#359

De office boy a dono de referência regional: a história de Clodoaldo do Jura Poços | #359

28 de novembro de 2024 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #359 do AdamiCast

Clodoaldo Ivair Silva cresceu em Dracena, estudou em escola pública, pagou a faculdade em Lucélia com dificuldade e chegou a passar viagens de ônibus escondido para não faltar aula. Hoje, à frente da Jura Poços ao lado do irmão e do filho que já começa a receber o bastão, ele carrega 38 anos de empresa, 25 anos de sala de aula na faculdade e uma coleção de decisões que muita gente chamou de loucura na época, e que ele nunca se arrependeu de ter tomado.

O episódio #359 do AdamiCast foi um daqueles bate-papos em que o convidado fala sem parar e, mesmo assim, cada frase vale ser ouvida de novo. Clodoaldo chegou no estúdio com jeito de quem não gosta muito de holofote, mas saiu com mais de duas horas de história registrada: da infância simples até o anúncio de um outlet da Jura que está com 80% do estoque pronto para abrir.

Da escola pública ao “não” para o Banespa

Clodoaldo sempre foi, nas palavras dele, um aluno mediano. O que nunca faltou foi dedicação: se os melhores estudavam uma hora, ele estudava quatro ou cinco para aparecer no quadro de honra ao mérito. Essa mentalidade atravessou décadas e está na raiz de tudo que construiu.

Em 1986, com menos de 20 anos, passou em concurso para o Banespa e precisou decidir entre o emprego seguro de bancário e continuar com o pai em uma empresa de menos de um ano, instalada num prédio caindo aos pedaços, com dois banquinhos de madeira, uma calculadora de mão e uma máquina de escrever portátil. Todo mundo disse que ele era louco. Ele ficou com o pai. A empresa que então nascia formalmente como Jura, em agosto de 1987, começou com perfuração de poços e pequenos serviços elétricos e hidráulicos no campo.

A faculdade em Lucélia e a escola da dificuldade

A escolha de Lucélia para fazer Ciências Contábeis não foi vocação, foi matemática: o dinheiro cobria a mensalidade e quase a passagem, enquanto em Tupã caberia só a mensalidade. Em algumas viagens, nem a passagem tinha, e o motorista do ônibus, amigo de Clodoaldo, deixava ele entrar primeiro e se esconder no fundo para que ninguém cobrasse. Nos primeiros semestres, quando não tinha dinheiro para xerocar o material, passava a madrugada copiando cadernos à mão.

Formou-se em 1991 e não parou de estudar. Fez especializações, pós-graduação e MBA na FGV. Em 1998, entrou para a faculdade como professor, sem nunca ter dado uma aula na vida, e ficou 25 anos em sala, ensinando Administração e Ciências Contábeis, além de pós-graduações em Lucas do Rio Verde, na Unesp e em outras instituições da região. A maior glória que descreve é ter participado de um curso e se deparado com um ex-aluno como instrutor da vez.

A virada da Jura: de poços para loja

Por muitos anos, o coração financeiro da Jura foi a perfuração de poços. No ano 2000, o faturamento ainda era 90% de poços e 10% de loja. Hoje é exatamente o contrário: 98% loja e 2% poços. A inversão não aconteceu por acidente. Clodoaldo percebeu que a mão de obra para perfuração estava ficando escassa ao mesmo tempo em que a cana-de-açúcar avançava pela região e reduzia a demanda. Pivotou para a loja, foi ampliando o portfólio produto a produto até chegar a quase 24 mil itens cadastrados, e foi um dos primeiros estabelecimentos de Dracena a ter fax e a operar com sistema informatizado.

Hoje a Jura ocupa quase 8 mil metros quadrados no centro da cidade, tem uma segunda unidade, atende a Sabesp nas regionais de Presidente Prudente, Tupã e Araçatuba, faz 90% da manutenção dos poços das penitenciárias da região, opera em toda a Alta Sorocabana e no Mato Grosso do Sul, e está finalizando um projeto de irrigação de 14 alqueires em Brasilândia. No quadro de colaboradores, a maioria tem mais de 15 anos de casa, e oito estão desde o início.

Empresa familiar, gestão e os limites de cada um

Tocar uma empresa com pai, irmão e filho impõe desafios que nenhum MBA ensina de forma completa. Clodoaldo é direto sobre isso: o almoço de domingo já pegou fogo por assunto de empresa, e a solução encontrada foi dividir áreas de decisão de forma clara, sem duplo comando. O que o irmão decidiu na área dele está decidido, e o que Clodoaldo decidiu na área dele também está. Cachorro de dois donos morre de sede.

