#417

Fé que vai à rua: a história de Juliana e Jéssica da Missão Resgate | #417

21 de agosto de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #417 do AdamiCast

Em Dracena, toda terça-feira à noite, um grupo de pessoas se reúne em praças, rodoviárias e qualquer espaço aberto para rezar e ouvir. Não há palco, não há microfone, e muitas vezes o público é formado por moradores de rua, dependentes químicos ou pessoas que simplesmente passavam pelo caminho. É assim que funciona a Missão Resgate, criada por Juliana Pereira e integrada também por Jéssica Elen.

Neste episódio do AdamiCast, as duas contam como chegaram até esse chamado: um sonho com um terço na praça, a morte de um amigo que mudou tudo, e histórias que provam que às vezes a maior fé é a que se pratica descalço no chão.

Um sonho, uma praça e um chamado que não largava

Tudo começou em 2015, a partir de um sonho que Juliana teve. No sonho, ela estava no centro de Dracena com um terço de misericórdia, metade branco e metade vermelho, enquanto carros se chocavam e pessoas machucadas se levantavam e vinham até ela conforme ela rezava. Acordou sem entender, mas o incômodo não passou. Depois de conversar com um conhecido na Igreja Matriz, a confirmação veio: Deus mostra para várias pessoas o que quer fazer de forma grandiosa.

Com esse empurrão, Juliana reuniu um grupo pequeno, às vezes oito, às vezes doze pessoas, e foi para a praça rezar o terço de sexta-feira à noite. O lugar tinha histórias difíceis: adolescentes que usavam drogas, moradores de rua. Numa das primeiras noites, ela se aproximou de um grupo que usava drogas no local e os convidou a participar. Eles jogaram a droga fora e foram.

O amigo que partiu e a missão que ficou

Juliana chegou a parar com o movimento por um tempo, passando cinco anos afastada. Mas o chamado, nas palavras dela, cobrava todos os dias. Um amigo que ela havia trazido para o grupo deu continuidade ao trabalho, criou vigílias, foi para outro país, e então morreu. No velório, ela sentiu com clareza a mensagem: aqui você assume. Porque não pode parar.

Foi a partir desse momento que a Missão Resgate ressurgiu com nome novo e propósito renovado. O primeiro encontro foi no quintal da casa de Juliana, com poucas pessoas, mas o espírito era outro. A Jéssica foi desde o início: convidada para tocar violão, disse não, mas foi assim mesmo.

Jéssica: a conversão que começou em 2011

Jéssica Elen entrou na história depois, mas sua trajetória é também marcada por um encontro radical com a fé. Em 2011, ela passou por um momento muito difícil e tentou tirar a própria vida. Diz que foi a primeira vez que ouviu claramente uma voz dizer: você vai se levantar, vai perdoar e vou fazer você pescador de homens. A partir daí, veio um processo longo de conversão, seminários, retiros e o acampamento de 2014.

Quando Juliana a chamou para a missão, Jéssica reconheceu que era ali que estava faltando algo. Hoje ela atua como uma voz mais calma dentro do grupo, tocando violão e sendo aquela presença que ouve mais do que fala, especialmente nas idas às ruas e à rodoviária.

Talita, violência e o poder de um testemunho

Uma das histórias mais marcantes contadas no episódio é a de Talita, uma mulher que vivia um relacionamento abusivo com agressões psicológicas e físicas. Juliana foi até sua casa, acompanhou-a à missão, ajudou a registrar a denúncia, tirou os móveis e a levou para morar em sua própria casa. Havia ameaças, seguimentos até o CAPS, um caderno onde Talita havia escrito a data em que pretendia tirar a vida.

Juliana ficou de olho até aquela data passar. Hoje Talita está bem, comemora mais um “aniversário de nascimento” e faz questão de lembrar: se não fosse você, eu não estaria viva. A história da Talita também abriu os olhos de Juliana para a violência psicológica, uma forma de abuso que muitas mulheres não percebem que estão vivendo.

Williams, a pousada e o terço que tocou o chão

Williams era um morador de rua de Dracena que havia estudado, frequentado igrejas e acabado na dependência química. Numa das missões na praça, ele se aproximou, tirou o chinelo antes de sentar no chão e disse depois que Deus havia falado com ele: tire as sandálias, porque aqui o chão é santo. Juliana o levou para casa, organizou uma vaga na pousada para tratamento e durante meses acompanhou cada passo.

