No episódio #247 do AdamiCast, em 31 de agosto de 2023, Ivor Regatieri Valeta, arquiteto, contou a história que começa com um menino que mudou de casa a cada 2 anos, e que adorava mudar, e que ficava olhando os ambientes, e que decidiu fazer arquitetura no 1º colegial, e que foi pra Unoeste em Presidente Prudente (2014-2018), e que fez estágio com designer de interiores, e que foi pra Malta em 2019, e que ficou 100 dias (“bebi cerveja todos os dias”), e que voltou pro Brasil decidido pra ir pra um lugar “mais sério”, e que foi pro Canadá em 2020 fazer curso de Customer Service, e que a pandemia travou tudo 3 meses depois, e que pediu um documento que “era uma carta” pra justificar o visto, e que ficou 2 anos em Toronto curtindo a pandemia, e que voltou pra Dracena com a pressão baixa em Sorocaba, e que ficou 2 anos sem comer feijão. Foi uma conversa de mais de 2 horas, passando pelo hostel de 30 dias em Malta, pela casa com o belga (Axel) e o francês (Tom), pelo pastis que vira suco de caju, pela lei urbanística que obriga tudo amarelo, pelo menos 28°C em Toronto, pelo Honda Civic 2008 que se compra por 5.000 canadenses, pela chaveiro de R$100, e pela frase que ele mais repete, de que arquitetura é vício, de que a faculdade te vicia nisso, de que você não consegue mais olhar pra uma casa sem ver os detalhes, e de que em Malta ele ficava fazendo desenhinho num papelzinho no bar.
Das mudanças de casa a cada 2 anos e da vontade de mudar de ambiente ao 1º colegial, à faculdade Unoeste em Presidente Prudente (2014-2018), e o estágio com designer de interiores
O Ivor cresceu em Dracena, lembra ele, e a mãe mudou de casa algumas vezes, e ele sempre gostou muito de mudar de casa, e chegava na casa nova, e falava “hum, esse sofá aqui já ia adorando, já ia olhando”, e ele mudou a cada 2 anos, e quando passava um tempo sem mudar, sentia que faltava, e ele notava os detalhes: “essa porta não deveria ser aqui, pô, essa janela, pô, eu abro a porta do meu banheiro, o cara lá da rua tá me ver, que isso, né?”, e aí ele pensou “acho que é mais pra esse lado”, e a decisão por arquitetura veio no 1º colegial (ensino médio), e ele tinha pensado em ciência da computação por causa de primos na família, mas não era por ali, e aí ele foi pra Unoeste (Noroeste) em Presidente Prudente, e começou em 2014, e formou em 2018, e fez viagem pra Brasília com a faculdade (a cidade planejada, o hotel do Oscar Niemeyer, “o cara é o rei da arquitetura no Brasil”), e segundo ele, a faculdade te vicia nisso, e ele não consegue mais olhar pras coisas sem o olhar um pouco mais arquitetônico, e ele fez estágio com designer de interiores em Prudente, e ficou 12-13 meses, e foi o 1º contato profissional com a área, e foi o que confirmou.
De Malta, 2019, os 100 dias de curtição, o hostel de 30 dias, a casa com o belga e o francês, e o “bebi cerveja todos os dias”
Depois de formado, lembra o Ivor, ele decidiu ir pra Malta (ilha na Europa, capital Valletta, “o cara não paga IPTU, ele recebe IPTU da galera lá”), e os pais tiveram que achar Malta no mapa primeiro (“nossa, onde que esse negócio?”), e ele foi decidido, “deixa eu curtir”, e foi uma escolha meio diferente das mais populares (EUA, Canadá, Irlanda), e ele queria uma experiência mais curta, e ficou 100 dias, e chegou no fim de fevereiro/início de março de 2019, e foi embora no fim de maio, e pegou o começo do verão europeu, e segundo ele, “bebi cerveja todos os dias”, e ele começou num hostel (contratado por 30 dias, indicação de agência), e depois foi pra uma casa com um belga (Axel) e um francês (Tom), e o banheiro era comunitário, e ele conheceu gente do mundo todo, e o pessoal ia pra Malta no verão porque é quente, e o bar é barato, e ele descobriu o pastis (bebida francesa de anis, que parece whisky, e quando põe gelo vira suco de caju), e ele curtiu muito, e ele fala que foi “uma rave de 100 dias”, e o Ivor é o único cara que o Pedro viu que foi pra Malta, e o Ivor ajuda nos bastidores do AdamiCast, e o Pedro fala “nunca tinha visto alguém sem o fone durante a entrevista, hoje eu sou a pessoa”, e a Gabi e o Ivor fazem parte da produção.
