Patrícia Bambini passou a adolescência no Japão, ao lado dos pais, e voltou para o Brasil já adulta, com uma filha pequena e sem rede de apoio no interior de São Paulo. Foi nesse cenário de recomeço que ela tomou a decisão mais impulsiva da vida: vender a única casa que tinha para comprar uma loja infantil no Prudent Shopping, em Presidente Prudente. Dezessete anos depois, ela comanda a Belli Bambini em Dracena, com marca própria de calçados e roupas infantis, loja física recém-ampliada e operação em marketplace.
No episódio #486 do AdamiCast, Patrícia conta essa trajetória sem filtro: do panfleto entregue de porta em porta ao marketplace, passando por Facebook, WhatsApp e Instagram. Mas o fio condutor da conversa não é tecnologia, é a virada interna que toda dona de negócio pequeno enfrenta mais cedo ou mais tarde: aprender a sair do operacional, treinar gente e aceitar que aquilo que ninguém vê também é trabalho.
Do Japão ao Prudent Shopping: uma decisão impulsiva que virou negócio
Antes de virar empresária, Patrícia morou no Japão durante a adolescência, período em que estudou e trabalhou ao lado da família. Ao retornar ao Brasil, já com uma filha pequena, ela se viu sem rede de contatos e sem experiência alguma em vendas. Foi nesse momento que tomou a decisão que definiria os anos seguintes: vender a única casa que possuía, sem avisar o próprio pai, para comprar uma loja infantil dentro do Prudent Shopping, em Presidente Prudente.
A conversa com o pai só aconteceu depois da venda já fechada. Ela reconhece, hoje, que a atitude foi movida por impulso, mas também por uma vontade genúina de aprender um ofício novo. Esse gesto, arriscado e sem rede de segurança, é o ponto de partida de tudo o que viria depois: da loja no shopping de Presidente Prudente até a consolidação da marca em Dracena, SP.
Da gasolina ao Sebrae: o primeiro ano de perrengue
O primeiro ano de loja foi, nas palavras da própria Patrícia, de muito perrengue. Ela seguiu a orientação do Sebrae de guardar uma reserva para aguentar os primeiros doze meses de operação, mas ainda assim enfrentou dias difíceis, incluindo a filha pequena dormindo embaixo do balcão enquanto ela trabalhava.
Sem verba para divulgação, ela mesma distribuía panfletos de porta em porta pela cidade, rua por rua, bairro por bairro. “A gasolina era meu tráfego pago”, ela resume, numa comparação direta entre a estratégia de hoje e a de quinze anos atrás. Também recorreu ao condicional, prática antiga do varejo em que a mercadoria é entregue para venda antes do pagamento, o que ela descreve como uma lição prática sobre fé e confiança no próprio negócio.
De loja infantil a marca própria: crescendo junto com a cliente
O mix de produtos da Belli Bambini não nasceu de planejamento em planilha, e sim do acompanhamento direto das clientes. A loja começou vendendo apenas moda infantil, mas, conforme as crianças das primeiras clientes cresciam, o público pedia roupas para adolescentes e depois para adultos. Foi assim, seguindo o crescimento da própria base de clientes, que o negócio ampliou o mix até incluir moda teen e adulta.
Hoje a Belli Bambini tem três linhas de marca própria: calçados infantis, calçados adultos e roupas infantis. A decisão de criar produto próprio veio de uma lacuna que Patrícia via no mercado e não conseguia preencher comprando de fornecedores. “Era o que eu não achava, e aí eu resolvi fazer”, segundo ela. Junto com esse crescimento veio também uma decisão de branding: unificar os perfis de redes sociais da loja em um só, porque, na visão dela, tudo era uma família só.
Da kitnet ao espaço novo: dezessete anos de expansão apertada
O crescimento da Belli Bambini aconteceu em etapas nada glamurosas. Em determinado momento, o estoque passou a ocupar uma kitnet, depois um corredor, depois a garagem da própria casa, ao ponto do carro da família precisar ficar do lado de fora, exposto à chuva. É a cara real de um negócio pequeno crescendo sem capital de giro sobrando.
Há cerca de um mês, viabilizada com apoio de outras mulheres, a loja finalmente mudou para um espaço novo e maior em Dracena. Patrícia descreve o momento como um divisor de águas depois de dezessete anos de operação, completos em fevereiro. “Nem parece que eu estou em Dracena”, ela chegou a dizer sobre o novo espaço, numa cidade que, segundo ela, depende fortemente do comércio local para girar a própria economia, já que não há indústria relevante na região.
O salto para o marketplace: um ano e meio de tentativa e erro
O sinal de que era hora de mudar veio do próprio balcão da loja, não de um curso ou consultoria. Clientes começaram a dizer que tinham comprado o mesmo produto pela internet, e Patrícia percebeu que estava perdendo vendas para o comércio eletrônico. Foi esse incômodo direto, ouvido na prática do dia a dia, que a levou a buscar ajuda do marido para entrar no marketplace.
A adaptação não foi rápida: ela levou cerca de um ano e meio para engatar de fato a operação online, cometendo erros no caminho porque vender em marketplace exige uma lógica diferente da loja física. Ela reconhece também ter investido em um curso caro que prometia alavancar resultados em poucas semanas e não entregou o que prometia, reforçando que o aprendizado mais valioso veio da prática e da escuta do próprio cliente, não de fórmulas prontas.
