Luma de Oliveira é arquiteta em Dracena, SP, mas o caminho até aqui começou em Tupã — e bem antes, ainda na infância, quando ela passava as tardes decorando a casa no videogame e desenhando plantas que ninguém tinha pedido. “Sempre desde pequena comecei a brincar, criando, fazendo casinha, decorando a casa. Jogava Sims também achando que era igual”. A escolha pela arquitetura não veio de uma revelação, mas de uma repetição: a cada casa bonita que via, repetia pra si mesma que um dia queria conhecer uma assim. Foi o que bastou pra prestar o teste vocacional e ir em frente.
Londrina, a faculdade e o estágio que ensinou a profissão
Aprovada na UNIFIL, em Londrina, Luma deixou Tupã aos 17 anos pra cursar arquitetura em horário integral. No começo chorou todo fim de semana — saíra de casa pela primeira vez, longe da família e dos amigos de infância. “Terminar semana chorei bastante. Depois comecei a conhecer as pessoas, fiz amizade, a rotina foi encaixando”. Conciliar aula o dia inteiro com estágio obrigatório à noite exigiu disciplina fora do comum, mas também rendeu a parte mais importante da formação.
Os estágios — num primeiro escritório de arquitetura e depois numa loja de móveis planejados, onde aprendeu a mexer no Promob — foram onde ela entende que aprendeu a profissão de verdade. “Eu achava que aprendia na faculdade, mas é no estágio. O programa de mobiliário, a parte de interiores, a noção de medida, tudo isso veio da prática”. Foi em Londrina também que ela conheceu o Pedro, de Dracena, que viria a definir o próximo passo da história.
A pandemia trouxe ela pra Dracena
Luma se formou em 2020, no olho da pandemia. O escritório onde estagiava em Londrina fechou, as obras pararam e ela voltou pra Tupã. “Eu vim pra cá por causa da pandemia, se não eu tava em Londrina”. Pouco depois, o Pedro a convidou pra vir morar em Dracena, e a mudança acabou virando também o início da vida profissional autônoma. “A gente namorava há um tempo e ele falou: vem pra cá. E aqui é uma cidade muito boa, um conhece o outro, muito trabalho por indicação”.
O primeiro emprego em Dracena foi numa loja de iluminação — a Dani, na Coronel. Luma não sabia nada do assunto quando entrou, mas em poucas semanas já ajudava os clientes a montar a iluminação das casas usando o próprio projeto deles como base. “Era de olho mesmo, sem muita prática. Mas como eu já desenhava, eu conseguia montar a planta com os pontos de luz e mostrar pro cliente como ia ficar”. Foi ali que começou a fazer os primeiros projetos por conta própria, sempre de graça, e o boca-a-boca começou a aparecer.
Ser mulher e arquiteta nova: o que ela achou do mercado
Antes de entrar no mercado, Luma tinha medo de ser desrespeitada por ser mulher nova na profissão. O medo não se confirmou. “Eu achei que seria muito mais difícil por ser mulher, mas não tive problema com nenhum, todos super respeitosos, todos me ouviram. E eu também os ouvi, porque opinião é importante, ninguém sabe tudo”. O que ela aprendeu é que o diálogo entre o projeto do arquiteto e a experiência do construtor é o que separa uma obra boa de uma cheia de dor de cabeça depois.
A parceria com o engenheiro estrutural virou regra nos projetos de sobrado. “Eu recomendo sempre contratar o estrutural. Ele assina a parte dele, eu assino a arquitetura, e a gente trabalha junto. É importante demais, principalmente em obra grande”. Em residências menores e reformas, ela mesma fecha o projeto arquitetônico, mas deixa claro pro cliente: “A parte interna influencia a parte elétrica, a iluminação, o hidráulico. Tudo conversa. Não dá pra fechar a planta sem pensar nisso”.
Do briefing ao 3D: como um projeto vira obra
A primeira etapa de qualquer projeto é o diálogo. Quando a casa vai ser construída do zero, Luma marca a reunião no próprio terreno. “A gente conversa o que o cliente quer, quanto ele pode investir, quantos quartos, se tem criança, se tem cachorro, se recebe muita gente, se usa churrasqueira. Tudo isso influencia no projeto”. Quando é reforma, o ponto de partida é entender o que tem e o que pode mudar sem mexer na estrutura.
