Fernando Zulato e Lorrane Froio foram parar em Palm Springs a convite da Amazon sem nunca ter saído do Brasil antes. A Lorrane descobriu que o evento existia durante uma viagem de trabalho ao Rio de Janeiro, mandou mensagem pro Fernando no mesmo dia avisando que precisavam tirar o visto urgente, e os dois ficaram meses falando em tirar o visto sem tirar. Quando a Amazon entrou em contato perguntando se ela tinha o documento, a resposta era não. Dezoito dias depois, os dois tinham visto americano nas mãos. No episódio 435 do AdamiCast, o casal contou tudo: o desespero da alfândega na volta, os dois jogos de basquete, o Javier com iPad escrito Lorrane na chegada em Los Angeles e a tecnologia que fez o Fernando comprar um produto num estádio sem passar por nenhum caixa.
Como o convite chegou e por que o visto quase ficou para depois
A Lorrane soube do Amazon Creator Summit numa conversa de bastidor durante um evento da Quero-Rastase no Rio. A gerente de contas mencionou que a Amazon levava influenciadoras ao evento nos Estados Unidos e a Lorrane mandou mensagem pro Fernando na hora: precisavam tirar o visto porque, se a oportunidade aparecesse, não queriam perder por falta de documento. Agosto chegou, os dois continuaram falando em tirar, e setembro passou da mesma forma. Quando a Amazon finalmente entrou em contato perguntando se ela tinha o visto, a resposta era não. “Fala que tem”, Fernando sugeriu. Não adiantou.
A correria que veio depois foi real. Contrataram um despachante, preencheram o formulário, foram ao consulado, fizeram a entrevista, e em 18 dias os dois tinham o visto em mãos. A Lorrane ficou doente no dia da entrevista, com dor de garganta, e mesmo assim foi. “Quando é para acontecer, 18 dias resolvem o que normalmente leva mais de um ano”, ela disse. O silêncio depois de enviar o documento para a gerente durou 18 dias. Aí chegou a confirmação: ela estava convidada para Palm Springs, Califórnia.
O mês caótico, a fantasia e a festa que acabava às 10 da noite
Ficar quieta por quase um mês foi o maior sacrifício para a Lorrane. Só a família imediata sabia. Fernando foi ao futebol com os amigos carregando o segredo, assistiu jogo, tomou cerveja e não falou nada. “Eu sofri muito”, admitiu. As outras influenciadoras convidadas estavam combinando no grupo de estender a viagem e levar os maridos, então a conta foi feita na ponta do lápis: passagem do Fernando de ida e volta mais alguns dias de hotel sairia mais barato do que o esperado. O resultado foi decidido rápido: ele foi.
Os preparativos tomaram o mês. A fantasia para a primeira festa chegou dois dias antes, o vestido de gala chegou na semana do evento, e a mala da Lorrane estava praticamente vazia na véspera da viagem. Fernando entrou no modo organização: adaptador, plásticos para o aeroporto, cartão de crédito em dólar estudado com antecedência. O casal viajou pela primeira vez para fora do Brasil com quatro malas e voltou com cinco, sendo que três eram praticamente só de produtos da Amazon.
O Javier, o Cadillac e a chegada em Palm Springs
Depois de uma conexão no Panamá em correria, porque acharam que o aeroporto seria pequenininho e chegaram num dos maiores da América Latina, e de um fiscal de imigração americano que pediu um presente da Amazon como brincadeira antes de carimbar o passaporte, o casal chegou ao saguão de Los Angeles e viu um homem de terno segurando um iPad com o nome “Lorrane” escrito. Era o Javier, motorista da empresa contratada pela Amazon, que já tinha levado Michael Jordan e Jennifer Lopez antes. O carro era um Cadillac gigante. “Mentira”, foi o que a Lorrane conseguiu falar.
