Há histórias que começam muito antes da abertura de qualquer loja. A história da Bom Jesus Móveis e Decoração começa ainda em Tupã, nos anos 1970, com um pai que vendia ovos de carrinho, aprendeu a reformar fogões e máquinas de costura com 6 anos de idade, e nunca parou de trabalhar. Luiz Carlos Pantolfi cresceu nesse ambiente onde o comércio era uma extensão natural da vida, e foi esse DNA que, décadas depois, chegou até Panorama, Paulicéia e finalmente Dracena.
Nathalia Pantolfi, filha de Luiz, trilhou um caminho diferente: formação em arquitetura pela Unesp, dois anos de pós-graduação em São Paulo, experiência em projetos de urbanismo de larga escala e uma passagem por multinacionais. O retorno ao interior não foi fácil, mas foi transformador, e hoje ela trabalha lado a lado com os pais, somando o olhar técnico da arquitetura ao chão de loja que a família construiu por mais de quatro décadas.
De Tupã ao interior: as origens de um comerciante
Luiz Carlos nasceu em 1964, em família de trabalhadores rurais em Tupã. Seu avô administrava uma fazenda, e seu pai encontrou emprego na loja “Rainha das Máquinas”, de propriedade de um patrão sírio chamado seu Tufi. Com 6 anos, Luiz já saía pelas ruas perguntando se alguém tinha fogão ou máquina de costura para consertar. À noite, o pai passava recolhendo os aparelhos em um jipe e os reformava em casa, com a mãe fazendo companhia.
Foi esse contexto que moldou seu instinto comercial. Em 1979, com 15 anos, ele já controlava o financeiro da loja que a família acabara de abrir com o nome Bom Jesus, em homenagem ao avô chamado Jesus. O nome tinha aprovação do contador: “Bom Jesus”, dois sentidos num só.
Incêndio, concordata e recomeço
A trajetória não foi linear. Em 1981, o depósito de móveis da família foi destruído por um incêndio em Tupã. Luiz chegou no fim do jogo de futebol e encontrou apenas armações de ferro onde antes havia estoque. Os dois seguros contratados geraram um impasse burocrático, e a indenização não cobriu o prejuízo.
A crise financeira se aprofundou com o Plano Cruzado, quando a inflação chegou a 80% ao mês e as dívidas se acumularam. Com o ativo da empresa, incluindo o imóvel, acima do passivo, a concordata foi deferida e Luiz conseguiu honrar os compromissos. Ele se casou com Angélica exatamente durante esse processo, na semana em que entregava o levantamento de ativo e passivo ao juiz, e foi para a lua de mel enquanto o pai pedia que voltasse para resolver a concordata.
Panorama: a aposta que ninguém acreditou
Saíndo da crise, surgiu a oportunidade em Panorama, cidade onde os pais gostavam de pescar. Luiz alugou um ponto sem avisar a família, montou uma loja com estoque compacto e se surpreendeu com as vendas no primeiro dia. “Amo Panorama”, disse no episódio, com genuína gratidão pela cidade que o acolheu quando mais precisava.
A mudança para Panorama foi intensa: Angélica, filha única cuja mãe mora em Tupã, teve que deixar o convívio da mãe para seguir o marido. A família morava nos fundos da loja, sob telhas de eternite, sem lugar para comprar leite. Nathalia nasceu durante esse período. Décadas depois, a loja de Panorama segue como matriz, vendendo móveis, eletrodomésticos, celulares, cama, mesa e banho.
Dracena: o prédio abandonado e a oração no mezanino
A chegada a Dracena aconteceu por etapas. Luiz passava pela cidade toda semana para atividades na Igreja Messiânica e via o imóvel central fechado, um antigo mercado. “Isso aqui dá uma loja gigante”, ele pensava. Um dia, com a chave na mão e Nathalia e o filho Luizinho crianças, entrou com a família no espaço empoeirado e subiu ao mezanino para fazer uma oração pedindo permissão para trabalhar ali com dignidade.
O prédio tinha ações trabalhistas pendentes. Os advogados propuseram que ele entrasse pagando aluguel e reformando, descontando o valor nas parcelas. Angélica demorou para aceitar. Ele reformou tudo, inaugurou a loja e depois comprou o imóvel em julho, sem dizer à esposa, prometendo pagar em dezembro. O estresse gerou um quadro de hipertireoidismo que durou três anos, período em que Luiz se tratou com oração, repouso e mudança de alimentação, sem medicação.
