No episódio #249 do AdamiCast, em 5 de setembro de 2023, Juliane Borba e Thiago Segato, doutores em Química e fundadores da Prothera Biotecnologia, contaram a história que começa com ele escolhendo Química em Londrina pra não ter que ir pra Ilha Solteira fazer Engenharia Elétrica na Unesp, e ela passando por várias tentativas (agronomia, farmácia) até entrar na Química da USP em São Carlos, e que se conheceram em 2006 no laboratório do professor Emanuel, na mesma linha de pesquisa (química analítica), e que passaram quase 10 anos só sendo colegas, e que a virada do casal veio quando ela voltou do doutorado sanduíche nos Estados Unidos e ele do pós-doc no Texas, e que a semente do empreendedorismo nasceu da cabeça do Emanuel quando ele voltou de Harvard, e que abriu a Particurai em 2012 (testes rápidos veterinários, primeira spinoff do grupo), e que ela abriu a Solve em 2015/2016 (mesmo modelo, com duas amigas), e que a Fapesp financiou as duas via programa PIP, e que em 2017/2018 decidiram fundir as duas empresas pra sair da estagnação, e que conheceram a terceira sócia (Maria Angélica) no treinamento da Royal Academy of Engineering em Londres, e que a pandemia de COVID foi o divisor de águas, com o desenvolvimento em tempo recorde de um teste nacional de biologia molecular (LAMP) com reagentes 100% nacionais, e com o orgulho de uma publicação na capa de uma revista científica.
Da Química em Londrina e do doutorado na USP em São Carlos, do “achou que dava mais química em São Carlos”, e do encontro no laboratório do Emanuel em 2006
O Thiago, lembra ele, se formou em Química em Londrina, e a escolha veio por causa da cidade, porque ele também tinha passado em Engenharia Elétrica na Unesp de Ilha Solteira, e ele preferiu ficar perto de casa, e quando ele se mudou pra São Carlos em 2006 pra fazer o doutorado na USP, foi quando conheceu a Juliane, que já fazia iniciação científica no mesmo laboratório, e o orientador era o professor Emanuel, e a linha de pesquisa era química analítica, com várias vertentes dentro, e o Thiago conta que a Juliane fazia o doutorado de cabeça de goiaba (analisava as moléculas da goiaba durante a maturação com diferentes níveis de adubação), e ela se formou em Química na USP São Carlos, com o mesmo orientador desde a iniciação, e o mestrado dela também foi no mesmo laboratório, com projeto diferente, e a gente se encontrou em 2006, lembra ele, mas a gente começou a ter alguma coisa só em 2013, 2014, e a Ju brinca que ela já desconfiava desde mais cedo, e o detalhe é que eles ficaram quase 10 anos só como colegas antes de virarem casal.
Da farmácia de manipulação, do teste de gravidez que virou amor pela Química, da USP, e das goiabas que ela não aguenta mais comer
A Juliane, lembra ela, trabalhava numa farmácia de manipulação quando adolescente, e foi lá que ela viu o laboratório de controle de qualidade, e falou “é isso que eu quero”, porque ela não queria o balcão, queria a parte mão na massa, e ela passou por várias fases, prestando até agronomia e farmácia em Alfenas, e acabou passando na USP São Carlos, e na época ela era de escola pública, e não tinha noção do tamanho da USP, e quando entrou falou “que que é isso que que eu vim fazer”, porque o primeiro ano era só matemática, e o mestrado dela, lembra ela, foi goiaba com diferentes níveis de adubação, e ela diz que “nem queria comer goiaba, porque o que eu processei de goiaba meu Deus”, e o doutorado dela foi no mesmo laboratório, com projeto que ligava a biologia molecular, e ela foi pra Virgínia (Charlotteville) fazer um ano de doutorado sanduíche, e lá ela foi tratada como profissional, e foi lá que ela viu pela primeira vez que empresas financiavam projetos dentro da universidade, e isso virou a chavinha dela pro empreendedorismo.