A viagem até Palm Springs durou quase duas horas. O Javier falou o tempo todo. Fernando conversou sobre o Brasil, explicou o SUS, vendeu a ideia de saúde pública gratuita para um americano que paga caro até para chamar uma ambulância, e saiu com o número do WhatsApp do motorista e um lanche pago por ele. “Ele disse que tudo que eu contei sobre o Brasil foi muito interessante e fez questão de pagar”, Fernando contou. Palm Springs recebeu o casal com calor seco de deserto, ruas sem fio elétrico visível porque tudo é subterrâneo, e um resort que foi a segunda vez que Fernando confirmou para si mesmo que a Lorrane era fera de verdade.
O Amazon Creator Summit: dois dias de evento, dólares para gastar e a Demi Lovato
O evento funcionava com ativações: a Lorrane passava pelos estandes, escaneava QR codes e acumulava dólares numa conta virtual para gastar na loja do evento. Ao longo dos dois dias, comprou três moletons, blusas, toalha, meia, shorts e uma coleção inteira de itens com a marca do Amazon Creator Summit. As palestras vinham com AirPods Pro de tradução simultânea. No primeiro dia, o fone dela não funcionou porque o iPhone não estava atualizado. No segundo, funcionou para todo mundo.
A palestra que ninguém esperava foi a da Demi Lovato. O nome não tinha sido divulgado com antecedência. Quando a cantora entrou no palco, o ambiente foi ao limite. A foto com ela tinha protocolo: o grupo se posicionava ao redor de um segurança que ficava no lugar dela enquanto o fotógrafo ajustava o enquadramento. Na hora certa, o segurança saía, a Demi entrava, a foto era tirada e ela voltava para a sombra. Rápido e sem celular. A Lorrane esqueceu de postar a foto por semanas depois de voltar. No segundo dia, a convidada foi a Charlotte Tilbury, maquiadora famosíssima, que fez a galera do mundo da maquiagem surtar nos comentários.
Os bastidores do evento: Fernando com os maridos e a diferença cultural
Enquanto as influenciadoras circulavam pelo evento, Fernando ficou com os maridos e parceiros do grupo. A troca que aconteceu ali foi sobre produção de conteúdo, porque a parte de automação e vendas eles já dominavam bem, mas criar conteúdo era onde todo mundo tinha dúvida. Fernando, que acompanhou a Lorrane desde quando ela começou do zero na internet, conseguiu dar retorno real para os outros sobre o processo criativo. “Eu busco ter bagagem para conversar com ela sobre o que ela faz. Se ela fizer isso comigo na área do direito, eu quero conseguir falar de igual para igual”, ele explicou.
A diferença entre o mercado brasileiro e o americano ficou clara numa roda de conversa do segundo dia com influenciadoras da Índia e do Alabama. No Brasil, o foco é promoção: o produto precisa estar com desconto para converter. Nos Estados Unidos, a compra acontece porque a pessoa confia na influenciadora, independente do preço. “Lá uma pessoa com menos seguidores pode faturar mais, porque o mesmo seguidor compra várias vezes por mês”, a Lorrane observou. A influenciadora indiana foi a que mais se aproximou do modelo brasileiro. A do Alabama era outro mundo.
O jogo dos Lakers, o LeBron na beira da quadra e o segundo jogo que não estava nos planos
O ingresso para o jogo do Lakers foi comprado aqui no Brasil antes mesmo de a passagem do Fernando estar confirmada. O Ticket Master funciona com preço dinâmico: quanto mais gente acessa o site para comprar, mais caro fica. Fernando comprou por um valor e quando chegou no jogo o mesmo ingresso estava pela metade. “Se fosse dez vezes mais caro, eu compraria do mesmo jeito”, ele disse. O LeBron não jogou por conta de uma lesão, mas estava sentado no banco de reservas, a alguns metros de distância. O Austin Reeves e o time completo estavam em quadra. Fernando ficou em silêncio na arquibancada pensando no que estava vendo. “Zerei. Se caísse um meteoro ali, tava tudo certo.”