Nathalia: de São Paulo ao interior
Nathalia prestou quatro vestibulares, em cursos distintos: turismo, publicidade, midialogia e arquitetura. Passou na Unesp em arquitetura e no turismo na USC. O pai incentivou a arquitetura com um argumento prático: “Você projeta as casas, eu abasteço com móveis.” Após a formatura, foi para São Paulo de qualquer jeito, trabalhou em multinacionais de urbanismo, participou do plano de revitalização da Luz e do centro olímpico do Rio de Janeiro.
A crise de 2008 fechou seu departamento. O pai, que precisava construir um prédio de quitinetes em Panorama, fez uma oferta que ela não conseguiu recusar. O retorno foi difícil: entrou em depressão, fez acompanhamento psicológico com Amaury, que na época acabara de se formar e mais tarde se tornaria seu marido. Hoje Nathalia divide o tempo entre clientes de arquitetura e o marketing da loja. Há cinco anos mora em Dracena, SP, onde construiu a própria casa.
A filosofia da Bom Jesus: atendimento, planejados e cortinas
Para Luiz, o cliente que entra numa loja física merece ser tratado como um rei: “ele poderia comprar no celular dentro do banheiro, mas saiu de casa para vir até nós.” A empresa tem hoje dois projetistas, Diego e Gabriela, equipe de montagem, e faz móveis planejados há mais de 20 anos, além de cortinas de automação, produto que a própria loja instalou e passou a vender após a experiência positiva.
A vitrine, segundo ele, é a cara do dono. Clientes de gerações diferentes compram na Bom Jesus, de pai para filho para neto, e o segredo é “primeiro ganhar a confiança do cliente, depois manter.” Angélica, que toca a loja de Panorama, ainda leva eletrodomésticos pessoalmente para assistência técnica em Presidente Prudente, sem cobrar frete do cliente.
Onde encontrar
Nathalia Pantolfi atua como arquiteta e integra a equipe da Bom Jesus Móveis e Decoração em Dracena, SP. Acompanhe o trabalho dela no Instagram: @nathaliapantolfi e @nathaliapantolfiarquitetura. A loja está nas redes como @bomjesusmoveis e @bomjesusplanejados. Luiz Carlos também está em @luizpantolfi.
Resumo do episódio
Luiz Carlos Pantolfi aprendeu comércio desde criança em Tupã, reformando máquinas com 6 anos, e construiu a Bom Jesus Móveis superando crises como um incêndio em 1981 e a concordata. Sua filha Nathalia, formada em arquitetura pela Unesp com experiência em grandes projetos em São Paulo, retornou ao interior após a crise de 2008 e agora trabalha lado a lado com os pais, trazendo expertise técnica para a empresa familiar que já está presente em Panorama, Paulicéia e Dracena.
Principais aprendizados
- O trabalho familiar pode começar muito cedo: Luiz começou a reformar fogões e máquinas de costura com apenas 6 anos de idade.
- A concordata pode ser uma ferramenta de recuperação: após o incêndio de 1981 e a inflação do Plano Cruzado, a concordata deferida permitiu que Luiz honrasse seus compromissos.
- A localização de um ponto comercial pode fazer diferença mesmo sem aprovação familiar: Luiz alugou em Panorama sem avisar a família e surpreendeu-se com as vendas no primeiro dia.
- A compra de um imóvel pode gerar estresse emocional: Luiz comprou o prédio em Dracena sem comunicar à esposa, causando hipertireoidismo que durou três anos.
- A experiência técnica complementa o chão de loja: Nathalia soma formação em arquitetura ao conhecimento comercial familiar, trabalhando com projetistas e móveis planejados.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar um negócio de móveis e decoração?
Começar com estoque compacto em um ponto estratégico pode gerar boas vendas já no primeiro dia. O segredo é ganhar a confiança do cliente primeiro, depois mantê-la. Móveis planejados e serviços como instalação de cortinas de automação agregam valor. Oferecer atendimento personalizado no espaço físico diferencia a loja de compras online.
Quanto tempo leva para construir um negócio familiar duradouro?
A Bom Jesus Móveis foi construída ao longo de mais de quatro décadas, começando em Tupã nos anos 1970 e expandindo para Panorama e depois Dracena. O processo envolveu superar crises significativas como incêndios e inflação, mas mantendo operações e honrando compromissos com clientes de gerações diferentes.
Como lidar com crises financeiras em negócios comerciais?
Durante a crise do Plano Cruzado, quando a inflação atingiu 80% ao mês, a concordata foi usada como ferramenta para reorganizar dívidas. Com o ativo da empresa acima do passivo, foi possível ser deferido e honrar compromissos. O processo de recuperação levou determinação e planejamento.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.