Quando Fran Misturini começou a filmar o marido, Antonio Carlos, em casa, em Dracena, há cerca de cinco anos, ele fechava o rosto, abaixava o short, e pedia para ela não postar. Ela filmava assim mesmo, porque, segundo ela conta no episódio, sempre viu nele o tipo de presença que as pessoas não têm em casa. O que mudou foi uma mulher que passou de carro na rua gritando o nome dele, pedindo para fazer uma dancinha. Dois meses depois, ele fez a dancinha. E o que estourou de verdade foi o vídeo seguinte, o do Antonio pulando a cerca com a mala, o cachorro mordendo a mala, e a Fran quase morrendo de rir, sem conseguir parar a gravação porque, se parasse, ele não faria outro. A história, contada no episódio #185 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de um casal que, em cinco anos, saiu de filmagens escondidas para receber bolo na prefeitura, e que descreve, com a clareza de quem já peneirou muita crítica, o que é preciso para virar referência em conteúdo no interior.
Ao longo de mais de duas horas de conversa, Fran e Antonio mostraram que a diferença entre quem posta e quem vira referência não é talento isolado, e sim uma combinação de insistência, de identidade, e de uma certa paciência para ouvir o que presta e descartar o que não presta. Eles descreveram o trabalho de bastidor, o equipamento que ainda está chegando, e o bolo que a primeira-dama de Dracena entregou para a Fran, dentro da prefeitura, depois do reconhecimento da cidade. Também contaram, com a franqueza de quem já recebeu crítica de todo tipo, que a regra é ouvir os que já realizaram, e não os que nunca fizeram nada, e que a frase que segurou a Fran nos dias difíceis veio de um ministrador que ela citou: “nunca perca a sua identidade.” É a história de quem construiu a carreira junto, dentro de casa, antes de construir o público do lado de fora.
O marido que não queria aparecer e a mulher que filmava escondido
Fran já produzia conteúdo em Dracena antes do Antonio entrar para a câmera. Segundo ela conta, ele sempre foi engraçado, do tipo que ela casou, e que ela filmava em casa, escondido, desde o começo. Ele não gostava. Quando ela ligava a câmera, ele erguia o short, abaixava, fechava o rosto. “Ele não deixava eu filmar.” A Fran insistia, do jeito dela, sem brigar, e repetia que a presença dele era o que faltava nos conteúdos que ela via por aí. Foi assim que, há uns cinco anos, quando a Fran percebeu que a dancinha do casal era a trend do momento, ela propós o vídeo. Ele recusou. A insistência virou meses, até o episódio da mulher na rua.
Foi em um dia normal, segundo Fran, na rua perto da casa da Pedrina, em Dracena, que uma mulher passou de carro gritando o nome dele e pedindo para ele fazer a dancinha. A situação constrangeu, e o Antonio, depois daquele dia, voltou para casa com a determinação de fazer a trend, mesmo a contragosto. “Eu passei uns dois meses depois disso aí, depois você fez.” A dancinha foi o primeiro vídeo do casal, e foi o que mudou a relação do Antonio com a câmera. Ele passou de marido que fechava o rosto para marido que topa ser filmado, e foi esse novo Antonio que, na sequência, protagonizou o vídeo que fez a Fran chorar de rir em público.
A dancinha, a cerca e o cachorro que mordeu a mala
O vídeo que definiu o começo do casal foi o da cerca, e a Fran conta com um detalhe que resume o tom do que viria depois. A ideia original era simples: ela fugia com a Pedrina, ele pulava a cerca atrás, e o vídeo terminava com a pegadinha. Mas, segundo ela, a Gabi, a produtora, trocou o roteiro na hora, e ela e o Antonio tiveram que improvisar. “Eu vi a mala passando pela minha cabeça, o Antonio caindo atrás de mim, eu não aguentei.” O que ela não conta na hora, e que ela admite depois, é que ela quase parou a gravação de tanto rir, mas não parou, porque sabia que, se parasse, ele não aceitaria refazer. É o tipo de decisão que define o tipo de conteúdo que o casal passou a fazer.
O vídeo teve o cachorro mordendo a mala, e a Fran com o rosto vermelho de tanto segurar o riso. Foi o que viralizou. Foi também o que ensinou ao Antonio a lógica da coisa, segundo ela: o vídeo bom não é o planejado, é o que acontece quando eles não controlam tudo. “Hoje em dia dá para editar também, mas eu gosto que saia bem natural.” Foi a partir daí que a Fran passou a filmar mais, e que o Antonio passou a aceitar ser filmado, com a condição de não fazer o que ele não gosta. Ela ri, ele encarna, e a tendência é a de ele ficar cada vez mais à vontade. “Olhar pra cima, pra lateral, já explodiu demais.” Foi o que ela disse, sobre o episódio do Pão, em que ele faz o papel do marido que leva a maldade a sério, e ela não aguenta a cena.
Dracena, Junqueirópolis e o bolo da prefeitura
Fran e Antonio moram em Dracena, e o público maior deles, segundo ela conta, é de Dracena e de Junqueirópolis, com algum alcance em outras cidades da região. É aí que a história muda de registro, e o reconhecimento começa a aparecer fora da internet. Fran conta que o próprio prefeito e a primeira-dama de Dracena já os procuraram para pensar em ações da cidade, e que a primeira-dama já entregou, dentro da prefeitura, um bolo em homenagem ao trabalho dela. “Se amanhã eu chegar no topo, ficar muito milionária, reconhecida mundialmente, ok, mas é muito mais gratificante quando as pessoas de onde você nasceu te honram.” A frase é da Fran, e ela serve como princípio do que o casal construiu.
