Neste episodio do AdamiCast, Mariana e Pedro Adami receberam pai e filho Jefferson e Bruno Benete, à frente do Supermercado São João e do recem-chegado Emporio de Italia. A conversa passeou por quase oito decadas de historia de uma empresa familiar que comecou numa casinha de tabua em Tupi Paulista e hoje chega à quarta geracao, alem de revelar os bastidores de um novo conceito de loja que vem conquistando Dracena e regiao.
De uma casinha de tabua à quarta geracao
Jefferson contou que tudo comecou em 1946, quando seu avo e o irmao dele, vindos de Promissao, montaram o primeiro ponto de venda em Tupi Paulista. Ao longo do tempo a familia foi crescendo junto com o negocio, que abriu filiais mas tambem enfrentou, como costuma acontecer em empresas familiares, “problemas internos, familiares mesmo”, que geraram mudancas na sociedade ao longo das decadas. Hoje a Benete Comercial conta com tres lojas do Supermercado São João, sendo a matriz em Tupi Paulista e filiais em Panorama e Ouro Verde. Jefferson destacou o feito de chegar à quarta geracao com o Bruno, algo raro no Brasil: “Se eu não me engano, são 3% das empresas só que chegam na quarta geracao. Então nos somos vencedores, com todas as tempestades que nos passamos, com toda a historia que nos temos de suor, sangue e lagrimas.”
Bruno voltou para Tupi Paulista e Dracena em 2009 apos cursar administracao e viver fora do pais, e assumiu efetivamente a empresa aos 24 anos, quando o pai decidiu se afastar da operacao. A relacao entre os dois, segundo eles, e marcada por divergencias raras mas saudaveis: “Como eu tive dificuldade pra cima, eu não posso passar essa dificuldade pra baixo”, resumiu Jefferson, lembrando que sua propria relacao com o pai foi mais rigida do que a que construiu com o filho.
O nascimento do Emporio de Italia
A ideia de criar uma loja com produtos diferenciados nasceu de uma necessidade que Bruno sentiu ao morar fora e voltar para a regiao. “Eu sentia que na nossa regiao faltava uma loja para atender um publico mais diferenciado. Nos tinhamos que ir para Prudente, às vezes ate para mais longe, para conseguir comprar um vinho diferente, para conseguir comprar um presunto de Parma”, explicou. A primeira unidade foi aberta em Tupi Paulista em 2022, num ponto que já havia sido um tradicional mercadinho da cidade, e em abril deste ano chegou a segunda loja, em Dracena.
O conceito nasceu justamente para separar dois publicos e dois climas de compra distintos. Segundo Bruno, tentar inserir esse mix dentro do supermercado tradicional não funcionaria: “O supermercado e um sistema de volume, não existe outra. A margem e pequena, voce precisa girar para fazer a coisa funcionar.” Ja o Emporio permite um atendimento mais pessoal, com equipe treinada e ambiente proprio, inclusive com trilha sonora diferente do supermercado. A loja conta com cerca de 2 a 3 mil itens, contra os 15 mil SKUs do supermercado, e traz desde queijos importados e nacionais ate charcutaria fortemente importada, com presunto de Parma e salames italianos. Nas sextas e sabados, um enologo fica disponivel na loja para ajudar os clientes a harmonizar vinhos com o que sera servido em casa.
Pai e filho, dois mundos diferentes
Um dos pontos altos da conversa foi o contraste de geracoes. Jefferson lembrou como foi estudar em São Paulo, no Mackenzie, vindo do interior, e o choque cultural que viveu. Ja Bruno passou por experiencia parecida ao fazer intercambio no Canada aos 16 anos e depois cursar administracao no Insper, convivendo com colegas que tinham uma realidade completamente diferente da sua. Jefferson recordou a epoca em que se comunicar com a familia exigia ir ate a sede da Telesp em São Paulo e esperar horas por uma ligacao interurbana, enquanto Bruno viveu a chegada do primeiro iPhone durante uma pos-graduacao nos Estados Unidos em 2007.
Apesar da distancia de decadas entre as duas experiencias, os dois concordam que a adaptacao e o que garante a longevidade de uma empresa e de uma familia. “Não e que eu falo que quem dura mais não e o cara que ganha, que mais sabe. Não, e o cara que se adapta melhor”, resumiu Jefferson. Essa abertura a mudancas tambem aparece na relacao profissional: segundo Bruno, o pai sempre foi receptivo a novas ideias, como ja havia acontecido no passado com a BCMix, um formato de loja que fez sucesso durante anos antes de ser encerrado por outros motivos.
Pandemia, tecnologia e o jeito de comprar
A dupla tambem refletiu sobre como a pandemia acelerou processos que já vinham em curso, como vendas por WhatsApp e o atendimento virtual com fornecedores, que hoje responde por cerca de 70% do relacionamento comercial da empresa, contra o presencial que prevalecia antes. Ainda assim, os dois acreditam que a compra presencial não vai desaparecer, principalmente na área de perecíveis. “A dona de casa quer ir lá mesmo sabendo que vai vir tudo bonitinho, tudo caprichado. Ela quer o poder da escolha”, disse Bruno, lembrando que as pessoas gostam de escolher pessoalmente frutas, carnes e produtos de padaria.