Da lei urbanística que obriga tudo amarelo (porque a cor da terra deles é amarela) à arquitetura como vício, e à volta pro Brasil decidido pra ir pra um lugar “mais sério”
Em Malta, lembra o Ivor, existe uma curiosidade que é “lei ali urbanística”, lembra ele, e qualquer prédio que você for construir não pode ser diferente do que amarelo (amarelinho, ou muito amarelo, ou amarelão), e não pode ser verde, e tudo tem que ser tom amarelo e claro, e isso é porque a cor da terra deles é amarela, e o cliffne (paredão de pedra) é tudo amarelinho, e os prédios não podem destacar demais, e mesmo assim existem muitos tons de amarelo, e a personalidade vem dos tons, e segundo o Ivor, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, é que arquitetura é vício, e ele não consegue mais olhar pra uma casa sem ver os detalhes, e ele ficava no bar em Malta fazendo desenhinho num papelzinho, e ficava “mano, que negócio da hora, um hotel, o cassino”, e ele fotografava tudo com olhar arquitetônico, e ele falava pro pai “pô, ele tá sempre tá lá do meu lado, é com ele que eu olho, esse daqui passa aí entra na casa da minha tia, fala, você viu o que minha tia fez ali?”, e a faculdade me viciou nisso, e quando ele voltou pro Brasil, já tava decidido que ia pra um país mais sério, e ia arrumar um trampo, e o estágio de design de interiores confirmou que ele queria a área.
Do curso de Customer Service no Canadá (2020) à pandemia que travou tudo 3 meses depois, ao documento que “era uma carta” pra justificar o visto, e aos 2 anos em Toronto curtindo a pandemia
O Ivor foi pro Canadá em 2020, lembra ele, e foi com intenção de trabalhar mesmo (diferente de Malta, que foi curtição), e fez o curso de Customer Service (atendimento ao cliente), que era 6 meses teórico e 6 meses prático, e ele chegou no começo de 2020, e se preparou (já tinha passado por Malta, não ia cometer os mesmos erros), e arrumou apartamento por 30 dias, e depois foi pra uma casa na rua Maple Leaf (a folha do Canadá, que tem na bandeira), e o esquema era tipo pensionato, e a host alugava todos os quartos, e a comida era por conta dele, e aí 3 meses depois do curso, começou a pandemia, e fecharam tudo, e o College pediu horas de trabalho que ele não conseguiu cumprir (era pra ter atendimento ao cliente dentro das regularidades do lockdown, mas não era todo lugar que oferecia isso), e ele ficou lá mesmo, e não largou o osso, e tentou pegar o diploma referente à parte teórica, e o College não cedeu (“não tem jeitinho o lugar, né?”), e ele pediu pelo menos um documento que comprovasse que ele fez o curso e não concluiu por causa da pandemia, e isso virou “uma carta” que ele usou pra justificar o visto, e o policial não pede passaporte na rua, e o sistema lá é diferente, e ele ficou 2 anos no Canadá, e curtiu toda a pandemia lá, e tomou Pfizer lá mesmo, e o dia mais frio foi -28°C, e o segundo verão chegou aos 30°C e matou muitos idosos (eles não tão acostumados), e ele fala que lá o contato visual do canadense é pequeno, e um dia ele ficou encarando um cara atravessando a rua, e o cara perguntou em inglês “você quer que eu te roube alguma coisa?”, e ele não tinha percebido que tava olhando, e era só hábito brasileiro.
