Lucas Tanganini dos Santos, o Garolho, é triatleta amador e trabalha na Olivar Móveis, indústria de móveis de Dracena fundada pelo avô paterno nos anos 1960-70. Em uma conversa que é ao mesmo tempo história de empresa familiar, manifesto de triatleta e resumo de superação, Lucas contou como trocou a vida de escritório em São Paulo pelo negócio da família em Dracena, virou triatleta por acaso (um amigo que não parava de falar “faz triatlo”) e sobreviveu a dois acidentes absurdos — um deles na largada de um Ironman, 90 dias após o anterior.
A Olivar Móveis: o legado do avô e a volta pra Dracena
Lucas cresceu em Dracena mas foi estudar em São Paulo. Enquanto esteve fora, manteve a relação com a cidade-base. Quando voltou, era pra tocar a Olivar Móveis, fundada pelo avô paterno, que saiu de casa em Itatinga aos 13 anos e, com 18, já tinha trazido a família inteira pra Dracena. O avô faleceu em 17 de junho de 2014 — no dia da Copa do Mundo, com a transmissão rolando, o que virou marca afetiva da família. “Cara construiu tudo que construiu e deixou um legado é o que eu sempre converso com meu pai: daqui a gente não leva nada, a gente só deixa, então a gente tem que deixar um legado”.
Hoje, Lucas toca a empresa junto com o pai e trabalha com o tio e a tia. É o único neto do fundador que voltou pra assumir. “São 120 funcionários — não, são 120 famílias também. A economia do país sobe e desce, aquela loucura, mas a gente tá ali firme e forte sempre”. A volta de São Paulo foi um marco, principalmente depois que perdeu um tio próximo de covid. “É muito importante a gente tá perto das pessoas que a gente ama, que é a família”.
Do tênis ao triatlo: a virada por causa de um amigo
O esporte sempre esteve na vida de Lucas, mas não pelo caminho que ele imaginava. A mãe é educadora física e dava aula de natação no ABD — segundo ele, “nasci na água, praticamente”. Depois virou tênis com o professor Leite (e mais tarde com o Baiano e o Gui Bortolato), e chegou a jogar federado. Quando foi pra São Paulo, o esporte saiu do centro da rotina — treino era à tarde, sem carro, metrô fechando — e o pé saiu.
O triatlo entrou por insistência de um amigo. O Marcelo fez o primeiro Ironman dele em 2018 e não parava de falar pra Lucas: “Faz triatlo, cara, faz triatlo. Você corre bem, vai”. Lucas relutou, até que o amigo completou com um conselho prático: “Compra um Garmin, sua vida vai mudar”. Comprou. Mudou. O que era um hobby virou rotina estruturada, com a cabeça virada pra performance. O maior exemplo de virada de vida que Lucas cita é o amigo Bruno Danccieri (o Danção), da COIMA, que passou apurado na primeira meia maratona e virou outro. “Esse menino é fera, aprendeu com ele, mas como antiexemplo”, diz Lucas rindo — aprendeu o que não fazer.
A rotina pesada do triatleta amador
Treinar triatlo amador em Dracena é diferente de treinar em São Paulo, e Lucas tem que improvisar. A semana: quinta, bike e fortalecimento; sexta, corrida e natação; sábado, o longo (bike com transição, ou simulados). A parte de natação é no Paranazão, às vezes de madrugada, porque não tem estrutura fechada na cidade. “Aqui eu não tenho. Até por isso que eu fico mais em São Paulo, mas tem que pedalar até de madrugada, nadar no Paranazão. Se você mostrar pros caras o quão é lindo esse lugar pra eles virem pra cá, porque negó acha que é um riacho aqui, né? Mas a hora que ver o tamanho do Paraná e ver tudo que tem aí… essa paisagem linda aí que a gente tem”.
A logística, porém, é o calcanhar de Aquiles do triatlo em cidade pequena. “Carrega coisa pra caralho”, diz Lucas. A bike, a roupa, a água, a comida, o wetsuit, o capacete, os pê dos tacos — tudo isso vira mala. A mãe, que foi pela primeira vez com ele pra um Ironman (Florianópolis), voltou olhando pra ele e falou: “Lucas, eu tenho que ir junto sempre pra te ajudar, é muita coisa”.
Os dois tombos: cone a 50 km/h e queda na largada do Ironman
Lucas teve dois acidentes sérios em 18 meses. O primeiro foi em janeiro de 2021, no dia da final da Libertadores que o Palmeiras ganhou do Santos. Lucas, o Dr. Heleno e o Anderson tavam voltando de bike de um pedal na ponte de Brasilândia. “Abaixei a cabeça — a gente abaixa porque a geometria da bike de triatlo é diferente, você fica mais aerodinâmico — e bati num cone a uns 50 por hora. Fui pro chão, arrebentei o quadro, trincou, quebrei a clavícula, sete pontos no cotovelo, um ralado nas costas que parecia que eu tinha ido pra guerra”. A sapatilha clippada, a queda sem soltar o pé, o tempo no chão arrastando. “Esse é o primeiro banho mais duro da minha vida”, lembra.
