Ingrid Baixo é baiana. Cresceu na Bahia, participou desde os onze anos de um grupo chamado Mensageiras do Rei, e foi ali, nas visitas a um lar de crianças, que ela percebeu pela primeira vez o que queria fazer da vida. Em 2021, doze anos depois de mudar para Dracena, no interior de São Paulo, ela fundou o Projeto Missão Sorriso, que em pouco mais de um ano já atendeu cerca de cem famílias espalhadas pela cidade e por municípios vizinhos como Santa Mercedes, Paulicéia e Junqueirópolis.
O que começou como um sonho antigo virou movimento. Em agosto de 2020, Ingrid decidiu que estava na hora de arriscar. Publicou nas redes sociais uma proposta de ação para o Dia das Crianças daquele ano, em plena pandemia. Em poucas semanas, mais de mil pessoas tinham compartilhado, e voluntários começaram a aparecer pedindo para participar. O resultado foi maior do que ela esperava: mil e duzentas crianças alcançadas, cerca de dois mil brinquedos arrecadados e a certeza de que não estava sozinha.
Das visitas no Lar Batista à vida em Dracena
A semente do Missão Sorriso foi plantada muito antes de 2020. Na Bahia, ainda criança, Ingrid participava das visitas que o grupo Mensageiras do Rei fazia a um lar em Manoel. O que ela via nessas visitas mudou a forma como entendia ajudar o próximo.
Não era só levar um lanche ou um brinquedo. Era participar com eles, brincar, dar atenção e carinho. Esse aprendizado ficou guardado por anos, atravessou a mudança para Santos e depois para Dracena depois de um namoro de três meses, e foi alimentado pelas atividades que ela começou a fazer na igreja do bairro Santa Clara, dando aulas para crianças e organizando pequenas festas em datas comemorativas.
Mesmo quando as portas pareciam distantes, o sonho continuou. Ingrid lembra que repetia para o marido: meu sonho é chegar em um lugar e aquelas crianças me cercarem dizendo “a Ingrid chegou”. E foi esse chamado que a fez dar o primeiro passo.
A primeira ação e os trinta voluntários que sustentam o projeto
A virada veio em agosto de 2020, quando Ingrid resolveu lançar a primeira ação: um Dia das Crianças diferente, em formato drive-thru por causa da pandemia. Ela publicou a ideia na internet, outras pessoas compartilharam, e os voluntários foram chegando aos poucos pedindo para participar.
A primeira mobilização alcançou 1211 pessoas e arrecadou cerca de dois mil brinquedos. A meta inicial era distribuir 400 brinquedos a cinco reais cada, e o resultado multiplicou tudo. Hoje, o grupo é formado por trinta voluntários de idades e profissões variadas, de 17 a mais de 50 anos. A Ingrid entrou na picape que levava os brinquedos, escorregou na hora de descer e caiu de costas. Levantou, continuou distribuindo presentes o dia inteiro, e só à noite descobriu que tinha uma luxação em um ombro e uma fratura no outro.
O nome Missão Sorriso surgiu de uma votação com cinco opções dentro do próprio grupo. Segundo Ingrid, a verdadeira missão não é levar brinquedo nem comida. É levar sorriso, um abraço, uma presença. As pessoas carentes precisam ser lembradas de que são seres humanos, e isso faz mais falta do que qualquer cesta básica.
A primeira família acolhida e o que mudou a forma de ajudar
A primeira família acompanhada pelo projeto morava em Santa Mercedes. Era uma mãe que se suicidou e deixou quatro meninas. As avós assumiram a guarda, mas uma delas sofreu um AVC e ficou só a outra para cuidar das quatro crianças. A filha mais velha, na época com nove anos, foi quem encontrou a mãe.
Essa história marcou Ingrid mais do que qualquer outra. Foi quando ela entendeu, no fundo, que aquelas crianças não precisavam só de brinquedo. Elas queriam um abraço. Hoje, mesmo quando outras pessoas do projeto visitam a família, a primeira coisa que elas pedem quando veem alguém chegando é exatamente isso: um abraço.
A partir dessa história, o jeito de ajudar mudou. O projeto passou a acompanhar de perto cerca de cem famílias, com visitas regulares, doação de cestas básicas, leite e acompanhamento próximo para os adolescentes que convivem com droga, violência e depressão dentro de casa.
Uma rede de empresas e vizinhos que faz tudo acontecer
O Missão Sorriso não tem CNPJ, não tem ONG, não recebe dinheiro em espécie. É um grupo de amigos que se organiza para entregar cestas, leite, roupas e brinquedos por meio de parcerias com o comércio local.
Os exemplos se multiplicam. A Chef do Café Campo Belo doa leite toda semana para as crianças acompanhadas pelo projeto. A Vidrosul já chegou a doar cem cestas básicas de uma vez. O Ikeda Supermercado vende uma cesta especial de Natal por quarenta reais para quem quiser apadrinhar uma família. Trilogia, Sempre Bela e a Plus Size ajudam com doações e a organização de bazares. O tio Rogério apareceu batendo na porta da casa da Ingrid com um pacote de pirulitos porque sentiu vontade.