O paralelo que ela faz, com clareza, é o do Carlinhos Maia, que citou no episódio como exemplo de criador que levou a cidade dele para o mapa. É o tipo de comparação que ela usa sem medo, e que ela defende com a experiência de quem já viveu o lado de ser criticada por vizinho, e o lado de ser reconhecida pela prefeitura. A Fran, no episódio, lembra que, no início, muita gente da cidade chamava ela de “blogueirinha”, e ela conta que esse tipo de crítica, em cidade pequena, é o que mais dói, e o que mais pesa. Foi a partir daí que ela decidiu o tipo de pessoa que não escuta, e o tipo de pessoa que escuta, e construiu a carreira a partir do que presta, e não do que machuca.
5 anos que parecem um, a peneira das críticas e os parceiros do começo
Uma das partes mais úteis do episódio, para quem cria conteúdo ou está começando, é o que a Fran conta sobre a passagem do tempo, e sobre como ela lida com a crítica. Segundo ela, há cinco anos ela já estava produzindo, e só agora é que muita gente começou a notar. “Ninguém vai lembrar o que você fez ontem, ninguém vai lembrar o que você fez o mês passado, mas os parceiros que estão com você há cinco anos vão lembrar.” Foi o que ela disse, e é o que ela explica quando pergunta por que honra os primeiros patrocinadores. É o tipo de regra que ela diz ter tirado do Adolfo, que apostou no podcast do Pedro e da Mariana antes de qualquer coisa, e do Felipe Tito, que repetia: “apoiar quando dá certo é pegar carona.”
A frase que, segundo ela, segurou a Fran em momentos difíceis, veio do ministrador Thiago Brun, e é a que aparece no episódio como princípio. “Nunca perca a sua identidade.” É com esse princípio, segundo ela, que ela diferencia o que é crítica construtiva do que é tagarelice, e que ela se mantém fiel ao que ela chama de influencer digital, e não de “blogueirinha”, termo que ela recusa com a firmeza de quem já construíu autoridade no que faz. É o tipo de história, no fim das contas, que o Pedro e a Mariana, no episódio, descrevem como a história que eles querem contar, a de quem começou dentro de casa, foi reconhecido na rua, e hoje, com cinco anos, está sendo reconhecido na prefeitura da própria cidade. “Daqui um tempo ela não vai nem conseguir me atender mais naquele lugar, vai ter que ser em outro lugar.” A frase é do Pedro, e é o que ele diz quando fala do futuro da Fran e do Antonio.
Onde encontrar
Fran Misturini e Antonio Carlos produzem conteúdo em Dracena, com público forte também em Junqueirópolis, e atendem marcas, empresas e ações da prefeitura da região. Para acompanhar a rotina de filmagens, a vida de casal, e os bastidores que ela conta no episódio, siga a Fran no @fram.misturini e o Antonio no @eu.antonio.
Resumo do episódio
Fran Misturini começou a filmar seu marido Antonio Carlos em casa há cinco anos, quando ele resistia à câmera. O vídeo viral da cerca com o cachorro mordendo a mala marcou o ponto de virada, ensinando ao casal que o melhor conteúdo acontece quando não controlam tudo. De críticas de vizinhos chamando-a de blogueirinha ao reconhecimento da prefeitura com um bolo em homenagem, eles construíram carreira juntos baseada em identidade, insistência e em ouvir quem já realizou algo, não quem nunca fez nada.
Principais aprendizados
- O vídeo que viraliza não é necessariamente o mais planejado, mas o que acontece quando não se controla tudo e mantém naturalidade na edição.
- Diferenciar quem vale ouvir de quem não vale: escutar os que já realizaram e descartar críticas que machucam em vez de construir.
- Manter identidade é o princípio que sustenta uma carreira criativa e permite distinguir crítica construtiva de tagarelice.
- Honrar os primeiros parceiros que apostaram no início é fundamental, porque ninguém lembra do que você fez ontem, mas eles lembram de cinco anos.
- O reconhecimento local da própria cidade é mais gratificante do que reconhecimento mundial, e pode levar tempo para aparecer após anos de produção consistente.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar a criar conteúdo se o parceiro não quer aparecer?
A insistência sem brigar é o caminho: repetir que a presença dele é valiosa e esperar o momento certo. Uma situação constrangedora em público, como alguém na rua pedindo para fazer algo específico, pode ser o catalisador que muda a relação com a câmera.
Qual é o segredo para um vídeo viralizar?
Deixar a gravação fluir sem controlar tudo e permitir que situações imprevistas aconteçam. O vídeo que define é aquele em que o improviso substitui o roteiro planejado, capturado com naturalidade sem parar a gravação mesmo quando surgem momentos engraçados.
Como lidar com críticas quando se cria conteúdo em cidade pequena?
Separar o que é crítica construtiva do que é apenas tagarelice. Manter a identidade como princípio orientador permite recusar rótulos que diminuem o trabalho e aceitar apenas avaliações que agregam, ignorando o que machuca.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.