No episódio #264 do AdamiCast, em 9 de novembro de 2023, a educadora física, professora de dança e bailarina Nayara Ferreira (@v.movimento e @nayaraferreiravm), de Dracena, contou a história que começa com ela na aula de dança aos 2 anos e meio com a professora Leila Sal, pioneira da dança em Dracena, e com uma sementinha que nunca parou de crescer, e da escolha prática pela Educação Física porque não tinha faculdade de dança perto e ela já morava sozinha e se sustentava, e da escola que o marido Jonathan ajudou a montar na garagem de casa com a bolada da mega-sena que ele ganhou quando criança, e do grupo de competição que foi do regional ao internacional em 1 só semestre, e da rotina dela de pisar em 3 barcos ao mesmo tempo, e da Manu que se superou no espetáculo, e da Catarina que talvez vá pro balé.
Do começo aos 2 anos e meio na aula com a pioneira Leila Sal, e da sementinha da dança que nunca parou de crescer até a escolha prática pela Educação Física
A Nayara foi criada pelos avós, e foi a única criança da casa, e segundo ela, “como os meus pais eram meus avós, eu acabava convivendo com muitos adultos dentro de casa, e aí eles falaram, não tem que colocar a Nayara em alguma atividade pra ela conviver com crianças, e me colocaram pra fazer aula com a professora Leila Sal, que era pioneira aqui na região”, e foi assim que tudo começou aos 2 anos e meio, e ela nunca mais parou, e segundo ela, “eu me mantive ativa o tempo todo, desde a infância, pré-adolescência, adolescência, nunca parei, e essa sementinha da dança só foi crescendo e sendo cada vez mais cultivada”, e quando foi hora de escolher a faculdade ela queria fazer Dança pra entrar numa companhia e ser bailarina de companhia e rodar o mundo, mas não tinha faculdade de dança perto e ela já morava sozinha e se sustentava, e segundo ela, “optei pela Educação Física porque apesar de não ser o que eu queria no momento, ela também me direcionaria e me abriria portas pra eu trabalhar na área que eu queria”, e dentro da Educação Física ela veio a confirmar a vontade de ser professora de dança, e a faculdade de Educação Física não forma professor de dança, e por isso ela teve que fazer curso de especialização na área, e segundo ela, “tem que ter especializações, fazer curso, na verdade não para de estudar nunca, porque a dança tá o tempo todo aparecendo técnica nova, técnica que já não é mais usada, e você tem que tá atualizada”.
Da escola montada na garagem de casa (espaço 3×5, 20 alunas, máquina de lavar empurrada pro lado, espelho e barra), do nome “Vida e Movimento”, do marido Jonathan que investiu a bolada da mega-sena, e da Manu que nasceu dançando na barriga dela
A história do “Vida e Movimento” começa quando o Jonathan, que ela conheceu na faculdade, viu ela frustrada trabalhando como operadora de caixa e falando de dança o dia inteiro sem estar dançando, e segundo ela, “ele sabia via a falta que a fazer dança me fazia, e aí a história mais louca é que quando ele era mais jovem, ele jogou na mega-sena com o padrasto dele e eles ganharam, não foi uma bolada mas foi uma certa quantia, e o padrasto deu uma porcentagem pra ele de presente, e ele guardou, não mexeu nessa porcentagem, e quando surgiu a possibilidade de abrir a escola ele falou, eu vou investir na escola pra você”, e o nome “Vida e Movimento” veio porque segundo ela, “a dança pra mim é vida, é o que move a minha vida, e o movimento porque a dança é um constante movimento, e se mover, e então não podia chamar outra coisa”, e a escola começou na garagem da casa deles, num espaço de 3 por 5, e segundo ela, “a gente montou o Vida e Movimento na garagem da nossa casa, num retangulinho assim, e empurrou máquina de lavar pra um lado, colocamos a barra na parede, pintou de rosa, colocou o espelho, e ali a gente se mantinha com 20 alunas, 20 no mesmo horário, 20 no total, e foi uma fase muito desafiadora, muito difícil, e ele trabalhava em dois empregos e eu ali na escola, e a Manu foi encaminhada no meio disso tudo, e eu inaugurei a escola na garagem de casa já grávida, dei aula com barrigão, dei aula até os 9 meses, e a Manu já nasceu dançando na minha barriga”, e ela lembra que precisou fazer um trabalho psicológico pra contar essa história sem chorar, e segundo ela, “olhar lá pra trás e ver como tudo começou é muito legal, é muito mais legal porque a gente fala assim, começou realmente com nada, do nada, e aí com suor, com muito trabalho, dedicação, e união, a coisa foi realmente ganhando uma proporção muito legal”.