Do menos 28°C e do “pula e sai” da água gelada, do Honda Civic 2008 por 5.000 canadenses, da chaveiro de R$100, e do “os cara de cueca na neve”
Da vida no Canadá, lembra o Ivor, ele tem várias memórias, e a temperatura mais baixa foi -28°C, e ele saiu de cueca na neve (foto, lembra a Mariana), e o pai mandava vídeo dele andando na neve, e o pai falou “você é louco, não sei que que errou, primeiro ele caiu pra Malta, agora pra esse frio do Canadá”, e a dica que ele mais lembra é a bota impermeável com pelúcia (DPI, com metal na frente), e a dica de comprar um número maior pra colocar meia especial, e a água mais gelada que ele nadou foi lá, e “parecia que tinha agulha entrando”, e os canadenses tavam de boa, e ele tava tremendo, e a chaveiro de R$100 que ele quase pagou, e a chaveiro cobrava R$50, e ele pagou R$100, e segundo ele, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, é que os “jeitinhos” que a gente faz aqui no Brasil não rolam lá, e o “R$5.000 canadense você consegue comprar um Honda Civic 2008”, e segundo ele, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, é que o poder de compra é surreal, e lá “você pode comprar coisa que não compraria aqui, com os meus pais, sabe? É surreal assim o gastar com jogo, videogame, sabe?”, e o salário é outra realidade, e a independência financeira que ele sentiu falta, e ele fala que a gente “precisa ter tanto dinheiro pra fazer alguma coisa, né?”, e lá o salário compra mais coisa com menos esforço, e “é como se você tivesse $5, é melhor do que ter R$1.000”.
Da volta pra Dracena com pressão baixa em Sorocaba, do feijão que ficou 2 anos sem comer, da “independência financeira” que sentiu falta, e do “o que não curti lá”
Quando o Ivor voltou pro Brasil, lembra ele, ele chegou em São Paulo, e o padrinho dele mora em Sorocaba, e foram fazer churrasco de “comemorar que eu tinha voltado”, e na hora que ele chegou lá, a pressão baixou, e ele tomou água gelada, e a vista ficou preta, e ele desmaiou, e ficou enjoado, e “parecia que o Storm tava revirando”, e ficou deitado, e tomou banho, e o corpo foi adaptando ao calor, e segundo ele, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, é que a readaptação ao calor brasileiro depois de 2 anos no Canadá é real, e ele sentiu falta de outras coisas também, e ficou 2 anos sem comer feijão (“foi uma coisa, eu fiquei dois anos sem comer feijão, tinha saudade de feijão”), e a informalidade brasileira (“conversar e rir por uma coisa besta, sentir um pouco de é ser mais informal, eu acho”), e o que ele não curtiu do Canadá foi a frieza do pessoal, e “você puxar a conversa numa fila de banco, não vai, não vai, os caras não querem saber”, e o que ele mais sentiu falta foi a independência financeira que ele conquistou lá, e segundo ele, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, é que a readaptação tem dessas coisas, e o feijão é sagrado, e o calor é real, e hoje ele tá em Dracena trabalhando como arquiteto, e começou com um projeto com o Diego (engenheiro), e ele cita a música do Víor Fernandes (“Acaso”) que ele ouvia em Malta e dançava na praia, e ele quer ir pra Ásia (Coreia do Sul, Dubai) “da próxima vez”, e ele fala que ser brasileiro lá chama atenção, e os olhinhos brilham quando você fala “sou do Brasil”, e “a gente como brasileiro acho que a gente é muito avançado nisso daí, sem a gente querer”.
