#379

De Caieiras para Dracena: a história de Eduardo “Duda” Alves | #379

27 de fevereiro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #379 do AdamiCast

Nascido e criado em Dracena, Eduardo de Souza Alves, conhecido por todo mundo como Duda, foi um dos convidados mais especiais que já passaram pelo AdamiCast. Com 19 anos, sem emprego e recém-saído do tiro de guerra, ele pegou uma oportunidade num banco em Caieiras, cidade do interior paulista que seria o berço involuntário de um dos maiores negócios de plástico da região de Dracena. A história que ele conta neste episódio é de trabalho duro, coragem e muito bom olho para oportunidade.

Antes mesmo de ir embora, Duda já tinha alma de empreendedor: aos 14 anos vendia moletom na rua ao lado do amigo Adel Figueiredo. Foi com esse mesmo Adel que ele voltaria anos depois para fundar a Dudel Plásticos, nome que carrega as iniciais dos dois sócios fundadores. Neste bate-papo com Pedro e Mari, ele abre a história pela primeira vez diante de câmeras.

De Dracena para Caieiras: o salto aos 19 anos

Sem conseguir emprego na cidade natal, Eduardo foi para Caieiras através de uma indicação de Luiz Roberto Garcia, então gerente regional do Banco Bandeirantes. Foi sua primeira vez saindo de Dracena e, por sorte, encontrou dois conterrâneos na fila do mesmo banco, na mesma função. “Aquilo me salvou”, disse ele. Lá, trabalhou como caixa no banco de manhã e como gerente de um posto de gasolina à tarde, juntando dinheiro e aprendendo dois universos que marcariam toda a sua trajetória empresarial.

O que ninguém esperava é que Caieiras, polo plástico com centenas de indústrias de fundo de quintal, fosse o lugar onde o Duda enxergaria um nicho inexplorado. Nas amizades que fez na cidade, especialmente com um rapaz chamado Sandro, filho de dono de indústria, ele encontrou o fornecedor e a coragem de que precisava para voltar para casa.

O retorno e o nascimento da Dudel

Em 1986, depois de quatro anos em Caieiras, Eduardo voltou para Dracena com uma ideia, um sócio antigo e quinhentos quilos de plástico. Ele e Adel montaram uma lojinha em frente à antiga Casas Bahia, vendendo embalagens coloridas e bobinas de açougue. Acordavam de madrugada para montar banca na feira, visitavam municípios vizinhos como Junqueira, Panorama e Tupi Paulista numa Kombi carregada, e dividiam as rotas de venda semanalmente.

O crescimento foi gradual e muito concreto: da Kombi vieram um caminhão, de uma loja veio uma fábrica. Em 1991 compraram a primeira extrusora, fabricada por um amigo em Caieiras no fundo do próprio quintal, e instalaram a máquina no que hoje é a área da Ronda, em Dracena. Era o começo da produção própria, com trinta toneladas mensais de capacidade.

Sociedade, expansão e o divisor de águas em Cuiabá

Em 1995, os dois sócios originais convidaram mais dois amigos, Júnior Stellato e Carlos Formaggio, e a capacidade da indústria saltou para noventa ou cem toneladas. A empresa foi crescendo, entrou no segmento de embalagem impressa, fechou parceria com o grupo Copobras/Incoplast de Santa Catarina e passou até a revender matéria-prima. O passo seguinte foi abrir uma filial com fábrica própria em Cuiabá.

Mas a expansão para o Mato Grosso foi também o divisor de águas da sociedade. Com família em Dracena, nenhum dos quatro queria se mudar, e a operação bipartida criou atritos. A saída foi amigável: cada sócio ficou com uma parte. Adel foi para Cuiabá, Júnior Stellato ficou com a linha de plástico virgem e impresso, Carlos Formaggio com a fábrica de saco de lixo, e Eduardo assumiu a reciclagem. Cerca de oito meses depois, ele e Carlinhos uniram a reciclagem com a fábrica de lixo, e estão juntos até hoje, há mais de doze anos.

A indústria hoje: menos volume, mais qualidade

A Dudel que funciona hoje é diferente da que rodava vinte e quatro horas por dia em três turnos. Com capacidade para duzentas e cinquenta toneladas mensais, Eduardo optou conscientemente por trabalhar em cento e trinta, desligar a fábrica às 17h30 e não operar nos fins de semana. A lógica é simples: produzir menos para atender melhor os clientes certos e não depender de pedidos de última hora de quem não paga bem.

O ciclo de produção que ele descreve é fascinante para quem nunca viu de perto: o plástico reciclado é lavado e transformado em grãos, os grãos viram filme, o filme vira bobina, a bobina vira o produto final. Eduardo convida os ouvintes e os próprios apresentadores a visitarem a fábrica para ver o processo com os próprios olhos.