O segundo acidente foi 18 meses depois, no Ironman de Florianópolis. Não foi durante o pedal — foi no dia do casamento do irmão, em Limeira. Lucas saiu pra pedalar antes da cerimônia e o imprevisto aconteceu. Voltou pro casamente todo ralado, com o irmão Gláuber esperando na porta. “Meu pai falou: olha Lucas, se prepara pras críticas. Realmente, na cabeça de todo mundo: por quê logo no dia do casamento do seu irmão, né? E realmente, por quê? Mas aconteceu”. E o Ironman estava a 90 dias. “Três meses, cara. Eu tinha que recuperar de duas lesões sérias em pouco tempo. Mas a gente recupera, cara. O corpo é uma máquina”. Ele fez a prova — e na largada rolou um terceiro imprevisto: o pad da bike caiu. “Olhei pra baixo, fui clipar, cadê meu pad? Falei: cara, que droga, não é meu dia mesmo”. Mesmo assim, completou.
O Garolho, a tribo e o legado que ele está construindo
Hoje Lucas, o Garolho (apelido da tribo de Dracena), toca a Olivar Móveis, treina triatlo, faz parte de conselhos da cidade e mantém a tribo junta. “Garolho é figuraça, irado, é o apelido que os caras me deram na tribo”. As amizades do triatlo, o pessoal de São Paulo que aparece nos comentários do YouTube, a rede de Dracena que ele encontra em todo treino — tudo isso virou a estrutura de sustentação que faz o esporte caber na rotina. “Quanto mais Dracena crescer e desenvolver, melhor pra nós todos. A gente gosta de trabalhar no meio disso, de ajudar, com ideias ou com mão de obra, com qualquer coisa”.
Quando Pedro perguntou se o segundo acidente não fez ele pensar em parar, Lucas foi direto: “Esse é o ponto. Esse é o aprendizado. Eu falo pra todo mundo: o triatlo não é só esporte, é mudança de vida. E cada tombo, cada limite que você quebra, é você aprendendo o que não fazer da próxima vez. A gente não sai de casa falando ‘hoje eu vou cair’. Mas acontece. E a gente levanta”.
Onde encontrar
Lucas Tanganini, o Garolho, é triatleta amador e trabalha na Olivar Móveis em Dracena, SP. Para acompanhar a rotina de treinos, bastidores de prova e o dia-a-dia da indústria da família, o canal é o Instagram pessoal: @lucastanganini. Para saber mais sobre a Olivar Móveis, o caminho é o site oficial da marca em Dracena. Para a turma de pedal e triatlo, o ponto de encontro semanal é o grupo da tribo — chega via direct no Instagram e pergunta onde é o próximo pedal.
Resumo do episódio
Lucas Tanganini, triatleta amador e gestor da Olivar Móveis, compartilha sua trajetória entre retornar de São Paulo para tocar a indústria familiar fundada pelo avô nos anos 1960-70, iniciar no triatlo por insistência de um amigo e sobreviver a dois acidentes graves em 18 meses, incluindo uma queda na largada de um Ironman 90 dias após outro tombo.
Principais aprendizados
- O triatlo amador em cidade pequena exige improviso na logística de treinamento, com sessões de natação muitas vezes em horários noturnos faute de estrutura fechada.
- A volta para a empresa familiar de 120 funcionários foi motivada pela importância de estar perto das pessoas que se ama, principalmente após perder um tio próximo.
- Treinar triatlo estruturado com foco em performance pode transformar a vida de um hobby ocasional em rotina disciplinada.
- Acidentes graves no esporte ensinam o que não fazer da próxima vez, e o aprendizado vem de quebrar limites e levantar depois de quedas.
- O legado construído por uma geração anterior não é imóvel: exige que a próxima geração mantenha e desenvolva o negócio familiar.
Perguntas respondidas neste episódio
Como alguém sem estrutura de piscina em cidade pequena treina natação para triatlo?
Na ausência de estrutura fechada, o treinamento acontece no Paranazão, muitas vezes em horários noturnos. Treinar em cidade pequena exige improviso e disposição para pedalar até de madrugada também.
O que causou os acidentes graves de Lucas e qual foi o impacto?
O primeiro, em janeiro de 2021, foi uma queda a 50 km/h contra um cone durante pedal, resultando em clavícula quebrada e sete pontos no cotovelo. O segundo ocorreu 18 meses depois, também em bike, a 90 dias de um Ironman que completou mesmo assim.
Como Lucas começou a treinar triatlo?
Por insistência de um amigo chamado Marcelo que havia feito seu primeiro Ironman e o convencia constantemente. Marcelo completou seu argumento com um conselho prático: comprar um Garmin, o que de fato transformou o hobby em rotina estruturada.
Como é a rotina de treinos semanais do triatleta amador em Dracena?
Quinta-feira treina bike e fortalecimento; sexta-feira, corrida e natação; sábado é destinado ao treino longo, que pode ser bike com transição ou simulados de prova.
Por que Lucas voltou de São Paulo para Dracena?
Voltou para tocar a Olivar Móveis, fundada pelo avó paterno nos anos 1960-70. A decisão foi reforçada pela importância de estar perto da família, especialmente após perder um tio próximo de covid.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.