Do Emanuel que voltou de Harvard com a mentalidade de “abrir empresa”, da primeira reunião no laboratório de “quem quer empreender?”, e da cabeça de pesquisador que não é a mesma de empreendedor
O professor Emanuel, lembra o Thiago, fez pós-doc em Harvard e voltou com a mentalidade totalmente aberta pro empreendedorismo, e ele fez uma reunião com o grupo (mais de 20 pessoas no laboratório) e perguntou “quem aqui tem vontade de abrir uma empresa?”, e um terço levantou a mão, e aí ele marcou uma próxima reunião com essas pessoas pra apresentar possibilidades, e o Thiago conta que ele mesmo não tinha a cabeça de empreendedor, e o irmão dele tinha empresa e a mãe dele tinha empresa, e ele falava “empresa não”, e a Ju lembra que na época dela ninguém pensava em empreender, a cabeça era “vou me formar e vou trabalhar em alguma indústria”, porque a Química forma pra duas coisas: lecionar ou ser responsável técnico, e a cultura de empreender na academia não existia, e os dois contam que essa primeira reunião foi a semente, e que a virada de chave veio mesmo quando viram a cultura de fora (a Ju nos EUA, o Thiago no Texas), e segundo a Ju, “cabeça de pesquisador é uma cabeça, é diferente de uma de empreendedor”.
Da Particurai em 2012, da Solve em 2015/2016, da Fapesp e do programa PIP, e do “como começar uma empresa de pesquisa sem dinheiro?”
O Thiago abriu a Particurai em 2012, lembra ele, com mais dois sócios do mesmo grupo (que hoje não estão mais), e a empresa era focada em desenvolvimento de teste rápido (a tirinha) pra área veterinária (cachorro e gato), e foi a primeira spinoff do grupo do Emanuel na USP, e a Ju abriu a Solve em 2015/2016, com duas amigas que também tinham feito estágio fora do país, e era o mesmo modelo de empresa, e os dois contam que sem dinheiro não dá pra começar, porque montar laboratório é uma fortuna, e aí entrou a Fapesp, com o programa PIP (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), que financia projetos de pesquisa em pequenas empresas, com bolsa de pesquisador e capital pra consumíveis, e em troca a empresa paga royalty quando começa a faturar com o produto, e segundo o Thiago, “foi assim que a gente começou, porque a gente não tinha ideia de como começar uma empresa sem dinheiro”, e a Ju lembra que a Fapesp também oferecia treinamentos de empreendedorismo (o PIP Empreendedor, que os dois fizeram), e que lá eles aprenderam a virar a chave de pesquisador pra pesquisador-empreendedor.
Da Royal Academy of Engineering em Londres, do “Shark Tank” pra startups de países em desenvolvimento, do encontro com a Maria Angélica, e da fusão que criou a Prothera Biotecnologia
A Royal Academy of Engineering, lembra o Thiago, é uma fundação do Reino Unido, e ela tem um programa de treinamento pra startups de países em desenvolvimento (África, América do Sul), e ela fez uma parceria com a Fapesp, e todo ano a Fapesp manda 20 startups brasileiras pra Londres, e o treinamento é de 20 dias intensos, com oratória, negociação, precificação de produto, tudo em inglês, e no final é tipo um “Shark Tank” pra investidores do Reino Unido, e o Thiago foi em 2015 e a Ju foi em 2018, e foi em Londres que a Ju conheceu a Maria Angélica (que era de uma empresa grande de diagnóstico em São Carlos, tinha passado num concurso, mas queria ter o negócio dela), e a Ju trouxe ela como consultora das duas empresas, e em menos de três meses convidaram ela pra ser sócia, e os seis sentaram na mesa e decidiram unir a Particurai e a Solve numa empresa só, e essa empresa nova virou a Prothera Biotecnologia, com a expertise da Particurai em teste rápido e da Solve em biologia molecular, e com a cabeça de negócios da Maria Angélica, e segundo a Ju, “comercialmente falando é melhor, porque você oferece um leque maior num esforço só”.