Tambem trataram dos bastidores pouco visiveis da operacao de um supermercado, como o alto custo de equipamentos (um fatiador de frios pode custar 25 mil reais), a necessidade de reformar lojas a cada dez anos para não ficarem obsoletas, e as dificuldades logisticas ligadas à circulacao de moedas, cada vez mais raras no dia a dia do caixa. Segundo Jefferson, a tendencia e que o dinheiro em especie desapareca por completo nos proximos anos.
Planos para o futuro
Questionados sobre novidades, pai e filho preferiram não adiantar detalhes, mas confirmaram que ha projetos em andamento, incluindo uma futura reforma na loja de Ouro Verde, para a qual ja foi comprado um terreno vizinho visando ampliacao. Sobre o Emporio de Italia, o planejamento inicial do negocio já prevê a abertura de ate cinco lojas, ainda sem cidade definida, mas Bruno destacou que oportunidades inesperadas tambem podem direcionar essa expansao. Em Dracena, a unidade já superou as expectativas de faturamento da familia, especialmente entre o publico de renda mais alta, mas segue pensada para atender tambem o entorno com pao, frios e um mix mais enxuto porem de qualidade elevada, sempre com precificacao competitiva e sem abrir mao da rentabilidade que sustenta o negocio.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @saojoaosuper e @ditaliaemporio.
Resumo do episódio
O episódio traz Jefferson e Bruno Benete, pai e filho à frente do Supermercado São João e do Empório de Itália, contando como o negócio nasceu em 1945 em Tupi Paulista e chegou à quarta geração. Eles explicam a diferença de modelo entre o supermercado tradicional, focado em volume e classes populares, e o Empório, voltado a um mix diferenciado de produtos importados, queijos, vinhos e charcutaria com atendimento personalizado. Também discutem os efeitos da pandemia na digitalização das vendas, os custos ocultos de operar um supermercado, a sucessão familiar e o impacto de terem estudado e morado fora do país na visão de negócio.
Principais aprendizados
- Empresas familiares raramente chegam à quarta geração, e a Benete Comercial cita esse feito como resultado de décadas de adaptação e superação de conflitos internos.
- Um supermercado e um empório exigem modelos de negócio distintos porque um trabalha com alto volume e margem pequena e o outro com mix diferenciado e atendimento mais personalizado.
- A pandemia acelerou a digitalização das negociações com fornecedores e das vendas por WhatsApp e site, e parte dessa mudança permaneceu mesmo depois do período crítico.
- Equipamentos de supermercado como fatiadores e balanças têm custo elevado e precisam ser trocados por exigências regulatórias, o que explica parte do custo operacional alto do setor.
- A compra presencial de perecíveis como carnes, pães e frutas tende a resistir ao crescimento do comércio online porque o cliente valoriza o poder de escolha direta do produto.
Perguntas respondidas neste episódio
Qual a diferença entre o supermercado São João e o Empório de Itália?
O supermercado São João atende um público amplo com um volume grande de itens, cerca de 15 mil produtos, focado em preço e giro rápido, atendendo principalmente as classes C e D. Já o Empório de Itália trabalha com um mix menor, entre 2 e 3 mil itens, voltado a produtos diferenciados como vinhos, queijos importados e charcutaria, com atendimento mais personalizado e ambiente pensado para uma experiência de compra distinta, sem abrir mão de preços competitivos.
Como a pandemia mudou a forma de comprar e vender no comércio local?
Durante a pandemia houve necessidade de reforçar o abastecimento e adotar cuidados como distanciamento e máscaras. Ao mesmo tempo, se desenvolveram vendas por WhatsApp e a criação de um site próprio. As negociações com fornecedores também migraram para o formato virtual, e essa mudança permaneceu depois do período mais crítico, reduzindo bastante as visitas presenciais de representantes.
Por que a compra presencial de alimentos frescos não deve acabar mesmo com o crescimento das compras online?
Segundo a experiência relatada, o cliente quer o poder de escolha na hora de comprar itens como carnes, frutas e pães, pois deseja ver e selecionar pessoalmente o produto, verificando qualidade, aparência e detalhes como a capa de gordura de uma carne. Já produtos industrializados, que têm padrão fixo, como sabão em pó ou detergente, são mais fáceis de comprar online porque não exigem essa escolha individual.
Quais são os custos escondidos de manter um supermercado funcionando?
Além da reposição constante de mercadorias e pagamento de salários e impostos, existem gastos altos com manutenção de equipamentos, como balanças que custam caro e precisam ser atualizadas por exigências do governo, fatiadores de frios que podem custar 25 mil reais, câmaras frias, climatização do ambiente e consumo elevado de energia com refrigeração. Esses custos operacionais tornam a atividade mais cara do que muitas pessoas imaginam.
Por que ainda falta troco e dinheiro em espécie no comércio, mesmo com o crescimento do pagamento digital?
O transporte de moedas é caro e pouco lucrativo para as transportadoras de valores, já que elas são remuneradas por um percentual do valor transportado, mas a moeda tem peso alto e valor baixo, o que gera prejuízo no transporte. Além disso, muitas pessoas guardam moedas em casa em vez de usá-las, o que reduz ainda mais a circulação e provoca falta de troco constante nos estabelecimentos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.