Liderar é o trabalho que ninguém vê
Para Patrícia, o maior desafio dos dezessete anos de negócio não foi tecnológico, foi interno. Sair do operacional significou aprender a acordar cedo para cuidar do financeiro, treinar pessoas novas e, principalmente, aceitar dar um passo atrás em tarefas que ela sempre fez sozinha, como atender no caixa. “Aquilo que ninguém vê também é trabalho”, ela resume, sobre o esforço invisível de organizar uma equipe.
Delegar significou entregar para outras pessoas o relacionamento com clientes que ela mesma atendia havia dez, doze anos. Ela descreve esse processo como uma desconstrução necessária: deixar de ser a pessoa que resolve tudo sozinha para se tornar alguém que confia no time. “A vida é confiar”, segundo ela, resume bem essa fase de amadurecimento como gestora.
Ser mulher e jovem no varejo: o preconceito que ela enfrentou
Ao longo dos dezessete anos de Belli Bambini, Patrícia relata ter enfrentado, mais de uma vez, representantes comerciais que questionavam sua autoridade sobre o próprio negócio, perguntando quem era o comprador de fato ou quem era o marido dela. Em um teste direto, ela percebeu que quando o marido repetia exatamente a mesma informação que ela já havia passado, era ouvido com mais respeito.
Para ela, esse tipo de situação confirma que o preconceito de gênero e idade ainda existe dentro do comércio, mesmo em cidades pequenas. A resposta que ela encontrou foi reforçar seus próprios limites profissionais: “quem faz o respeito é você”, ela defende, destacando que o dano psicológico de situações como essa é mais difícil de reverter do que qualquer prejuízo financeiro.
Onde encontrar
O episódio #486 do AdamiCast foi gravado em Dracena, SP. Para acompanhar o dia a dia da Belli Bambini e conhecer mais da história de Patrícia Bambini, confira o Instagram pessoal @patriciabambini e o Instagram da loja @belli_bambini.
Resumo do episódio
Patrícia Bambini passou a adolescência no Japão e voltou ao Brasil sem rede de apoio, decidindo vender a própria casa para comprar uma loja infantil no Prudent Shopping, em Presidente Prudente. Ao longo de dezessete anos, ela construiu a Belli Bambini em Dracena, SP, atravessando praticamente todas as fases de venda do varejo brasileiro, do panfleto de porta em porta ao marketplace. A virada mais difícil do caminho não foi tecnológica, foi aprender a sair do operacional, delegar clientes de anos e liderar uma equipe. Hoje a loja tem três linhas de marca própria, mudou recentemente para um espaço maior e Patrícia também enfrentou, ao longo da trajetória, episódios de preconceito por ser mulher e jovem no comércio.
Principais aprendizados
- A Belli Bambini completa dezessete anos de operação em fevereiro, atravessando o panfleto de porta em porta, o condicional, o telefone, as redes sociais e hoje o marketplace.
- A entrada no marketplace levou cerca de um ano e meio para engatar de fato, com erros no caminho, após Patrícia perceber, pelo próprio balcão da loja, que estava perdendo vendas para o comércio eletrônico.
- A loja tem hoje três linhas de marca própria (calçados infantis, calçados adultos e roupas infantis), criadas para preencher lacunas que Patrícia não encontrava pronta no mercado.
- Delegar foi descrito como o maior desafio da gestão: entregar clientes atendidos havia dez ou doze anos para outra pessoa da equipe exigiu uma desconstrução pessoal de quem sempre fez tudo sozinha.
- Patrícia relata episódios concretos de preconceito de gênero no comércio, incluindo representantes que só validavam informações quando repetidas pelo marido dela.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Patrícia Bambini começou no varejo de moda infantil?
Ela voltou do Japão para o Brasil já com uma filha pequena e sem rede de apoio, e decidiu vender a única casa que tinha, sem avisar o próprio pai, para comprar uma loja infantil dentro do Prudent Shopping, em Presidente Prudente, SP. Essa decisão impulsiva deu origem, anos depois, à Belli Bambini em Dracena.
Como era o tráfego pago no comércio antes das redes sociais?
Nos primeiros anos de loja, sem verba para divulgação paga, Patrícia distribuía panfletos pessoalmente de porta em porta pela cidade. Ela resume essa fase dizendo que "a gasolina era meu tráfego pago", numa referência direta à estratégia de divulgação paga usada hoje em redes sociais.
Quanto tempo levou para a Belli Bambini se adaptar ao marketplace?
A adaptação levou cerca de um ano e meio. O sinal para entrar no marketplace veio de clientes dizendo, no próprio balcão da loja, que já tinham comprado o mesmo produto pela internet, e o processo exigiu aprender uma lógica de venda diferente da loja física, com vários erros pelo caminho.
Qual foi o maior desafio de gestão para Patrícia Bambini ao longo dos dezessete anos de negócio?
Segundo ela, o maior desafio não foi tecnológico e sim aprender a sair do operacional: treinar equipe, delegar clientes atendidos havia dez ou doze anos e aceitar que o trabalho de gestão, mesmo invisível, também é trabalho real.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.