#341

Pizza, esfirra e tradição de família: a historia de Renan, da Labela | #341

18 de setembro de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #341 do AdamiCast

O AdamiCast recebeu Renan, da tradicional Pizzaria Labela de Dracena, para contar a historia de uma empresa que comecou com pouco estudo e muita garra e hoje soma quase duas decadas de historia na cidade. Junto com ele, o casal Pedro e Mariana Adami conversou sobre empreendedorismo, familia e os bastidores de uma operacao que hoje vende centenas de pizzas por fim de semana, alem de descobrir os segredos por tras da La Pepita, a esfirraria que Renan mantem em paralelo e que muita gente nem sabia que era ligada a Labela.

A guerreira que comecou do zero

A historia da Labela nasceu em 2005, quando a mae de Renan, dona Vilma, assumiu o negocio de um parente que queria vender. Segundo Renan, ela “tinha pouco estudo, veio do sitio mesmo” e havia estudado apenas até a oitava serie, sem nenhuma experiencia em administracao. Mesmo assim, encarou o desafio. “Ela sabia trabalhar. Ela queria trabalhar. Ela sempre foi guerreira, sempre batalhadora”, contou o filho. Enquanto isso, Renan estava fora de Dracena, jogando futebol em outros estados desde os 12 anos, e só voltou para a cidade com 18 anos, em 2009, apos seis anos de carreira no futebol.

De volta a Dracena, comecou a ajudar a mae nos finais de semana e a aprender o negocio pouco a pouco, mas sem largar a vontade de ter algo proprio. Entre 2012 e 2014 chegou a abrir uma conveniencia, uma fabrica de gelo, um lava-jato e uma carreta, sempre tentando construir seu proprio caminho fora da sombra da Labela.

O divisor de aguas

Renan relatou que, cerca de dois anos atras, viveu um momento de esgotamento por acumular negocios demais. “Eu tive um estafe. Aí eu queria vender tudo”, contou. A solucao foi vender as outras empresas e se dedicar de corpo e alma a Labela junto com a mae. “Foi o divisor de aguas da minha vida também. Foi a melhor coisa que eu fiz. Um ajuda o outro”, resumiu, destacando que hoje ele e dona Vilma formam uma parceria que vai alem do trabalho, incluindo viagens juntos.

Da casa de esquina ao polo gastronomico

A Labela funcionou por muitos anos numa casa adaptada na Rua Brasil, esquina com a Euclides da Cunha, um endereco que, coincidentemente, tambem fez parte da historia de namoro do casal apresentador do podcast. A mudanca para o bairro Sao Cristovao, em 2018, marcou uma virada na operacao: o predio passou a ser construido especificamente para funcionar como pizzaria, o que facilitou todo o fluxo de trabalho.

Outra transformacao importante foi a troca do forno a lenha por um forno a gas com esteira, que padronizou a qualidade das pizzas independente do dia. “É sempre a mesma temperatura”, explicou Renan, lembrando que a mudanca tambem resolveu um problema logistico, já que a lenha de reflorestamento estava cada vez mais dificil de encontrar. A regiao onde a pizzaria se instalou, que na epoca tinha praticamente so um outro estabelecimento, hoje se tornou um verdadeiro corredor gastronomico, com varios negocios novos surgindo ao redor.

Maquinario, delivery e o tamanho da operacao hoje

Com o crescimento, a Labela precisou abandonar boa parte do trabalho manual. A masseira que antes processava 7 quilos hoje trabalha com 25, e a pizzaria conta atualmente com dois fornos grandes, cada um capaz de assar 12 pizzas ao mesmo tempo, em poucos minutos. Renan explicou que a receita da massa é segredo guardado a sete chaves, conhecida apenas por ele, a mae e um tio.

A operacao de delivery, segundo ele, é a parte mais desafiadora do negocio, exigindo de dois motoqueiros durante a semana a cinco nos fins de semana, mesmo assim com dificuldade para dar conta da demanda no horario de pico. Renan contou que a pandemia impulsionou fortemente esse tipo de venda, tanto na Labela quanto na La Pepita, que nasceu justamente nesse periodo.

La Pepita, o projeto paralelo nascido numa viagem

Apaixonado por viagens, Renan revelou que a ideia da esfirraria La Pepita surgiu durante uma viagem para Jericoacoara, quando pensou em criar uma marca propria que pudesse se transformar em franquia, permitindo unir o gosto por viajar com os negocios. Os primeiros sabores, com nomes de paises, foram criados ainda na praia. Hoje a La Pepita conta com cerca de 30 sabores de esfirra, e a meta de Renan é chegar a 100, espelhando os mais de 120 sabores de pizza que a Labela oferece.