Ingrid é categórica ao explicar por que não trabalha com dinheiro vivo. A equipe prefere comprar direto nas lojas parceiras, via Pix ou presencial, para garantir que o que foi arrecadado chegue mesmo às famílias. É uma forma de prestação de contas que ela considera mais segura, mais transparente e mais útil.
O próximo passo: bazar, Natal e a entrada na fase dos sábados
Depois da fase mais aguda da pandemia, o projeto retomou a ideia original de funcionar aos sábados, com oficinas, rodas de conversa, aulas de futebol, capoeira, karatê e música. É o jeito de tirar as crianças da rua e mostrar que existe uma outra realidade possível.
No curto prazo, duas ações movimentam a cidade. Dia 29 de novembro acontece um bazar solidário na Praça Arthur Pagnozzi, com roupas novas doadas por lojistas da região. Dia 12 de dezembro é a festa de Natal no campo de futebol do bairro Santa Clara, com café da tarde, distribuição de brinquedos e uma apresentação especial sobre o nascimento de Jesus.
A visão de futuro é ainda maior. Ingrid quer que o Missão Sorriso não fique preso a um só público, e atenda crianças, adolescentes, adultos e idosos. Em cinco anos, ela espera que as pessoas que o projeto ajudou hoje sejam quem estará à frente do próprio trabalho. Como ela repete: ninguém nasce preparado para um projeto assim, mas todo mundo pode dar o primeiro passo.
Onde encontrar
O Projeto Missão Sorriso atende principalmente em Dracena, SP, e estende as ações para Santa Mercedes, Jaciporã, Jamaica e Paulicéia. Para acompanhar a agenda, ajudar ou indicar famílias que precisem, basta seguir e enviar mensagem nos perfis no Instagram: @missaosorriso e @ingrid_baixo.
Resumo do episódio
Ingrid Baixo fundou o Projeto Missão Sorriso em 2021 para levar acompanhamento, abraços e presença a famílias carentes de Dracena e região. O projeto começou com uma ação no Dia das Crianças durante a pandemia que alcançou mais de mil crianças e evoluiu para um movimento com trinta voluntários que acompanha cerca de cem famílias por meio de visitas regulares, distribuição de cestas básicas, leite e atividades aos sábados. A iniciativa funciona sem receber dinheiro em espécie, operando por parcerias com o comércio local e garantindo que as doações cheguem de fato às famílias que precisam.
Principais aprendizados
- Ajudar vai além de entregar brinquedo ou comida: é participar com as pessoas, brincar, dar atenção e carinho
- A primeira ação do projeto alcançou mil e duzentas crianças arrecadando cerca de dois mil brinquedos, mostrando que um sonho pessoal pode virar movimento quando compartilhado
- A verdadeira missão é levar sorriso, um abraço e uma presença, pois pessoas carentes precisam ser lembradas de que são seres humanos
- O modelo sem CNPJ e sem dinheiro em espécie garante transparência e que as doações cheguem às famílias, operando via parcerias com lojas locais
- Atividades aos sábados com oficinas, rodas de conversa e aulas de esporte e música funcionam como forma de tirar crianças da rua e mostrar outras realidades possíveis
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona o Projeto Missão Sorriso?
O projeto acompanha cerca de cem famílias com visitas regulares, doação de cestas básicas, leite e acompanhamento próximo para adolescentes que convivem com droga, violência e depressão. Funciona sem CNPJ ou ONG, operando como um grupo de amigos que se organiza por meio de parcerias com o comércio local, comprando direto nas lojas via Pix ou presencial.
Por que o Missão Sorriso não trabalha com dinheiro vivo?
A equipe prefere comprar direto nas lojas parceiras para garantir que o que foi arrecadado chegue de fato às famílias. É considerada uma forma de prestação de contas mais segura, mais transparente e mais útil do que receber dinheiro em espécie.
Como começou o Projeto Missão Sorriso?
Começou em agosto de 2020 com uma ação no Dia das Crianças em formato drive-thru durante a pandemia. Ingrid publicou a ideia na internet, outras pessoas compartilharam, voluntários apareceram pedindo para participar e o resultado foi maior que o esperado: mil e duzentas crianças alcançadas e cerca de dois mil brinquedos arrecadados.
Quem forma a equipe do Projeto Missão Sorriso?
O grupo é formado por trinta voluntários de idades e profissões variadas, com integrantes de 17 a mais de 50 anos. O projeto funciona como um grupo de amigos que se organiza para acompanhar as famílias e entregar doações.
Que parcerias comerciais sustentam o projeto?
O Missão Sorriso conta com parcerias com diversos estabelecimentos locais. A Chef do Café Campo Belo doa leite toda semana, a Vidrosul já doou cem cestas básicas, o Ikeda Supermercado vende uma cesta especial de Natal para apadrinhar famílias, e Trilogia, Sempre Bela e Plus Size ajudam com doações e organização de bazares.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.