Do balé clássico e do jazz com várias vertentes (pra não engessar), do sapateado que ela quer trazer de volta pra Dracena, e da aluna de 50 anos que prova que idade não é limite pra começar
A Nayara começou com jazz aos 2 anos e meio, foi pro sapateado, e depois foi pro balé clássico, e segundo ela, “as modalidades foram mudando, mas eu nunca saí de uma pra entrar na outra, eu fui agregando, só somei”, e dentro do jazz ela trabalha várias vertentes pra dar essa possibilidade pras alunas, e segundo ela, “tem o jazz musical, o jazz dance que é uma pegada diferente, o jazz lyrical que é uma coisa mais sentida mais interpretativa, tem o contemporâneo, tem a dança moderna, e aí dentro do meu jazz eu tento trabalhar e dar uma mescla entre as vertentes pra que as alunas possam ter um contato”, e ela lembra que o balé clássico não foge daquilo, é o balé clássico mesmo, e o sapateado é uma coisa que ela pretende trazer pra Dracena de volta porque a professora que dava foi embora, e segundo ela, “é uma coisa bem bacana, os adultos gostam muito porque é mais descontraído, não é uma coisa tão fechada em técnica como o balé clássico”, e sobre idade ela é taxativa, e segundo ela, “a partir de 3 anos qualquer menino menina pode iniciar, e não tem faixa etária pra acabar, hoje eu tenho uma aluna que já tem 50 anos e ela tá na turma de jazz, e é uma delícia ver ela dançar”, e o recado dela pra quem acha que o tempo passou é direto, e segundo ela, “muito pelo contrário, a dança não tem idade pra começar, ah eu tô com vontade de fazer, quero me desafiar, me dispor a experimentar, isso vai e faz, tem gente que se encontra e fica, e tem gente que fala, ai não era muito isso que eu pensava, e tá, procura outra coisa, porque você só vai saber tentando”.
Do espetáculo anual (ano inteiro trabalhando em cima, tema do filme “O Rei do Show” em 2023, 10 ensaios gerais de 3-4 horas antes, Manu como o anão que se superou), e do grupo de competição que foi do regional ao internacional em 1 só segundo semestre
O espetáculo do Vida e Movimento trabalha o ano inteiro em cima de um tema, e em 2023 o tema escolhido foi o filme “O Rei do Show”, e segundo ela, “é uma história muito forte, de superação, de união, de saber lidar com as diferenças, não só físicas mas intelectuais também, de gêneros, e a base da história do filme é a família, e o ator se perde no glamour e na fama, se distancia da família, e quando ele perde tudo o que ele construiu, ele percebe que a única coisa que resta pra ele ainda é a família dele, e isso é muito presente no filme”, e o processo de criação começa em março com as coreografias, em dezembro finaliza o processo, janeiro e fevereiro é o processo de montagem com as outras professoras, e em março passa pras alunas, e segundo ela, “existem 10 ensaios gerais antes, de 3 a 4 horas de ensaio, e os pais, os maridos, as vovós, todo mundo entra, e o que tá sendo mais gostoso de tudo é os pais, não só as mães, os pais, os homens estarem ainda revivendo esse momento, e isso foi muito legal e muito diferente de todos os espetáculos que eu fiz”, e a Manu, que tem 9 anos, se superou nesse espetáculo fazendo o personagem do anão, e segundo ela, “eu dancei de homem, eu fui o rei do show, personagem masculino, e ela foi o anão que faz parte do elenco, um homem, um menino, e foi muito divertido, muito legal, a gente dançar de homem, ter que interpretar jeito de andar, e a Manu se divertiu demais”, e a Manu não queria fazer, e segundo ela, “ela falou, ai mas menino mãe, e eu falei, Manu, cara, tem que ser você porque vida de artista é isso, é vida de artista, é encarar o personagem que foi dado de presente, se jogar”, e o grupo de competição estreou em 2023 e foi um sucesso absoluto, e segundo ela, “o grupo começou na seletiva regional em Presidente Prudente, e aí a gente foi subindo degraus e ganhando colocações, e aí nós pulamos a parte estadual da competição porque a nota foi boa, e fomos direto pro internacional em Caraguá, e a coreografia que levou a gente mais longe foi a Magalenha, toda de amarelo com girassol na cabeça, e ganhamos em primeiro lugar, e na noite de gala, que é quando só dançam os primeiros lugares e as melhores notas, de 47 grupos nós ficamos entre os 5 melhores, e foi o 3º nome chamado, e aí a gente foi pra Argentina também e ganhamos em primeiro lugar lá, e tudo isso no mesmo segundo semestre, foi loucura”.
