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José Roberto, o Zero, fotógrafo e cineasta: de Presidente Bernardes ao cinema independente e aos projetos sociais | AdamiCast #094

05 de março de 2022 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #94 do AdamiCast

Tem gente que coleciona discos de vinil. Tem gente que coleciona câmeras antigas. José Roberto, mais conhecido como Zero, faz as duas coisas, mas começou bem antes, com um estojo de engraxate e uma coleção de gibis do Homem-Aranha em Presidente Bernardes, no interior de São Paulo.

O apelido que ele carrega até hoje veio de outra fase, da farmácia do seu Sakai em Flora Rica: o patrão japonês tentava dizer “Zé Roberto” e saía “Zero”. A piada pegou, atravessou a faculdade de prótese dentária, o concurso de agente penitenciário em Junqueirópolis e a primeira filmagem do DVD do cover de Raul Seixas.

Presidente Bernardes, os gibis e a primeira imagem que ficou

José Roberto nasceu em 1978 e cresceu em Presidente Bernardes até os 11 anos, quando a mãe casou de novo e a família se mudou. Foi nessa cidade pequena, sentado na caixinha de engraxate do tio, que ele começou a prestar atenção em enquadramento, luz e sombra sem saber que aquilo era olhar de fotógrafo.

A primeira pista concreta veio dos gibis. Ele colecionava Marvel, em especial Homem-Aranha, e perdia a hora folheando cada página. Só décadas depois, quando já dava aulas de fotografia, percebeu que os quadrinhos tinham treinado o olho: cada vinheta é praticamente uma foto, com luz, sombra e composição. O gosto por coisas antigas que ele mantém até hoje, das câmeras analógicas ao Fusca que aparece no trailer do documentário Sob a Luz do Parto, nasceu ali.

De balconista a agente penitenciário, três trabalhos ao mesmo tempo

Depois de Presidente Bernardes, veio Flora Rica na adolescência, onde ele trabalhou como balconista na farmácia do Sakai e ensaiou o apelido. Tentou vestibular, fez curso técnico em prótese dentária e exerceu a profissão por doze anos, sempre lendo muito nos intervalos, de Bang-Bang a Sabrina.

A virada profissional veio aos poucos. Passou em concurso público para agente penitenciário em Junqueirópolis, a cidade onde mais morou, e durante um período conciliou três trabalhos: a penitenciária, a prótese dentária e a fotografia. Foi exatamente na penitenciária que nasceu a vontade de filmar, com o amigo Júlio César, depois de produzir o DVD do cover Roberto Seixas em Presidente Prudente. A partir dali, trocaram as ideias na cabeça, compraram a primeira câmera, importada, e em 2008 começaram a fazer trabalhos de filmagem em casamentos e eventos pela região.

O Fusca no trailer e os filmes independentes

O cinema independente entrou na vida do Zero em 2012, com o filme Lusófono, dirigido por Thiago Mattar e escrito por Joaquim Martinho. Zero atuou como assistente de direção, fez a direção de produção e ainda assinou a direção de fotografia. O longa foi gravado em Dracena e lançado no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Depois vieram outros: direção de fotografia em O Passe (de Alex Figueiras, de Presidente Prudente), color grading em uma série de comédia da mesma cidade, e o documentário Sob a Luz do Parto, trabalho pelo qual Zero tem orgulho especial e onde o Fusca dele aparece no trailer.

Essa pegada de cinema veio acompanhada da formação acadêmica. Entre 2013 e 2016, ele cursou faculdade de arte (licenciatura), o que reforçou a identidade de professor ao mesmo tempo em que consolidou a de fotógrafo e cineasta. Desde 2014, também dá oficinas de fotografia e audiovisual em projetos sociais, principalmente para adolescentes em situação de vulnerabilidade.

A fotografia como ferramenta de expressão nos projetos sociais

Entre os capítulos mais marcantes da história estão as turmas de projetos sociais em Ouro Verde, Pacaembu, Adamantina, Junqueirópolis, Dracena e Pontal. Zero estima ter passado por cerca de cem alunos ao longo dos anos.

Ele conta que cerca de 8% a 10% deles seguiram trabalhando com imagem, edição ou cinema, mas lembra com mais carinho dos relatos em que os alunos diziam: “professor Zero, o que aprendi aqui eu uso na minha vida”. Para ele, essa é a parte mais gratificante da profissão, mais até que um casamento bem filmado ou um festival. A fotografia, costuma dizer, é uma linguagem artística, e uma das suas principais funções é exatamente dar voz a quem não a tem.

Onde encontrar

A conversa foi gravada em Dracena, SP, terra onde Zero mantém parcerias e trabalhos. Para acompanhar os filmes, documentários e os bastidores, siga o fotógrafo nos perfis do Instagram:

@zerofotografo @kombicorujinhafilmes @cine_zero

Resumo do episódio

José Roberto, conhecido como Zero, é fotógrafo e cineasta que começou observando luz e sombra em Presidente Bernardes e consolidou carreira no cinema independente. O episódio percorre sua trajetória desde a infância até os projetos sociais em que usa fotografia e audiovisual para dar voz a adolescentes em vulnerabilidade, passando por filmes como Lusófono e o documentário Sob a Luz do Parto.

Principais aprendizados

  • Os quadrinhos funcionam como treino de olho fotográfico ao trabalhar enquadramento, luz, sombra e composição em cada vinheta
  • Zero começou em 2008 a fazer trabalhos de filmagem em casamentos e eventos após produzir um DVD de cover musical
  • O cinema independente entrou na vida de Zero em 2012 com o filme Lusófono, onde atuou como assistente de direção, direção de produção e direção de fotografia
  • A formação acadêmica em arte entre 2013 e 2016 reforçou sua identidade de professor enquanto consolidava a de fotógrafo e cineasta
  • Desde 2014 oferece oficinas de fotografia e audiovisual em projetos sociais, tendo passado por cerca de cem alunos em cidades como Ouro Verde, Pacaembu e Adamantina

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar na fotografia sem formação técnica prévia?

Observar elementos visuais em atividades cotidianas treina o olho fotográfico naturalmente. Quadrinhos e materiais visuais ajudam a desenvolver compreensão de enquadramento, luz e sombra. A formação acadêmica pode vir depois, consolidando conhecimentos já adquiridos na prática.

Como passar de fotografia para cinema e audiovisual?

A transição pode começar com trabalhos em eventos como casamentos, evoluindo para produções maiores. Formação acadêmica em artes ajuda a consolidar técnicas. Oportunidades em cinema independente surgem através de parcerias e colaboração com outros profissionais da área.

Qual é o impacto de ensinar audiovisual em comunidades vulneráveis?

Além de formar profissionais, o trabalho com fotografia e audiovisual oferece ferramentas de expressão pessoal. Alunos relatam aplicar aprendizados em suas vidas cotidianas. A fotografia funciona como linguagem artística para dar voz a quem não a tem.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.