Onde encontrar
O Ivor Regatieri Valeta atende como arquiteto em Dracena, SP, com 100 dias em Malta em 2019, com 2 anos no Canadá (2020-2022), com o curso de Customer Service (mesmo sem diploma, mas com a carta), com a faculdade Unoeste em Prudente (2014-2018), com o estágio em design de interiores, com o vício de arquitetura, com o feijão que ficou 2 anos sem comer, com a chaveiro de R$100 no Canadá, com o menos 28°C, com o Honda Civic 2008 por 5.000 canadenses, com o “os cara de cueca na neve”, e com a frase que ele mais repete, de que arquitetura é vício, e de que “a faculdade te vicia nisso”. Acompanhe pelo Instagram do Ivor @ivorvaleta. Se você quer viajar pra Malta ou Canadá, segundo o Ivor, o que vale é ir com agência (primeira vez sozinho é arriscado), e segundo ele, é o que ele mais fala, e segundo ele, é o que o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, de que lá o canadense não quer conversar na fila do banco, e de que lá o dinheiro compra mais coisa com menos esforço, e de que lá o verão chega aos 30°C e mata os idosos, e de que lá os ovos têm pintinho dentro (Taiwan), e de que em Malta tudo é amarelo por lei.
Resumo do episódio
Ivor Regatieri Valeta, arquiteto formado pela Unoeste, conta sua trajetória de mudanças constantes que o levou a escolher a profissão, passando por 100 dias em Malta em 2019, dois anos no Canadá durante a pandemia (2020-2022) fazendo um curso de Customer Service, e retorno a Dracena onde trabalha como arquiteto. A conversa aborda como essas experiências internacionais moldaram sua visão sobre arquitetura, independência financeira, adaptação cultural e o contraste entre a frieza canadense e a informalidade brasileira.
Principais aprendizados
- A decisão por arquitetura veio ao observar detalhes das casas desde criança, consolidada no primeiro colegial quando percebeu que não era para computação.
- A faculdade de arquitetura cria um vício em que o profissional passa a analisar detalhes de qualquer ambiente, impossível de desligar esse olhar.
- O poder de compra no Canadá é surreal comparado ao Brasil, permitindo adquirir bens como um Honda Civic 2008 por 5 mil dólares canadenses.
- A readaptação ao calor brasileiro após dois anos no Canadá é tão intensa que pode causar síncope, como ocorreu quando retornou em Sorocaba.
- Os canadenses não estabelecem contato ou conversas informais em espaços públicos, contrário à informalidade e abertura dos brasileiros.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que tudo em Malta é amarelo?
Em Malta existe uma lei urbanística que obriga todos os prédios a serem construídos em tons de amarelo, porque a cor da terra local é amarela e os paredões de pedra são amarelados. Os prédios não podem destacar demais, mas a personalidade dos edifícios vem dos diferentes tons de amarelo.
Como funciona o curso de Customer Service no Canadá?
O curso tem duração de um ano, dividido em seis meses teóricos e seis meses práticos de atendimento ao cliente. No caso do Ivor, a pandemia começou três meses após seu início, impedindo a conclusão da parte prática e obtenção do diploma oficial.
Qual foi a temperatura mais fria no Canadá?
A temperatura mais baixa registrada durante a permanência foi menos 28 graus Celsius. O verão canadense chegou a 30 graus, o que foi letal para idosos não acostumados com o calor.
Quanto custa um Honda Civic usado no Canadá?
Um Honda Civic 2008 custa aproximadamente 5 mil dólares canadenses, demonstrando um poder de compra muito superior ao do Brasil para o mesmo tipo de bem.
O que Ivor sentiu falta ao retornar do Canadá para o Brasil?
Ele sentiu falta da independência financeira que conquistou lá e da informalidade brasileira, poder conversar e rir de coisas simples. Também ficou dois anos sem comer feijão durante sua permanência e recuperou esse hábito ao voltar.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.