O segundo jogo não estava no roteiro. Fernando viu que o Clippers jogaria contra o Portland Trail Blazers num estádio a poucos quilômetros do hotel, num horário que encaixava no último dia. O ingresso custava muito menos do que o do Lakers. A Lorrane queria ir a Santa Monica. Fernando argumentou que dava para fazer os dois. Ela topou. O Intuit Dome, estádio novo do Clippers, tinha tecnologia de reconhecimento facial na entrada, placar interativo nas poltronas e uma loja sem caixas onde o sistema identificava o que Fernando pegou e debitou automaticamente do Apple Pay quando ele saiu. “Cadê a mão de obra? Não vai existir daqui um tempo”, ele comentou.
Viajar junto, o casal que não converte e a meta que Fernando sempre empurra pra cima
A dinâmica do casal em viagem tem uma regra não escrita: Fernando não converte dólar em real. “A gente separou um orçamento em dólar. Esse dólar é para curtir aqui. Se tá dentro do orçamento, acabou.” A Lorrane sofreu nos dois primeiros dias tentando fazer a conta mentalmente. Ele segurou. No fim, o iPhone comprado por um preço que no Brasil compraria dois dias de viagem ajudou a equalizar a balança. A Cheesecake Factory foi cara e valeu. O Inem, hamburgueria recomendada pelo Javier, foi a melhor refeição da viagem segundo os dois e só existe na Costa Oeste, o que explica por que a maioria dos brasileiros nunca experimentou.
Toda virada de ano o casal tem um ritual: na volta da viagem de fim de ano com a família, cada um lista as metas do ano seguinte. As metas da Lorrane, Fernando sempre empurra para cima antes de fechar. “Nunca aconteceu dela não bater as metas dela. Então eu sempre jogo ela para frente.” A oportunidade da Amazon chegou poucos meses depois de uma viagem ao Rio que nem era de turismo. Em setembro ninguém imaginava que em novembro o casal estaria num resort em Palm Springs depois de atravessar o continente num Cadillac com um motorista que já levou o Michael Jordan. “Falar que não vai acontecer é fácil. Um mês virou tudo de ponta cabeça.”
Los Angeles, o iPhone que cancelou e o problema com o americano na essência
A compra do iPhone começou complicada. O pedido feito pelo site foi cancelado automaticamente por uma divergência no cadastro, e a atendente da loja física informou o problema com pouca disposição de ajudar. “Ela não disse assim, mas foi tipo isso: problema de vocês”, Fernando resumiu. Ele solicitou reembolso pelo site, esperou, e no dia seguinte os dólares voltaram para a conta. Foram direto à loja, compraram na hora sem usar o site. A câmera frontal do novo modelo fez a Lorrane olhar para o próprio celular antigo com outras expectativas. “Parece que caiu a qualidade do meu. Eu sei que eles fazem isso de propósito.”
Nas ruas de Los Angeles, o casal viu carros autônomos todo o tempo. Tentaram pedir um pelo aplicativo, mas o sistema tinha limitação geográfica para não americanos. Um robô de entrega estilo iFood circulava sozinho pela calçada, abria quando o QR code era lido, e voltava ao caminho sem ninguém por perto. Em Beverly Hills, a Rodeo Drive tinha uma loja grife do lado da outra por quarteirões inteiros. O asfalto era perfeito. Ninguém passava na frente quando o casal parava para tirar foto. Um dos únicos momentos de desconforto foi no píer de Santa Monica, onde um grupo de neonazistas estava numa manifestação. “Gelei. Falei vamos embora daqui.”
A Warner, os Friends e o timing certo para visitar
A visita à Warner Bros foi num dia em que a Netflix e a Paramount estavam disputando a compra do estúdio, o que tornou o tour mais significativo. Fernando, que gosta muito de cinema, encheu o olho logo na entrada. O guia fez um tour geral pelos sets, e as partes que mais marcaram foram as de Harry Potter. O sofá dos Friends estava lá. A Lorrane sentou. Fernando filmou. “Se eu descer lá para ficar do lado do LeBron, será que sou expulso dos Estados Unidos inteiro?”, havia sido a pergunta dois dias antes no Lakers. A resposta não chegou porque os dois ficaram na arquibancada.