Da virada de sair de casa e ir pro centro (a sala na galeria que ficou vaga quando a Ana foi pra Inglaterra, os avós que investiram), dos 10 anos de Vida e Movimento completando em fevereiro de 2024, e do financiamento do grupo (rifas, vaquinhas online, feijoada, 10 empresas parceiras, e o caixa que zera a cada nova etapa)
A virada de chave pra sair de casa aconteceu quando o dono da galeria procurou a Nayara, e segundo ela, “a Ana que tinha a escola ali foi embora pra Inglaterra, e o dono da galeria falou, Nayara, a Ana foi embora, você tá com a escola aqui, você não quer levar a escola pra lá, e eu falei, ai não sei, aquele medo, meu Deus do céu, uma incerteza, mas aí eu falei, bom, tem que ser, porque aqui na garagem de casa não tem pra onde crescer, e aí veio o investimento da minha mãe, veio o apoio mais familiar, e os meus avós foram grandes incentivadores nessa nova fase”, e a escola tá completando 10 anos, e segundo ela, “em fevereiro de 2024 a gente completa 10 anos de Vida e Movimento, e é realmente um marco pra gente, é uma vitória muito grande completar esses 10 anos”, e o grupo de competição é um investimento altíssimo que a escola sozinha não sustenta, e segundo ela, “o grupo só se sustenta, só vai pras competições, só paga o seu figurino fazendo rifa, vendendo doce, bolo, e ações lá na praça, e feijoada, e a gente conta com 10 empresas maravilhosas na cidade que apoiam a ideia do grupo e incentivam, e só que assim é um investimento muito alto, e por exemplo, às vezes uma ajuda que as empresas oferecem vai na primeira no regional, aí a gente passa pro estadual, começa zero caixa de novo, e detalhe, combustível, hospedagem, e imagina pra ir pra Argentina, é muita grana, e aí começou as ideias, a gente se mobilizou, as mães abraçaram a causa, e aí veio a vaquinha online, e a gente teve doação até de amigos nossos que estão no Japão, e aí fomos pra lá com muita força de vontade, muita energia, e ganhamos em primeiro lugar na Argentina”.
Da cobrança de ser mulher (trabalha, cuida da casa, é mãe, cobra preparo físico das meninas, “a gente tem que ser 80% porque 100% em tudo não dá”), da rotina de pisar em 3 barcos ao mesmo tempo (escola + grupo + competição + mãe), da Catarina (3 anos) que talvez vá pro balé, e da foto profissional com o Sampaio que foi a 1ª da vida dela
A Nayara tem plena consciência da rotina que ela carrega, e segundo ela, “a gente tem que ser 80% porque parece que a gente não consegue ser 100% em tudo, e o dia que a gente consegue fazer 100% o trabalho, alguma coisa tá defasada, você caga dieta, ou caga alguma coisa, casa fica irregular, e ser mulher é isso, é muito mais cobrança da mulher que do homem, é você trabalha, cuida da casa, cuida dos filhos, e tipo, e tem que dar conta, e tem essa coisa do ter que dar conta, e tem que ficar bonita ainda, e às vezes a parte pessoal é a pior”, e ela conta que precisou delegar uma parte, e segundo ela, “o Jonathan é o treinador, o preparador físico das meninas, eu tive que sair dessa parte de preparação física e de cuidar do condicionamento delas porque eu tava ficando muito chata, e eu falei, marido, por favor assume esse papel, porque o papel do chato vai ter que ser seu”, e a Manu escolheu o jazz e a Catarina tem perfil mais pro balé, mas a Nayara não induz, e segundo ela, “eu não induzo elas a fazerem, a Manu partiu da vontade dela, eu quero fazer, aí eu incentivei, e a Catarina eu também não falo, vamos fazer balé, você quer fazer balé, justamente pra poder partir dela, porque a dança é muito sentimento, a pessoa tem que tá querendo”, e a foto profissional com o Sampaio foi a primeira da vida dela, e segundo ela, “eu não tinha foto profissional, e aí o Mark pediu e eu falei, putz, não tenho, vou ter que procurar um profissional, e aí veio a indicação do Sampaio, e eu falei, nossa, nunca imaginei fazer, e agora não vejo a hora de fazer de novo, porque ele me deixou muita vontade, e eu também tava toda travada, mas ele falou, eu quero que você dance, eu quero que você dance, faz o que você ama fazer que eu vou captar o que eu preciso, e foi muito legal, e a gente não vê a hora de fazer de novo em 2024”, e o plano pra 2024 é continuar o grupo a todo vapor, ir pra Marília em março pra uma nova competição, e fechar os 10 anos do Vida e Movimento com tudo.
