Em 2020, no silêncio da pandemia, Rodrigo, Thaís e Juliana, de Monte Castelo, SP, tomaram uma decisão simples: não deixar a fé esfriar. O que começou como uma página no Instagram para rezar o terço ao vivo cresceu, tijolo por tijolo, até se tornar a Comunidade Filhos de Maria, um projeto que hoje une dezenas de pessoas em torno de uma capelinha histórica abandonada e de um desejo comum de servir.
Neste episódio do AdamiCast, os três fundadores sentaram com Pedro e Mariana para contar como uma live de rosário virou mutião de limpeza, galinhada beneficente, grupo de música e, finalmente, uma comunidade organizada com cordãozinho de compromisso e tudo. É uma conversa sobre fé, constância e o que acontece quando a gente diz sim para Deus, mesmo sem ter um real no bolso.
Uma página no Instagram no meio da pandemia
Tudo começou em 2020, quando Rodrigo criou a página “Filhos de Maria” no Instagram, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. O objetivo era simples: manter a fé viva durante o isolamento. Ele fazia lives de terço, novenas e publicava frases de santos. Por muito tempo, conduziu tudo no anonimato, e poucos em Monte Castelo sabiam quem estava por trás dos posts.
A página foi crescendo e atraindo pessoas de cidades distantes. Uma seguidora do Maranhão, a Rosalba, acompanha desde as primeiras lives em 2020 e virou amiga da família. Com o tempo, o projeto tomou forma: ao fim de 2023 veio uma nova disposição e, a partir daí, a ideia de evangelizar também de forma presencial.
Das telas para as ruas: o projeto Placas da Fé
O próximo passo foi o projeto “Placas da Fé”, que levou frases de santos e músicas religiosas para as ruas de Monte Castelo. A equipe arrecadou caixinhas de madeira, tintas e displays, pintou mensagens e as espalhou por toda a cidade, especialmente no trajeto de caminhada onde muita gente passa à tarde. Uma das placas dizia: “Se cansar, lembre de Jesus e continue a caminhar.”
Foi nesse projeto que Rodrigo conheceu Juliana e Thaís. Juliana conta que acompanhava a página sem saber quem era o criador, ficou curiosa, mandou mensagem no privado e, quando descobriu a identidade de Rodrigo, já topou entrar no projeto. As três personalidades se encaixaram na hora: animação, disposição para servir e muita coragem para fazer acontecer.
A capelinha de 1955 e o sonho de reconstruir
Rodrigo então mostrou às meninas uma foto de uma capelinha abandonada num sítio a cerca de cinco quilômetros da cidade. A construção datava de 1955, doada à Diocese de Marília pelo dono das terras, com escritura registrada. Décadas de abandono deixaram as paredes rachando ao meio, sem estrutura, com animais se abrigando dentro e madeiras armazenadas onde havia altar.
Em questão de dias, os três já estavam conversando com pedreiro. Uma engenheira, a Taísa, fez a planta. Mutiões de limpeza reuníram membros da comunidade que nem sabiam ainda que seriam membros. Do nada chegou um caminhão com material de construção, doação de um senhor chamado seu João, que também se propôs a bancar toda a parte elétrica. A obra avançou aos poucos, custeada por vendas de cones trufados, tapetes, panos de prato e galinhadas, tudo feito até a madrugada quando necessário.
A primeira reza na escuridão e a presença de Maria
Antes do primeiro grande encontro da comunidade, o grupo foi rezar um terço luminoso dentro da capelinha ainda sem luz elétrica. Seis pessoas acenderam velas no escuro e rezaram. Em determinado momento, a chama de uma das velas formou o contorno de Nossa Senhora. Juliana cutucou Rodrigo em silêncio: era o sinal que eles precisavam para seguir.
Esse momento recarregou o grupo para o encontro que estava por vir. O que se esperava reunir 20 ou 30 pessoas chegou a 60 no dia, vindas de quatro cidades: São João do Pau D’Alho, Tupi Paulista, Nova Guataporanga e Monte Castelo. Cada membro recebeu um cordãozinho como símbolo do compromisso com a comunidade.