Sobre o e-commerce que muitos clientes cobram, a explicação é tributária: como empresa no regime de lucro real, a Jura não consegue competir em preço com distribuidores de Minas Gerais, Espírito Santo ou do Paraná, e o custo de plataforma não compensaria. Trabalhar fora da lei para viabilizar seria jogar fora 38 anos de credibilidade. A saída que está em curso é o outlet: um espaço de 552 metros quadrados, já com 80% do estoque separado, destinado a produtos de exposição, fora de linha ou com algum detalhe, com descontos que podem chegar a 70%.

O professor, o conselheiro e o Santuário

Depois de sair da faculdade, Clodoaldo não ficou parado. Hoje ocupa boa parte do tempo como conselheiro informal: pessoas ligam pedindo opinião sobre negócios, decisões de carreira, situações pessoais. Faz palestras de educação financeira sem cobrar quando o horário e o assunto encaixam. E dedica horas da semana ao Santuário Nossa Senhora de Fátima, onde ajuda na gestão econômica, financeira e de manutenção, um trabalho que a maioria das pessoas nem sabe que ele faz.

A academia às 5h40 da manhã não é prazer, é necessidade. Tem dor crônica na coluna há anos e não reclama publicamente disso. Todo dia, antes de entrar de vez no trabalho, para para tomar café com os pais. Está aprendendo a lidar com uma propriedade rural que a família tem, investindo em genética de gado e melhorias de pastagem. Aos quase 60 anos, estuda uma ferramenta de tecnologia que o sistema já entrega pronto para ele, só porque não quer cobrar algo de um profissional que contrata sem ter ideia do que está exigindo.

Onde encontrar

Clodoaldo Ivair Silva está em Dracena, SP. Siga no Instagram: @clodoaldoivair

Resumo do episódio

Clodoaldo Ivair Silva cresceu em família simples em Dracena, formou-se em Ciências Contábeis em Lucélia superando dificuldades financeiras, e há 38 anos dirige a Jura Poços ao lado do irmão e filho. O episódio conta como ele recusou segurança de emprego no Banespa para apostar na empresa familiar, transformou um negócio de perfuração de poços em loja de materiais hidráulicos e elétricos com quase 24 mil itens, mantém há 25 anos carreira como professor de Administração e Ciências Contábeis, e segue como conselheiro informal e gestor voluntário.

Principais aprendizados

  • Recusar segurança de emprego garantido em troca de uma empresa incerta exigiu decisão contrária ao conselho de todos, mas provou-se acertada ao longo de 38 anos.
  • A transformação de um negócio de poços para loja de materiais aconteceu por percepção de escassez de mão de obra e redução de demanda pela expansão da cana-de-açúcar na região.
  • Empresa familiar evita conflitos por meio da divisão clara de áreas de decisão entre sócios, impedindo duplo comando.
  • Compatibilizar lucro real com e-commerce é inviável na região por questão tributária, levando a alternativa do outlet com até 70% de desconto.
  • Dedicação excessiva nos estudos, passando de uma hora para quatro ou cinco, foi método utilizado para alcançar o quadro de honra em escola pública.

Perguntas respondidas neste episódio

Por que Clodoaldo escolheu Lucélia para fazer faculdade?

A escolha de Lucélia foi por razão financeira: o dinheiro da família cobria a mensalidade e quase a passagem de ônibus, enquanto em Tupã caberia apenas a mensalidade. Essa diferença permitiu que ele frequentasse a faculdade mesmo com recursos limitados.

Como a Jura mudou de um negócio de poços para loja?

A mudança aconteceu porque a mão de obra para perfuração ficou escassa enquanto a cana-de-açúcar avançava pela região e reduzia a demanda. Clodoaldo pivotou para a loja, ampliando progressivamente o portfólio até chegar a quase 24 mil itens cadastrados, transformando poços de 90% para 2% do faturamento.

Por que a Jura não opera um e-commerce?

O e-commerce não é viável porque a empresa opera no regime de lucro real e não conseguiria competir em preço com distribuidoras de outros estados nessas condições. Além disso, manter credibilidade acumulada em 38 anos é prioridade sobre ganhos rápidos, então a solução escolhida foi investir em outlet físico com descontos de até 70%.

Como Clodoaldo evita conflitos em uma empresa com pai, irmão e filho?

A solução é dividir áreas de decisão de forma clara, sem duplo comando. Cada um tem autoridade em sua área específica, e decisões tomadas por um sócio em seu domínio não são questionadas pelo outro, evitando o problema de cachorro com dois donos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.