ficavam com o marido, que também estava na escola. Perrengue, como ela mesma define. Mas os dois se formaram.

O policiamento feminino chega a Dracena

Quando Elizabete saiu da escola, abriram 12 vagas para policiamento feminino no 25° BPM/I, em Dracena. Até então a região não tinha. Ela e mais 10 policiais vieram. Era 1997. Na época, as vagas para homens e mulheres eram separadas, com cotas distintas. Com o tempo isso mudou. Hoje o concurso é aberto e o cargo é o mesmo para todos. A função também mudou: de atividades assistencialistas, as policiais passaram a fazer o mesmo serviço que os colegas. Marcelo diz sem reserva que em muitos casos a policial feminina vai tão à frente quanto qualquer outro.

22 municipios sob o 25° BPM/I

O batalhão cobre 22 municípios, com sede em Dracena e companhias territoriais em Tupi Paulista, Adamantina e Osvaldo Cruz. Marcelo percorreu praticamente toda essa área ao longo da carreira: chegou como tenente em Pacaembu, passou por Lucélia e Adamantina, atuou como capitão em Tupi Paulista e na 1ª companhia em Dracena, foi para Presidente Prudente como major e subcomandante, e voltou como comandante do batalhão. Elizabete fez quase toda a carreira em Dracena, com passagem curta para a escola de sargento em São Paulo. Trinta anos no 25°.

2006: rebelioes simultaneas e meses de crise

Para Marcelo, o maior desafio da carreira foi o ano de 2006. Na época o batalhão tinha 11 ou 12 penitenciárias sob responsabilidade, e praticamente todas rebelaram ao mesmo tempo. Em São Paulo também houve ataques a policiais militares de serviço e de folga. Sem a estrutura da Polícia Penal, que só viria depois, a contenção dependia basicamente da Polícia Militar. Foram meses para conseguir contornar a situação. Marcelo recorda o período como o mais delicado de toda a trajetória.

A pandemia e a saia justa dos estabelecimentos fechados

Elizabete estava na escola de formação de soldados quando a pandemia chegou. Precisaram reduzir turmas e seguir em frente com os alunos que estavam lá, enquanto alguns perdiam parentes. A carga emocional foi pesada. Para Marcelo, a pandemia trouxe um tipo de trabalho diferente de tudo que a corporação havia treinado: fiscalizar o fechamento de estabelecimentos. Chegavam ao local e encontravam o dono implorando para trabalhar. O policial estava ali cumprindo uma determinação judicial. Sem saída.

O policial nunca desliga

Marcelo diz que tirar a farda em casa não desliga o policial. Você entra num restaurante e já procura um lugar estratégico. Entra num comércio e o olhar varre o ambiente antes de qualquer outra coisa. Com 29 ou 30 anos de carreira, isso já é automático. Não é esforço. É o primeiro dia de escola se repetindo todos os dias até o último. Marcelo conta que em casa é o Marcelo, não o Tenente Coronel Cavalcante. Casado com a Patrícia, segue as orientações da esposa. Como ele mesmo resume: é melhor ter paz do que razão.

Tres pilares: espiritualidade, familia e preparo fisico

Marcelo é católico praticante. Reza o terço antes de entrar em serviço. É ministro da Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Dracena e participa da Sociedade dos Irmãos da Misericórdia. Elizabete fala da mesma base. Nos anos ensinando na escola de formação, os dois repetiam o mesmo para os alunos: sem pilar espiritual, sem família sólida para onde voltar e sem preparo físico, não há como sustentar a carga da profissão por décadas.

A formatura de sargento e a perda do pai

Elizabete guardou o momento mais marcante por um tempo antes de falar. Foi no dia da sua formatura de sargento, em São Paulo. O pai estava internado e próximo de morrer. Ela foi à formatura mesmo assim, participou da cerimônia, e quando voltou o pai havia falecido. Alegria e luto no mesmo dia. Ela conta que foi uma coisa que marcou muito, especialmente por ter chegado justamente naquele momento da carreira.

A Corrida da Forca Tatica e os 47 anos do batalhao

A segunda edição da Corrida da Força Tática faz parte das comemorações dos 47 anos do 25° BPM/I. No ano anterior, além da Polícia Militar, o evento reuniu Polícia Ambiental, Bombeiros, Polícia Rodoviária, Cavalaria e o helicóptero Águia. São 5 km de corrida e 3 km de caminhada, com corrida Kids logo após para as crianças. As inscrições com camiseta vão até o dia 27. O link fica no Instagram do @vigesimoquintobpmi.