Viajar junto, o casal que não converte e a meta que Fernando sempre empurra pra cima
A dinâmica do casal em viagem tem uma regra não escrita: Fernando não converte dólar em real. “A gente separou um orçamento em dólar. Esse dólar é para curtir aqui. Se tá dentro do orçamento, acabou.” A Lorrane sofreu nos dois primeiros dias tentando fazer a conta mentalmente. Ele segurou. No fim, o iPhone comprado por um preço que no Brasil compraria dois dias de viagem ajudou a equalizar a balança. A Cheesecake Factory foi cara e valeu. O Inem, hamburgueria recomendada pelo Javier, foi a melhor refeição da viagem segundo os dois e só existe na Costa Oeste, o que explica por que a maioria dos brasileiros nunca experimentou.
Toda virada de ano o casal tem um ritual: na volta da viagem de fim de ano com a família, cada um lista as metas do ano seguinte. As metas da Lorrane, Fernando sempre empurra para cima antes de fechar. “Nunca aconteceu dela não bater as metas dela. Então eu sempre jogo ela para frente.” A oportunidade da Amazon chegou poucos meses depois de uma viagem ao Rio que nem era de turismo. Em setembro ninguém imaginava que em novembro o casal estaria num resort em Palm Springs depois de atravessar o continente num Cadillac com um motorista que já levou o Michael Jordan. “Falar que não vai acontecer é fácil. Um mês virou tudo de ponta cabeça.”
Resumo do episódio
Fernando e Lorrane viajaram aos Estados Unidos a convite da Amazon para o Creator Summit em Palm Springs, sua primeira saída do Brasil. O casal tirou o visto em 18 dias, assistiu a jogos da NBA, conheceu Demi Lovato e Charlotte Tilbury no evento, explorou Los Angeles e descobriu diferenças significativas entre o mercado de influência brasileiro e americano, onde confiança na marca importa mais que desconto.
Principais aprendizados
- O visto americano pode ser obtido em 18 dias se houver urgência e contratação de despachante, contrariando a expectativa comum de demora prolongada.
- O mercado americano de influência valoriza a confiança do consumidor no criador independentemente do preço, enquanto o Brasil prioriza promoções e descontos para conversão.
- Influenciadores com menos seguidores nos Estados Unidos podem faturar mais porque o mesmo seguidor compra várias vezes por mês.
- A tecnologia de reconhecimento facial e sistemas automáticos de compra já está em uso em estádios americanos, identificando produtos sem necessidade de caixas tradicionais.
- O dinâmicas de casal em viagem funcionam melhor quando um deles não converte moeda estrangeira em real, mantendo o orçamento separado por moeda.
Perguntas respondidas neste episódio
Como o convite da Amazon para o criador chegou?
A gerente de contas da Quero-Rastase mencionou durante um evento no Rio que a Amazon levava influenciadoras ao Amazon Creator Summit nos Estados Unidos, e a informação chegou durante uma conversa de bastidor.
Quanto tempo leva para tirar visto americano em caso de urgência?
Com contratação de despachante e agilidade no processo, é possível obter o visto em 18 dias, passando por consulado, entrevista e documentação necessária.
Como funciona a dinâmica de compras no mercado americano de influência?
A compra acontece porque a pessoa confia na influenciadora, independente do preço. Um mesmo seguidor tende a comprar várias vezes por mês, permitindo que criadores com menos seguidores faturam mais comparado ao modelo brasileiro.
Como funcionava o sistema de compras no Intuit Dome do Clippers?
O estádio tinha tecnologia de reconhecimento facial na entrada e uma loja sem caixas onde o sistema identificava automaticamente o que o cliente pegava e debitava do Apple Pay ao sair do local.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.