Williams saiu das ruas e hoje está em Assis, sem usar drogas e trabalhando. Na semana do podcast, Juliana ligou para avisá-lo que estaria na cidade em breve. Ele respondeu que ia morrer de emoção. A Missão Resgate também evangeliza regularmente na pousada de tratamento de dependentes, a cada quinze dias, e realiza retiros para os acolhidos.

A missão é ser igreja fora da igreja

Para Juliana e Jéssica, a Missão Resgate não é um grupo para resgatar dependentes químicos ou moradores de rua. É um espaço onde primeiro a própria pessoa é resgatada. “Pessoas feridas ferem, pessoas curadas curam”, resume Juliana. O propósito é que quem faz parte da missão possa viver fora da igreja aquilo que professa dentro dela.

O grupo é aberto a qualquer pessoa, independente de religião. Toda terça-feira a missão acontece em algum ponto de Dracena, seja numa praça, numa capéla ou numa rodoviária. O lema da camiseta diz tudo: a igreja que impacta o mundo não é a que está indo, é a que está sendo.

Onde encontrar

A Missão Resgate realiza seus encontros toda terça-feira em Dracena, SP. Para saber o local da semana, acompanhe as redes sociais. Você pode encontrar Juliana, Jéssica e a Missão Resgate pelo Instagram: @missaoresgateee, @julianapereiracruz_ e @jessicaelen9.

Resumo do episódio

Juliana Pereira e Jéssica Elen contam como criaram a Missão Resgate em Dracena, um movimento que reúne pessoas toda terça-feira em praças e rodoviárias para rezar com moradores de rua, dependentes químicos e quem mais passar pelo caminho. O trabalho começou com um sonho de Juliana sobre um terço na praça em 2015, interrompeu-se por cinco anos, e ressurgiu com nome e propósito renovados após a morte de um amigo que continuava o movimento. Histórias como a de Talita, vítima de violência doméstica, e Williams, que saiu das ruas, mostram como a fé praticada descalço no chão transforma vidas.

Principais aprendizados

  • A Missão Resgate começou a partir de um sonho que Juliana teve em 2015 com um terço de misericórdia na praça de Dracena.
  • O movimento interrompeu por cinco anos, mas retomou após a morte de um amigo que dava continuidade ao trabalho, quando Juliana sentiu claramente que precisava assumir.
  • Juliana acompanha pessoalmente as pessoas que a missão atende, desde registrar denúncias até oferecer hospedagem em sua própria casa.
  • Jéssica Elen teve uma experiência mística em 2011 quando tentou tirar a própria vida e ouviu uma voz dizendo que seria pescadora de homens.
  • A missão funciona toda terça-feira em praças, capelas e rodoviárias de Dracena, aberta a qualquer pessoa independentemente de religião.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começou a Missão Resgate em Dracena?

Tudo começou em 2015 a partir de um sonho de Juliana, que viu a si mesma rezando um terço de misericórdia na praça enquanto carros se chocavam e pessoas machucadas se aproximavam dela. Após conversar com alguém na Igreja Matriz, decidiu reunir um pequeno grupo para rezar o terço de sexta-feira à noite na praça.

Por que a Missão Resgate quase desapareceu e depois voltou?

Juliana parou com o movimento por cinco anos, mas um amigo que havia entrado no grupo deu continuidade ao trabalho, criou vigílias e depois morreu. No velório, ela sentiu a mensagem clara de que precisava assumir a missão. A partir desse momento, a Missão Resgate ressurgiu com nome novo e propósito renovado.

Quem é Jéssica Elen e qual seu papel na missão?

Jéssica Elen teve uma experiência mística em 2011 quando tentou tirar a própria vida e ouviu uma voz dizendo que se levantaria, perdoaria e seria pescadora de homens. Quando Juliana a chamou para a missão, ela reconheceu que era ali que faltava algo. Hoje atua como uma presença que ouve e toca violão nas idas às ruas e à rodoviária.

Como a Missão Resgate funciona e quando acontece?

A missão reúne-se toda terça-feira à noite em algum ponto de Dracena, em praças, capelas ou rodoviárias. Não há palco nem microfone, e o público é formado por moradores de rua, dependentes químicos ou pessoas que simplesmente passam pelo caminho. O grupo é aberto a qualquer pessoa, independente de religião.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.