Daí vão pra mesa com o AutoCAD pra planta, depois o SketchUp e o Lumion pra montar o 3D. “O 3D é onde o cliente começa a entender o que ele queria. Muita gente não consegue ler a planta, mas no 3D ele olha e fala: é isso que eu pensei”. O acompanhamento de obra entra no contrato com um mínimo de visitas mensais, e a gestão técnica semanal fica como adicional pra quem quer ir além. “Sem o acompanhamento, o cliente corre o risco de receber uma obra diferente do projeto. Não é por maldade, é que tem muita coisa em jogo”.
Residencial, comercial e urbano: o que a pandemia mudou
Quando a pandemia começou, o medo era não ter trabalho. Veio o oposto: choveu reforma. “Muita gente em casa, com tempo, decidiu mexer na casa. É o tipo de obra que pouca gente quer pegar, porque é projeto pequeno, com cliente chato. Eu falei: vou pegar, tô começando, quero ver a área que eu vou gostar. Hoje eu adoro fazer reforma”.
Além das reformas residenciais, Luma já fez de tudo um pouco: área gourmet em Junqueirópolis, salão de beleza, uma loja de pesca em Dracena (onde teve que estudar carretilha, coletes e distribuição de barcos pra entender o cliente), uma praça em condomínio e, no TCC da faculdade, uma escola infantil pra Tupi Paulista. “Eu acho que pra escolher sua área você tem que passar por várias. Eu gostei muito da parte urbana, envolve paisagismo, você pensa na pessoa, no cachorro, na criança. Não basta ser bonito, tem que funcionar”.
Onde encontrar
A Luma de Oliveira atende como arquiteta em Dracena, SP, com atuação em toda a região (Tupã, Tupi Paulista, Junqueirópolis, Presidente Prudente e adjacências). Faz projetos residenciais do zero e reformas, comerciais e urbanos. Para acompanhar o portfólio, antes-e-depois e contratar, o caminho é o Instagram: @lumaoliveirarquiteta.
Resumo do episódio
Luma de Oliveira, arquiteta em Dracena, começou decorando casas no videogame na infância em Tupã e cursou arquitetura em Londrina, onde aprendeu a profissão através de estágios em escritório e loja de móveis planejados. A pandemia a trouxe para Dracena, onde iniciou carreira autônoma começando em loja de iluminação e expandindo para projetos residenciais, comerciais e urbanos. O artigo mostra como ela estrutura projetos do briefing ao 3D, a importância da parceria com engenheiros estruturais e por que acompanhamento de obra é essencial.
Principais aprendizados
- A profissão de arquiteta é aprendida principalmente através de estágios práticos, não apenas na faculdade.
- O diálogo entre o projeto do arquiteto e a experiência do construtor define a diferença entre uma obra bem executada e uma problemática.
- A contratação de engenheiro estrutural é recomendada para projetos de sobrado, pois a estrutura influencia todos os sistemas da casa.
- Reformas residenciais, apesar de desafiantes, são oportunidades valiosas para novos arquitetos entenderem diferentes áreas da profissão.
- O acompanhamento de obra com visitas mensais protege o cliente contra divergências entre o projeto e a execução final.
Perguntas respondidas neste episódio
Como é o processo de um projeto de arquitetura desde o início?
Começa com reunião de briefing no terreno ou no imóvel a ser reformado, onde se discute desejos do cliente, orçamento, número de cômodos e necessidades específicas como presença de crianças ou animais. Depois usa-se AutoCAD para a planta, SketchUp e Lumion para o 3D, que permite ao cliente visualizar melhor o resultado final.
Por que o acompanhamento de obra é importante no contrato?
O acompanhamento, com visitas mensais mínimas, garante que a execução respeite o projeto. Sem ele, o cliente corre risco de receber uma obra diferente do planejado, não por má intenção, mas porque há muitos detalhes em jogo que podem divergir durante a construção.
Como o diálogo com engenheiros estruturais funciona nos projetos?
A contratação do engenheiro estrutural é recomendada principalmente em sobrados. O engenheiro assina a parte estrutural, o arquiteto assina a arquitetura, e trabalham juntos. Essa colaboração é crítica porque a estrutura influencia todos os demais sistemas da construção.
Por que reformas são importante para arquitetos iniciantes apesar de desafiadoras?
Reformas são projetos pequenos com clientes exigentes, algo que muitos profissionais não querem pegar. Mas para quem está começando, oferecem oportunidade de aprender áreas diferentes da profissão e descobrir em qual se gosta de trabalhar de fato.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.