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Mãe e filha, duas lojas e 23 anos de comércio em Dracena: a história de Dercilene e Debora Valezi | #380

11 de março de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #380 do AdamiCast

Algumas histórias de empreendedorismo nascem de um plano cuidadoso. Outras surgem de uma oportunidade que aparece na hora certa, no quarteirão certo, com a pessoa certa do lado. É exatamente assim que se conta a trajetória de Dercilene Valezi e sua filha Debora Valezi, duas empreendedoras de Dracena que comandam negócios diferentes, vizinhos, e complementáres, cada uma com sua personalidade e seu jeito de encarar o mercado.

Neste episódio do AdamiCast, Pedro e Mariana receberam as duas juntas para um bate-papo que misturou décadas de experiência com comércio, histórias de criança dormindo no fundo da loja durante a pandemia, e a dinâmica honesta e afetuosa de uma família que trabalha junta sem precisar concordar em tudo.

De CLT a sócia: como Dercilene entrou no mundo das cortinas

Dercilene trabalhava no comércio quando sua irmã Nadir, que já tinha aberto a Cortinas e Variedades com outra sócia, a convidou para entrar no negócio. A sociedade anterior não havia dado certo, e Nadir procurou a irmã para recomeçar. Dercilene nunca havia mexido com cortinas antes, mas o incentivo do marido João, que até hoje trabalha com elas, foi decisivo. “Vai, claro que vai dar certo”, ela lembra dele dizendo.

A loja já tinha cerca de dois anos quando Dercilene assumiu a sociedade. De lá para cá, são quase 25 anos no mesmo ponto, com reformas pelo caminho, mas sem mudar de endereço. O que era uma transição de emprego virou vocação: “a gente ama o que faz, por isso está até hoje”, ela resume.

Vestir a casa: o desafio de trabalhar com sonhos sob medida

Cortinas e Variedades não é uma loja de prateleira. Tudo é feito sob medida, o que significa medir, cortar, costurar e instalar com precisão. Com as casas modernas chegando a pés direitos de sete metros e camas de dois por dois, o serviço exige cada vez mais técnica e cuidado. Há cortinas que precisam ser instaladas diretamente na residência, com costureira e instalador indo até o cliente, porque não há outra forma de garantir o resultado.

Além das cortinas e persianas, hoje a loja trabalha também com tapetes sob medida, almofadas e colçhas, atendendo projetos de arquitetos e designers de interiores que buscam parceria para o acabamento final da casa. A pandemia, curiosamente, foi um divisor de águas para o setor: as pessoas passaram mais tempo em casa, perceberam o desconforto da luz sem controle, e o mercado de decoração reagiu com força.

Engenharia, Ambev e o retorno a Dracena: a história de Debora

Debora saiu de Dracena aos 18 anos para fazer cursinho em Ribeirão Preto e depois ingressou na Engenharia de Alimentos na USP de Pirassununga, a cerca de 400 quilômetros de casa. Foram anos de desafio e crescimento: morar longe, namorar o Bruno à distância, e ao mesmo tempo trabalhar quatro anos na Ambev na fábrica do Guaraná Antártica, uma experiência que ela descreve com entusiasmo pela cultura de gestão e motivação da empresa.

Depois de se casar, mudou para Sorocaba, continuou na área de alimentos e, quando surgiu a oportunidade do Bruno retornar a Dracena, ela veio junto. Voltou trabalhando em home office para a mesma empresa, mas a chegada da pandemia e a gravidez do primeiro filho, Pedro, mudaram os planos. Ela não queria mais viajar com criança pequena, e foi exatamente nesse momento que a mãe ligou com uma notícia: tinha uma loja de criança à venda no mesmo quarteirão.

Uma loja, uma pandemia e um bebê de três meses

Debora comprou a Catavento Baby e Kids quando Pedro tinha apenas três meses. A loja ficou fechada logo depois da compra, por causa das restrições da pandemia, e o atendimento era feito na porta. O fundo da loja virou, literalmente, o quarto do bebê: berço, cadeirinha de alimentação, motoca, tudo junto com as araras de roupa. Ela atendia a frente enquanto Pedro dormia nos fundos.

Foi corajoso, ela admite, e funcionou graças ao apoio do Bruno e dos pais. A ex-proprietária também ajudou muito na transição, apresentando fornecedores e acompanhando as primeiras compras de coleção. Hoje a Catavento tem um mix que vai de roupas até o tamanho 16 a produtos para recém-nascidos e bebês: mamadeiras, mordedores, pentes, brinquedos de banho. Debora tem dois laboratórios em casa, Pedro e Felipe, e usa os próprios filhos como referência na hora de montar a coleção.