Da pandemia, do teste de COVID nacional, do LAMP que é mais barato que PCR, da tirinha que muda de cor, da Angélica que correu atrás das amostras, e da publicação na capa da revista científica
Logo depois da fusão das duas empresas, lembra a Ju, entrou a pandemia, e ninguém no Brasil tinha teste pra vender, tudo era importado da China, e eles participaram de reunião com o Ministério da Economia junto com 28 empresas de diagnóstico do Brasil, e decidiram adaptar um projeto de biologia molecular que eles já tinham, e a tecnologia escolhida foi o LAMP, que é uma vertente mais nova que a PCR, e a grande vantagem é que não precisa de equipamento caro, é mais simples, e o resultado é visual (muda de cor, fica esverdeado, fluorescente), e a Maria Angélica foi a pessoa que correu atrás das amostras, e conseguiu 200 amostras por semana num laboratório grande de São Carlos, e em poucas semanas eles validaram o teste com reagentes 100% nacionais (até a enzima era nacional), e segundo o Thiago, “foi um orgulho, porque a gente foi muito menos tempo do que a gente imaginaria, foi meio recorde da coisa”, e em paralelo o Thiago teve um artigo capa de revista científica, analisando sais de uma amostra similar ao solo lunar (areia do deserto do Atacama), e a Ju lembra que a Angélica e as outras sócias da Particurai também estavam na bancada junto com eles, com o Té (filho mais velho) recém-nascido sendo criado por todo mundo dentro do laboratório, e a Ju brinca que “o Té foi literalmente criado por todo mundo”.
Da nanopartícula de ouro que colore o teste, do TRL da NASA pra classificar projeto, do “antes de desenvolver, ver se tem alguém fazendo mais barato”, e do “90% dos resultados são ruins”
Hoje, lembra o Thiago, a Prothera produz e vende nanopartícula de ouro (a “corinha vermelha” que aparece na tirinha do teste), e que é um ingrediente que antes eles tinham que importar, e eles desenvolveram a tecnologia pra produzir aqui, e vendem pra quem fabrica teste no Brasil, e a Ju lembra que além de produto, eles também fazem serviço, e se você chega com uma ideia de teste (qualidade de água, detecção de bactéria, etc), eles montam o orçamento, classificam o projeto na escala TRL da NASA (Technology Readiness Level, de 1 a 10, do “acordei com a ideia” até o “produto registrado”), e fazem a viabilidade técnica antes de escalar, e o cuidado que eles têm agora é o de sempre levantar o mercado antes de pesquisar, porque segundo o Thiago, “a gente já escolheu um projeto de algo meio inédito, porque você fabricar um arroz com feijão é complicado, você bater alguém que já tá no mercado é desvantagem”, e a Ju brinca que a vida de pesquisador é feita de “90% dos resultados são ruins”, e que tem que aprender a lidar com a frustração, e que a pesquisa é um filho (você cuida por 5 anos, e às vezes no final o mercado fala que não vende), e a dica deles pra quem quer empreender em ciência é: pesquise, converse com as pessoas, vá pra rua, e pergunte se alguém pagaria R$1 a mais pela sua solução, e se 9 de 10 falarem que você é louco, talvez você esteja no caminho certo.
Onde encontrar
A Prothera Biotecnologia atende como empresa de pesquisa, desenvolvimento e produção de testes de diagnóstico (testes rápidos veterinários, biologia molecular, nanopartículas de ouro, serviços sob demanda pra terceiros) em Dracena, SP (mudaram pra cá recentemente, antes ficavam em São Carlos, SP), com a Juliane Borba (Doutora em Química pela USP São Carlos, com passagem pela Universidade da Virgínia nos EUA) e o Thiago Segato (Doutor em Química pela USP São Carlos, com pós-doc no Texas), e com a terceira sócia Maria Angélica (de São Carlos, ex-empresa grande de diagnóstico), e a história da empresa começa na Particurai (2012, testes rápidos veterinários, primeira spinoff do laboratório do professor Emanuel na USP) e na Solve (2015/2016, biologia molecular, com duas amigas), e a fusão das duas aconteceu em 2017/2018 com a chegada da Maria Angélica, e o divisor de águas foi o desenvolvimento do teste LAMP pra COVID durante a pandemia (com reagentes 100% nacionais, em tempo recorde, com resultado visual por mudança de cor), e hoje a empresa também vende nanopartícula de ouro pra outros fabricantes de teste no Brasil, e classifica novos projetos na escala TRL da NASA antes de começar a desenvolver, e o orgulho da dupla é uma publicação na capa de uma revista científica do Thiago (análise de sais de solo similar ao lunar), e a Prothera é cliente da Fapesp via programa PIP (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), e os dois são doutores em Química e amigos do Pedro e da Mariana há 30 anos (conheceram o Chap na época de São Carlos). Acompanhe a Prothera Biotecnologia pelo Instagram @protherabiotech, a Juliane pelo @jucborba, e o Thiago pelo @tpsegato. Se você quer empreender em ciência, segundo a Ju e o Thiago, o que vale é conversar com o mercado antes de pesquisar, levantar se já tem alguém fazendo mais barato, classificar o projeto na escala TRL, e lembrar que a cabeça de pesquisador é diferente da de empreendedor, e que as duas juntas, com ajuda de programas como o PIP da Fapesp, conseguem tirar o projeto do papel.