Elizabete se aposenta

No dia da gravação, Elizabete estava nos últimos dias de serviço. Trinta anos no 25° BPM/I. Ela diz que é uma mistura de dever cumprido e de saudade que ainda vai chegar. O primeiro mês você acha que está de férias. Depois cai na real. O marido Jeferson, também policial militar e especialista em armamento, estava presente no estúdio. Marcelo agradeceu publicamente toda a dedicação dela à segurança pública da região.

Topicos abordados no episodio

  • Marcelo crescendo em Adamantina, o pai policial como inspiração e a aprovação na Fuvest para o Barro Branco
  • Os anos trabalhando e estudando à noite antes de passar para a academia
  • Elizabete entrando por necessidade, marido na mesma turma, duas filhas pequenas em casa
  • A escola de soldados em Prudente e as semanas longe da família
  • As 12 vagas para policiamento feminino em Dracena em 1997
  • A evolução do papel da policial feminina: de atividades assistencialistas ao mesmo serviço
  • Os 22 municípios do 25° BPM/I e a trajetória de Marcelo por toda a região
  • O maior desafio: 2006, ataques do PCC e rebeliões simultâneas nas penitenciárias
  • A pandemia, a escola de formação e a fiscalização de estabelecimentos fechados
  • O olhar treinado que não desliga mesmo fora do serviço
  • Os três pilares da carreira: espiritualidade, família e preparo físico
  • A formatura de sargento de Elizabete no mesmo dia da morte do pai
  • Os casos de suicídio entre policiais e o trabalho dos psicólogos militares
  • A Força Tática: como funciona, o escalonamento do uso da força e o impacto psicológico da chegada
  • A Corrida da Força Tática, segunda edição, parte dos 47 anos do batalhão
  • Elizabete nos últimos dias de serviço e 30 anos dedicados ao 25° BPM/I
  • O doutorado de Marcelo em 2023 e os 20 dias acompanhando a polícia em Los Angeles

O AdamiCast #448 é um episódio sobre décadas de serviço público, sobre o que a farda exige de quem a veste e sobre duas trajetórias que, de pontos de partida completamente diferentes, chegaram ao mesmo lugar. Siga no Instagram: @tenente_coronel_cavalcante, @vigesimoquintobpmi e @bettejunq.

Resumo do episódio

O episódio reúne o Tenente Coronel Marcelo Cavalcante, comandante do 25° BPM/I, e a 1° Sargento Elizabete da Silva Gonçalves para discutir quase 60 anos combinados de carreira na Polícia Militar. A conversa aborda as inspirações que levaram cada um à profissão, os desafios enfrentados em crises como as rebeliões de 2006 e a pandemia, o impacto psicológico do trabalho, e os três pilares que sustentam a carreira: espiritualidade, família e preparo físico. Elizabete se aposentava nos dias da gravação após 30 anos no batalhão de Dracena.

Principais aprendizados

  • O policial desenvolvido ao longo da carreira não desliga do treinamento mesmo fora do serviço, adotando automaticamente comportamentos estratégicos em ambientes cotidianos.
  • A Polícia Militar enfrentou em 2006 o maior desafio institucional com praticamente todas as 11 ou 12 penitenciárias sob sua responsabilidade rebelando simultaneamente.
  • O policiamento feminino em Dracena começou em 1997 com 12 vagas e evoluiu de atividades assistencialistas para as mesmas funções realizadas por colegas homens.
  • Espiritualidade, família sólida e preparo físico são os três pilares necessários para sustentar a carga emocional e física da profissão por décadas.
  • A pandemia exigiu da Polícia Militar um trabalho completamente novo: fiscalizar estabelecimentos fechados, colocando policiais em situações de conflito moral entre ordem judicial e apelo humano.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual foi o maior desafio enfrentado na carreira de policial militar?

O ano de 2006 representou o maior desafio, quando praticamente todas as 11 ou 12 penitenciárias sob responsabilidade do batalhão rebelaram ao mesmo tempo. Houve também ataques a policiais militares em São Paulo. Sem a estrutura da Polícia Penal que viria depois, a contenção dependia basicamente da Polícia Militar, levando meses para contornar a situação.

Como começou o policiamento feminino em Dracena?

Em 1997, abriram 12 vagas para policiamento feminino no 25° BPM/I. Elizabete e mais 10 policiais vieram para a região, que até então não tinha esse serviço. Na época, as vagas para homens e mulheres eram separadas com cotas distintas, mas com o tempo isso mudou e hoje o concurso é aberto para todos com o mesmo cargo.

Quais são os pilares necessários para sustentar uma carreira na Polícia Militar?

Três pilares são essenciais: espiritualidade, família sólida para onde voltar e preparo físico. Sem esses alicerces, não há como sustentar a carga emocional e física da profissão ao longo de décadas de trabalho na corporação.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.