Negócios vizinhos, personalidades diferentes

As duas lojas ficam a duas portas de distância no mesmo quarteirão, e a relação entre mãe e filha mistura afeto, troca de experiência e diferenças de temperamento que as próprias assumem sem cerimonía. Dercilene é mais agitada, mais eufórica, corre com as crianças na rua e brinca até de madrugada; Debora é mais tranquila, mais analítica, com passagem por grandes empresas que trouxe uma visão de processo e gestão.

Elas pedem opinião uma para a outra, mas nem sempre seguem o conselho, e ambas acham isso completamente natural. Debora conta que às vezes pede a visão da mãe e segue o próprio caminho. Dercilene ri e diz que o Júnior, o irmão de Debora, já aprendeu a mesma lógica faz tempo. O que une as duas não é concordar sempre, mas se apoiar de qualquer jeito.

Inovar no interior: da motorização das cortinas ao brechó infantil

Dercilene aponta que o mercado de cortinas mudou muito em 23 anos. Antes, tudo era manual; hoje, cortinas com pés direitos de sete metros precisam de motor, e não seria diferente. A tecnologia entrou sem pedir licença, e a loja acompanhou. A tendência é por peças mais neutras e duráveis, que possam ficar décadas na parede sem cansar, diferente da moda do vestuário que renova a cada estação.

Debora enfrenta um dinamismo maior: coleções trocam a cada estação, e ela já está fazendo primavera-verão em abril para receber em agosto. Ela observa também o crescimento do brechó infantil e a concorrência que isso representa, mas enxerga o desafio como estímulo para buscar marcas com melhor custo-benefício e nichar ainda mais no universo da primeira infância, área que ela acredita ter muito espaço para crescer em Dracena.

Onde encontrar

As duas lojas ficam em Dracena, SP, no mesmo quarteirão. Para saber mais, siga nas redes sociais: Cortinas e Variedades em @cortinasevariedades e Catavento Baby e Kids em @cataventodracena.

Resumo do episódio

Dercilene e Debora Valezi, mãe e filha, comandam dois negócios vizinhos em Dracena há mais de duas décadas: uma loja de cortinas e variedades sob medida e uma loja de roupas e produtos infantis. A conversa revela como a oportunidade apareceu no momento certo para cada uma, a trajetória da mãe que saiu de um emprego CLT para abraçar o comércio de cortinas com incentivo do marido, e a história da filha que retornou a Dracena após trabalhar na Ambev e na USP, comprando a Catavento Baby durante a pandemia com um bebê de três meses. O episódio mostra a dinâmica honesta de uma família que trabalha junta respeitando personalidades diferentes, inovando no interior com tecnologia e estratégia de mercado.

Principais aprendizados

  • Oportunidade no comércio muitas vezes não vem de um plano prévio, mas de uma necessidade que aparece no quarteirão certo com a pessoa certa do lado.
  • Cortinas sob medida exigem cada vez mais técnica conforme as casas evoluem, com pés direitos maiores e dimensões que forçam necessidade de costureira e instalador nas residências.
  • A pandemia reposicionou o mercado de decoração ao fazer pessoas perceberem o desconforto da luz sem controle após passarem mais tempo em casa.
  • Empreendedorismo familiar funciona sem necessidade de concordância total, desde que exista apoio mútuo e respeito às diferenças de temperamento e visão.
  • O dinamismo das coleções infantis exige planejamento com meses de antecedência, montando peças para primavera-verão em abril para recebimento em agosto.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar no comércio de cortinas sem experiência anterior?

Dercilene não tinha experiência com cortinas quando começou. O incentivo do marido foi decisivo para aceitar o convite da irmã de entrar na sociedade. Ela assumiu a loja dois anos após sua abertura, transformando uma transição de emprego em vocação ao longo de quase 25 anos no mesmo ponto.

Como gerenciar uma loja com criança pequena durante restrições?

Debora comprou a Catavento Baby quando seu filho tinha três meses, durante a pandemia. O fundo da loja virou quarto do bebê, com berço e móveis junto com as araras de roupa. Ela atendia a frente enquanto o filho dormia nos fundos, apoiada pelo marido e pelos pais, com ajuda também da ex-proprietária na transição.

Qual é o foco principal de uma loja de roupas infantis em Dracena?

Debora acredita haver muito espaço para crescimento no universo da primeira infância. Ela enxerga o crescimento do brechó infantil como concorrência, mas usa isso como estímulo para buscar marcas com melhor custo-benefício e nichar ainda mais nessa área específica, usando os próprios filhos como referência na montagem da coleção.

Como as tendências de design mudaram no mercado de cortinas?

O mercado evoluiu de cortinas totalmente manuais para sistemas motorizados. A tendência atual é por peças mais neutras e duráveis, que possam ficar décadas na parede sem cansar, diferente da moda do vestuário que renova a cada estação. Cortinas com pés direitos de sete metros agora precisam de motor para funcionamento adequado.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.