O Posto São Francisco: um novo desafio com a Débora

Há três anos, quando a esposa veterinária Débora resolveu sair de uma sociedade clínica que já não a satisfazia, surgiu a oportunidade de comprar o Posto São Francisco. Eduardo topou o desafio mesmo sem larga experiência no ramo, mas com algo que poucos empreendedores têm: a memória de ter gerenciado um posto durante anos em Caieiras. “Foi uma coisa que eu comecei”, disse ele, referindo-se à conexão entre os dois negócios que o acompanharam desde o início da vida adulta.

Hoje o posto é, na prática, quatro negócios em um: combustível, loja de conveniência, choperia e troca de óleo. A Débora é quem comanda a operação, e o projeto da choperia começou pequeno, com uma chopeira que Eduardo tinha em casa, testada dentro da conveniência antes de virar o espaço que é hoje. Às sextas e sábados há som ao vivo, e o chope, que Eduardo foi estudar com dedicação, virou sua paixão pessoal.

Associação Comercial e o legado na cidade

Além de empresário, Eduardo passou catorze anos na Associação Comercial de Dracena, passando por todos os cargos, de tesoureiro a vice-presidente, até ser empurrado para a presidência. Saiu de cabeça erguida, sem buscar holofotes, sempre preferindo chamar alguém para falar no lugar dele. É o mesmo perfil de quem chegou nervoso ao estúdio do AdamiCast e foi embora relaxado, prometendo academia e comemorando, em abril, trinta anos de casamento com a Débora.

A trajetória do Duda resume bem o que acontece quando alguém sai da cidade com fome, aprende no mundo e volta com visão. Era pioneiro no plástico em Dracena porque não havia nada antes dele. Hoje seus funcionários mais antigos têm trinta anos de casa, e noventa e nove por cento do que a Dudel produz é vendido para fora da cidade, trazendo dinheiro de fora para a economia local.

Onde encontrar

Eduardo de Souza Alves e o Posto São Francisco estão em Dracena, SP. Acompanhe pelo Instagram: @postosaofranciscodracena

Resumo do episódio

Eduardo "Duda" Alves saiu de Dracena aos 19 anos para trabalhar em Caieiras, onde aprendeu o mercado de plástico enquanto trabalhava em banco e posto de gasolina. De volta à cidade natal em 1986 com um sócio antigo e 500 quilos de plástico, fundou a Dudel Plásticos, que cresceu de uma lojinha em frente à Casas Bahia para uma indústria de 250 toneladas mensais de capacidade. Sua história revela como reconhecer oportunidades em nichos inexplorados, a importância de sociedades bem estruturadas e a decisão consciente de priorizar qualidade sobre volume.

Principais aprendizados

  • Sair da cidade com fome e voltar com visão de negócio permite identificar oportunidades que os locais não enxergam.
  • Trabalhar em dois universos simultaneamente durante a formação empresarial expande a compreensão de mercado e abre portas.
  • A amizade e a indicação pessoal foram decisivas para o primeiro emprego fora de Dracena e para encontrar fornecedores confiáveis.
  • Sociedades bem definidas com divisão clara de responsabilidades crescem mais, mas precisam ser revistas quando as circunstâncias mudam.
  • Escolher produzir menos para atender melhor os clientes certos é mais rentável que maximizar volume com clientes inadimplentes.

Perguntas respondidas neste episódio

Como nasceu a Dudel Plásticos?

A Dudel Plásticos foi fundada em 1986 quando Eduardo voltou de Caieiras com 500 quilos de plástico e seu amigo antigo Adel Figueiredo. Montaram uma lojinha em frente à Casas Bahia vendendo embalagens coloridas e bobinas de açougue. O nome da empresa carrega as iniciais dos dois sócios fundadores.

Por que Eduardo foi para Caieiras aos 19 anos?

Sem conseguir emprego em Dracena, Eduardo recebeu indicação de Luiz Roberto Garcia, gerente regional do Banco Bandeirantes, para trabalhar em Caieiras. Lá trabalhou como caixa no banco pela manhã e gerente de posto de gasolina à tarde, acumulando experiência em dois universos diferentes.

Como a Dudel Plásticos cresceu de uma lojinha para indústria?

O crescimento foi gradual: da Kombi usada para visitar cidades vizinhas chegaram caminhões, de uma loja vieram fábricas. Em 1991 compraram a primeira extrusora e instalaram no que é hoje a área da Ronda, com capacidade de 30 toneladas mensais. Em 1995 entraram novos sócios e a capacidade saltou para 90 ou 100 toneladas.

Por que a sociedade entre os quatro sócios se desfez?

A expansão para Cuiabá criou atritos porque nenhum dos quatro queria se mudar com família em Dracena. A operação em dois estados gerou dificuldades de gestão. A saída foi amigável, com cada sócio ficando com uma parte diferente do negócio.

Por que a Dudel optou por produzir menos, apesar de ter capacidade para mais?

Eduardo escolheu conscientemente trabalhar com 130 toneladas mensais apesar da capacidade de 250, desligando a fábrica às 17h30 e não operando fins de semana. A lógica é produzir menos para atender melhor os clientes certos e não depender de pedidos de última hora de quem não paga bem.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.