Curiosamente, por muito tempo poucos clientes sabiam que a La Pepita pertencia ao mesmo dono da Labela. Renan contou até uma historia de um conhecido que comentou, sem saber da ligacao entre as marcas, que preferia uma esfirraria a outra pizzaria, sem imaginar que eram do mesmo empreendedor. Para ele, isso reforca que o negocio se sustentou pelo proprio merito, sem depender do nome já consolidado da Labela.

Ingredientes frescos e uma parceria que dura anos

Questionado sobre o que diferencia a Labela de outras pizzarias, Renan foi direto: o atendimento e a qualidade dos ingredientes fazem a diferenca. A carne usada nas pizzas é comprada semanalmente em fornecedores da regiao, sem necessidade de congelamento, e itens como o brigadeiro e o pao de alho sao preparados na propria cozinha. Ele lembrou ainda de clientes fieis que acompanham a pizzaria ha mais de uma decada, alguns que chegam a pedir todas as semanas, e até quem viaja de outras cidades especialmente para comer na Labela.

Ao encerrar o papo, Renan reafirmou o orgulho da trajetoria construida ao lado da mae, destacando que a parceria entre os dois, tanto na administracao quanto na cozinha, foi essencial para o crescimento da empresa. Entre risadas sobre a criatividade dos nomes dos negocios da familia e planos ainda em aberto para o futuro da La Pepita, o convidado deixou claro que pretende continuar honrando a historia iniciada pela guerreira dona Vilma quase vinte anos atras em Dracena.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @labelladracena e @renansl10.

Resumo do episódio

O episódio traz Renan, da pizzaria Labela de Dracena, contando como o negócio nasceu em 2005 pelas mãos de sua mãe, dona Vilma, e como ele assumiu papel ativo a partir de 2012 após tentar outros empreendimentos. A conversa detalha a mudança de endereço em 2018, a troca do forno a lenha pelo forno a gás elétrico, o crescimento do delivery impulsionado pela pandemia e a criação da esfiharia La Pepita, negócio próprio de Renan que nasceu durante uma viagem e hoje opera de forma independente da Labela. Também são explicados detalhes operacionais como capacidade dos fornos, número de sabores e logística de entrega.

Principais aprendizados

  • Um negócio pode crescer de operação manual para maquinário conforme o volume de produção aumenta, como ocorreu com a troca da masseira de 7kg para uma de 25kg.
  • A pandemia impulsionou o hábito de pedir delivery, o que ajudou a consolidar negócios que nasceram exclusivamente para esse formato, como a La Pepita.
  • É possível validar um negócio novo sem depender do nome ou fama de uma marca já estabelecida, atraindo clientes que nem sabem da ligação entre as duas empresas.
  • Trocar o forno a lenha por um forno a gás com esteira traz padronização da qualidade e elimina a dependência de fornecimento de lenha específica de reflorestamento.
  • Nem sempre é viável replicar um processo totalmente artesanal em grande escala, pois o custo de produção manual encareceria o produto a ponto de não competir no mercado local.

Perguntas respondidas neste episódio

Como surgiu a pizzaria Labela?

A pizzaria nasceu em 2005 quando a fundadora assumiu o negócio de um parente que queria vender, mesmo sem experiência em administração e com pouco estudo. Ela abraçou o desafio e conduziu a empresa sozinha no início. Seu filho só passou a ajudar efetivamente a partir de 2009, retornando de anos morando fora por conta do futebol, e foi se envolvendo gradualmente até assumir mais responsabilidades a partir de 2012.

Como funciona a produção das pizzas hoje em dia?

A produção deixou de ser totalmente manual devido ao aumento do volume de vendas. Hoje são usadas máquinas para bater massa, com capacidade de 25 kg por vez, além de dois fornos a gás com sistema de esteira, que garantem temperatura constante e padronização do produto. Apesar do maquinário, etapas como abrir a massa e montar as pizzas ainda são feitas manualmente pela equipe.

Por que a pizzaria trocou o forno a lenha por forno a gás?

A troca ocorreu por necessidade, já que estava difícil encontrar lenha específica de reflorestamento para comprar, exigindo buscar o material em outra cidade e ainda precisar de um depósito para armazená-la sem risco de umidade. O forno a gás com esteira resolveu esses problemas, mantendo a pizza sempre na mesma temperatura e padrão, além de facilitar a operação diária.

Vale a pena investir em maquinário para aumentar a produção de um negócio de alimentação?

Sim, pois otimiza tempo e reduz custos operacionais quando o volume de vendas cresce muito. Um exemplo prático foi a troca de uma masseira pequena por uma de maior capacidade, o que permitiu preparar toda a massa necessária em cerca de uma hora, ao invés de exigir uma equipe grande trabalhando manualmente. Isso viabiliza atender uma demanda de centenas de pedidos por fim de semana sem comprometer a qualidade.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.