Onde encontrar
A Nayara Ferreira é educadora física, professora de dança e bailarina em Dracena, SP, e é a fundadora e professora do estúdio Vida e Movimento, que trabalha com balé clássico e jazz (e pretende trazer o sapateado de volta pra cidade), e que em 2023 levou o grupo de competição do regional em Presidente Prudente direto pro internacional em Caraguá e depois pra Argentina, com a coreografia da Magalenha, e que tá completando 10 anos em fevereiro de 2024, e a história dela começa com a aula de dança aos 2 anos e meio com a pioneira Leila Sal (os avós colocaram ela na aula pra conviver com crianças, e ela nunca mais parou), e da escolha prática pela Educação Física porque não tinha faculdade de dança perto e ela já morava sozinha e se sustentava, e da escola montada na garagem de casa com a bolada da mega-sena que o marido Jonathan ganhou quando criança, e do nome “Vida e Movimento” porque “a dança pra mim é vida, é o que move a minha vida, e o movimento porque a dança é um constante movimento”, e da Manu que nasceu dançando na barriga dela, e do balé clássico e do jazz com várias vertentes pra não engessar, e da aluna de 50 anos que prova que idade não é limite, e do espetáculo anual que trabalha o ano inteiro em cima do tema (em 2023 foi o filme “O Rei do Show”, e a Manu fez o anão, e os pais e maridos e vovós se emocionaram junto), e do grupo de competição que foi do regional ao internacional em 1 só semestre, e da vaquinha online pra ir pra Argentina (com doação até de amigos no Japão), e da virada de sair de casa e ir pro centro quando a sala na galeria ficou vaga, e dos 10 anos de Vida e Movimento completando em fevereiro de 2024, e da rotina dela de pisar em 3 barcos (escola + grupo + competição + mãe) e da frase “a gente tem que ser 80% porque 100% em tudo não dá”, e da Catarina de 3 anos que talvez vá pro balé, e da foto profissional com o Sampaio que foi a primeira da vida dela. Contato: escola no Instagram @v.movimento e pessoal @nayaraferreiravm.
Resumo do episódio
Nayara Ferreira começou na dança aos 2 anos e meio com a pioneira Leila Sal em Dracena e nunca mais parou. Escolheu Educação Física na faculdade porque não havia curso de dança disponível e ela já se sustentava sozinha. Fundou o Vida e Movimento na garagem de casa com investimento do marido Jonathan, posteriormente mudou para o centro da cidade, e em 2023 levou seu grupo de competição do regional ao internacional em um único semestre, incluindo vitória na Argentina. Nayara relata a rotina desafiadora de conciliar escola, grupo competitivo, maternidade e autocuidado.
Principais aprendizados
- A dança é agregativa: Nayara começou com jazz aos 2 anos e meio, adicionou sapateado e depois balé clássico, nunca deixando uma modalidade para entrar em outra, apenas somando conhecimento.
- Idade não é barreira para começar a dançar: a partir dos 3 anos qualquer criança pode iniciar, e não há limite máximo, com alunas de 50 anos dançando junto em turmas de jazz.
- O trabalho sobre um tema anual no espetáculo envolve processo que começa em março com coreografias e passa por 10 ensaios gerais de 3 a 4 horas antes da apresentação.
- Competição em grupo requer mobilização financeira coletiva: rifas, vendas de doces e bolos, feijoadas, vaquinhas online e parcerias com 10 empresas da cidade sustentam os custos de viagens e figurinos.
- Mulheres em negócio próprio lidam com cobrança maior: trabalho, casa, filhos, preparação física e aparência pessoal criam pressão de ser 80% eficiente em tudo porque 100% em tudo não é possível.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar aulas de dança sem nunca ter feito antes?
A partir de 3 anos qualquer criança pode iniciar aulas de dança. Não existe faixa etária para parar. Quem deseja aprender deve se dispor a experimentar, pois somente tentando é possível saber se a dança é o que se procura.
Quais são as modalidades de dança trabalhadas no estúdio?
O estúdio trabalha com balé clássico, jazz com várias vertentes (jazz musical, jazz dance, jazz lyrical, contemporâneo e dança moderna) e pretende trazer o sapateado de volta para a cidade. Dentro do jazz são oferecidas várias vertentes para que as alunas tenham contato com diferentes estilos.
Como funciona o processo do espetáculo anual do estúdio?
O espetáculo trabalha um tema durante todo o ano: em março começam as coreografias, em dezembro finaliza o processo inicial, janeiro e fevereiro envolvem montagem com outras professoras, em março passa para as alunas, e ocorrem 10 ensaios gerais de 3 a 4 horas antes da apresentação final.
Como foi financiado o grupo de competição para participar de competições internacionais?
O grupo é sustentado através de rifas, vendas de doces e bolos, ações na praça, feijoadas e parcerias com 10 empresas da cidade que apoiam. Para a competição na Argentina, utilizaram vaquinha online que recebeu doações inclusive de amigos morando no Japão.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.