Testemunhos de fé no cotidiano
Juliana trouxe um testemunho pessoal que tocou fundo: buscando mudar de emprego, foi à capelinha dedicada a São José, o padroeiro original daquele local, e escreveu uma carta colocando debaixo da imagem do santo. Sem ter deixado currículo em lugar nenhum, recebeu uma ligação do nada para uma entrevista. Três dias depois, estava contratada, num trabalho em que é feliz até hoje.
Rodrigo também falou sobre como a fé sustentou a trajetória dele desde pequeno: do acólito que serviu por oito anos, passando por catequese e pastoral de comunicação, até chegar à página e à comunidade. Para ele, o segredo não está só em servir, mas em manter a oração como combustível, mesmo quando tudo vai de mal a pior.
Próximos passos: luau na capelinha e muito mais
A comunidade já tem calendário: encontros a cada dois meses, o próximo programado para abril no gramado em frente à capelinha, num formato de luau. Maio, mês de Maria, guarda uma surpresa das mulheres da comunidade. A galinhada beneficente é o projeto imediato para arrecadar recursos e continuar a reforma, com a meta de instalar portas, vitrôs e piso.
O sonho maior é construir um barracão no terreno para retiros, acampamentos e eventos da igreja, devolvendo à comunidade de Monte Castelo um espaço que 70 anos atrás era palco de quermesses, missas e forró no campo de futebol ao lado. O grupo também planeja um documentário sobre a história da capelinha, entrevistando os mais velhos que ainda se lembram de como era. Seu João, que doou o material de construção, ficou emocionado ao ver a movimentação no local onde participou de missas na infância.
Onde encontrar
A Comunidade Filhos de Maria é de Monte Castelo, SP, e gravou este episódio em Dracena, SP. Siga o projeto no Instagram: @filhos__de__maria
Resumo do episódio
Em 2020, durante a pandemia, Rodrigo, Thaís e Juliana criaram a página Filhos de Maria no Instagram para manter viva a fé através de lives de terço. O projeto evoluiu de posts religiosos para ações presenciais, incluindo placas com mensagens espirituais nas ruas de Monte Castelo, reforma de uma capelinha abandonada desde 1955 e a formação de uma comunidade organizada que hoje reúne dezenas de pessoas de várias cidades em torno de um projeto de evangelização e reconstrução de um espaço histórico.
Principais aprendizados
- Uma página no Instagram dedicada a rezas e conteúdo religioso cresceu e conectou pessoas de cidades distantes durante o isolamento da pandemia.
- O projeto Placas da Fé levou frases de santos e mensagens religiosas para as ruas de Monte Castelo, impactando quem caminhava pela cidade.
- A capelinha data de 1955, foi doada à Diocese de Marília e permaneceu abandonada durante décadas até ser recuperada pela comunidade.
- A reconstrução da capelinha foi financiada através de vendas de cones trufados, taperes, panos de prato e galinhadas feitas até a madrugada quando necessário.
- Os membros da comunidade recebem um cordãozinho como símbolo de compromisso, e os encontros acontecem a cada dois meses com participantes de quatro cidades diferentes.
Perguntas respondidas neste episódio
Como a Comunidade Filhos de Maria começou?
Tudo começou em 2020 quando Rodrigo criou a página Filhos de Maria no Instagram para manter a fé viva durante a pandemia. Ele fazia lives de terço, novenas e publicava frases de santos. O projeto cresceu, atraiu pessoas de cidades distantes e evoluiu para ações presenciais no fim de 2023.
Como a comunidade conquistou recursos para reformar a capelinha?
Os recursos foram arrecadados através de vendas de cones trufados, tapetes, panos de prato e galinhadas, tudo feito até a madrugada quando necessário. Além disso, um senhor chamado seu João doou um caminhão com material de construção e se propôs a bancar toda a parte elétrica.
Qual é a história da capelinha que a comunidade está restaurando?
A capelinha foi construída em 1955 e doada à Diocese de Marília pelo dono das terras, com escritura registrada. Passou décadas abandonada, com paredes rachadas, sem estrutura adequada e animais abrigando-se dentro. A comunidade iniciou sua reconstrução com mutiões de limpeza e reformas estruturais.
Qual é o simbolismo do cordãozinho na comunidade?
O cordãozinho é entregue a cada membro como símbolo do compromisso com a comunidade. Todos os participantes do primeiro grande encontro receberam um cordãozinho, representando sua dedicação ao projeto.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.