Resumo do episódio
Juliane Borba e Thiago Segato, doutores em Química pela USP São Carlos que se conheceram em 2006 no laboratório do professor Emanuel, contam como saíram de quase 10 anos como colegas para fundadores da Prothera Biotecnologia em Dracena. Começaram com a Particurai em 2012 e a Solve em 2015/2016, financiadas pela Fapesp via programa PIP, depois fundiram as duas empresas com a terceira sócia Maria Angélica após treinamento na Royal Academy of Engineering em Londres. A pandemia de COVID marcou o divisor de águas com o desenvolvimento em tempo recorde de um teste LAMP nacional com reagentes 100% brasileiros, e hoje a empresa produz nanopartículas de ouro para testes de diagnóstico e oferece serviços de pesquisa sob demanda.
Principais aprendizados
- O programa PIP da Fapesp financia projetos de pesquisa em pequenas empresas com bolsa de pesquisador e capital para consumíveis, sendo cobrado royalty quando a empresa começa a faturar.
- A cabeça de pesquisador é diferente da de empreendedor, e aprender a fazer essa transição requer exposição a culturas empreendedoras fora da academia.
- O teste LAMP é mais vantajoso que PCR porque não precisa de equipamento caro, é mais simples, e o resultado é visual com mudança de cor.
- Antes de desenvolver um novo produto, é fundamental levantar o mercado e verificar se alguém já está fazendo algo similar de forma mais barata.
- A vida de pesquisador envolve lidar com frustração, pois aproximadamente 90% dos resultados são ruins e a pesquisa requer cuidado prolongado sem garantia de aceitação de mercado.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar uma empresa de pesquisa sem ter capital inicial?
O programa PIP (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas) da Fapesp financia projetos de pesquisa em pequenas empresas, oferecendo bolsa para pesquisador e capital para consumíveis. Em troca, a empresa paga royalty quando começa a faturar com o produto desenvolvido. O programa também oferece treinamentos de empreendedorismo para ajudar na transição de pesquisador para pesquisador-empreendedor.
O que é o teste LAMP e qual é sua vantagem sobre o PCR?
O LAMP é uma tecnologia de biologia molecular mais nova que o PCR. Sua principal vantagem é não necessitar de equipamento caro, ser mais simples de executar, e ter resultado visual, pois a amostra muda de cor ficando esverdeada ou fluorescente. Essas características tornam o teste mais acessível e prático para aplicações de diagnóstico.
Qual é o papel da escala TRL da NASA no desenvolvimento de projetos de diagnóstico?
A escala TRL (Technology Readiness Level) da NASA classifica projetos de 1 a 10, começando do estágio inicial de ideia até chegar a produto registrado no mercado. Antes de escalar o desenvolvimento, a Prothera utiliza essa classificação para fazer a viabilidade técnica do projeto e comunicar claramente em qual estágio a tecnologia se encontra.
Por que é importante pesquisar o mercado antes de iniciar o desenvolvimento de um novo produto?
Pesquisar o mercado antes de desenvolver evita investir tempo e recursos em projetos que já existem com competidores estabelecidos, tornando-se uma desvantagem. É fundamental conversar com as pessoas, ir à rua e perguntar se pagariam mais pela solução proposta para validar se o projeto tem potencial comercial real.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.